Notas iniciais
Oi, pessoinhas! O que será que acontecerá hoje? Avisos lá em baixo. Boa leitura!

Tomei um banho rápido e vesti meu pijama. Estava precisando de roupas confortáveis. Me enfiei debaixo das cobertas e esperei. Ouvi batidinhas na porta e apenas me sentei, encostando no encosto e me cobrindo até o queixo.

— Entra! — A porta abriu e Nathaniel entrou, me olhando de forma estranha. — Pode trancar.

Ele girou a chave e se aproximou. — Está doente?

— Não. Isso me ajuda a pensar. — Tirei o braço debaixo da coberta e dei uns tapinhas ao meu lado.

Sem dizer nada, Nathaniel tirou os sapatos e se sentou ao meu lado, também recostando as costas. Me aproximei e encostei a cabeça em seu peito.

— O que Lysandre disse a você? — questionou com a voz suave, deixando seu braço esquerdo atrás de mim, me abraçando. — Você parece... chateada.

Suspirei, sentindo seu perfume familiar e me senti menos pior. — Acho que também estou... Lysandre acha que eu sou uma impostora ou uma golpista, ou uma assassina, ou uma fugitiva...

— Como é? — Me encarou.

— É isso mesmo. Ele disse isso, pois pesquisou meu nome em todo canto que pôde e não achou nada... E o mais engraçado é que ele achou minha versão daqui e foi falar com ela achando que era eu.

— Ele achou...? — Ficou surpreso. — Onde?

— No centro da cidade... Não disse onde. Disse que falou com ela, mas ela se chamava Louise, e ele descobriu que ela tem uma irmã chamada Valentine. Ele acha que eu sou Valentine e estou usando um nome falso para... Sei lá o que ele acha que pretendo fazer. De qualquer forma, ele tem certeza de que farei algum mal a você e...

— E...?

Observei alguns cantos do quarto, pensativa. — Falou que, se eu queria o meu e o seu bem, teria que me afastar de você, ou ele poderia “informar a justiça” sobre minhas “mentiras”.

— Não creio nisso... — sussurrou, esfregando os olhos com a mão direita. — Como se você já não tivesse o suficiente para se preocupar...

— Nath... Eu não tiro a razão dele. Afinal, eu sou uma desconhecida que acabou de chegar na cidade e me aproximei de você muito rápido. Eu nem inventei um lugar de onde eu poderia ter vindo, e é óbvio que ele desconfiaria disso.

— Mas ele levou isso longe demais. Onde já se viu pesquisar pelo seu nome?

— Ele teme que... eu faça sua cabeça. Como se você fosse uma criança que é facilmente influenciada. Mas, no final, ele só se preocupa.

— Isso já é demais...

— Não, Nath... — Desencostei dele para olhá-lo. — Não fale nada. Se falar, ele vai saber que te contei, e isso pode fazer com que ele realmente chame a polícia. Isso pode estragar completamente a missão.

Nathaniel observou meu rosto, pensando. — Não é justo. Eu não quero me afastar de você.

— Teremos que fingir, pelo menos. Você pode inventar alguma história de que eu fui te encontrar apenas para acabar com nossa relação, sem dizer muitos detalhes do motivo.

— Mas... eu teria que dizer isso para qualquer um que perguntasse sobre você.

— Sim. É o jeito.

Nathaniel encarou o teto e passou a mão nos cabelos, que só naquele momento eu tinha reparado que não estava arrumadinho como sempre. Me sentei de lado e penteei os fios dele para o lado.

— Que milagre é esse que você não arrumou o cabelo?

— Eu queria vir logo, arrumar o cabelo era o de menos... — Me olhou. — Como vamos nos ver agora?

— Não sei. Mas damos um jeito... Escondido.

Ele segurou minhas mãos. — Está usando o anel...

— Não é para usar? — brinquei e ele sorriu.

— Claro que é. — Levou minha mão até seu rosto e depositou um beijo em cima do anel. — Foi para isso que eu te dei.

— Você é tão fofo. — Acariciei rapidamente seu rosto. — Bom, tirando esse acontecimento terrível, aconteceu algo bom hoje.

— É mesmo? O quê?

Voltei a me encostar em seu peito. — Viviane, a mãe de Adeline, pediu para que eu continuasse trabalhando na loja, pois ouviu muitos elogios de mim.

— Uau, que mulher incrível. — Me apertou em seus braços.

— Eu sei, sou uma ótima vendedora. — Ele riu com a minha graça. — Pelo menos assim terei mais tempo com Adeline, poderei ficar de olho nela.

— Ainda não teve nenhuma pista do admirador secreto?

— Não. Mas eu acho que logo vou conseguir alguma coisa. Eu espero.

— Vai sim. Uma hora ele tentará se aproximar.

— Também acho... E nesse momento eu estarei pronta para dar um golpe e fazer ele cair duro no chão.

Nathaniel riu alto. — Vai colocar ele para correr?

— Claro. “Não se aproxime desta donzela, seu ordinário!” — falei com um tom de voz mais grave.

— Será a heroína, mais uma vez. — Deitou um pouco mais o corpo, deixando a cabeça em meu ombro.

— Serei. — Sorri, virando o rosto, sentindo o dando um beijo na lateral do meu nariz.

Segurei seu rosto e lhe dei um beijo nos lábios, e me aconcheguei em seus braços.

Não sei quanto tempo ficamos ali, abraçados, fazendo carinho na mão um do outro, mas Nathaniel teve que levantar para ir embora. O acompanhei até a porta, e antes que a abrisse, segurei sua mão e o puxei para lhe dar um último beijo mais demorado. Ele me abraçou pela cintura, e depois do beijo, nos abraçamos apertado.

— Até mais — falei e dei um beijo em seu rosto.

— Até. — Beijou minha mão e abriu a porta. Me lançou um último olhar, e foi embora.

Tranquei a porta e fui suspirando para a cama, me jogando nela.

Bem que eu desconfiei de que as coisas estavam dando certo demais... Uma hora a avalanche chegaria. Mas tudo bem, vamos lidando conforme dá.

Deixei o jantar passar e fui dormir cedo. Acordei na manhã de segunda-feira morrendo de fome, e depois de me trocar, fui tomar um café da manhã bem reforçado. Fui para a loja, já vendo Adeline com o olhar longe, parecendo pensativa. Me aproximei dela.

— Adeline...?

— Heloise, bom dia! — Ela sorriu para mim.

— Deixe-me adivinhar. Recebeu outra carta?

— Como sabe? — Ergueu uma das sobrancelhas.

— Sua cara de apaixonada diz. O que estava escrito?

— Não era só um poema dessa vez... O admirador escreveu algumas coisas sobre ele... Ele disse que veio para a cidade para visitar sua família, já que mora nos Estados Unidos.

Uau... — Nossa. E o que mais?

— Hm... — Tentou se lembrar. — Ele disse que ficará até o meio do mês que vem, e que até lá, gostaria de saber mais sobre mim.

Cruzei os braços. — Que cara de pau — sussurrei. — Só isso?

— Sim.

— Esse cara não perde por esperar...

Adeline me encarou com um pequeno bico, e antes que eu retrucasse, ergueu a mão.

— Já sei, já sei. — Saiu andando em direção ao primeiro cliente do dia.

Estou tentando te ajudar, sua ingrata!

Seguimos o dia trabalhando normalmente. Não vi nenhum movimento ou pessoa estranha, então o tempo passou logo. As quatro em ponto, fui para a pensão. Cumprimentei Oliver e andei para o corredor. Virei para ir ao salão de refeições, e vi alguém saindo da primeira porta.

— Castiel! — exclamei, surpresa e feliz por vê-lo. Fiquei em sua frente. — Você viu Denise? O que aconteceu aquela noite? O que você fez?

— Calma lá, garota. — Ele riu. — Uma coisa de cada vez.

— Você viu Denise? — repeti a pergunta, afobada.

— Não, não vi. Por quê?

— Porque não estão me deixando vê-la.

— Como assim?

— Tem a ver com a confusão que rolou na sexta-feira... A família dela acha que eu causei tudo aquilo, que eu sou uma má influência para ela, sendo que eu só estava querendo ajudá-la — expliquei rapidamente. — Parece que eles estão fechando os olhos para o sofrimento da menina, eu nunca vi isso! Ela estava quase se desmanchando em lágrimas naquela noite quando a vi na cozinha da casa dela... Ela que pediu para que eu a tirasse de lá, e estão achando que eu a puxei a força e...!

— Heloise, respira. — Castiel segurou meus ombros, me interrompendo. — Fala mais devagar.

— Eu só quero saber se ela está bem! E também quero saber o que você aprontou aquela noite!

Ele deu um sorriso de lado. — Logo você saberá.

— Eu quero saber agora...

De repente, a porta de onde ele havia saído abriu, e de lá, apareceu um senhor que eu nunca tinha visto antes.

— Ah, então a senhorita é a famosa Heloise? — Me olhou com um sorrisinho.

Meu olhar foi de Castiel a ele e de volta a Castiel. — Famosa...? — perguntei ao senhor.

— Claro. Parece que só ouço seu nome todo santo dia, ainda mais nesse fim de semana, da boca de minha esposa.

Espera aí... — O senhor é pai de Denise?

— Exatamente.

Por incrível que parecesse, ele não estava com raiva de mim, como eu imaginei que estaria. Na verdade, aparentava estar muito aberto a conversa.

— Me deem licença, preciso resolver umas coisas com meu pai — disse Castiel.

— Não esqueça do que eu falei. — O senhor falou, apontando o dedo indicador ao mais novo, que sorriu.

— Não esquecerei. Até depois. — Saiu andando tranquilamente.

Observei até ele virar o corredor, então encarei o senhor.

— Por que não conversamos um pouco, senhorita? — Ergueu o braço em direção a sala. — Talvez eu possa responder algumas de suas dúvidas.

Meu Deus, o que está acontecendo?

Antes que eu aceitasse, vi Kentin vindo do salão, e ao nos ver, me lançou um sorriso incentivador, e sem dizer nada, foi embora.

Então isso deve ser um bom sinal...

Entrei na sala, percebendo que era um escritório, com as duas paredes laterais cheias de estantes com arquivos e livros.

— Sente-se, fique à vontade. — O senhor falou, fechando a porta e indo se sentar do outro lado da mesa.

Me sentei em uma das poltronas e aguardei.

— Então, senhorita...?

— Dumas.

— Heloise Dumas... Me chamo Remy Leclerc... Eu ouvi sua conversa com Castiel, e infelizmente, devo dizer que está certa. Eu e Franceline não queríamos que nossa filha continuasse se envolvendo com a senhorita.

Minha boca se abriu levemente pela afirmação tão direta dele.

Notas finais
Eita lasquera! xD Pai da Denise indo direto ao ponto. Mas se ele não parece estar com raiva de Heloise, o que será que ele tem para dizer? Gostaram desse capítulo? Eu adorei a parte do meu shipp do coração :3 Então, sobre o aviso. Todo mundo já sabe que domingo agora será o ENEM. Eu vou fazer, estou estudando e treinando redação, então não teremos capítulo no sábado, ok? Talvez na quarta-feira tenha, só talvez. Como na outra semana será a parte de exatas, eu preciso enfiar a cara nas contas (sou péssima), então não sei se terei tempo de escrever. Se não tiver capítulo na quarta que vem, já sabem o motivo. Pelo menos vocês estão avisados, não me abandonem nesse meio tempo, viu? Juro que voltarei kkk É isso. Espero muito que tenham gostado! Nos vemos no próximo capítulo o/