Ártemis begins
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ártemis nasceu na Ilha de Delos, porém vivia na pequena pólis de Olímpias, diz- se que os moradores de Olímpias, são supostamente descendente dos deuses, cujo rei era o guerreiro Zeus, um cavalheiro de cabelos pretos e olhos cor azul escuro, que a conquistou e convocou todos os seus companheiros a bordo para trazer suas famílias e povoar a Pólis. Sabe-se que foram inicialmente morar o deus Zeus, sua esposa (que também era irmã) Hera, seus súditos e familiares, porém o guerreiro teve muitos filhos extraconjugais com diferentes filhas e esposas de algumas das famílias, legitimou alguns dos seus muitos bastardos, alguns tornaram membros importantes do Reino, porém outros não chegaram ao reconhecimento, muitos morriam antes da fase adulta. Ele mesmo tinha dúvidas de quais eram seus mesmo e até hoje ninguém sabe ao certo quem são os descendentes diretos do guerreiro.
Depois de alguns anos, os moradores da pólis já observaram vários moradores com habilidades incomuns, alguns mais que outros. Ártemis, era moradora da pólis. Sua mãe Leto dissera que o pai morrera na guerra, então só era ela, Ártemis e o irmão Apolo. A jovem tinha 14 anos, olhos esverdeados e cabelo em um tom de loiro escuro cacheado que impressionantemente ficava com uma cor preto azulado sob a luz da Lua, era introspectiva e capaz de expressar uma seriedade, apesar de sua natureza sensível, já seu irmão gêmeo Apolo era diferente dela em vários sentidos, com cabelos loiro-dourado e olhos azul celeste, tinha uma natureza extrovertida e até um pouco desequilibrada, mais expressivo quanto a sua sensibilidade que era tão intensa quanto a da irmã.
Era bastante cética quanto a essas questões de ancestralidade, sempre teve o desejo de ser livre e independente, gostava de ficar sozinha, não almejava fama de qualquer tipo, nem casamento, queria ser jovem pra sempre e passar o dia a olhar as copas das árvores, sabia de seus deveres como mulher de seu tempo e as vezes pensava em fugir, mas tinha muito carinho pela mãe e o irmão, então suas perspectivas quanto ao futuro e possibilidades eram baixas, até o dia em que teve de deixar o irmão na escola que ficava do outro lado do bosque e voltar sozinha para casa, passando pelo bosque, ela nunca andava só e levou seu arco e flecha, teria que faltar aula para ajudar a mãe nos últimos preparos dos enfeites da festa de verão, tradicional da pólis.
No caminho de volta para casa, sentiu um súbito arrepio e um medo de algo invisível que a rodeava e a deixava desnorteada, era um dia nublado e ventava bastante. Aflita, tirou uma flecha da aljava, o colocou sobre o arco, acelerou o passo e começou a cantarolar uma das músicas tradicionais dos moradores que, supostamente, afastava os males e curava as doenças da alma:
“Nas noites sombrias e no súbito mal alçar,
Ouço a voz dos anjos, que no seu pesar,
Cantarolando com suas vozes de sino,
Curam e repelem até o pior dos inimigos,
E, ai, da minha falta de fé, que me afasta das belezas deste abençoado luar,
Seja substituída pela cura dos meus pecados, pela sede de aventura e o desejo incessante de amar”
Cantou os versos até sentir a sua coragem renovada. Porém, de repente sentiu uma vontade muito grande de ir na direção oeste do bosque, na parte mais baixa, sentia que precisava consertar algo, cada célula do seu corpo vibrava com o desejo de contribuir para a mudança de perspectiva. Ao chegar em uma clareira, desconhecida por ela até então, deparou-se com a cena de várias crianças detidas e amarradas a uma árvore, muito assustadas. Em frente a elas estava um casal de meia idade maltrapilho, bem altos e com um olho só, seguravam chicotes, riam e zombavam do medo das crianças:
“Fedelhos imundos, bastardos indignos, calem suas bocas!"
Reconheceu algumas das crianças, lembrou-se que aproximadamente 8, de 5 a 8 anos, estavam desaparecidas após um passeio da escola na região sul, perto da praia. Soube de alguns rumores de seres gigantes de um olho só que raptavam crianças e as vendiam para trabalho escravo em algum lugar no além mar (Ártemis nunca saiu da pólis depois que vieram de Délos) ou as devoravam. Ao constatar a situação em que se encontrou, fechou os olhos e mentalizou o que poderia fazer, abriu os olhos novamente, sentiu um impulso muito grande de continuar cantando, quando voltou a ressoar, sua voz estava mais potentes e seu corpo parecia tão leve que poderia voar, correu em direção ao grupo e disparou a flecha, esta pousou em frente as crianças e o impacto fez uma bolha azulada que rodeou as crianças, protegendo-as dos piratas.
Em seguida disparou mais duas flechas no casal acertando ambas no ombro direito de cada um e continuou a cantar, eles gritaram de dor, as flechas brilhavam em tom prateado e pareciam intuí-los o sentimento de fuga e os empurravam para longe das crianças. Assustados, correram para longe e nunca mais voltaram a Pólis.
Ártemis soltou as crianças e as levou de volta ao povoado, instruiu a elas para não contar a ninguém sobre parte das “flechas encantadas”, como as pequeninas estavam nomeando. Ao chegar em casa, recebeu uma bronca da mãe pelo atraso e percebeu que era melhor manter segredo daquele estranho acontecimento.
O que poderia ser aquilo? Será que, Ártemis poderia ter algum tipo de dom a descobrir?
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