Notas iniciais
Tô viva, gente! Desculpem a demora, eu estava tirando um tempinho para mim. As férias escolares foram cansativas por causa da criançada aqui, quando acabou eu que precisei tirar algumas. Mas, de volta ativa, vamos que vamos. Queria agradecer a MizzyRay e a Lizzie Marins que recomendaram a história. Vocês são umas lindas e o carinho de vocês não tem preço. Sem mais, boa leitura!

Diana

Desperto com Theo se levantando.

Não planejei que dormíssemos juntos. Na verdade, senti que um pouco de distância faria bem para esse relacionamento que começou com tanta intensidade. Mas, não pude ficar sozinha em minha própria casa. Quando Theo disse que deveria ir, eu entrei em pânico. E ele percebeu isso. Então disse que poderia ficar no quarto de hóspedes. Isso pareceu muito bom, até que eu acordei, várias vezes, de madrugada.

Eu não tenho certeza se é um pesadelo ou uma lembrança. Mas a imagem da porta trancada sendo aberta me dá arrepios. Eu acho que é um pesadelo. Não tem como o ladrão ter destrancado a porta. Ele teria que ter a chave do meu quarto.

E mesmo sabendo que isso é um pesadelo, não consegui me sentir segura em meu quarto. Me esgueirei para o quarto de hóspedes, me juntando ao Theo no meio da noite. Ponto negativo para mim, eu sei! Mas é preciso levar em conta que não tive nenhuma crise desde que pisei aqui novamente e isso deveria ter acontecido. A antiga Diana teria se deixado levar pelo desespero e medo.

Antigamente...

Ter consciência de como mudei soa estranho em minha mente. Eu consigo perceber as sutis mudanças, mas não estou certa que seja por um longo período de tempo.

O que Tyler diria se me visse hoje, relaxada, calma e... Feliz? Será que ele continuaria com raiva?

– Desculpe te acordar. — Theo se senta ao meu lado e beija minha testa. Eu gosto disso. Mas também sei que vai acabar em algum momento. Não podemos apenas começar a dormir juntos o tempo todo só porque estamos namorando. Podemos?

– Tudo bem. Que horas são?

– Não faço ideia, estava indo atrás do meu celular para descobrir.

Ok. E depois escovar os dentes, né?

Theo leva a mão ao coração e faz sua melhor expressão ofendida.

– Você me mata, mulher!

Ele belisca minha coxa e sai rindo do meu gritinho de surpresa.

Eu nunca estive tão à frente em um relacionamento, mas mesmo assim, posso dizer que o tenho com Theo. As coisas parecem ter pulado fases. É como se nos conhecêssemos por anos. As coisas são tranquilas e confortáveis. Mesmo com todas as revelações de ontem. Eu acho que isso só serviu para nos ligar mais. Mas preciso me policiar, quase deixei escapar coisas sobre Eleonor. Isso não seria agradável de discutir.

Fico deitada, olhando para a janela, se fosse em meu quarto, eu saberia dizer se é antes ou depois das oito, o sol não bate aqui de manhã.

Theo demora a voltar e acabo me levantando. Vou para meu quarto e olho em direção ao criado mudo, onde antes ficava meu relógio. Não faço a menor ideia de onde ele foi parar.

Visto um roupão por cima do meu pijama. Gosto de dormir nua, mas não achei apropriado fazer isso ontem.

Vou ao banheiro e faço minha higiene. Quero correr, sinto falta disso. Acho que ganhei uns dois quilos nessa viagem, preciso me exercitar com certa urgência. Especialmente agora, que há alguém para olhar para isso...

Visto minha roupa de corrida e desço. Theo esta na cozinha, ouço sua voz, está no celular.

Observo ele de costas, fazendo algo na pia, enquanto apoia o celular com o ombro. Na mesa tem uma caixa de presente e já me sinto meio irritada só de ver. Eu não quero ser aquelas mocinhas de livro, onde o cara é um tipo de perseguidor e toma conta de todo o espaço que ela tem. A enche de presentes, caros e desnecessários, conserta tudo, e está ali para qualquer coisa. Menos para a verdade. Sempre que um cara tão bom assim aparece, ele geralmente tem uma merda de segredo, que acaba com qualquer chance de um relacionamento saudável e seguro. Claro que, espero que Theo tenha me contado o seu pior ontem. E certamente vou colocar um ponto final nessa coisa de “presentes”.

Será assim quando já estivermos junto há algum tempo? Aliás, será que vamos durar o suficiente para cansar?

– Você sabe o que fazer. — Ele diz e então se vira. Vejo surpresa em seu rosto quando me vê. — Te ligo depois.

Ele tem uma jarra de suco em sua mão.

Ele fez suco... Que fofo!

Theo desliga o celular. Isso já não é fofo. Por que ele não pode continuar falando? Será que tem algo a esconder? Algo que o Google possa revelar em uma pesquisa rápida?

– Bom-dia, linda! — Ele me cumprimenta com um sorriso. Mas está tenso.

– Hey... Está preparando o café...?

– Sim. Queria ter levado na cama.

Ele deixa a jarra na mesa e se aproxima, rodeando minha cintura com os braços e beijando minha testa. E isso é tudo. Nada de corpos colados e beijos molhados pela manhã. Isso seria ele me dando algum espaço pelo que aconteceu ontem?

– Outro presente, então?

Ele cora levemente. Deve ser roupa intima de novo...

– Você vai ficar brava. Tipo, muito...

– Oh...

Estou ansiosa. O que ele aprontou agora? Não basta modificar minha casa sem minha autorização?

Respiro fundo, tentando controlar meu humor.

– Mas lembre-se, minhas intenções são as melhores...

Soou como Tyler depois de fazer alguma merda.

Ele se afasta e pega a caixa, então abre ele mesmo e ergue um aparelho de celular, o balançando alegremente para mim.

– Amy foi atrás de um modelo como o seu antigo. Tem o mesmo número e... Você está vermelha! Está muito brava...?

Fato, minhas bochechas ardem. Até meu pescoço arde.

– Eu vou te pagar por isso. E você vai aceitar e então vamos esquecer, Theo. Suponho que isso já estava a caminho quando conversamos sobre dar coisas ontem? Eu não gosto de me sentir comprada.

– Ah, Diana! Eu não quis fazer isso. Nunca pensei em te comprar com coisas, eu só penei em seu conforto, em te deixar segura e... Droga! Sinto muito se meus atos são interpretados dessa forma.

Me sinto um pouco culpada agora. Mas não estou acostumada a ganhar coisas. Tyler é o único que me presenteia e meu pai me manda flores e um cartão nas datas de festividades. E fim. Ser o centro de algo, ganhar coisas apenas por agrado, não me deixa feliz, mas me faz sentir endividada.

– E sim, eu pedi para ela comprar antes da conversa. — Ele completa.

Suspiro forte e tento aplacar meus sentimentos.

Ok... Obrigada.

Ele concorda e suspira aliviado. Um pequeno sorriso nasce do canto de seus lábios.

Eu já não quero gritar com ele. O rosto cheio de alívio que ele me mostra agita algo em mim.

– Talvez eu devesse te dar um presente cada vez que você me dá um.

– Eu não quero...

– Eu não quero nada também. Mas você continua dando. E eu estou começando a me sentir em dívida.

– Diana... Ah, inferno!– Ele contorna a mesa e se senta. — Nós somos um casal agora, é óbvio que eu quero te agradar. Fazer coisas por você e dar-lhe coisas que eu acho que vão te fazer feliz. É isso que os caras fazem. Você não pode apenas me dizer para não fazer isso.

Ele tem um ponto.

– Eu entendi que preciso de limites. Está anotado... — Ele continua. — Mas... Estamos juntos há poucas horas e você já está me deixando meio perdido, mulher!

Ele sorri apesar das palavras.

Me sento de frente para ele, correspondendo seu sorriso.

– Isso não está dando certo, né? — Sinto um embrulho do estômago. Talvez eu não devesse ter sido tão direta. Até parece que o estou mandando embora e é justo o contrário, quero que ele fique...

– Você está brincando? Está sendo torturante em alguns momentos, mas devo admitir, estou amando cada minuto. É tudo novo para mim também. Não espere que eu apenas acerte, ok? Vou errar, bastante, provavelmente. Mas estou exatamente onde quero e da forma que quero.

– Isso foi muito bonito... — Mordo o lábio involuntariamente.

– Acho que tenho jeito com as palavras...

– Definitivamente.

Ele sorri.

Reparo em seu cabelo bagunçado e sua camiseta amassada. Ele parece se encaixar tão bem no cenário. Minha cozinha nunca esteve tão agradável.

– Então, suco?

– Sim, e ovos. Mas não deu tempo de ver os ovos. Eu pedi para Amy me mandar instruções, mas ainda não havia começado...

– Eu acho que posso cuidar dessa parte, mas queria correr antes...

– Perfeito!

***

De acordo com o celular do Theo, era nove e meia quando voltamos da corrida. Tomamos nosso café da manhã, com suco, ovos e torradas.

Depois do café, ele me deixou em sua casa, com meu material de desenho e notebook. Então se foi.

E agora, exatamente às 11:30, estou sentada em uma cadeira, no meio da sala vazia, olhando para as paredes e esperando alguma coisa surgir.

Não é como se eu não tivesse tido ideia alguma. E Theo me disse que poderia deixar ao meu gosto, inclusive tudo rosa, se fosse o caso. Mas, mesmo que ideias, baseadas em meu gosto, borbulhem em minha mente, eu não poderia fazer isso.

Por isso, estou aqui olhando para o nada. Estou tentando imaginar como seria o lugar ideal para Theodor. Consigo ver tudo em cores escuras, totalmente masculino, mas há muita luz aqui, seria uma pena não dar alguma cor. E quero trabalhar bem os locais, para que toda a vista seja bem-aproveitada.

Suspiro forte, me sentindo um pouco incapaz. Então, pego meu notebook e minha mesa de desenho e vou para cima. Caminho pelo corredor vazio, até chegar em seu quarto, então entro e me sento no colchão. Talvez se começar pelo quarto, as coisas fluam melhor. Não me sinto nada profissional nesse momento. Esse cômodo, esse colchão, tem lembranças tão boas... Fico imaginando quando eu for para sala então, sabendo que lá as coisas foram mais além... Acho que nunca mais vou conseguir sentar no sofá de Theo sem corar.

Abro meu notebook e conecto a mesa digitalizadora. Mais cedo eu puxei a planta do apartamento que Theo me mandou e deixei devidamente pronta para trabalhar.

Olho ao redor, pensando em como fazer isso. E eu tenho ideias. Apesar de não ter tido sexo aqui, é exatamente o que me lembra. Me pergunto se Theo já transou com alguém aqui...

Começo a fazer esboços. O closet tem que ter fechado, definitivamente. Um aberto como esse grita “Mulher” em cada canto. E pela planta que eu vi, eu sei que tinha uma parede aqui e ela foi removida de propósito. Só me pergunto se colocá-la de volta iria causar algum dano estrutural ao prédio. Deixo isso anotado em meu bloco de notas, para verificar com um engenheiro.

E isso me lembra, Theo é um.

Perfeito!

Faço o esboço de onde a parede precisa estar e passo para esboçar os armários por dentro, tudo em branco e preto, eu imagino.

E então passo para o quarto, onde antes tinha a cama. Eu acho que é uma perda de vista deixá-la como antes. Desenho algo de frente agora, para quando acordar, a única coisa entre a cama e a bela visão seja uma cortina e nada mais.

Me distraio com os desenhos que só percebo que tem mais alguém na casa quando os passos já então no corredor. Me levanto rapidamente, esperando ver Amy passar pela porta, mas fico surpreendida por não ser ela e sim Theresa, com um macacão branco lindo de morrer e salto dourados.

Eu deveria simplesmente pensar em como é uma merda ter que lidar com a ex agora, mas, eu sou mulher! A primeira coisa que faço é reparar em suas roupas, seus acessórios e fazer uma anotação mental para procurar pelas peças na internet. Então, só depois disso, penso no problema.

– Olá... — Digo indecisa. Ela olha ao redor, nas caixas amontoadas, nos espaços vazios onde havia móveis antes e então para colchão e para mim.

Me levanto e paro em sua frente. Não sei se devo estender a mão, dar beijinho, ou o quê.

– Oi. O que aconteceu aqui? — Pergunta, com notas de surpresa em seu tom.

– Reforma. — Apenas digo.

Ela acena concordando.

– Theo me mandou para trazer seu almoço. — Ela revela e me sinto um pouco enjoada com isso. O que será que ela trouxe? Será que ela cuspiu? E por que diabos Theo mandaria ela e não Amy?

– Está tudo bem com ele? — Pergunto indecisa.

– Sim. Ele teve uma reunião e algo em que precisava de Amy. Eu estava com ele, então, ele me pediu.

Ela faz questão de deixar claro que estava com ele. E isso agita algo em mim. Me dá vontade de dizer: Você o viu de manhã, mas eu é que dormi com ele! Mas não sou tão impertinente para isso.

– Obrigada. Não precisava se incomodar, eu pretendia descer em breve.

– Na verdade... — Ela me dá um sorriso bem presunçoso. — Ele pediu, mas eu não trouxe. Vamos combinar, eu não sou sua empregada.

Definitivamente não! É uma mal-amada, esperando para ficar com as sobras.

Céus! Nem a conheço direito e já a odeio!

– Achei que poderíamos sair para almoçar ao invés disso. Está bem para você?

Oh, inferno!

O que eu digo agora? Não almoçar com a ex deve ser algo que está no manual “Sendo a atual”. Mas ele disse que são amigos. Mas de novo, ela é a ex também. E não fez nada para provar que merece qualquer coisa que não seja desprezo.

– Eu não sei se é...

– Eu não mordo. — Ela me corta. — Vamos lá, estou fome.

Então ela se vira e sai do quarto, me obrigando a acompanhá-la.

***

O restaurante que Theresa escolhe é longe do apartamento do Theo. E preciso dizer, a viagem até ele foi muito constrangedora. Nós não trocamos uma única palavra.

Viemos em seu carro, o que foi péssimo. Ela pode só me largar por aqui como um tipo de vingança infantil.

Quando fazemos nossos pedidos, ela se move desconfortavelmente no assento. Então tira algo de sua bolsa. Mantém a mão sobre o colo, de forma que não posso ver o que está fazendo, mas logo sinto o cheiro de álcool.

– Posso ter um pouco? — Pergunto, sentindo necessidade de me sentir limpa. O nervosismo pela companhia traz o pior de mim à tona. Me sinto ansiosa, querendo desesperadamente coçar as costas das minhas mãos, mas sabendo que o Theo perceberia os arranhões.

Theresa me olha desconfiada, mas ergue o pequeno frasco. Ela não me estende ele, então apenas estico as mãos na sua frente e ela despeja um pouco em cada uma. Me sinto aliviada quando esfrego o gel e minha pele.

– Então, você está redecorando o apartamento do Theo...? — Ela pergunta enquanto guarda o frasco.

– Algo assim. Ele me disse que queria uma mudança, mas só percebi que era sério quando voltamos e o lugar estava vazio.

– Certo. — Ela parece tão à vontade quanto eu...

Checo meu celular discretamente e ainda não tem nada do Theo. Por que ele mandaria Theresa sem avisar? Ele me disse que Amy viria para almoçar comigo se ele não pudesse. E fim.

Por favor que isso não seja uma maldita intervenção de uma ex-namorada com esperanças. Quão mais clichê isso pode ser? Aposto que em algum momento ela vai tentar me fazer desgostar de Theodor e correr para as montanhas.

Nosso pedido chega justamente quando estamos em um silêncio constrangedor. Ela ainda não atacou, mas irá em breve, aposto!

A garçonete deixa a água quente, como ela pediu na ilha. Quando ficamos a sós de novo, ela faz o mesmo que Theodor naquela vez. Sua mão treme um pouco e uma gota de água escapa, caindo na mesa e apenas com isso, seu perfeito mundo parece desmoronar. Seus olhos ganham um certo brilho. Não algo bom. Eu conheço isso, acho que se não tivesse tido dias tão relaxantes, provavelmente me sentiria como ela, fora de controle.

Pego meu guardanapo e me levanto, inclinando-me sobre a mesa e passando sobre aquela única gota que parece bagunçar seu mundo.

Theresa me olha e me oferece um leve aceno, então deixa no centro da mesa o copo com a água quente e passa a comer. Seus olhos caem sobre os meus algumas vezes, mas sempre desviando quando o encontro.

– Theo não me mandou aqui. — Ela diz por fim.

A encaro, não tão surpresa quando ela esperava, aparentemente.

– Tom sugeriu que eu passasse um tempo com você. Claro, eu não lhe dei ouvidos. Estou aqui porque você precisava saber que Theodor não é para você.

Tom? Por que diabos Tom iria sugerir isso? E, eu não falei? Bingo!

Clichê demais!

– Eu suponho que isso seja esperado de você, certo?

Ela parece confusa.

– A ex que tem esperanças grandes demais para perceber que a fila andou, ameaçando a carne fresca. — Explico para ela. — Suponho que passar por isso faz parte de namorar alguém, certo?

O que me leva a uma questão: Será que Theresa passou por isso? Aliás, Theo disse que terminou com a madrasta há cerca de um ano atrás. Antes disso, quando estavam juntos, será que ele também estava com Theresa? Tantas coisas se passam pela minha cabeça, tantas perguntas que eu gostaria de fazer, mas que corro o risco de estar quebrando a confiança do Theo.

Ela dá de ombros. Um pouco nervosa, mostrando o oposto da mulher venenosa e tão cheia de si que eu conheci.

– Acho que faz parte do papel, de fato. — Ela me dá um vislumbre de um sorriso antes de comer sua salada.

– Me conta sobre vocês? — Já que estou aqui, porque não cavar um pouco?

Ela suspira.

– É bobo, mas acho que Theodor se encaixa na categoria “melhor amigo” para mim. — Ela diz.

Eu esperava que me mandasse calar a boca.

– Não é bobo. Eu considero Tyler assim. Você o conhece?

Ela para o garfo no ar e me encara.

– Tyler? Namorado da Jane?

– Sim.

– Agora tudo faz sentido.

E com essas palavras, vejo o momento exato em que ela veste sua couraça de novo. Quando todo o ar a sua volta parece ter se tornado venenoso.

– Para seu bem, é melhor você se afastar. Ele vai quebrar seu coração. — Ela me diz, toda armada de repente.

Deixo meu garfo sobre meu prato, perdendo a fome.

– O que tem Tyler? Por que mudou quando ouviu o nome dele? — Insisto no ponto de mudança da nossa conversa.

– Você deveria perguntar a ele. Ter certeza de onde está se metendo.

– Você está sugerindo que... — Acho que está sim... A mesma coisa que Tyler me disse, quando me encontrou com Theo. — Acha que Theo está comigo para se vingar de algo que Tyler fez?

Sua parede está ruindo. Seu olhar vacila por um momento. Ela é tão parecida comigo algumas vezes. Será que isso é o porquê de Theo estar comigo? Ele tem um tipo...?

– Eu não sei, Diana. Mas eu aprendi desde cedo que não é agradável estar no meio de suas brigas. Theodor é fantástico, mas ele é rancoroso e esse sentimento é o carro-chefe. Eu não deveria ser tão legal com você, te contar essas coisas. Mas sabe, ele vai te destruir e depois disso, talvez seja impossível juntar os cacos. E tudo isso para poder provar um ponto e machucar quem o magoou.

Engulo seco. Esse era o antigo Theodor? Ele não me parece alguém legal.

– Ele fez isso com você?

Ela fecha os olhos por meio segundo antes de recuperar seus escudos.

– Ele tentou, mas no fim, eu fui mais rápida e vi o que estava chegando.

Theo disse que ela terminou com ele...

– Não acho que isso seja algo que se diga sobre seu melhor amigo. — Atiro para ela.

– Não é. Mas nesse momento, eu só estou com muita pena de você.

***

Desço do táxi e caminho para a portaria do prédio do Theo. Não tinha como aguentar uma viagem de volta com Theresa. Ainda mais com ela em modo vadia.

Eu sei que não deveria me deixar levar pelo que outras pessoas falam sobre meu namorado. Mas eu não o conheço. É uma relação que começou praticamente do nada.

Theresa pode estar tentando me assustar, mas pode também estar falando a verdade. Ela realmente pareceu sincera em alguns momentos. Talvez eu devesse me concentrar em quem é Theodor, invés de apenas tentar viver o momento. Eu não preciso de um coração quebrado logo na primeira vez que realmente gosto de alguém.

Eu sou uma mulher decidida quando tomo o elevador para o andar de Theo. Antes que as portas se fechem, alguém pede para segurar o elevador, e eu faço por puro reflexo.

Uma moça, mais nova que eu, aparentemente, entra. Ela é bem elegante. Mas acho que isso é um requerimento básico para viver aqui.

– Obrigada. — Agradece.

– Por nada.

Ela olha para os botões, onde apenas o do andar do Theo está selecionado, então se volta para mim, me estudando da cabeça aos pés. Então quando me sinto realmente desconfortável, imaginando se é alguma ex, ela aperta o botão de três andares antes e para ao meu lado.

Alta, magra, cabelos loiros bem curtos, estilo pixie. Não tem muitas curvas, mas está muito elegante em seu terno cinza e saltos pratas. Ela parece uma modelo. Do tipo que sai em capas com Theodor.

Esse maldito almoço com Theresa empurrou todos os meus botões. Estou me sentindo paranoica. Ansiosa. Totalmente desconfiada da minha própria sombra.

A mulher, que não pode ter mais que 21 anos, desce do elevador e me encara enquanto as portas fecham. Seus olhos são de um azul profundo. Ela é linda.

E talvez eu não esteja tão paranoica assim.

As portas fecham e o elevador sobe.

– Aí esta você! — Amy está parada na porta do apartamento de Theo quando saio do elevador.

– Oi...

– Vim levá-la para almoçar.

Oh... Será que conto sobre Theresa?

– Eu já fui, precisava de um pouco de ar e saí. Desculpe.

Ele franze o cenho e me estuda.

– Está tudo bem?

– Sim.

Ela segura o olhar por um momento, então suspira.

– Certo, vou achar algo para comer e volto para te fazer companhia.

– Tá.

Ela abre a porta para mim e então sai atrás do seu almoço.

Assim que a porta fecha, eu estou pegando meu notebook no quarto e indo para a cozinha. O abro na mesa e vou para o Google. Digito Theodor Blake e vou para imagens. Muitas fotos aparecem. Muitas acompanhado, inclusive.

Refaço a pesquisa para “Theodor Blake + Theresa”. O Google corrige para Theodor Blake e Theresa Müller.

As fotos são assassinas. Eles juntos em vários eventos. Em restaurantes. Até mesmo fizeram sessão de fotos juntos. E tem até um flagra deles se beijando na entrada de um restaurante. O casal perfeito.

Eu fico olhando para isso por um momento. Sentindo-me suar frio e deixando a desconfiança me rondar.

Essas fotos fazem parte do passado de Theodor, mas eu não sei se o passado ficou realmente lá. Quem é, tipo, o melhor amigo da ex-namorada? E se ele de fato quer dar o troco em Tyler?

Digito o nome dele de novo e acrescento o ano que estamos. Dou um pulo para trás quando vejo fotos de Theo comigo na praça. E no campo de golfe. E na ilha, no aeroporto.

– Oh, meu deus!

Respiro fundo.

Será que Eleonor viu isso?

Minha mãe é sempre tão confusa sobre aparecer na mídia. Para ela está bem, mas ela não quer que estejamos em foco. Quando ela se casou com um dos maridos famosos, ela ficou tão brava quando fotos minhas e de Julie saíram na internet. Especialmente por serem fotos do enterro do Ren. Não quero imaginar como ela vai levar isso se ver.

Começo a coçar as costas da minha mão. Respiro fundo, tentando manter algum controle, mas não consigo. É simplesmente uma merda.

Eu nunca pensei que me envolver com alguém famoso me traria para os holofotes também. Especialmente porque Theo não é um ator ou coisa assim, é meramente um empresário de sucesso. Isso não deveria deixá-lo tão em evidência.

Pego meu celular e meus dedos digitam automaticamente o número da única pessoa do mundo que pode me acalmar. Ou destruir de vez.

– Anjo? — Tyler atende no terceiro toque.

– Eu tô na internet, Tyler... Tem fotos minhas...

Ele suspira.

– Não só na internet. Nos jornais e na capa de uma revista também.

Oh, meu deus!

– O quê?

– Respira. Vai ficar tudo bem.

– Eleonor vai ver... — Sinto-me perdendo toda a compostura. Pânico começando a tomar o controle.

– É muita hipocrisia ela achar ruim quando está nos jornais toda semana, quando troca de marido. Respira querida. Vai ficar tudo bem. Eu sinto muito pelo que disse. Não queria te magoar.

Não respondo. Não consigo pensar muito além de Eleonor agora.

É totalmente condenável meu comportamento. Depois de tantos anos, é natural que eu assumisse as rédeas da minha vida, tomasse minhas próprias decisões e não me incomodasse com a opinião alheia. Mas tudo que eu posso pensar é no castigo que está por vir.

Eu posso me defender. Não sou mais uma criança. Mas em algum lugar, entre ser abusada e educada, eu comecei a pensar que se estava apanhando, era porque merecia. E agora, não consigo pensar diferente. Se ela ficar zangada, é somente porque a desobedeci.

Desobediência deve ser castigada.

Eu não quero o castigo, mas sinto que mereço.

Notas finais
E aí? Quem acreditou que a Diana conseguiria ficar sem falar com o Ty por muito tempo? Aposto se não fosse as fotos, ela acharia outra desculpa. Quem tem melhor amigo sabe como é... Nem que seja só pra cutucar, mas a gente tem que manter contato (ಠ﹏ಠ) Ps: Esse aqui é o tal do penteado pixie: http://www.vilamulher.com.br/imagens/default/2014/06/09/corte-pixie-11496574-14.jpg Super beijos e até a próxima (っ◔◡◔)っ ❤