À flor da pele

84 Presente de Natal


Notas iniciais
1!!!!! Acabouuuu! o/ Obrigada leitores por todo o apoio, carinho, criticas, por me aguentarem, por tudo! Vocês são maravilhosos, amo vocês!!!!! Não esqueça de dar uma passada na minha história nova, Carmesim! Boa leitura!

Diana

Thomas bate a caneta em sua caderneta. É um barulho irritante. Ele está a milhares de quilômetros daqui, me atendendo por Skype e sua mania de bater a caneta em qualquer superfície ainda me irrita. Me pergunto se ele tem consciência desse... TIC?

— Bem, acho que já deu nosso horário. — Digo, irritada demais com o som que ele faz.

Ele olha para a câmera e sorri.

— Não, ainda temos mais dez minutos.

Afasta a caneta da caderneta e respiro aliviada.

— Me conte sobre os pesadelos.

— Ainda os... — E então ele começa a bater a caneta de novo, dessa vez acho que sobre a mesa, onde a câmera não pega. — Você pode, pelo amor de Deus, parar com essa merda? — Estouro finalmente e sou recompensado com um grande sorriso.

— Levou vinte e duas sessões para você me dizer que isso te irrita. Por quê?

Maldito terapeuta maluco!

— Realmente preciso de um motivo? — Ele apenas me encara, sem dizer nada. Suspiro e decido dar a ele o que quer. — Esse barulho é horrível, é como se estivesse dentro da minha cabeça, não me deixa prestar atenção em nada.

— Eu não perguntei porque o barulho te irrita, perguntei por que demorou tanto para me dizer que te irrita.

Penso por um momento. Constantemente ele joga esse tipo de detalhe na minha cara.

— Eu não queria ser inconveniente.

— Por quê?

E os malditos porquês!

— Achei que poderia ficar bravo.

Ele concorda.

— Eu não ficaria bravo. E nem outras pessoas. Bem, algumas talvez, porque intolerância, infelizmente, é um traço humano. Mas no geral, não é algo que deva ser deixado de lado. Você é uma pessoa, tem direito a pensar, se expressar e fazer o que quiser. Isso inclui não fazer o que não quer também, como suportar vinte e duas sessões com um barulho que parece estar em sua cabeça. Você tem tido ótimos resultados, Diana, mas precisa aprender a se impor. É algo de extrema importância, para que não volte a se anular, como sempre fez antes.

E no final de cada sessão, a lição de moral. Que bate exatamente no ponto certo.

Me anular.

Eu fiz isso a vida toda. O que queria não era importante. Eu gostava de fingir que tinha o controle da minha vida, quando só estava vivendo e esperado por todos.

— É um ótimo conselho. — Comento.

Ele sorri e bate a caneta uma última vez na mesa, antes de fechá-la e deixar na mesa.

— É claro que é um ótimo conselho, saiu da minha boca. Até logo, querida.

— Até.

Ele desliga.

Não preciso dizer que quando se convive mais com Thomas, Patrick e Theo, se percebe que são farinha do mesmo saco. Com um ego maior que eles.

Amy é a surpresa do grupo desordeiro, ela é completamente largada e me faz querer correr aos velhos hábitos quando começa a cutucar o nariz na minha frente. Eu tive vontade de despejar um litro de água sanitária nela na primeira vez que vi. Acho que foi meu maior teste desde que comecei as sessões com Thomas e a tomar os remédios que me receitou. Mas, depois de algumas semanas, percebi que ela é uma mulher confusa. Criada com esses caras folgados e que não sabe bem como se comportar. Ela adora coisas bonitas e brilhantes e tem sido uma grande companhia no meu tempo livre.

Desligo meu notebook e me levanto, me despreguiçando e estalando o pescoço. Uma hora sentada nessa cadeira. Às vezes Thomas passa de uma hora, nesse começo de tratamento, ele tem me atendido três vezes por semana e quando piro tenho sessões extras. Amanhã ele vem para a ilha com Abby e me prometeu pelo menos uma sessão ao vivo. Não que seja melhor, acredito que ser por vídeo tem ajudado a me soltar mais.

Saio do quarto, erguendo as mãos para esconder meus olhos do Sol forte.

Eu adoro esse lugar. Tive medo, admito, quando aceitei a proposta de Theodor, mas foi a melhor decisão que já tomei.

Não acredito que estou curada. Meus problemas são profundos, com raízes nas minhas experiencias, eles não irão embora. Mas posso senti-los suavizando aos poucos. Às vezes ainda tenho crises de choro, que levam a crises de pânico, elas porém são raras hoje em dia. Um sinal de que finalmente tenho o controle de alguma coisa.

Mas a melhor parte, é o apoio que recebo. Isso faz toda a diferença, agora tenho algo para me segurar.

Theodor está falando com um dos trabalhadores mais a frente. Quando ele me vê, se despede do rapaz e caminha em minha direção.

Sua pele está mas dourada, o cabelo ganhou uma coloração mais clara de todo Sol das últimas semanas. A camisa aberta e a bermuda que abraça duas pernas fortes não fazem nada para impedir as borboletas que voam em meu estômago. É sempre assim quando o vejo.

Quando ele está perto me lanço sobre ele, que me pega com facilidade, mantendo uma mão em minha bunda para apoio e segurar meus vestido branco no lugar. Passo minhas pernas em volta dele e o abraço apertado.

— Fim da sessão de hoje?

— Sim.

Ele caminha para nossa cabana. Quando entramos, não nos leva para cama como geralmente faz. Ele vai para o fundo, para a varanda de frente para o mar.

Se senta no sofá e me deixa em seu colo.

— Estive pensando. — Diz todo misterioso. — Já se passou um tempo agora e você está melhor.

Seu tom me assusta e os piores cenários se passam em minha cabeça.

Por favor que ele não termine comigo! Que ele não termine comigo! Que ele não termine comigo!

— Acho que é hora de receber seu presente de natal.

Respiro aliviada, mal posso disfarçar e ele ri disso.

— Certo, antes tarde do que nunca. Onde está? — Pergunto, toda mandona.

— Na minha cueca. — Ele começa a rir.

O que posso dizer? De fato, às vezes acho que é um presente mesmo.

Bato em seu ombro.

Ele me levanta por um momento e coloca a mão no bolso. Então se senta e pega a minha mão, a beijando e deixando aberta sobre seu peito.

— Você gosta de como as coisas estão agora?

Não preciso nem pensar sobre a resposta.

— Gosto muito.

— Não está cansada de viver comigo?

É a melhor parte sobre estar aqui. Estar com ele. Me sinto como uma adolescente apaixonada o tempo todo.

— Não, adoro isso.

Ele me dá aquele sorriso cafajeste que adoro.

— Bom. — Acaricia meus dedos lentamente. — É a melhor parte do meu dia, chegar em casa e te encontrar. Ou quando preciso ir para uma reunião com minha decoradora e você está lá.

Reviro os olhos pela piadinha.

— E definitivamente adoro quando as reuniões com a minha decoradora acabam em sexo.

— Para sua informação, prefiro designer.

— Certo. — Ele levanta as mãos em sinal de rendição e percebo que estão vazias.

— Cadê meu presente? — Eu o vi pegar algo.

— Onde mais estaria? Onde ele pertence.

Suas mãos capturam a minha e levam aos lábios e nesse momento percebo o anel em meu dedo, com o maior diamante que já vi na minha vida. E é claro, eu grito.

Ele leva as mãos ao ouvido enquanto dou gritos histéricos e pulo em seu colo.

Se me perguntarem se tudo isso é alegria porque acho que estou sendo pedida em casamento, vou ter que negar. É o choque pelo tamanho da pedra.

— Isso é um sim?

Paro de gritar e começo a me abanar.

— Você não perguntou nada para que eu responda com um sim.

Ele beija minha bochecha e se levanta, me leva enrolada em seu corpo. Caminha para fora da cabana e só fico mais e mais ansiosa.

— Isso ainda faz parte do meu presente?

Ele nega e me dá um selinho nos lábios.

— Presente no dedo, fim.

— Sem pergunta?

Então ele me dá aquele sorriso malicioso molhador de calcinha.

— Talvez eu tenha perguntado e você estava distraída, de novo.

Fecho os olhos com força, repassando o momento. Eu não acho que fiz isso de novo. Já basta ter estragado a declaração que ele fez...

— … Comigo?

Abro os olhos e o encaro, ele não fez isso!

— Repete!

Ele nega.

— Diana Weber, você é uma coisa.

— Você me distraiu de propósito.

— Não, eu não fiz.

Estamos do lado de fora, passando pelos trabalhadores, que nos acenam com sorrisos nos rostos. Theo nos leva até o hotel, onde tem a recepção, alguns quartos mais básicos e o restaurante. E é para esse último que ele me leva. Estou ocupada tentando fazer uma cara brava que só depois dele me colocar no chão e cair na minha frente de joelhos, é que percebo as pessoas a nossa volta.

— Meu Deus! — Meu pai e Julie sorriem para mim. Thomas tem Abby e Liam em cada mão. Bem que eu estranhei que a sessão não foi seu consultório hoje!

Patrick com a velha taça cheia de algo que deve ser álcool e Amy ao seu lado. Então tem Helena com um homem que conheço apenas das fotografias da casa de Theodor e Jane ao seu lado. Sinto a falta de alguém, mas não tenho tempo para pensar sobre isso.

— Diana, desde o dia que te conheci, percebi que algo faltava em minha vida. Isso só foi suprido quando me deu a honra de estar em sua vida. Não quero voltar para aquele estado de solidão e ignorância antes de você. Quero estar o resto da minha vida, se você permitir, ao seu lado e, quem sabe, com nossos 10 filhos.

Nossa família e amigos riem da última parte. Que secretamente me aterroriza.

Levo a mão ao rosto, secando as lágrimas e sorrindo para esse homem maravilhoso que me fez querer viver a vida que eu via pelo buraco da fechadura.

— Será que me dá a honra de ser seu marido?

Agora sim, o efeito do tamanho da pedra passou e começo a ficar em pânico, mas de certa forma, um pânico bom. Eu não poderia não aceitar isso. É o que quero, o que anseio, estar ligada a esse homem para sempre.

— Eu te amo tanto... — Digo a ele. — Sim!

Ele se levanta e me pega em seus braços de novo, o lugar que pertenço, beijando-me profundamente.

— Perfeito! — A voz estridente do meu melhor amigo me afasta de Theo. Eu o vejo atrás de nós com aquela câmera dele, que atualmente mais parece uma extensão de seu corpo.

— Peguei as melhores fotos! — Ele está tão distraído olhando para as fotos que tirou que quase não me vê chegando.

O abraço o mais forte que posso e logo sou recompensada.

— Amo você.— Sussurro para ele.

— Amo você mais, meu anjo. — Ele me responde. Então me afasta e ergo minha mão esfregando em sua cara o meu diamante gigante.

Sua boca se abre lentamente e seus olhos faíscam de inveja.

— Eu quero isso! Depois que casar você tem que me dar.

Sua voz desejosa e suas garras afiadas tentando chegar ao meu anel me têm rindo.

Theo se aproxima, me abraçando e afastando meu amigo.

— Será que Theodor Blake está tentando compensar alguma coisa com um diamante desse tamanho?

Não importa o que passamos, algumas coisas não mudam.

— Some, peso morto.

Theodor sempre será Theodor.

— Só se você prometer me fazer seu amante e me dar um anel desses.

— Só em seus sonhos.

— Nos meus sonhos isso acontece muito!

E Tyler sempre será Tyler!

Mas a coisa é, a vida é boa nesse ponto. Estou grata por estar bem e com as pessoas que eu amo. A luta é difícil, superar é uma guerra, mas com apoio, e remédios controlados, tudo é possível!

Notas finais
Acabou e eu estou em frangalhos (╥︣﹏᷅╥᷅) Espero que tenham gostado do final, não tinha como Diana ficar 100%, até porque isso não acontece na vida real e à flor da pele imita isso. Eu sei que ficou uns buracos na história, nos spin-offs alguns serão tampados, mas a maioria deixei de propósito. Precisava deixar algo para dar um diferencial para um livro. Que, finalmente despertou o interesse em uma editora!! Aeeeeee! Vou mantê-los atualizados sobre isso no meu blog: http://clarkelaego.blogspot.com.br/ Mas, vamos torcer e esperar. E enquanto um livro não sai, não deixem de me acompanhar nos spin-offs dos amigos desse casal fofura! Começando pela amiga pimentinha! https://fanfiction.com.br/historia/715293/Carmesim/ Beijos, obrigada por tudo e não deixem de marcar a história como lida, isso me ajuda no controle! Bj bjs ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!