À Espada Pelo Sangue

1 Capítulo 1 - Como Tudo Começou


Notas iniciais
Oii, gente :) Sejam bem-vindos à minha primeira fanfic. Devo confessar que estou um pouquinho nervosa haha. Tem um bom tempo que venho trabalhando nessa fanfic, e ela mora no meu coração. Espero que possa envolvê-los nesse mundo e fazê-los viajar. Espero que não desistam dela no começo, e embora possa parecer um início comum, prometo que o desenrolar será ao menos interessante. Divirtam-se! :) P.S.: Para quem tiver interesse, também estou postando essa fic no wattpad, com o mesmo nome ^^

Parafraseando Percy Jackson: Eu não queria ser uma semideusa. Ah, mas não queria mesmo. Eu quase me arrependi de ter nascido quando descobri o meu destino. E , embora isso possa soar repetitivo, se você tem uma vidinha chata, sem aventuras e completamente normal, não faça esforço para mudar. Você está bem como está, acredite.

Visto que você começou a ler esta história, já deve esperar que eu me meta em uns “mega problemas”, mas naquela época a maior encrenca que eu pensava poder me envolver era a minha visita semanal à sala do diretor. Sério, eu não tinha ideia. Imagine você agora mesmo, muito tranquilamente lendo estas palavras. Qual a maior roubada que poderia se meter atualmente? O que, comer o bolo que sua mãe guardou para mais tarde? Talvez ser pego dando uma escapada da aula de Matemática? Pois é, exatamente. Agora imagine que de repente, brota monstro até do asfalto querendo te matar. Empolgante? Não, amigo, não é. Isso é um tremendo pé no saco.

Meu nome é Mayara Jacobs. E quando tudo começou, eu tinha 16 anos e morava em Nova York com meu pai, Jack, minha madrasta, Layla, e meus meios-irmãos Laura e Luther, de 8 e 3 anos. Eu posso dizer que, em parte, minha vida era boa, porque não costumava ter problemas com minha madrasta e meus irmãos. Layla era sempre muito doce comigo, a única mãe que eu tive, Laura e Luther eram pequenos e fofos demais para eu brigar com eles e meu pai... bem, eu o adorava. Meu pai era um cara loiro com doces olhos cor-de-mel. Ele trabalhava no Centro de Estudos Científicos de Nova York e era uma pessoa brilhante. Naquela época vinha trabalhando em alguma coisa envolvendo energia solar. Era descontraído, amava música e artes, adorava uma piada, mas sempre dizia que tudo tem seus limites, principalmente quando recebia reclamações sobre mim da escola.

E essa era a parte boa, mas nem tudo são flores. Eu sempre fui a esquisita da escola, com todos estes meus problemas de TDAH e dislexia. Para satisfazer minha hiperatividade e meu cérebro ativo, eu já havia praticado vários tipos de esportes, mantendo-me sempre em atividade. De tempos em tempos, meu pai me levava para mudanças de cenário: acampamento em florestas, trilhas em lugares remotos, rapel em cachoeiras e essas coisas. Coisas do tipo costumavam fazer certo efeito, mas dois dias de volta à escola eram suficientes para me tirar a paz que havia conseguido.

Ao mesmo tempo, sempre tive uma facilidade bizarra nas matérias: uma vez que conseguisse ler um texto ou ficar quieta o suficiente para prestar atenção nas aulas, compreendia facilmente. Como consequência disso, meu boletim muitas vezes era uma montanha russa: as notas iam de perfeitas a terríveis. Meu pai me disse uma vez que isso é como uma herança da minha mãe, que eu não conheci: uma mulher super inteligente, simpática e forte.

Herdei dela a inteligência e a força, e todo esse conjunto de características bagunçavam meu cérebro: horas eu era a nerd e horas eu era a valentona. Problemas na escola? Não era novidade. Eu vivia me metendo em brigas, mesmo depois de aprender e repetir todo aquele lema do Karate, dizendo que devemos conter o espírito de agressão. Não que eu quisesse, é que as confusões simplesmente esbarravam em mim e me obrigavam a participar delas, ou mais ou menos isso. Eu estava constantemente na sala do diretor e ele costumava dizer sempre as mesmas coisas, como “você precisa melhorar esse seu comportamento” e outros discursos previsíveis e inúteis.

Mas vocês não querem saber da parte normal. Então aqui vai o relato de como o mundo começou a ficar de cabeça para baixo:

Naquele dia eu acordei num salto. Olhei para o relógio na parede, eu estava atrasada. “Que droga, May.” Pensei “você não devia ter ido dormir tão tarde”. Eu tinha essa mania de falar sozinha desde que minha psicóloga disse que me faria bem. No fim, descobrimos que ela era mais louca do que eu, mas pelo menos nisso ela tinha razão. Comecei a me arrumar para o colégio. Tomei banho e vesti minha roupa sem nem me enxugar direito, tomei café e peguei minha mochila.

Meu pai sempre saía de casa muito cedo, então eu só o via quando voltava da escola. Layla havia deixado um recado na geladeira, pedindo que eu levasse Laura para a escola, pois ela estaria com Luther no médico. Depois de pronta, fui ao quarto de minha irmã e a fiz se aprontar.

Eu estava checando minhas coisas enquanto caminhava desajeitada para fora do quarto quando congelei. Um calafrio percorreu minha espinha, como se um vento gelado falasse rente ao meu pescoço, fazendo com que até meu interior parecesse frio. Uma voz sussurrou, gélida e sombria: “Prepare-se.”

Meu coração disparou, senti a pulsação em meus ouvidos. Três segundos, foi o tempo que a sensação durou. Cinco minutos foi o tempo que levei para obrigar meu corpo a se mexer. Eu podia jurar que ouvira mesmo a voz, mas disse a mim mesma que era apenas minha imaginação. “É apenas uma sensação...” pensei “O dia está frio mesmo”. Mentira.

— May? – A voz de Laura me tirou do meu estado entorpecido – Está viajando de novo.

Eu me virei para ela. Aquela garota tinha o dom de perceber tudo à volta dela. Era de certa forma assustador.

— Ah, eu só estava pensando em algo. – Falei tranquilamente – Já está pronta?

Ela assentiu, mas estreitou os olhos.

— Sentiu frio? – Perguntou.

Quase arquejei.

— Não seja boba. – Consegui dizer – Estamos no início do verão. Então, vamos?

Não dei espaço para que ela insistisse na conversa. Peguei-a pela mão e saí de casa.

“Droga.” Pensei “Não dá para baixar a guarda quando essa garota está por perto”.

Respirei fundo e apressei o passo em direção à escola. Era o último dia de aula, então eu estava um pouco ansiosa, o que, eu sabia, podia facilmente causar impressões estranhas em meu cérebro hiperativo. Isso com certeza explicava o que quer que fosse aquilo.

Cheguei a tempo de entrar na classe com Shayla e Kyle, meus melhores amigos. Andávamos juntos pra todo lado, e ambos haviam se tornado meu apoio. Eles aprenderam como me ajudar a controlar meus impulsos e a me chamar à razão quando eu perdia o controle (o que não era muito raro). Tê-los ao meu lado estava fazendo de mim uma pessoa melhor, e podia-se dizer que eu estava finalmente sendo capaz de construir um controle emocional significativo. E você não faz ideia do quanto eu estava orgulhosa daquilo.

De qualquer forma, nós éramos um trio inseparável. Nossos queridos colegas chegaram a inventar o ridículo apelido “Y’s” para nós, visto que nós três tínhamos a letra no nome. Isso ainda me tirava do sério, mas o apelido pegara e eu não podia fazer mais nada para mudar esse fato.

Como sempre, sentamos juntos e esperamos o professor entrar na sala e dar o anúncio que ele tinha dito que seria animador. Esse é mais um dos meus problemas: esperar. Como já disse, eu tenho TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e dislexia, o que explica o fato de eu não simpatizar muito com a escola. Eu tenho dificuldade de prestar atenção nas aulas, de ler e de ficar quieta. Mas, mesmo com tudo isso, meus professores costumam dizer que sou muito inteligente e que meu QI é acima da média para a minha idade, o que eu realmente acho confuso...

Voltei a mim com o grito do meu professor de História:

— Mayara Jacobs!

— Hã? O que? – eu sei, foi uma resposta muito acima da média. Os outros alunos riram.

— Senhorita Jacobs, preste atenção na chamada. Esta é a terceira vez que eu chamo o seu nome.

—Hã... Desculpe-me, Sr. Farrel.

O senhor Farrel era um sujeito de uns vinte e dois anos de idade, com cabelos castanhos e olhos cinzentos, como os meus, que pareciam examinar o fundo da sua alma. Eu me perguntava como ele, sendo tão novo, já dava aulas ao ensino médio. As pessoas diziam que ele terminara o colegial aos doze anos, e a faculdade aos dezesseis. E essa foi apenas uma delas. Ao que parecia, ele também tinha diploma de engenharia (qual delas eu não saberia dizer), Letras e Medicina. O motivo de ele ter resolvido ensinar História a um bando de adolescentes malcriados, eu não tinha ideia. O fato é que eu tinha certa admiração por ele, principalmente por que ele costumava ser muito compreensivo comigo.

— O.K. – suspirou ele – Mas tente prestar atenção, por favor.

Ele continuou a chamada, e, quando terminou, anunciou:

— Atenção, turma. Como hoje é o ultimo dia de aula, nosso diretor resolveu permitir uma excursão. – Eu não fiquei surpresa. O diretor costumava fazer isso antes das férias de verão e inverno para que os alunos renovassem a matrícula. Era como um mimo para nos convencer de que a escola era boa para nós — Aqueles bilhetes que dissemos com tanta intensidade para que não abrissem eram justamentes pedidos de autorização aos seus pais para que pudéssemos realizar essa saída. Para isso, nossa turma será dividida em quatro. Na turma “A” estarão: Shayla Milan; Aline Shean; Mary Annie; Mayara Jacobs; Thomas Solen ; Norman Roe; Kyle Harris e Hank Maltin. Na turma B…

Ah! Que ótimo! ”pensei, “O Norman vai com a gente

O Norman era um garoto grande e feio: o típico valentão que toda escola tem, só que sem a popularidade e as líderes de torcida aos seus pés. Ele brigava com todo mundo e adorava chatear meu amigo Kyle. Norman sempre arranjava briga comigo por causa disso. Eu detestava ter que ir para a detenção quase toda semana. E o odiava. Ele complicava tudo pra mim, sem motivo nenhum. Suas afrontas, ataques e brincadeiras pareciam ter apenas um objetivo: ver-me explodir. E ele normalmente conseguia.

O professor continuou falando:

— Eu acompanharei a turma A, que irá à ao parque de diversões, que fica na praia sei lá qual. — a turma riu — E a turma B...

Quando ele terminou, nós começamos a nos aprontar para sair. Depois de pronta, comecei a conversar com Shayla. Seus cabelos castanho-escuros que caiam sobre os ombros combinavam com a pele naturalmente bronzeada proveniente de sua origem indiana. Os olhos eram grandes e expressivos.

— E então?- perguntei — Como acha que será o passeio?

— Eu não sei, May – disse Shayla, abaixando a voz. Seu tom era nervoso, o que acentuava seu sotaque, que eu considerava um tanto charmoso – tenho a impressão de que algo ruim vai acontecer.

Ergui a sobrancelha.

— Shay, isso é só uma impressão. Esse tipo de coisa acontece quando estamos ansiosos.

Ela me olhou totalmente séria. Observei com atenção sua postura e gestos. Sua expressão corporal confirmava seu olhar: ela estava genuinamente preocupada. Isso me incomodou. Ela não é de se preocupar com pouca coisa.

—Fale baixo. Então, você acha que vai dar tudo certo?- Shayla perguntou.

— Claro. Tudo ocorrerá perfeitamente. Vamos, Shay, — Tentei animá-la — onde está o seu espírito otimista?

— Sou otimista quando vale a pena ser. — Shayla retrucou.

— Certo. E porque não vale a pena ser otimista agora? — perguntei, já espantada com sua intensidade.

Shayla suspirou.

— O Norman estará na nossa turma. Nada ocorre totalmente bem quando ele está por perto, você sabe, o cara parece atrair coisas ruins. Além disso, você ainda está na mira dele. Ele quer acabar com você pela confusão da semana passada, e pode ser que isso aconteça hoje. Afinal, o último dia de aula é o dia de acertar as contas.

— Isso é apenas uma possibilidade. – eu disse, tentando acalmá-la e a mim mesma, que já estava começando a absolver seu nervosismo — E o Sr. Farrel estará lá, ele vai me ajudar caso o Norman tente algo.

—E novamente eu pergunto- disse Shayla, insistindo irritantemente como nunca – Tem certeza disso? May, o Sr. Farrel te adora, mas eu nunca o vi levantar um dedo para impedir uma briga sua. Não estou certa de que fará algo se alguma coisa acontecer hoje.

— Shayla, pare. — eu disse – Você sabe que eu não lido bem com nervosismo. Se continuar assim, posso acabar fazendo besteira.

—Desculpe- ela disse – É que hoje eu recebi uma ligação muito estranha. Um cara dizendo que eu deveria me preparar, sei lá. A princípio pensei que era apenas uma pegadinha sem graça de algum pateta, mas agora que eu vi... — ela hesitou e fez um gesto de frustração — eu não sei. Estou cada vez mais nervosa.

— Espere. Teve uma coisa parecida comigo hoje. — eu ignorei o que ela não quis contar — Mas é tudo muito ridículo. Alguém com certeza está tentando nos pregar uma peça.

Sugeri aquilo, embora soubesse que não era possível. A não ser que o próprio vento tivesse criado vida e resolvido me assombrar, aquilo não tinha nada de pegadinha. Pelo menos não no meu caso. E não podia ser coincidência.

—Acha que o Kyle aprontou isso?

—Não, — eu disse, com um gesto de desdém — você sabe como o Kyle é terrível com pegadinhas. Foi outra pessoa. Alguém que quer nos assustar.

Nessa hora, Kyle entrou na conversa.

— Quem quer assustar vocês?

Quase soltei um grito.

— Kyle! Quer me matar?- reclamei.

—Foi mal, foi mal. Só estou a fim de saber o que as duas estão falando aí em sussurros.

Contamos tudo a ele, que segurou com Sekki com força. Para esclarecer, Sekki era o apelido que Kyle havia dado para a muleta que usava devido a certa deficiência nas pernas. Ele dissera que era o nome de uma arma em certo anime que vira e acabara plagiando. Com nome de arma ou não, aquela muleta já havia acertado pessoas em lugares indesejados mais de uma vez, salvando meu pescoço em algumas delas. Mas mais importante que isso, Sekki era de grande ajuda quando eu queria ler as emoções de Kyle. Por exemplo: quando ele a segurava relaxadamente, provavelmente estava distraído. E quando esfregava o apoio da mão, estava pensando em algo importante. Se ele a segurasse com força, como fazia agora, significava que ele estava alerta, como que na defensiva. Ou seja, estava nervoso.

—Olhem, — ele disse — não esquentem a cabeça com isso, O.K.? Acho que vocês estão certas, são apenas pegadinhas.

Kyle não soou nada convincente, mas decidi fechar a boca. Era desnecessário que alguém dissesse o óbvio. Aliás, Sekki expressava tão bem Kyle, quanto os olhos de Shayla a expressavam.

—Vamos — eu disse — Temos que entrar no ônibus logo ou vamos acabar ficando aqui.

Nós entramos e começamos a viagem.

Notas finais
Chegamos ao fim desse capítulo, espero que tenham gostado ^^ Estou aberta a críticas e sugestões, então, por favor, comentem ;) Obrigada, e até o próximo capítulo. Lah Chase