À flor da pele

33 Maria Fujona!


Notas iniciais
Boa leitura!

Diana

Amy deixou na minha porta.

Será que Theodor sabe da gravidade disso? Eles não tem alguma coisa? Talvez sexo casual? Ela deve ter ficado arrasada por deixar um corpete em minha porta. Porque eu duvido que não tenha espiado o que tinha na caixa. Ou será que ela o ajudou a escolher?

Meu deus, não posso olhar para cara de nenhum deles, nunca mais!

Pago o taxista e desço do carro. A luz da varanda de casa está apagada, deve ter queimado, porque me lembro perfeitamente de ter acendido antes de sair. Vasculho minha bolsinha e logo encontro minha chave. Deixo o cadeado cair no processo e desisto de procurar na escuridão. Amanhã cedo resolvo isso.

Para meu azar, minha casa fica justamente entre os postes de luz e a distância entre eles é grande, o que significa que não ajudam muito. Então, tenho um pouco de dificuldade até de colocar a chave na fechadura, mas consigo. Acendo a luz do corredor ao entrar. Amanhã procuro uma lâmpada nova para fora e o maldito cadeado.

Tiro minha carteira e celular da bolsa e os deixo no aparador, junto com uma pilha de cartas, que nem tive tempo de olhar ainda.

Vou para a cozinha, acendo a luz e vou em direção à porta da lavanderia, que está aberta. Falei duas vezes para Terry trancar, e as duas vezes foi ao vento pelo jeito.

Deixo minha bolsa no tanque, foi uma noite... Suja. Não dá para guardar assim. Tiro minha sandália e terninho. Deixo o arquinho de chifres junto da bolsa, amanhã penso no que fazer com ele. Talvez a Terry queira guardar.

Tiro as peças intimas e as separo em um cesto, o terninho já coloco dentro da máquina. Alcanço um roupão em um armário e me enfio logo nele, está frio.

Preciso lutar contra a vontade de lavar as roupas agora e limpar a casa. Estou agitada, fazer essas tarefinhas me faria bem. Mas não... Fica para outro dia! É capaz de algum vizinho chato vir reclamar do barulho.

Por hoje vou ter que me contentar com essas lembranças de mais cedo, que não param de voltar e voltar e voltar a minha mente. Tento me concentrar em pontos específicos, pensar em receitas, músicas, mas continuo me lembrando do Theo... Sem camisa. E em seguida falando do corpete. Me deixando sozinha. E então acordando para a realidade. Tantas coisas numa única noite.

Agora, ele deve estar com alguma daquelas garotas vestidas de personagens infantis versão pornô. Aposto que não foi difícil convencer alguma delas a dar o que ele precisava. E pelo volume que percebi, ele precisa muito de algo...

Tranco a porta e apago a luz da cozinha. Paro de frente ao aparador do corredor para pegar o celular e um envelope me chama atenção na pilha de cartas. Ele é cor de rosa. Dalua sempre envia envelopes coloridos.

Pego a carta e a mesma caligrafia das outras me confirma. Como sempre, apenas meu endereço. Sem destinatário, sem remetente. Sei que não deveria abrir essa carta, não é para mim. Mas, no fundo partilho da mesma curiosidade de Tyler.

Atravesso a sala com o envelope em mãos e vou para o escritório. Procuro em uma das gavetas da escrivania um estilete e tento soltar a cola, sem rasgar. Se o dono aparecer um dia, eu posso colocar de volta e fingir que nunca abri.

Assim que o envelope está aberto, o cheiro doce toma conta. Dalua borrifa perfume, e segundo Tyler, é um barato e enjoativo. E de fato, é enjoativo. Mas a curiosidade...

A letra dele é curva e pouco difícil de entender. Mas consigo decifrar uma parte de um poema, que acredito ser de Shakespeare, seguido de uma nota.

“Quando penso em você me sinto flutuar,

me sinto alcançar as nuvens,

tocar as estrelas, morar no céu…

Tento apenas superar

a imensa saudade que me arrasa o coração,

mas, que vem junto com as doces lembranças do teu ser.

Lembrando dos momentos

em que juntos nosso amor se conjugava

em uma só pessoa, nós …

É através desse tal sentimento, a saudade,

que sobrevivo quando estou longe de você.

Ela é o alimento do amor que encontra-se distante…

A delicadeza de tuas palavras

contrasta com a imensidão do teu sentimento.

Meu ciúme se abranda com tuas juras

e promessas de amor eterno.

Ps: A melhor parte sempre são as estrelas. Perfeitas.”

Sinto meu corpo arrepiar-se ao acabar de ler. Como sempre, não há assinatura.

Me pergunto se a suposição de Tyler está correta. Se Dalua se apaixonou pela antiga moradora e virou um admirador. Talvez ele a conheça e tenham tido algo. Suas cartas geralmente são poemas sobre o amor ou a beleza feminina, não parece algo adequado para enviar a alguém que não conhece. Talvez ele tenha perdido a garota, e essa é uma forma de honrar sua memória.

Ok, vou desconsiderar a última parte, porque a ideia de alguém ter morrido nessa casa, ou que tenha sido dono antes de falecer, não me agrada. Todos aqueles medos de menininha começam a vir à tona. Medo de escuro, fantasma, monstro no armário, bonecos assassinos...

Ai, meu deus! Não posso pensar nisso, não posso pesar nisso, não posso!

Abro a última gaveta, que está ficando cheia, e deixo a carta com as outras.

Pego meu celular, apago as luzes da sala e corredor e corro para cima. Quando estou em meu quarto, vou andando devagar, para não bater em nada, até chegar no abajur ao lado da cama e o ligar.

Tento pensar em algo que não seja sujeira, fantasmas e Theodor. Mas os três temas estão fervilhando em minha mente.

Coloco o celular no criado mudo e vou ao guarda-roupa, onde pego uma calcinha, daquelas confortáveis, versão vovó, e um regata branca, então vou para o banheiro. Fecho a porta e ligo o chuveiro. Aproveito o tempo de esquentar a água para escovar os dentes e tirar os adesivos dos meus machucados.

Quando entro debaixo do chuveiro, é como se estivesse me livrando de toneladas de alguma coisa. É praticamente um ritual de purificação. Lavo meus cabelos antes de mais nada. Depois encho a mão esquerda com meu sabonete líquido e com a direita vou passando pelo corpo. Primeiro no pescoço... Onde Theodor me beijou. Depois no ombro... Onde ele também beijou... Desço a mão para a barriga... Onde ele massageou e foi tão... Bom.

– Maldito, Theodor! — Digo irritada, como se falar em voz alta ajudasse a aliviar toda a confusão dentro de mim.

Quando minha mão está entre minhas pernas, sinto que estou tão úmida e não é pela água do chuveiro. Não consigo esquecer dos dedos dele tentando entrar em minha calça... O que ele teria feito se conseguisse?

A mão esquerda, ainda cheia de sabonete, vai para meu seio e... ensaboo enquanto a direita continua entre as minhas coxas... E em minha mente não há nada nesse momento além de Theodor Blake.

***

Suja. Me sinto dessa forma.

Como é que um banho, um processo tão limpo e purificador pode deixar alguém assim?

Estou envergonhada.

Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Deixe-me escorregar para o chão e aqui permaneço ainda.

Tudo que segurei o dia todo explode dentro de mim. Acho que tive uma crise minutos atrás, mas não tenho certeza. Minha cabeça está uma bagunça. Meu corpo pior ainda. Tudo que eu quero é afundar minhas unhas e minha pele, mas vou acabar com um ferimento ainda pior que os de agora se o fizer.

É suposto que eu seja uma mulher moderna. Que esse tipo de situação não seja um tabu tão grande. Mulheres se masturbam. Homens se masturbam. Mas isso simplesmente parece algo tão impróprio e nojento. Às vezes me pergunto se é assim o ato sexual. Se depois de fazer me sentirei dessa forma. Não que eu pretenda. Eu nunca senti vontade de ter essa experiência. Bem, talvez há uma hora atrás, quando estava no quarto com Theo...

Oh, deus! Só em pensar nesse homem meu corpo começa a ganhar vida de novo. Não quero vê-lo mais. Theodor Blake faz mal a minha saúde!

Me levanto, emburrada, e abro o box.

– Puta que pariu! — Grito assustada ao ver alguém. Me lanço para trás e bato na parede. Meu coração bate tão rápido que me dá um mal estar.

Tento respirar com calma, recuperar-me. Mas estou tremendo.

Com dificuldade me afasto da parede e dou dois passos, vendo de novo a pessoa de antes. Eu mesma. A porta do banheiro está aberta e consigo me ver no espelho da penteadeira. É por isso que sempre fecho essa maldita porta. Ela deve estar com defeito, só pode ser isso, nunca para fechada.

Lâmpada queimada, porta com defeito. O que falta quebrar agora? Por que fantasma é que não é. Mas que droga, porque fui pensar no maldito fantasma de novo?

Tudo isso só pode ser castigo por todas as coisas impuras que fiz hoje.

Pego minha roupa e volto para o quarto. Dessa vez a luz do abajur não parece suficiente, deixa certos cantos do quarto escuros... Então, vou para perto da penteadeira e ligo o interruptor, que fica do lado, iluminando o cômodo todo. Também tranco a porta. Resultado da convivência com a Terry, só pode ser isso!

Me seco e visto a roupa que peguei. Largo a toalha no chão mesmo e me enfio debaixo das cobertas, com cabelo molhado e tudo. Até cubro a cabeça.

Fico quietinha, enquanto sinto meu corpo parar, aos poucos, de tremer. Mas logo volta, com força, quando o celular apita. Só pode ser conspiração!

Me descubro e olho cada canto do quarto antes de me esticar e pegar o celular. É uma mensagem do Tyler.

“Em casa?”

“Sim, já estava dormindo!”– Minto, não quero que ele me pergunte onde eu estava que sumi na festa. Para todos os efeitos, vim embora cedo.

“Que bom ;)”– Chega segundos depois.

Coloco o celular onde estava antes e volto a me cobrir. Aos poucos meu coração vai voltando a bater na velocidade normal. Meu corpo vai relaxado e estou quase caindo no sono... Então ouço o piso ranger. Já ouvi outras vezes e já comprovei com Terry que ele estala. Isso tem a ver com a temperatura. Mas ainda sim, isso é perturbador. Ainda mais sozinha, com álcool no organismo e pensando em fantasmas.

Mas, se tem uma coisa que eu sei, é que não há nada a temer aqui. A mente da gente é assim, prega peças. É preciso unicamente de um pensamento aterrorizante para tornar sua noite um pesadelo. E me recuso a isso. Não há nada aqui e tudo que eu preciso fazer é comprovar por mim mesma.

Me levanto e procuro minhas pantufas de panda. Eu amo pandas! Elas estão perto da penteadeira. As coloco e destranco a porta. Vou para o corredor que tem a luz apagada. Não há nada. Pronto! Agora posso dormir sossegada. Empurro a porta para fechar outra vez, mas escuto de novo o ranger. Aponto a cabeça para fora de novo. A luz vinda do meu quarto deixa o corredor claro o bastante. Não vejo nada.

Saio do quarto e vou pro outro lado do corredor, encontrando o interruptor e o acendendo. Nada!

E o ranger se faz audível de novo. Vem do quarto de hóspedes. Não é possível que Tyler tenha vindo para cá e não disse nada na mensagem. A primeira coisa que ele sempre faz é barulho. Gritos de “Querida, cheguei” ou palavrões.

Caminho pelo corredor, ouvindo o piso ranger com meu peso. É muito parecido com o barulho que vem do quarto de hóspedes.

Por que mesmo eu deixei a Terry ir embora? A companhia de outra pessoa seria bem vinda agora.

Quando estou na frente do quarto, estendo minha mão para segurar a maçaneta. Mas então escuto uma musica tocar. É meu celular e dessa vez é ligação. Graças aos céus não me assusto dessa vez.

Vou rapidamente ao quarto e pego o celular. Número restrito.

Sério, isso? Estou começando a me sentir em algum filme de terror. Pânico, talvez?

– Alô... — Atendo de uma vez.

– Oi... — Reconheço a voz só pelo cumprimento.

– Theo... Oi.

– Estava dormindo?

Diga sim, Diana. Só assim ele te deixará em paz. Não dê brechas, seja esperta!

– Não, na verdade... Você está bem?

Saio do quarto, para acabar minha tarefa.

– Sim. Você está?

Que papo mais estranho.

– Sim. — Paro na frente do quarto de hóspedes de novo e abro a porta, acendo a luz e olho o cômodo. Não há nada.

– Que bom...

Silêncio constrangedor. Ainda bem que não terei mais que vê-lo por um...

– Posso entrar?

– Oi? — Fico sem reação. Entrar aonde? Ele está aqui? Ou será que ele quer dizer “dentro” de mim? Será um novo código dos tempos modernos para sexo?

– Entrar para conversarmos... As coisas ficaram estranhas, certo? — Muito! Mas não digo isso. Fico quieta, sentindo o coração acelerar de novo. Não posso vê-lo! Como vou encará-lo? — Só por um momento. Por favor?

Não! Não! Não!

– Só um pouco, ok? — Me ouço dizer. E é exatamente o que eu quero dizer. Mesmo que seja errado. — Mas Theo, é sério, não vamos transar. E você tem que ficar com suas roupas... — Acrescento, já suando pela quentura que a vergonha me causa.

– Eu prometo, Diana. Não farei nada que você não queira.

Ai, que perigo!

– Eu... — Boca seca de novo. Gaguejando. Estomago embrulhado de ansiedade. Pareço uma adolescente de novo! — Só um minuto. — Desligo.

Entro em meu quarto e pego a toalha, vou pro banheiro e a coloco no cesto. Mas pra que isso? Ele não vira em meu quarto, céus! Abro o armário do banheiro e pego um roupão limpo, visto e o amarro. Então desço.

Acendo a luz do corredor e abro a porta. Theo não está no portão.

Tem um homem alto parado a minha porta, ele usa um capuz e é bem assustador...

– Oi. — A voz de Theo surge, vinda dessa figura.

Esperava o fantasma da ópera, para ser sincera...

Ele se inclina para frente e estende a mão em minha direção. Dou um passo para trás e tudo se ilumina.

Ele acedeu a luz de fora. Luz que estava queimada, teoricamente. Eu não troquei a lâmpada. E nem testei para ver se estava queimada mesmo...

Theodor está de moletom. E lhe cai muito bem. Ele afasta o capuz e deixa a mostra os cabelos molhados e bagunçados. E também exala um cheiro bom... Parece que acabou de tomar banho.

– Posso entrar? Está frio aqui...

Não deixe, Diana. Mantenha isso impessoal. Tudo aí da porta!

– Claro... — Me afasto, o deixando passar, então percebo que ele está com uma mochila grande nas costas.

Esse Theodor é novo para mim. Não fosse esse corpo grande e másculo, tão chamativo, poderia ser passar por um desconhecido na rua. Aposto que ajudaria a despistar jornalistas. Se bem que não vi Theodor sendo perseguido por qualquer um e olha que saímos para correr. Quer melhor oportunidade para tirar fotos de alguém?

Ele vai para a sala e espero um minutinho antes de segui-lo. Tenho certeza que estou vermelha. Sinto meu corpo quente, minhas bochechas praticamente incendeiam.

Entro na sala, na maior naturalidade que não estou, e que tenho certeza que ele já percebeu.

Theo está sentado no sofá menor, acendeu a luz e agora tira coisas da mochila e coloca na mesa de centro.

– O que é isso tudo?

Vou para o sofá maior e estudo dois potes médios na mesa e então ele coloca uma garrafa de vinho.

– Você não esperou o bolo. — Ele sorri. E que sorriso lindo!

– É que ouvi que você o escolheu...

– Verdade. Mas, não pensei só em mim na hora de fazer a escolha. — Ele fica em pé. — Taças, garfos? Posso? — Aponta para fora da sala.

– Por favor.

Ele se retira do cômodo e me inclino para olhar o que me espera. Abro a tampa de um dos potes e encontro uma fatia grande de bolo. Chocolate, creme e ao que parece ameixas.

Como é que um cara que gosta tanto de doce, aparentemente, pode tomar café amargo de manhã? Não consigo aceitar esse fato.

– E aqui... Está. — Ele volta, segurando duas taças pela base e dois garfos e um saca-rolhas na outra mão.

O que eu mais odeio no Theo, que adorava duas horas atrás, é essa coisa nele... Esse jeito de me deixar à vontade somente com sua presença. Não quero me sentir à vontade. Não quero esquecer que estou envergonhada e... Ah, droga, é verdade! Eu estou envergonhada, ele sabe que eu o observo por meses!

Olho para o chão, enquanto ele abre a garrafa de vinho. Passa segundos, minutos talvez, e então uma taça surge em minha frente. Aceito e me sento direito. Péssima ideia... Ele aproveita que tirei os pés do sofá e senta ao meu lado.

– Então – Começa ele, normal, como se nada de estranho tivesse acontecido hoje. — Você está com medo de mim?

Levanto meu rosto e o encaro.

Medo...? Como se isso fosse possível.

– Não tenho medo de você, Theodor. — Digo firme.

– Theo... por favor.

– Theo. — Me corrijo.

– Está com raiva então? — Ele insiste, bebendo de sua taça e logo volto a olhar para o chão de novo.

– Não.

– Você fugiu hoje. Por quê?

Que pergunta idiota é essa? Todos os porquês não estão mais que claros?

– Eu não quero falar sobre isso. E... Está tarde. Você não devia estar na sua festa?

Theo toma a taça da minha mão e coloca na mesinha, junto com a dele. Então ele se vira para mim, segura meu rosto e me obriga a olhar para ele. Estou tão constrangida, que me sinto até tonta. Será que vergonha mata?

– Eu não me importo com a festa, Diana, eu me importo com você. Eu quero saber o que você está sentindo, o porquê de estar tão vermelha, embora ache lindo suas bochechas assim. Quero saber o que eu fiz de errado e como posso consertar isso. Será que você pode me dar uma luz?

Olhos tão bonitos... Cabelos bagunçados... Queria tocá-lo...

– Estou... Envergonhada... — Sussurro, porque a voz não me obedece, não sai direito.

– Com o quê? — Pergunta incrédulo. Será que está me provocando? Ou acha tudo que aconteceu normal? — Conte-me, por favor.

Oh, deus, ele vai me fazer falar? Assim, sem nem me deixar esconder o rosto? Que crueldade!

– Tudo. Especialmente você saber... — Não consigo. Empurro as mãos dele e fico em pé. Meu primeiro reflexo é me enfiar em meu quarto e me trancar lá. Como uma criança manhosa. E até consigo subir as escadas, mas sou interceptada no corredor. Mãos grandes seguram minha cintura e me prendem. Sou obrigada a ficar de frente para ele e pressionada na parede.

– Olha pra mim. — Ele me diz sério. Sério demais. Me assusta. Mas, quando nossos olhos se encontram, não há irritação. Diria que ele está preocupado, na verdade. Como uma sessão de amassos foi acabar nisso? — Me diz. Você só precisa falar, Diana. Eu não vou julgar. Fala comigo, por favor.

O que eu faço?

– Theo... — Baixo a cabeça, enfiando meu rosto em peito. Não posso ter essa conversa olhando em seus olhos.

– Diga-me...

Suspiro, dando-me por vencida. A única maneira de sair disso é despejando tudo. Ou uma pequena parte pelo menos...

– Theo... Eu... Me sinto envergonha por você saber que eu te... — Não posso, não posso!

– Me observava...?– Ele sussurra, me aperta em seu peito. — Eu fazia o mesmo, Diana. Qual o grande problema nisso? Eu vi algo bonito e não pude parar de olhar. Me sinto lisonjeado por ser visto da mesma maneira, ou de uma parecida... Eu acho.

Sorrio com isso. Não deveria, mas esse é o maldito efeito Theodor Blake. Ele é a coisa mais constrangedora em que já coloquei meus olhos e também a mais relaxante.

– Podemos comer meu bolo agora?

Me afastou o bastante para estapear seu braço. E ele aproveita o momento, segura meu queixo e me obriga a olhar para ele.

– Assunto encerrado, ok?

Concordo, sem voz.

Mas o assunto não está encerrado. Longe disso. Há o fato de que nos pegamos e tem a Amy, que não faço ideia do que seja dele. Há Tyler que não aprova qualquer coisa além de amizade. Talvez nem amizade. Há também ele seminu quase entrando em minhas calças mais cedo. Eu já falei isso?

Theo se aproxima, toca meus lábios com os dele. Me dá um selinho, então se afasta, sorrindo. Segura minha mão e entrelaça nossos dedos.

Ele não percebe que ao fazer essas coisas só vai me deixar ainda mais confusa? E envergonhada. E atrapalhada. E tudo mais que eu não deveria estar?

Ele me conduz para a sala de novo. Me faz sentar no sofá maior e me passa um dos potes, sem tampa.

O observo sentar ao meu lado e espetar os garfos no bolo, então ele passa o braço forte sobre meu ombro, me mantendo perto. Perigosamente perto.

– Bom apetite! — Diz animado, como uma criança prestes a abrir um presente de natal.

Queria não ter ido nessa festa. Aliás, queria não ter conhecido Theodor Blake quatro meses antes. Isso bagunçou minha vida. Ou deu alguma cor.

Tudo depende do ponto de vista...

Notas finais
Diana em seu momento bundona. Será que rola algo assim no próximo? > http://1.bp.blogspot.com/-urXjBa5MmnY/UexZumILyhI/AAAAAAAAD6U/LYVPHmxN_lE/s1600/tumblr_md8e4qr6go1rbll7mo1_500.jpg Ps: Próximo capítulo não é ela quem narra... Bj bjs