Às escondidas

1 Capítulo Único: Às escondidas


Fazia algum tempo desde que aquilo começou, ah sim, fazia um bom tempo. Talvez nove meses? Para mim ainda era pouco perto do que queria passar com Gaara, porém, levando em conta quanto tempo se consegue manter um relacionamento escondido, já estávamos batendo recordes.

Nossa aproximação foi tão sutil e espontânea que podia se falar, facilmente, que estávamos conectados de alguma forma. Porém, Gaara sempre ficava vermelho dos pés à cabeça com meus comentários com aquele rubro que se aproximava à cor de seus cabelos que cobriam suas adoráveis bochechas. Adorava vê-lo tímido, desviando os olhos e querendo fugir daquele sentimento de vergonha, mas era tão fofo que não conseguia evitar.

Foi em uma simples reunião de amigos que nossos olhares deixaram a amizade de lado para ocupar o lugar de amantes. E como éramos amantes. Na verdade, depois daquela noite, descobri minha nova especialidade que supera o taijutsu, a especialidade de amar Gaara.

Não pensei que ele fosse realmente curtir aglomeração, tinha minhas dúvidas se havia vindo por insistência dos irmãos, e por isso fiz questão de tirar isso a limpo com Temari. Aproveitei o momento em que ela deixou o grupo que conversava e a puxei sutilmente.

— Temari, o que Gaara faz aqui?

— Ele simplesmente quis vir, Lee. Kankuro e eu ficamos tão assustados que queríamos medir sua febre, mas aparentemente é apenas algum interesse por aqui.

Naquele momento minha mente só conseguia pensar em perguntá-lo os porquês, entretanto, tinha medo de invadir sua privacidade. Digamos que Gaara não era a pessoa mais sociável do mundo. Entretanto, fui firme e forte até a sala e me sentei no sofá encostado na parede juntamente do ruivo.

Nossos olhos se encontraram e, assim que o olhei, pude sentir um calafrio percorrer minha espinha de ansiedade. Por algum motivo, meu corpo respondia muito bem aos seus olhares.

— Quanto tempo, Gaara. — Dei meu melhor sorriso para descontrai-lo, porém sua expressão continuava impassível.

— Oi, Lee. Faz algum tempo, realmente.

Por incrível que pareça, passamos uma boa parte da festa conversando, seja sobre nós mesmos ou sobre o que nossos amigos estavam fazendo.

Deixamos o local antes que todos, e eu tinha, surpreendentemente, tirado alguns sorrisos discretos do garoto da areia. Eram simples, mas muito bonitos, mais do que qualquer um que eu já tenha visto, pois naqueles singelos lábios eu conseguia ver que eram verdadeiros. Gaara não conseguia ser falso.

Quando o deixei na porta do hotel que estava hospedado, Gaara pediu, timidamente, que fosse com ele a seu quarto. Foi naquele simples pedido que comecei a vê-lo com outros olhos; que finalmente tinha entendido as reações do meu corpo perante a Gaara.

Nosso primeiro beijo foi algum tempo depois. Senti seu nervosismo em minhas mãos, que o seguravam firmemente pela cintura, e quando uma delas passou vagarosamente para sua lombar, trazendo seu corpo ainda mais próximo, sabia que não era somente beijos que ambos desejávamos.

Nossos meses de romance passaram com um relacionamento incerto sobre seu futuro, mas que continha muito desejo. Desejos esses que eram atendidos toda vez que nos tocamos e quando eu falava juras de amor para Gaara. Somente com suas ações percebe-se que é tudo recíproco. Gaara não é um homem de muitas palavras ou reações, mas sim de ações dentre esses abraços e beijos que eram distribuídos a todo momento quando estávamos sozinhos.

E então, foi em um desses nossos encontros às escondidas que Temari nos flagrou. Não estávamos exatamente vestidos ou fazendo alguma coisa exatamente pura, mas tentamos manter a discrição, mantendo nossa pele sem marcas visíveis e com a voz contida. Agora eu entendia o porquê Gaara sempre reclamar que seus irmãos não lhe davam privacidade, afinal, entrar no quarto sem bater era, no mínimo, invasão.

— Ops, acho que entrei no quarto errado. — E fechou a porta do quarto.

Gaara e eu nos olhamos com certo desespero. Nunca havíamos conversado sobre revelar nosso relacionamento sem nome ou status, e agora, depois de vestidos e sentados na sala juntamente com Temari, não sabíamos nem o que dizer exatamente. O ruivo colocou os dedos entre os olhos e cruzou as pernas.

— Temari, você entende que eu tenho que ter privacidade dentro do meu próprio quarto? — O garoto dizia sério. Não havia uma pessoa que não ficasse com medo de Gaara daquele jeito. Engoli seco.

— Hai, hai... — bufou como uma criança quando recebe bronca. — Eu falei, eu só errei o quarto. — Fez um bico nos lábios.

Mantive-me ao lado de Gaara e, com toda certeza, com as bochechas rubras. Não sabia onde enfiar meu rosto, afinal, fomos pegos exatamente no ato. Temari, com certa audácia, olhava-nos com um sorriso malicioso.

— Mas é até legal saber disso, afinal não sabia que meu irmão já tinha feito... esse tipo de coisa — falou rindo.

— Temari. — Gaara a repreendeu.

— Já entendi, enfim, acho que vocês precisam de um tempo para conversar.

A menina se retirou, nos deixando encabulados. Ao contrário do que pensei, Gaara não quis falar exatamente sobre o ocorrido, ele queria era vingança. Era notável em seus olhos. Eu não participei do plano, meu ruivinho era um gênio de qualquer forma, fui apenas a plateia.

Quando chegou a noite, ficamos trancados em seu quarto sem fazer nenhum barulho, era indispensável o silêncio para o plano. E como ele mesmo me disse que aconteceria, logo ouvimos dois indivíduos entrar na casa, Temari e Shikamaru. Gaara já havia notado o relacionamento também às escondidas dos dois e usou isso a seu favor.

Assim que julgou que ambos estariam apenas nos beijos e ainda com suas roupas, saiu do quarto com a minha câmera emprestada e logo ouvimos seu clique. O casal, em cima do sofá, desvencilhou-se rapidamente e sua irmã, principalmente, olhou-o incrédula.

— O que é isso, Gaara?

— Vingança.

É claro que aquilo virou um grande pega-pega do casal contra o ruivo, mas, como sempre, poucos eram páreos contra ele.



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