À Espada Pelo Sangue

58 Capítulo 47 - "Vamos Resgatar o Nosso Amigo"


Notas iniciais
Heeeeeey, pessoas lindaaas 0/ Como vão vocês? Quero dizer que estou super feliz de estar postando mais um capítulo logo hoje! ^^ Último dia do anoooo! Agradeço a todos que me acompanharam até aqui e desejo muita felicidade, amor e paz em 2017! Amo muito vocês! Para o próximo ano, yoroshikudasai!! P.S.: Desculpe qualquer erro de digitação ou formatação. Escrevi pelo celular.

Quando acordei algumas horas mais tarde, Matt estava sentado na poltrona, lendo algum livro cujo título não consegui enxergar. Foi quando percebi que a minha visão ainda não estava restaurada. Mas, para minha felicidade, toda a febre havia cedido, e minha cabeça não apresentava nem um único resquício de dor, assim como o resto do meu corpo. Na verdade, a vista embaçada era o único indício de que toda a luta do dia anterior havia realmente acontecido.

Olhei para cama ao meu lado, notando que Charlotte não estava mais ali, e também sem ver sinal de Ian. Lá fora, pela janela aberta, o céu exibia uma cor escura, indicando o anoitecer.

— May. — Matt falou, quando ergui o corpo na cama — Está se sentindo melhor?

Eu assenti, e então estreitei os olhos.

— Apesar de desconfiada de que ainda vou ter que aguardar um pouco antes de poder ver direito.

Ele esboçou um sorriso. Ou foi o que eu deduzi.

— Ian pediu que eu te entregasse isso quando acordasse. — ele estendeu uma caixinha preta e retangular para mim.

Eu a abri e vi um óculos de grau dentro, com aros pretos e armação simples, mas bonita.

— Ele disse que Tori o encantou depois que acordou. Sabe, coisa de Hécate e tal. Pelo que ela prometeu, vai se adequar ao que você precisar. Quando sua visão tiver voltado ao normal, você pode parar de usar.

Segurei os óculos entre as mãos, curiosa. Mas, antes de testá-los, tive que perguntar:

— Como ela está?

O garoto suspirou.

— Ainda machucada, mas descansada. – respondeu – O resto de nós não tem a velocidade de recuperação que você e Ian têm, então precisamos ter paciência. Durante a luta na mansão, Tori torceu o pé novamente e por isso está mancando. Sem contar os ferimentos pelo corpo. Mas ela vai ficar bem. Já até conseguiu encantar seus óculos.

— E quanto a você? – perguntei.

— Estou bem o bastante. – disse, sucinto – E, antes que pergunte, Hiro teve um corte no abdômen e o braço esquerdo torcido. Izumi apenas afirma estar perfeitamente bem e não me deixa examiná-la. Quanto a Ian, você já deve imaginar.

Assenti, aliviada por não receber nenhuma notícia ruim sobre meus colegas de equipe. Agora só faltava Kess.

Levei os óculos ao rosto, e minha visão clareou de repente. Foi como colocar a qualidade de um vídeo em HD, e a sensação era tão boa que um alívio preencheu meu coração. Se quer saber, é uma coisa horrível não ser capaz de enxergar.

Fitei o rosto de Matt, que havia desviado o olhar de volta ao livro que lia, dando-me espaço para examiná-lo sem que percebesse. Ele estava com olheiras, e esse era o único indício de sua óbvia preocupação. Matthew era bom em esconder o jogo. Ele sabia segurar suas emoções na frente das pessoas, mas todos chegamos a um ponto em que fica difícil manter-se calmo. Eu me perguntava o quanto ele ainda seria capaz de aguentar até chegar ao seu limite.

Senti o peito apertar.

— Matt, eu... Sinto muito. – falei, sincera, e ele abaixou o livro, fitando-me – É minha culpa Kess ainda estar preso. Se eu tivesse aguentado mais um pouco...

— May, pare. — ele interrompeu, e então suspirou — Já não bastasse Izumi... Olha, eu estou preocupado, sim. Meus nervos estão à flor da pele, e o que eu mais quero é o meu irmão de volta, mas eu ainda posso pensar claramente, entendeu? E eu te garanto que você não tem culpa. Nem você, nem ninguém da equipe. Eu vi quando desmaiou, e sei que a dor deve ter sido de mais para suportar. Mesmo que você tivesse aguentado, nós não teríamos condições de resgatar Kess imediatamente. Todos nós precisávamos descansar.

Fitei minhas mãos, grata pelas palavras dele. Matthew era mesmo incrível. Seu irmão, literalmente sua outra metade, em perigo, talvez sofrendo atrocidades, e ele ainda podia manter a calma daquela forma. Lembrei de minha reação quando minha família foi colocada em risco na mansão, quando quase me desesperei. Eu realmente precisava aprender com aquele garoto.

Ergui o olhar para ele.

— E o que fazemos agora? – perguntei – Tem alguma ideia da localização de Kess?

Ele assentiu.

— Izumi falou que, quando foram capturados, lançaram um gás na sala onde estavam, o que os fez dormir. Izumi acordou ainda durante o transporte, e usou as sombras formadas pela luz da rua para se libertar. Mas ela disse que Kess não estava por perto, e, depois de procurá-lo sem sucesso, ela seguiu a presença de Hiro até o local onde estávamos. – ele fez uma pausa – Bom, eu posso fazer o mesmo com Kess: sinto sua presença, embora não possa apontar num mapa nem nada. Quanto mais perto for chegando, mais forte ela deve ficar.

— Então só precisamos seguir seu detector de gêmeo para chegar até ele. — tentei brincar e um sorrisinho se abriu em seu rosto — Já temos um plano?
Ele deu um sorriso fraco.

— Sim, já temos um plano.

Hiro, eu e Matt estávamos no jardim do hotel. Havia sido decidido que partiríamos para o resgate de Kess assim que o sol despontasse, o que seria dali uma hora, dando tempo para que a maioria recuperasse as forças. Izumi excluiu Charlotte e Hiro da missão, afirmando que seria melhor se os dois permanecessem no hotel por causa de seus ferimentos. Segundo ela, o que viria após o resgate iria requerer muito mais força do que o que havíamos enfrentado até ali.

Eu sombriamente pensei que ela devia estar certa. Se levássemos em consideração tudo o que havia acontecido na última noite, todas as descobertas, era possível prever muitos problemas. Himeko era uma traidora. E, indo mais afundo, era até provável que não estivesse sozinha. Ponderando sobre aquilo, eu de repente tinha uma explicação bem plausível para o desvio dos Greno. Se a ideia que me ocorreu estivesse correta, tínhamos sérios problemas em mãos.

Com isso em mente, eu seriamente tentava me distrair para não pensar de mais. Eu já sabia que fazer isso era problemático, ainda mais quando não tinha como investigar imediatamente. As instruções de Izumi para deixar Himeko de lado por enquanto foram explícitas, o foco era Kess. Apesar disso, Hiro ainda monitorava o rastreador da adaga em um computador novo, e foi como soubemos que ela já havia deixado a Califórnia, em direção ao Texas. Ou foi o que assumimos, presumindo que a adaga estava com ela e não com outra pessoa.

Balancei a cabeça de um lado a outro, notando que havia começado a pensar sobre aquilo novamente. Link, que eu havia chamado com um assovio alto mais cedo, olhou para mim com uma expressão que eu interpretei como questionadora, e eu o tranquilizei com um afago na cabeça. Ele se deliciou com o carinho, até que de repente ficou alerta, girando a cabeça na direção de algumas árvores próximas e soltando um pio.

Ergui os olhos, ao mesmo tempo cutucando Matthew com o cotovelo. Eu o senti se encolher ao meu toque, mas então entendeu meu olhar. Hiro, que estava de pé a alguns metros, velozmente girou na mão direita seu revolver e o apontou na direção das folhas que agora se agitavam.

Do meio das árvores, saiu uma garota.

Os cabelos loiros enormes e lisos eram presos em duas chiquinhas volumosas, com um a franja caindo sobre os olhos e duas mechinhas, uma de cada lado, em um estilo meio diferente. Vestia uma jaqueta de couro marrom por cima de uma blusa branca e rosa, com um lenço ao redor do pescoço e uma calça jeans justa acompanhada de coturnos.

Duas coisas eram um tanto incomuns nela. A primeira era seus olhos: um de cada cor, verde e azul. Diferentes de forma discrepante, e não discreta como acontece na maioria das vezes. A segunda era a enorme sniper apoiada em seu ombro.
A arma era pintada em rosa, roxo, vermelho e azul, com adesivos brilhantes, em alto relevo, e vários chaveiros de pelúcias e bichinhos fofos. Era uma fofura bem agressiva ao meu ver.

— K-king-san? – o rosto de Hiro ficou vermelho de repente, e eu passei de alerta para pasma. Ele abaixou a pistola.

— Olha. – Sussurrei para Matt, admirada, e Link caminhou de meu antebraço para o meu ombro – Nunca pensei que viveria para ver Hiro gaguejando.

Matthew deu um sorriso malicioso, tirando a mão do cabo da adaga embainhada e relaxando.

— Era de se esperar, visto que está diante de Alicia King. – murmurou de volta – Ele é apaixonado por ela desde sempre.

Ergui uma sobrancelha. Como assim?!

— Hiro! – Alicia respondeu – Eu já não te disse para me chamar de Aly? Vocês japoneses e essa mania de chamar todo mundo pelo sobrenome. O que fariam se todos os meus seis irmãos viessem comigo?

— Ah, desculpa, Aly-san. – Hiro respondeu, colocando a mão na nuca.

Eu me inclinei para Matt novamente. Aquilo era uma revelação grande de mais para tentar evitar arregalar os olhos.

— Eu ouvi bem? – falei – Ele acaba de pedir desculpas? Quem é essa garota?

Ele riu.

— Ela foi treinada na Alemanha, e os dois se conheceram nos Torneios de Lutas. Ambos competiam na categoria de armas de fogo e Hiro sempre perdeu para ela em competições Sniper. A habilidade especial dela é Eagle Eyes, Olhos de Águia: Ela pode acertar um alvo a duzentos metros de distância sem precisar usar a mira.

— Ah, igual ao Legolas! – exclamei e ele fez uma cara confusa.

— Quem? – ele perguntou.

Eu o encarei como se ele fosse de outro planeta.

— Você nunca viu O Senhor dos Anéis? – retruquei, e me espantei diante de sua negativa – Você só pode estar brincando. Cara, é um clássico! Vocês realmente não vivem, não é?

Ele revirou os olhos.

— Olha, assim que resgatarmos Kess, a primeira coisa que vamos fazer vai ser uma maratona de filmes. – decidi, e o vi repetir o movimento.

— Tanto faz. – ele respondeu – A questão é que, mesmo Hiro podendo calcular a trajetória da bala e a posição dos alvos e da arma em segundos, nunca foi páreo para ela.

Desviei a atenção do absurdo que era ele nunca ter visto o filme.

— Sério? – disse, impressionada – E quanto às competições com as pistolas?

— Ah, nisso ninguém o vence. – respondeu – Por isso os dois sempre precisavam ir ao desempate. Eles têm uma longa história juntos. Mas acho que Alicia nunca conheceu o verdadeiro Hiro, visto que ele sempre fica nesse estado quando ela está por perto. E ela também nunca o viu em campo de batalha. Imagino se ela não pensa que ele é sempre assim, meio embaraçado e tímido.

Eu ri com a ideia.

— ...Aliás, Hiro, o que achou da minha nova arma? – Alicia dizia, estendendo-a para ele.

Ele a pegou, e seu rosto assumiu a expressão compenetrada que sempre fazia quando estava analisando alguma coisa interessante.

— Uma Hecate II... Tem uma ótima precisão, e uma arma bem mais nova que a sua anterior, a Knights SR-25, que também servia como rifle. – Ele olhou pela mira – Mira boa, apoio confortável. Apenas tem a desvantagem de não poder usar como rifle... – ele a devolveu – É uma boa arma, Aly-san, mas por que decidiu trocar?

Ela fez um gesto com a mão.

— Tive alguns problemas com aquela. – respondeu – Mas não seja bobo, Hiro. Eu sei que é uma boa arma. Estava perguntando da minha customização. – Ela ergueu a sniper, com um sorriso no rosto – O que acha?

Hiro arregalou os olhos e ficou vermelho novamente.

— Ah... – Ele começou – Eu acho que é a sua cara, Aly-san.

Ela inclinou a cabeça para o lado.

— Hm? O que isso deveria significar? Não ficou estranho, ficou?

Se fosse possível, o garoto teria ficado mais vermelho.

— Não, não, não foi o que eu quis dizer. É... Eu... – Ele limpou a garganta – A-acho que... T-talvez...

— Isso tá dano pena. – sussurrei para Matt, que parecia estar prestes a ter um ataque de riso.

Ele se abaixou e pegou uma pedrinha bem pequena. Com um peteleco, ele a mandou direto para a cabeça de Hiro, que imediatamente parou de gaguejar e disse de uma vez:

— Achoqueficoubonito!

O rosto de Alicia se acendeu e eu dobrei o corpo, me esforçando ao máximo para segurar uma gargalhada.

— Sério? Obrigada. – Ela colocou a arma de volta no ombro e finalmente olhou para nós – Matty!

Ela correu até onde estávamos e pulou nos braços dele, fazendo com que os dois caíssem sentados no chão de grama. Ela lhe beijou a bochecha.

Arregalei os olhos, prevendo um desmaio do garoto que normalmente não suportava nem um roçar de pele, mas ele apenas sorriu para ela.

— Klein* Aly. – disse, normalmente, com a garota em seu colo. – Como vai?

Ainda surpresa, lancei um olhar para Hiro, esperando vê-lo ardendo em ciúmes, mas ele não esboçou nenhuma expressão.

— Vou bem! Você viu minha nova Hecate II?

Matt inclinou-se para trás enquanto ela exibia a arma. Ele deu um riso nervoso.

— Já vi sim, ela é maravilhosa. Agora, por que não a abaixa?

Alicia riu e só então me notou.

— Quem é?

Matt a fez levantar.

— Essa é Mayara Jacobs. Filha de Atena, neta de Apolo. – apresentou, e eu me assustei com o fato de ele não estar usando meu pseudônimo – May, essa é Alicia King. Neta da sua mãe e do seu avô.

Levantei uma sobrancelha.

— Esqueceu um detalhe, Matty. – Ela o repreendeu, puxando sua blusa.

— Ah, claro. Ela também é a minha meia-irmã.

Revirei os olhos internamente. Isso explicava.

— Ah, a meia-irmã, não é? – perguntei, apertando a mão dela.

— Já te falei que minha mãe morreu no nosso parto. – ele respondeu.

— E papai casou com a minha mãe. – Alicia completou. – Juntos eles tiveram mais cinco filhos, contando comigo.

— Ah. – respondi e Link piou em meu ombro, exigindo ser apresentado. Apontei para ele — Este é Link, minha coruja.

A garota acenou para o pássaro, e então fez uma expressão de surpresa.

— Ah, é mesmo! Acabei de lembrar...– Alicia já mudava de assunto, e corria de volta para Hiro.
Encostei em Matt novamente, propositalmente roçando meu braço ao dele, que fez um claro esforço para fingir estar à vontade com aquilo.

— Você fez de propósito. – falei.

— Hm? – Respondeu, com cara de inocente.

Eu lhe lancei um olhar cínico.

— Você adora me deixar confusa, não é?

Ele sorriu.

— Você não sabe como.

Alicia havia ido até nós para ajudar a resgatar Kess.

Durante a tarde, enquanto eu ainda dormia, Izumi e Matthew haviam saído e localizado o lugar onde o neto de Atena julgava estar seu irmão. Ao fazer uma análise das redondezas, construiu um plano que necessitaria do apoio da mais nova. Após sua chegada, portanto, tínhamos tudo o que – supostamente – precisávamos.

Quando coloquei os olhos no prédio onde Matt afirmava que Kess estava (uma delegacia meio decadente), quase deixei o pensamento de que estava fácil de mais escapar por meus lábios, mas a lição da primeira vez havia bastado para me ensinar a nunca proferir tais palavras. De fato, não queria desafiar o universo a complicar as coisas. Ele certamente conseguiria.

Lembrei da minha fala ao redor da fogueira na primeira noite de missão, no que parecia ter sido há uma eternidade. Inocentemente eu exclamara que pensava que seria mais difícil localizar um vidente, e todos na equipe reclamaram, apesar de eu não ter dado crédito às suas – julgava eu – superstições. “E veja no que deu” pensei sombriamente.

— Pronta? – Ian se postou ao meu lado.

Estávamos todos no terraço de um prédio vizinho à delegacia, de onde nós dois partiríamos para o ataque depois que Alicia cuidasse da parte que lhe cabia. Enquanto eu fitava o estabelecimento lá embaixo, o vento balançava meus cabelos, fazendo-me respirar fundo, aproveitando a sensação, antes de responder:

— Vamos pegar nosso amigo de volta.

Notas finais
Vocabulário: *Klein: (alemão) Significa "pequena". Heeey, eu de novo! O que acharam? Conhecemos hoje a irmã de Matt e Kess! O que acharam dela? Críticas, opiniões, expectativas, pedidos? Deixa um comment me contando tudo ^^ Novamente, agradeço de coração a vocês que passaram o ano comigo ^^ Vocês me permitiram abrir os olhos para um mundo completamente novo ♥ FELIZ ANO NOVOOO / ♡♡♡ Até 2017 ^^