Notas iniciais
Hah! Faz tempo que tava para escrever uma deles. Espero que gostem!

Todomatsu, como o irmão mais novo de todos os seis irmãos da família, tinha que ser prático. Osomatsu, como o primeiro irmão, tinha como ditar aos demais como um líder. Choromatsu, como o melhor amigo dele quando crianças, de uma forma ou de outra tinha um poder sobre o primeiro de forma que pudesse pará-lo caso passasse dos limites.

Jyushi e Ichi, como os quinto e quarto irmãos, eram aqueles que os irmãos mais velhos recorreriam quando eles mesmos não quisessem fazer o trabalho sujo. Entretanto, isso era também devido ao fato de Todomatsu pensar muito antes de se utilizar de suas vantagens, para então ficar vulnerável em sua condição de mais novo. Não queria, de forma alguma, se encontrar na mesma situação de seu parceiro, o segundo irmão.

Karamatsu era o trunfo deles, o que do mesmo modo significava que sua calmaria de gênio aliada à sua força motivada por sua moral ferida, características decisivas em momentos ruins, mal se mostravam necessárias para as situações por quase não se mostrarem circunstâncias preocupantes no cotidiano. Dessa forma, era condenado ao papel de ignorado na maior parte do tempo. Ninguém era preocupado com o que fazia ou deixava de fazer.

Diferente de Todomatsu, que raramente falava algo, pois assim mantinha um mistério que encantava e aborrecia os irmãos. Então, mais uma vez tinha uma posição de superioridade sobre eles. Era a fada da fofura que capturava os corações humanos. Quer dizer, quase literalmente vivia disso para sobreviver.

Distância foi um preço pequeno alto que teve que pagar para isso. Desde a escola, apenas aquela simples atividade se manteve inalterada depois de tantos desapegos de sua parte com relação a parceria deles. A linha, o anzol, as iscas e silêncio. Nunca ouviu de Karamatsu qualquer reclamação. Na verdade, quanta era a alegria mostrada no rosto do segundo irmão quando iam fazer algo em conjunto.

Todomatsu podia sentir algo semelhante a culpa em seu peito. Desse modo, acabava por convidar o irmão mais velho a participar de um ou outro vídeo seu sobre maquiagem que postava em um site de compartilhamento de vídeos. Isso o acalmava um pouco, mas depois vinha a noite, e acabava encostando a testa no ombro de Karamatsu em busca de um apoio que não merecia, e se sentia pior.

Ainda mais quando adormecia naquela posição e então o que dizer para todos no dia seguinte. Seu rosto ficava vermelho de constrangimento.

Entretanto, logo vinha Karamatsu com uma pose dolorosa, dizendo o quanto estava honrado em ser o seu knight, e recebia um golpe ou outro para que ficasse quieto, porque “ainda era muito cedo para escutar e ver algo tão dolorido”. Então, todos perdiam o foco sobre seu jeito peculiar para lidar com o outro, único holofote reservado ao segundo irmão. Proposital ou não o sexto irmão devia ao segundo mais uma.

Porque sabia bem que podia depender de Karamatsu quando estivesse em perigo, pois não pensaria duas vezes para isso. Enquanto isso, quantas coisas poderiam se passar pela sua. Todomatsu seria mesmo um monstro que se importava apenas consigo mesmo? Seu coração havia murchado por tanto tentar se proteger?

— Todomatsu, a sua linha! — Karamatsu disse, apontando surpreso para a água próxima que se movimentava.

— Oh, claro! — Todomatsu disse, espantado, se levantando e puxando a vara nas mãos com toda força.

Karamatsu foi para trás dele para ajudá-lo e isso teve uma reação inusitada da parte do sexto irmão: alguma coisa estava se formando em sua mente, ainda que lutasse com todas as forças para que isso não acontecesse ou perderia sua concentração na atividade presente. Um passo para trás. Então, Karamatsu acompanhou como se tratasse de uma dança, e isso estava acabando com seus nervos.

Chegou ao ponto de quase soltar a vara quando a sua presa veio a superfície e bateu no solo com um som alto.

— Ai! — Osomatsu reclamou imediatamente depois da colisão. —... o que vocês estão fazendo se colocando entre mim e o meu tesouro?

O primeiro irmão, Todomatsu percebeu com algum escândalo, estava usando uma roupa de explorador completa só que com uma adição de pés de pato onde deveriam estar os sapatos.

— Nada fashion! — Todomatsu e Karamatsu disseram ao mesmo tempo horrorizados.

— Haha! O tesouro vai ser meu agora, Osomatsu-nii-san! Eu que não vou perder! — Jyushimatsu disse, feliz, rapidamente se mostrando na superfície da água, para depois mergulhar outra vez, aparentemente usando as mesmas roupas que Osomatsu.

— Ah! Desgraçado! Espera por mim! — Osomatsu disse, e se desprendeu do anzol o mais depressa que conseguiu para seguir o outro.

—... o que foi isso, hein? — Todomatsu questionou incrédulo.

— Ah, vou ter nightmares por alguns dias. — Karamatsu disse, balançando a cabeça algumas vezes, desolado.

— Como se você pudesse dizer isso, Karamatsu-nii-san! — Todomatsu disse acusador.

— Eh? — Karamatsu disse surpreso.

— Essa roupa que está usando... quem foi que pensou nisso? — Todomatsu disse pensativo, como tinha ficado desde a primeira vez que a viu. — Acho que nem mesmo você poderia ir tão longe!

— Ah... essa eu tive a idea em uma noite de insônia. — Karamatsu disse com um sorriso de canto.

— Insônia? — Todomatsu disse desconfiado.

Quando...? Não seria possível que soubesse quando Todomatsu tinha se aproximado dele das outras vezes e não disse nada...? Se fosse verdade, seria realmente constrangedor!

—... bem, depois dessa última pesca furada, não vejo porque continuar por hoje. — Todomatsu disse, sem olhar Karamatsu nos olhos.

Are you sure? — Kara perguntou em tom meio desapontado, o sorriso ainda em seu rosto. — Acho meio cedo para a estrela da esperança desistir, Totty.

— Pra que gastar toda a diversão, afinal? — Todomatsu disse, dando de ombros. — Dá para a gente vir amanhã, certo? E sério, Karamatsu-nii-san... esse não é o tipo de roupa para sair com o seu irmão mais novo.

Karamatsu o olhou sem entender, a luz do pôr do sol refletindo na roupa colante de puro glitter. Era de doer os olhos, sinceramente preocupante. Contudo, aquilo poderia ter um lado bom: aquele glitter parecia ter sido tão cuidadosamente colocado sobre o tecido que Karamatsu devia ter ficado mais preocupado pensando nisso do que qualquer outra coisa. Todomatsu iria dar um suspiro de alívio, até que Kara disse com um olhar doloroso:

— Eu fiz essa roupa pensando em você, Totty. Como seu knight, eu tenho que ter uma vestimenta apropriada. Seus inimigos vão paralisar diante de tanta beleza!

Todomatsu poderia ter surtado diante dessa informação, mas antes de qualquer coisa teve vontade de rir pela boa vontade do outro. Como ele podia ser tão idiota e ainda assim tão fofo? Seu coração bateu mais forte e, naquele momento, Todomatsu soube que ele ainda não havia murchado em definitivo.

O sexto irmão segurou a mão de Karamatsu e o puxou para longe da água, sem perceber o sorriso calmo que se esboçava no rosto do segundo irmão por causa disso.

Notas finais
Nos vemos!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!