À distância de um beijo

1 À distância de um beijo


Notas iniciais
Bom, faz algum tempo que estou devendo um certo presente, pra uma certa pessoa, que me deu uma SENHORA FANFIC com o Zoro, que me deixou toda toda! ♥ Acabou que enquanto fazia exercícios de escrita com as meninas, essa ideia me veio e pareceu perfeita e, então, resolvi presentar (atrasada) a senhorita @_Heisenberg do Spirit, e por fim, decidi postar aqui também ♥

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Ela havia perdido a conta de quantas vezes o avisara para não dormir naquele lugar, mas deveria dar algum crédito por ele ao menos conseguir terminar a refeição antes de se deixar levar por aquele sono incontrolável. Mal conseguia listar os momentos em que Ace caíra de cara no prato, por vezes com conteúdo quente, sem nem ao menos ter percebido. Ele tinha um sono pesado e era quase injusto o quanto aquilo lhe dava a oportunidade perfeita para aprontar com o famoso Hiken no Ace. Quem o visse jogado tão desavergonhadamente no sofá, jamais imaginaria que se tratava do Comandante da segunda divisão dos piratas do Barba Branca. E exatamente por tê-lo alertado infinitas vezes, não o perdoaria desta vez.

Sorrindo consigo mesma, foi até a própria cabine, remexendo em seus itens pessoais até achar o batom mais chamativo que possuía. Vermelho. Não havia cor melhor para o que estava prestes a fazer.

Aproximando-se silenciosamente, observou-o de cima a baixo, não podendo evitar o leve frio na barriga ao se imaginar colocando seu plano em prática. O chapéu fazia sombra sobre os olhos de Ace, mas mesmo isso não escondia as sardas que lhe salpicava a face – algo que ela achava particularmente charmoso, percebeu de repente. Ignorando o calor que a abateu sob a pele, passou a desenhar. Linhas desconexas de uma vermelho gritante, passando através do peito, tronco, pescoço e um dos braços; o outro, aquele que ele detinha a tatuagem, por algum motivo, não se atreveu a macular.

No meio do processo, Marco apontou na porta, puxando conversa em tom elevado, mas logo que a notou a aprontar com o amigo, e o sinal exagerado que ela fazia, calou-se no ato, sorrindo de forma conspiradora, pois, ele bem lembrava das constantes advertências dadas pela jovem. Dando de ombros, num sinal mudo de que Ace sabia das consequências de desobedecê-la, retornou por onde viera.

Segurando o riso, terminou de marcá-lo da melhor forma que pôde, preparando-se para o detalhe final – deixar sua assinatura. Passando o batom nos lábios, retirou o chapéu cuidadosamente, passando os dedos delicadamente sobre a testa dele, para remover os fios de cabelo que estavam pelo caminho. Hesitante, observou-o por um momento; a expressão calma e leve, iluminada pelo sol que atravessava a janela, quase se arrependia por tê-lo pintado — quase. Piscando algumas vezes, colou a boca ali, tendo a plena certeza de que o surpreenderia com a marca de seu beijo.

— Você está um tanto descuidada hoje, não acha?

A jovem congelou e, um arrepio lhe percorreu toda a coluna ao ouvir o sussurro de Ace, que para seu choque e desespero, já não mais dormia. Cautelosamente, ela afastou os lábios da testa do comandante, engolindo seco, sentindo seu rosto se tingir da mesma cor que os traços deixados sobre o corpo dele, quando o encarou.

— A-Ace... Você estava acordado...?

— Agora eu estou.

— E-Eu posso explicar!

O moreno sorriu torto, jogando um braço para trás da cabeça de forma despreocupada.

— Você não precisa explicar nada... Mas imaginava que sendo uma atiradora, acertaria o alvo.

A garota franziu o cenho, confusa.

— O que quer dizer?

— Isso.

Pegando-a completamente desprevenida, enlaçou-a pela nuca, puxando o rosto dela em sua direção, unindo seus lábios de forma irrefutável, beijando-a de um jeito que deixou a ambos sem ar, embora, cingido de cuidado. Quando Ace a afastou, sorriu ao observá-la ficar completamente sem jeito, ainda que os olhos brilhassem.

— É melhor você correr.

Aconselhou ele de imediato, impedindo-a de pensar demais.

A voz de Ace pareceu despertá-la do transe pelo qual começava a se envolver.

— P-Por quê?

O moreno deslizou o dedo por uma das linhas de batom, borrando-a sobre a pele queimada pelo sol.

— Porque ninguém provoca um dos comandantes do Oyaji e sai ileso.

Sem pensar duas vezes, ela se levantou, irrompendo em alta velocidade pela porta, deixando o cosmético cair em meio a correria. Ace a observou por um momento, rindo consigo mesmo enquanto recolhia o objeto do chão; passando um dedo pela boca, limpou parte do resquícios da pigmentação avermelhada deixada pelos lábios dela, dando cerca vantagem à garota, para logo depois, se colocar a percorrer o mesmo caminho.

Talvez os planos dela fossem surpreendê-lo naquela tarde, mas fora difícil colaborar com a causa dela quando esta se colocava tão próxima dele — à exata distância de um beijo.

O que faria quando a pegasse, Ace ainda não sabia, mas de uma coisa tinha certeza, ele definitivamente a havia marcado e, para isso, não precisara de batom algum.

Notas finais
Fanart na qual me inspirei, retirada do Pinterest: http://imgur.com/Cm97Xl3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!