À flor da pele
74 Eleonor
Notas iniciais
Diana
Ando pelo corredor do supermercado. O lugar está lotado e não há nenhum peru. Nem macarrão. Ou queijo. Ou ervilhas! Me xingo mentalmente por deixar tudo para última hora.
Consulto o relógio, é quase meio-dia e Theo ainda não ligou. Não me importo se ele furar com o almoço, mas espero mesmo que ele não perca de ir buscar Eleonor comigo.
Vou para o setor de frutas e verduras. Tão vazio quanto a geladeira. Não acredito que terei de ir de mercado em mercado até encontrar o maldito peru. Uma alternativa é ir até uma fazenda. Você pode escolher o seu e eles abatem na hora, só que a limpeza é por sua conta... Não, obrigada! Melhor vasculhar mercados!
Sinto um aperto forte em meu braço e me assusto, derrubando minha cesta.
— Sempre atrapalhada, não é... — Levanto a cabeça e encontro alguém que eu realmente poderia ter passado sem ver. Meu ex, ou quase ex.
— Erik... — O provoco pelo súbito mal humor que estou sentindo.
Ele bufa.
— Derek. — Me corrige.
Ele não mudou muito desde a festa de aniversário de Theo, no apartamento do Tyler. Quando meu adorável melhor amigo decidiu que convidar meus ex-namorados era uma boa ideia.
Derek manteve seu cabelo loiro. Os cachos fechados quase escondem a raiz escura. Acho que alguém pulou o dia do retoque...
— O que faz aqui? — Me pergunta.
Eu até mesmo fico sem fala com essa pergunta. O que uma pessoa faz no mercado? Hello, gênio!
— Compras...
Puxo meu braço de seu aperto e o sinto colocar um pouco mais de pressão. O encaro, um pouco assustada pelo seu gesto. Mas então ele me solta antes que eu possa lhe dizer para me deixar.
— É claro, que bobo. — Ele sorri. — Eu estou atrás de um peru. Eu sei, 2 dias antes... Que ideia.
Ele recolhe minha cesta do chão e me entrega.
Poderia me sensibilizar com sua situação, afinal, é a mesma que a minha. Mas, Derek é um lobo em pele de cordeiro e seu sorriso não me engana mais. Na verdade, sinto um arrepio subindo pela minha coluna.
— Certo. — Tento retribuir o sorriso. — Preciso ir. Tchau.
E lá está de novo, sua mão firme em meu braço, assustando o inferno para fora de mim.
— Eu estou morando aqui perto, talvez possamos sair qualquer dia.
Perto? Esse mercado fica poucas quadras da minha casa, o que significa que moramos perto um do outro.
Não vai acontecer. — Penso.
— Não vai acontecer. — Meu pensamento é dito em voz alta, mas não por mim, por um Theodor visivelmente zangado. - Solte.
Levanto os olhos para os de Theo. Ele não me olha, apenas observa Derek e sua mão em meu pulso, que logo se afrouxa e me solta.
— Só ajudando a moça a não cair. — Eles se encaram e por um momento espero Theo partir para cima dele. — Me lembro de você.
Theo abre seus braços e vou imediatamente para lá. Ele rodeia meu corpo e me aperta. Beija o topo da minha cabeça.
— Eu gostaria de dizer o mesmo, mas não tenho a menor ideia de quem seja.
Silêncio.
Se Derek acha que vou apresentá-los, ele está enganado, não mexo nem um músculo para sair de onde estou e fazer qualquer tipo de apresentação.
— Seu aniversário, na casa do Tyler. Sou amigo dele. — Ele informa.
— Certo, amigo do Tyler. Temos que ir, querida. — Theo se vira bruscamente. Ele toma a cesta da minha mão e a deixa não chão, então andamos em direção a saída.
— Nos vemos, Diana. — Derek diz atrás de nós.
— Improvável. — Theo responde, então estamos fora do mercado e eu não tenho meu peru, ou qualquer outro ingrediente. Apenas mais preocupação.
Não gostei da forma que Derek tocou em mim. Me sinto suja por um momento. Sem contar que o gesto foi muito violento e sem motivo algum.
Simon está parado do outro lado da rua. Ele que me trouxe. Eu não queria, disse que era exagero sair de motorista para ir em um mercado há poucas quadras, mas aí ele me lembrou que estou na mira dos paparazzos agora. Então aceitei.
Entramos no banco de trás. Primeiro eu e então Theo, que imediatamente ergue meus pulsos e os estuda. Depois pega seu celular e começa a digitar algo. Não me diz uma só palavra e estou com medo que esteja bravo, mas então ele deixa o celular de lado e sorri.
— Oi.
— Oi... — Mordo o lábio, nervosa.
— Ex-namorado? — Me pergunta, incapaz de esconder a raiva fervente em seus olhos. Felizmente não direcionada a mim.
— Saímos uma vez e foi desastroso, conta como namoro?
Ele nega.
— Você o encontra bastante?
— Não. O vi em seu aniversário, graças as idiotices do Tyler, e agora.
— Ele te machucou?
— Não, se tivesse feito eu teria lhe dado um chute nas bolas. — E teria mesmo. Na verdade, gostaria muito de ter feito, mas fui pega totalmente de surpresa.
Ele sorri, mas não chega aos olhos seu humor. Está chateado.
— Essa é minha garota.
Seu celular apita e ele o pega, mantendo escondido de mim.
— Qual o nome desse cara?
— Derek. Você o conhece?
— Não. Bem, acho que não. Provavelmente estou só com essa impressão por tê-lo visto na festa.
Ele baixa o celular de novo.
— Você precisa estar em algum lugar...?
Ele suspira e passa os braços em volta dos meus ombros, me puxando para descansar em seu peito.
— Preciso estar onde você está.
Excelente resposta.
Theo me olha, parecendo reparar pela primeira vez em minha roupa, então ele sorri.
— Está linda. — Me diz.
— Obrigada. — Estou com o mesmo vestido branco que usei no aniversário da Amy. Meia-calça preta, casaco cinza. Invés dos saltos, escolhi uma bota preta mais confortável.
— Saiu do mercado de mãos vazias, será que precisamos passar em outro?
Aí me lembro do maldito peru e me sinto derrotada.
— Esqueci de comprar o peru. Aliás, não comprei nada para o jantar de natal.
— Eu não disse para não se preocupar com nada?
— Disse, mas...
— Sem mas... Já cuidei de tudo.
Mordo o lábio, me sentindo muito espirituosa de repente.
— Você tem um peru...
— Eu tenho um peru.
Mordo o lábio com mais força para não rir.
— Um bem grande?
— Um bem... — Ele para de falar e então solta uma gargalhada gostosa.
Começo a rir e o sinto ficar tenso atrás de mim, então me lembro que ainda não sarou completamente. Tento me afastar um pouco, mas ele me puxa de volta, me mantendo no lugar.
— Bem, eu tomei a liberdade de acertar com Jane, Tyler e Eleonor o jantar de natal em minha casa.
Até com Eleonor?
— Mas... Seu apartamento não está pronto, pelo menos uma semana a mais do que prometeram.
— Eu disse casa, amor, não apartamento.
Me lembro da casa que foi feita a sua festa de aniversário.
— Uau! Vai ser um natal bem chique.
— Você está brava por minha escolha?
Penso por um momento sobre isso. Não estou. Acho que vai ser ótimo só ter que me preocupar com Eleonor. Não poderia dar conta de fazer uma ceia e dar atenção a minha família. E, especialmente, me manter fora da linha de fogo.
— Eu não estou brava. Agradecida, na verdade. Minha cabeça tem estado longe, não sei o que faria sem você.
Ele sorri e baixa a cabeça, capturando meus lábios em um beijo inocente.
— Que bom que não teremos que descobrir isso.
Me beija de novo, mais profundamente dessa vez, me deixando ofegante quando se afasta.
— Senti sua falta. — Conto a ele.
— Não mais que eu a sua.
— Isso é tão fo...
Ele coloca o dedo sobre meus lábios.
— Não termine.
Mordo a ponta do seu dedo e ele solta um gemido baixo, rouco.
Faz tanto tempo que não fazemos mais que trocar beijos e carícias. Ele sente falta, e deixa muito claro. Eu quero ceder, mas tenho medo de piorar seu estado.
— Quer saber, vamos ter uma noite especial hoje. — Se abaixa e captura o lóbulo da minha orelha — Só nós dois... — Sussurra.
Um arrepio corre por todo meu corpo.
— Acho que vamos ter que esperar, esqueceu que Eleonor e minha irmã vão estar em minha casa?
— Só sua irmã. Mas sim, me esqueci!
Só Julie?
— Eleonor também...
— Não, reservei para ela um quarto no clube.
Puta merda!
— O quê?
Meu deus, ela vai ficar tão furiosa comigo!
— Se acalma... — Ele pede gentilmente.
Só então percebo que estou ofegante e já não é pelo beijo.
— Nós conversamos sobre onde ela iria ficar e disse que o escritório estava disponível. Então, assim como eu, ela achou melhor se hospedar em outro lugar. Eu ofereci um quarto no clube, uma cortesia. Ela amou a ideia, se quer saber. Está tudo sob controle. Vamos passar por qualquer coisa, juntos. Ok?
Juntos... Se ele soubesse que estou só esperando ele sair correndo para as montanhas...
— Ok...
— Estou animado para conhecer Liam. — Ele muda o assunto para um que adoro.
Suspiro, então abro um sorriso automático.
— Você vai amá-lo.
— Eu acho que já o faço.
Como não amar, Theodor Blake? Especialmente quando ele diz essas coisas...
— Estou ansiosa pela chegada de Julie.
— Bem, quando voltarmos, ela provavelmente já terá chego, isso se já não estiver em casa agora. Amy a está esperando, caso ela chegue antes.
É tão bom poder contar com outras pessoas às vezes, mas sem ser dependente. Eu gosto do jeito que Theodor tem estado do meu lado, embora eu possa estar atravessando um pouco essa linha do “dependente”.
Simplesmente não consigo olhar para o amanhã e não ver Theo do meu lado. No dia em que ele decidir que teve o suficiente, irá quebrar meu coração profundamente.
— Chegamos. — Ele anuncia e então percebo que o carro parou.
Olho surpresa para o restaurante chinês fechado do lado de fora.
Simon sai do carro e abre a porta, Theo sai e me estende a mão.
Hakkasan é um restaurante chinês muito conhecido em várias partes do mundo, é também caro e muito difícil de conseguir uma reserva. Pelo menos é o que Diz Tyler, que está enrolando há meses para me trazer.
Theo me oferece o braço, o qual engancho e então caminhos em direção as portas fechadas, que imediatamente são abertas por um senhor chinês com um grande sorriso nos lábios.
— Bem-vindos. — Diz com o sotaque bem forte. — Por aqui.
Theodor diz alguma coisa para o homem, mas estou completamente distraída para entender. O lugar é simplesmente incrível. Ainda é dia lá fora, mas me sinto em plena noite, me preparando para um jantar. O ambiente é escuro, um pouco sombrio, mas facilmente quebrado pelas velas acessas em algumas mesas. Há uma parede com entalhes de símbolos chineses, que separa as áreas.
Não há ninguém além de nós.
O senhor nos leva para uma mesa do outro lado da parede, onde há um sofá grande e longo, que serve de assento para várias mesas. Theo me indica o estofado e deslizo para lá.
Estou impressionada.
O menu é colocado em minha frente e o garçom se afasta alguns metros, mas se mantendo à vista.
— Isso é incrível, Theo. — Consigo dizer em meio a uma profunda onda de emoção. Só Theodor é capaz de me alcançar dessa forma. De me fazer esquecer do meu desconforto, das coisas que me ferem, e querer apenas mais e mais de sua companhia. — Não tem mais ninguém...
— É tudo para você. — Ele estende a mão sobre a mesa e toca a minha. — Nós estávamos precisando desse tempinho sozinhos, apenas aproveitando a companhia um do outro. Você sabe, eu adoro conversar com você.
Ele sorri e ver isso, junto de seu cabelo todo bagunçado, coisa que amo, escutar suas palavras tão doces, me aquece o coração.
Suspiro.
— Acho que acabei de me apaixonar de novo...
***
— É uma árvore grande. Bem grande, na verdade. Precisou de cinco seguranças para carregá-la. — Theodor me conta enquanto estamos na área de desembarque do aeroporto.
Theo está contando que além de todos os outros preparativos para um natal agradável com nossas famílias, ele também providenciou uma árvore de natal.
— Amy está maluca para montar. Ela comprou esses enfeites extremamente coloridos e estranhos. Mas não deixei que fizesse. Acho que Liam vai gostar de enfeitá-la.
Liam...
Meu Deus, eu nem escutei o que Theo acabou de dizer. Árvore de Natal, Liam, Amy... Não faço ideia.
Theo é uma graça, e está tentando me distrair, mas não está conseguindo. A qualquer momento Eleonor vai estar aqui.
Eu percebo tarde demais que estou com as unhas nas costas de minha mão. Esse maldito tique nervoso que costumo esquecer quando estou com Theo. Não consigo agora. Sinto uma necessidade torturante de romper a pele. De me causar dor. Talvez isso me distraia.
— Diana! — Ele diz sério, soa até mesmo bravo. Levanto meus olhos até os seus.
— Desculpa.
— Eu preciso de você aqui, comigo. — Ele segura minha mão, me impedindo de continuar a cutucar minha pele. — Você não está sozinha, vamos apenas passar por isso.
Ele sabe. Eu sei que ele sabe. Mesmo que eu não tenha dito nada. Theo é um maldito leitor de mentes! Ele consegue me ler como ninguém. Ou talvez eu seja fraca demais, incapaz de esconder o que estou sentindo.
Ser transparente dessa forma não é uma qualidade, ainda mais com Eleonor no caminho. Minha mãe nunca foi fã de pessoas que tem facilidade de expressar seus sentimentos. Para ela, isso é algo que é preciso ser guardado, para não ser usado contra você. Claro que, eu diria que cada vez que ela me tocou com ódio, ela se desviou de seu propósito, porque eu sabia, sabia exatamente o que ela estava sentindo. Eu senti na pele.
— Estou bem. — Garanto a ele. Tento me recompor, juntar a minha máscara de volta ao lugar.
— Diana...?
Tarde demais...
A voz de Eleonor chega até meus ouvidos e um arrepio atravessa meu corpo. Meus olhos devem emitir todo tipo de dor e pânico, porque Theo me olha assustado. Então respiro fundo e me lembro qual o segredo para sair ilesa.
Mentir.
Equipo meu rosto com um enorme sorriso e então me viro e encaro a mulher que me tornou o que eu sou.
— Eleonor. — Digo calorosamente. Mentir se torna uma parte de mim de repente, como se eu estivesse possuída pelo espírito da mentira, que torna tudo convincente demais. — Senti sua falta. — Me aproximo devagar e seguro suas mãos, dando um gentil aperto e então lhe dando um beijo, sem encostar realmente, na bochecha.
— Eu também querida. — Ela mente.
Minha mãe nunca conseguiu mentir realmente. Não para mim, pelo menos. Ela sempre mentiu para todos a sua volta e todo mundo sempre acreditou, mas eu sempre soube. Seus olhos sempre foram um espelho. Mesmo agora, com essas lentes verdes.
Meu deus, essa mulher nem se parece com a que me deu a luz. Não fisicamente pelo menos.
Seu cabelo é ruivo, de um tom acobreado, e curto, arredondado em volta do seu rosto delicado. Ela não parece ter mais que 35 anos e isso é realmente assustador. Seu corpo é bonito, todo durinho, me fazendo criticar o meu próprio. O terninho preto que usa não deixa dúvida nenhuma de que investiu muito no "material".
Eu não vou negar, pesquisei na internet por fotos dela, a mais recente a tinha loira, então é um pouco chocante vê-la assim.
— Eleonor. — Theo se aproxima de mim, passando o braço ao redor de minha cintura, me apertando possessivamente.
— Esse é Theodor Blake, meu ami...
— Namorado. — Ele me corrige antes que eu estrague as coisas. Quase abaixo o rosto diante do olhar que o sinto me dar.
— Veja só, Diana finalmente se deu conta de que existe homens decentes. — Ela sorri graciosamente, e sua voz soa tão gentil que quase me engana. — Espero que tenha se livrado daquela sombra... — Ela me lança um olhar duro.
— Tyler? — Theo oferece e espio seu rosto, ele está sorrindo para ela. — Ela não se livrou totalmente, e o pior, minha irmã mais nova caiu de amores pelo sujeito.
Ela sorri e admito, fica linda sorrindo.
— Parece que está condenada a ter essa sombra te perseguindo.
Então, sem esperar, minha mãe faz algo que me deixa de boca aberta. Ela para ao lado de Theo e engancha o braço no seu e o sorriso que ela me oferece... De jeito nenhum é o que uma mãe daria a sua filha. Parece mais algo destinado a sua inimiga.
Infelizmente, Simon já está com o carrinho de malas que ela trouxe. Uma pena, adoraria pedir para Theodor o levar, assim ele se livraria dela.
Pela primeira vez em muito tempo, eu começo a perceber e sentir algo que não pensei ser possível. Ao invés de ver a minha mãe como uma ameaça a minha saúde, começo a enxergar como uma concorrente.
Mas ao que exatamente? A mais bela? A mais bem vestida? Quem chama mais atenção dos homens? Do meu homem?
Ela não se atreveria...
Não.
Isso seria baixo demais até para ela.
Mas então, estou falando de Eleonor coração de gelo. Uma mulher capaz de qualquer coisa.
Theodor
Víbora. Palavra perfeita para descrever Eleonor.
Sorriso grande, gentil, simpática, embora a simpatia não chegue aos olhos. Pelo contrário, a impressão que dá é de ser feita de gelo por dentro.
A boa notícia é que eu sei perfeitamente como lidar com pessoas assim. É o tipo que mais tenho ao meu redor. Eles sorriem, fazem de tudo para mostrar que são boas pessoas, tentam te conquistar a todo custo, então dão o bote.
Ela é bonita, mas ao olhar para ela tenho essa impressão de que algo está faltando.
Um coração talvez!
Mas pouco me importa a megera agora. Diana é a grande preocupação neste momento. Ela está calma, até calorosa a respeito de sua mãe, o que não condiz com seu comportamento minutos antes. Ela está fingindo e isso é realmente preocupante.
Quando chegamos ao carro, abro a porta para Eleonor entrar, então entro depois. A educação me obriga a deixar Diana ir antes, mas sinto que não é correto deixá-las lado a lado, então me uso como barreira.
— Então... — Eleonor começa, com sua voz grave e um pouco assustadora, fora do contexto se levar em consideração o sorriso que ela mostra. — Onde se conheceram? Há quanto tempo estão saindo? Diana não me contou nada sobre isso. — O tom é acusador.
— Pouco tempo. — Digo, sem dar tempo de Diana responder.
Para qualquer outra pessoa, eu teria dito que estamos juntos há sete meses, mas sinto que não faria bem se a mulher ouvisse isso.
— Minha irmã, como eu disse antes, está saindo com Tyler. Foi assim que nos conhecemos. Ficamos amigos e então as coisas aconteceram.
— Certo. Fico feliz que Diana finalmente se mostra disposta a seguir com sua vida. Minha filha é um pouco fechada, não é muito apta a ter relacionamentos, ou mantê-los. Culpo a mim mesma por isso.
E aí está a primeira prova de que essa mulher não conhece nada sobre sua filha. Minha Diana é namoradeira. Embora não tenha sido íntima dos namorados, tem uma lista grande. Mas uma coisa certa ela disse... A culpa certamente deve ser mesmo dela.
— Então, onde está o Sr. Campbell? — Pergunto, deixando claro que fiz a lição de casa sobre ela.
— Não há mais um Sr. Campbell. — Sinto Diana apertar meu braço sutilmente. — Infelizmente é difícil manter um casamento com tanta carne fresca se oferecendo por todos os lados. Temo que o Sr. Campbell não aguentou a pressão de sua professora de tênis desfilando em roupas mínimas nas suas sessões. A carne é fraca.
Não havia pesar algum em sua voz. Na verdade, ela pareceu bem feliz em dividir essa informação. E eu entendi muito bem o porquê, no momento em que ela deixou sua mão descansar em minha coxa. Diana ficou tensa ao meu lado, até mesmo a ouvi sugando o ar e prendendo a respiração. Então me dei conta do grande erro que cometi nos últimos dias, ao atender todas as chamadas, me colocar na frente da Diana em todas as ocasiões possíveis se tratando da mãe.
A maldita mulher está tentando me seduzir. E o pensamento é simplesmente bizarro demais. Minha, possível, futura sogra dando em cima de mim. Na frente da minha, possível, futura esposa. Que, possivelmente, vai ficar tão zangada com a situação que vai culpar euzinho aqui!
E dito e feito.
Diana se afasta alguns centímetros, cruzando os braços e olhando para fora. E tudo que consigo pensar é que meu adversário está um passo a minha frente.
Está na mente da minha mulher. Envenenando, desmerecendo e a fazendo duvidar de si mesma. E ela nem mesmo tentou realmente. Apenas suas palavras... Palavras doces inclusive...
Isso é guerra!
Retiro a mão de Eleonor de minha coxa, nada gentilmente, e puxo a de Diana, a segurando em meu colo, entre as minhas.
— É uma pena, é difícil manter um relacionamento. Mas não acho que a "carne é fraca" seja realmente uma desculpa. Se a coisa não funciona, é porque já havia rachaduras antes. Felizmente, tenho certeza que com a pessoa certa, não existe qualquer outra que possa concorrer. Como a sua filha, que detém todo o meu amor e admiração. Será a Sra. Blake para sempre, tenho certeza.
E o inferno se faz presente. Eleonor arfando ofendida e Diana escolhendo o momento para se engasgar. E eu.... Bem, só contando.
Eleonor 1 x Theo 1.
Que os jogos continuem!
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