xPire

2 Primeiro dia de escola, a primeira noite de terror


O sol já raiava junto com seus raios clareando o quarto de Kento pela janela. Os olhos irritados pela claridade do mesmo, abriam lentamente enquanto sua barriga roncava. Não estava sendo exagerada, como o garoto não tinha noção de como cozinhar passara a noite de barriga vazia arrumando todas as tralhas jogadas pela sala. Mas algo estava diferente no ar, um cheiro estranho, porém maravilhoso lhe chamava atenção tanto que se levantou da cama de modo ligeiro. Temendo ser um estranho, longe da cozinha poderia ouvir um assovio e ele arqueou uma sobrancelha engolindo em seco, se aproximando em passos lentos inclinando a cabeça enquanto quase chegava à cozinha após descer as escadas. Poderia avistar uma silhueta de um porte físico largo, e os fios de cabelos negros e longos.

– Já estava na hora de acordar, não? – perguntou a mulher na cozinha limpando dois pratos

– Nossa quanto tempo tia!

– É verdade, agora que estamos quase juntos parece que terei de preparar seu café.

– Que isso...

– Vi que não cozinhou ontem e acordou atrasado. Daqui a meia hora começa sua aula.

– O que? – ele berrou arregalando os olhos e correndo em direção a escada da sala

De fato ele nunca foi tão pontual quanto o pai, por ser estabanado e distraído. Os cabelos quase penteado, a roupa passada, porém quase bagunçada ele se ajeitava para estar definitivamente pronto para chegar ao seu novo colégio.

Onde ficou observando por um tempo a fronte dos portões, um pouco longe, vendo todos os alunos chegarem até que repentinamente alguém esbarrou nele. Tinha o mesmo uniforme, porém largo, o cabelo quase curto e o porte físico magrelo.

– Desculpe, você é novo aqui? – perguntou o rapaz

– Sim, é meu primeiro dia... Em um colégio normal. – respondia com um certo constrangimento

– Sério? Nunca estudou num colégio normal?

– Não, sempre tive uma governanta...

– Já sei, filhinho de rico? Tudo bem, eu sou Ayumu vamos entrar antes que fechem os portões!

O que restou para Kento, era correr com a bolsa de mão apoiada nas costas. Adentrando ao colégio, era espaçoso e normal como qualquer escola. Os alunos se cumprimentavam amigavelmente ao seu redor em grupos, outros liam livros com uns ajeitando o óculos e com um olhar imerso de desdém. Deixando de perceber características de algum, continuou a seguir Ayumu que iria para sala no exato momento em que o sinal batera, estavam atrasados. Porém em sua rápida fuga, não poderia deixar de notar um grupo quase estranho perto do seu rumo. Adentrando a sala, as fileiras eram corretamente alinhadas, havia mais garotos do que garotas e as mínimas perceberam logo a entrada de Kento, o mais novo aluno. Afinal, quem não perceberia o novo garoto de cabelos médios escuro, com o porte físico magro de pele alva e um tanto estabanado a ponto de esbarrar em uma cadeira deixando-a cair. Aquela era a sua carteira.

A sua nova professora havia chegado, tendo uma péssima impressão sobre o rapaz que levantava a cadeira, tentando se ajeitar e pedindo perdão a todos que se sentavam ao seu lado. Não havia começado bem, pelo fato de ser atrapalhado. Finalmente se sentou, junto as duas mãos sobre a carteira enquanto esperava a professora começar a aula, pois a mesma apenas verificava uma pasta verde sobre a sua mesa.

– Muito bem alunos, vejam que já notaram o novo aluno. Iwasaki Kento, apresente-se por favor.

– S-sim... – levantou-se gaguejando e virando-se para a turma – espero ser muito bem recebido por vocês, vim de uma cidade não tão conhecida. Essa é a primeira vez que estudo em um colégio comum devido ao trabalho do meu pai, então...

– Alunos, abrindo seus cadernos e os livros.

Evitando argumentar a falta de gentileza da parte da professora, Kento apenas sentou-se ignorando. Ayumu sentava duas fileiras atrás, a pedido dele um papel foi passado pelas duas garotas até chegar a Kento. Abrindo a folha amassada, ele arqueou uma das sobrancelhas e deixando um sorriso de lado. “Quero falar com você no almoço”; lia-se em mente. Pelo menos um amiga ele tinha naquela imensa escola, onde os alunos aparentavam ser mais arrogantes do que hospitaleiros. Não era difícil notar isso, quando virava os olhos ao fitar a face de alguém e a pessoa lhe retribuí o olhar de um jeito torto.

Após algumas horas, o sinal por fim tocou e ele, Kento, foi o primeiro a levantar-se e sair rapidamente da sala. Seu jeito estranho, não andava ajudando em sua reputação para os demais que estudavam na mesma classe. Dobrando um corredor, quase esbarrou numa garota alguns centímetros mais baixa que ele. Ela estava também com um olhar torto e fitou o garoto com um olhar irritadiço.

– Cuidado por onde anda, novato inútil.

Depois das palavras, ela virou o rosto e se direcionou para o lado do garoto seguindo o seu caminho. Logo atrás, vinha correndo Ayumu berrando o nome do garoto que o fitava.

– Ei, desculpe os modos da Yuna! – dizia um rapaz estranho pondo as mãos nos ombros de Kento

– Kento... – chegava Ayumu olhando torto para o rapaz estranho – vamos para a lanchonete, tenho algo importante para falar com você. – e puxando o braço de Kento, saíram andando deixando de lado o outro rapaz

– Não é para você falar com ele, ninguém fala com ele! Nem com aquela garota.

– Por que?

– Porque eles são esquisitos, não percebeu o tom de pele deles? Acho que nunca vão para uma praia. Mas não vim falar disso, preciso que você faça um favor a nossa turma.

– Favor? – perguntou Kento fazendo uma careta

– Você é o mais novo aluno da classe, a Haruka esta de saída para fazer intercâmbio no México. A professora me pediu para falar isso a você, na sala de vídeo ha uma câmera, você vai pegar e gravar todos da nossa classe se despedindo. Daqui a uma semana é a saída dela. No final da aula, aproveita para editar o vídeo na sala mesmo. Então é só isso, estou indo comer.

– Tudo bem...

“Por que eu?” perguntava-se em mente, definitivamente não era pontual e não sabia se isso iria dá certo. Porém, como não sabia se era obrigatório ou não, tinha de fazer. No almoço, ele não estava pra lá de faminto, tendo uma ideia fora até a sala de vídeo, onde achou a câmera rapidamente e a testou. Estava funcionado perfeitamente, saindo da sala ele a ligou.

As horas iam passando, e o sinal anunciava a saída dos alunos liberados para ir pra casa. Antes de todos saírem, Kento pedia alguns alunos para que ficassem e gravassem óbvio que tudo escondido da tal Haruka que ele não conhecia. Deixando uma carteira sem a cadeira, ele colocou a cadeira ao lado da janela que havia do lado esquerdo da sala e gravava umas três pessoas se despedindo. Era cansativo, mas ele persistia já que foi a pedido da professora e falado de Ayumu que foi o primeiro e único amigo que fizera em seu primeiro dia.

– Muchos partidos, Haruka!

– Ótimo! Obrigado... Karuta, não é?

– Sim, eu sou irmã gêmea da Haruka... Confesso que não ser fácil quando ela for embora.

– Mas por quê?

– Ela é a única pessoa que fica ao meu lado no almoço ou conversa comigo sobre estudos.

– Você é sozinha... Eu entendo, eu sou Kento, prazer em te conhecer Karuta.

– Não entende, ninguém entende.

Pegando sua bolsa, ela partiu da sala batendo os pés. Ele não sabia o que havia falado ou feito de errado, apenas deixou de lado e saiu assim que desligou a câmera. A noite já estava chegando, pois iria sair umas oito horas por gravar os alunos. De início, ele demorou por não saber manuseá-la, mas foi apressando assim que foi pegando o jeito. Ajeitaria no próximo dia, pois já estava tarde e ele cansado. Assim que saía da sala, ouviu um gemido de longe e ele engoliu em seco. “Estranho” proferiu, logo abrindo a câmera e a ligando no mesmo instante. Em passos lentos, podia ouvir murmúrios e mais gemidos, porém eram masculinos. Pondo os pés nas escadas, ao lado de uma coluna de tijolos conseguia ouvir perfeitamente as diversas vozes.

– Não devíamos fazer isso aqui. – uma voz masculina proferia

– Tudo bem, depois levamos o corpo para o outro lado da cidade. Você precisa. – outra feminina

– Você que levará, não é? – outra feminina, porém conhecida

Ainda em passos lentos, ele se aproximava vagarosamente, filmando tudo e escondendo-se. Deixando a câmera ao canto da coluna que escondia perfeitamente a sua silhueta conseguia ver três pessoas. A visão estava difícil por estarem longe, mas conseguia ver um corpo jogado no chão e o garoto semelhante ao mesmo que se desculpou pelas atitudes arrogantes da garota — que era a mesma que estava ali junto de outra – estava com os lábios presos ao pescoço do garoto jogado no chão. Repentinamente, num deslizar de dedos com a borracha traseira da câmera ela caiu.

– Ouvi uma coisa. – era a voz conhecida novamente

– Vá verificar então. – a voz masculina dizia

Então Kento rapidamente tentava se ajeitar segurando a câmera enquanto corria de volta para o colégio tentando fechar as portas e apressando os passos diante do corredor enorme. As portas abriram sem que nada a tocasse, lá a garota que quase esbarrou no garoto hoje estava entrando. Como o corredor ficava perto dos armários onde trocavam de sapatos, podia ouvir as portas dos armários batendo. Todos eles, porém não estavam em sincronia. O som aumentava, e o medo cada vez mais aumentava também. Ela conseguiu se aproximar de Kento quando mirava os olhos que num piscar de olhos da mesma mudavam de cor para um vermelho desbotado. Seus passos se tornavam cada vez mais ligeiros, tanto que em movimento extremamente rápidos ela iria para cada lado até que se infiltrou atrás do garoto o prendendo em seus braços. Ele tentando virar o rosto, podia ver que as presas dela estavam crescidas e prontas para atacarem seu pescoço, os dois num movimento rápido... Então ela mordeu. Mas não o pescoço do garoto. Porque em poucos segundos, ele tentou movimentar o pescoço para qualquer lado e levantar o braço dela. Ou seja, ela modera o próprio braço. Assim que os dois foram abrindo os olhos, ela percebeu e jogou o garoto com um só braço brutamente ao chão se debatendo tentando retirar as presas de seu braço direito. Kento apenas a observava, não sabia o que fazer além de se afastar e pegar a câmera que gravava tudo. A garota caiu ao chão, ainda se debatendo. Ele se levantou colando o corpo na parede e ainda se afastando, dando alguns passos para trás logo começou uma corrida para qualquer tipo de saída de fundos que houvesse no colégio. Enfim, conseguira percebendo o corpo ainda jogado no outro lado, não sabia o que fazer exatamente a não ser... Correr, indo embora para sua casa.

22:32

Durante aquela noite, do outro lado da cidade havia uma casa aparentada ser abandonada, mas isso era o que os olhos julgadores de Osaka. Na realidade, lá vivia um senhor excêntrico de maneiras exóticas de viver a sua “vida”. Ele se chamava --, conhecido apenas por três estudantes e um conselho de direitos de uma raça diferente... A raça de vampiros. Na mesma noite em que Kento quase fora mordido pela garota, pelos dois amigos ela era carregada até a bancada da tal casa abandonada. A outra garota, de cachos longos e negros como uma típica oriental de cabelos diferentes, batera duas vezes na porta frontal. Virou-se com um olhar desconfiado para o garoto que segurava a menina que estava desmaiada e com a pele praticamente queimando de tão quente que estava. Um ruído podia ser ouvido de dentro da casa, a porta foi se abrindo e de lá saiu o homem que num piscar de olhos enquanto fitava a garota que estava a frente a sua porta, seus olhos tornaram-se vermelhos sangue.

– O que querem essa hora? Deveriam esta caçando.

– É uma emergência.

Após as suas palavras, ela apontou para o corpo da outra garota jogado no chão praticamente desacordado, queimando um pouco da terra que exalava um cheiro de queimado. O homem inclinou o rosto para analisá-la enquanto caminhava em direção a ela com as mãos nos bolsos de seu sobretudo. Arqueou uma sobrancelha e sorriu maléfico.

– Parece que temos um caso raro por aqui.

22:37

Chegando a própria casa, Kento sabia que tudo o que havia visto era real, não estava maluco. Pegando as chaves de casa, ele trancou a porta assim que adentrou, deixando a bolsa de mão jogada no chão e ligou a câmera para analisar o que realmente aconteceu.

Sentado no sofá da sala cada vez que assistia ao vídeo, arregalava os olhos para examinar o tempo e os movimentos da garota. Calculou que ela era realmente uma vampira, mesmo desacreditando em seres inteligentes a não serem humanos. Não sabia o que fazer enquanto a isso, apenas sabia que não deveria voltar à escola. Mas caso pedisse ao pai qualquer coisa relacionada à sua saída, não iria estudar normalmente. O que lhe restou era deixar de lado tudo o que aconteceu esta noite e apagar os vídeos não só da câmera, como de sua mente. Temia que algo ruim acontecesse, não só para ele como para a sua família. Decidiu ignorar tudo e voltar para as suas atividades comuns.

Assim que chegou a cozinha, encontrou diversos pratos de sushi embalado. Ele sorriu notavelmente seria a sua tia que comprou, só esperava que ela não estivesse escondida em sua casa. No final de contas ele decidiu apenas dormir. Na cama, o seu celular tremia, era uma nova mensagem. Kento virou o corpo, estendendo o braço direito para pegá-lo, o abriu e viu que a mensagem era de seu pai lhe desejando uma boa noite. Ele fechou e guardou na gaveta da cômoda ao lado, logo fechou os olhos jogando os braços e as pernas na cama.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.