verde/prata

3 Antes, III: Caminhos


Dominique

Dominique sempre foi mais calada que as crianças da sua idade. Tinha uma relação conturbada com sua irmã Victoire e, por extensão, com sua mãe Fleur. As duas mulheres eram muito parecidas, tanto em aparência quanto em personalidade, enquanto Dominique havia puxado o cabelo ruivo-claro e a introversão de seu pai. Apesar de nada jamais ter sido dito contra ela, tinha um sentimento de que Victoire era a filha perfeita e jamais seria possível vencê-la.

Talvez por causa disso, Dominique se sentiu mais acolhida nas masmorras do que em sua própria casa. Durante seus três primeiros anos em Hogwarts, ela teve por perto Jade, a monitora que lhe acalmou no primeiro dia após a seleção e que, desde então, adotou-a para apadrinhar. Jade mentorou Dominique tanto para assuntos acadêmicos quanto para questões pessoais, e de certa forma serviu mais como uma irmã maior do que a própria Victoire.

A notícia da conclusão dos estudos e saída de Jade da escola foi recebida com tristeza por Dominique, e causou impacto também em seu desempenho nas aulas. Dominique tinha facilidade com a varinha e se saía bem na maioria dos assuntos, com exceção de Poções, com a qual ela tinha grande dificuldade e Jade a ajudava. Assim, suas notas nessa aula baixaram consideravelmente no quarto e no quinto ano.

Ao final do quinto ano, Dominique realizou o teste para os Níveis Ordinários de Magia e recebeu oito N.O.M.s: três vezes ‘Ótimo’ para Feitiços, Transfiguração e Aritmancia; quatro ‘Excede Expectativas’ para DCAT, História da Magia, Astronomia e Runas Antigas; e uma nota ‘Aceitável’ para Trato das Criaturas Mágicas e Herbologia. Sua única reprovação foi um frustrante e desolador ‘Péssimo’ em Poções.

A diretora McGonagall a convidou para conversar em sua sala na primeira semana de volta às aulas no sexto ano.

— Você teve um resultado muito satisfatório em geral — Minerva comentou, analisando o relatório por cima dos óculos. — Já sabe qual carreira pretende seguir?

— Não sei, diretora. — Dominique respondeu sem ânimo. Depois da nota baixa em Poções, seu único rascunho de plano para o futuro foi dissipado.

Minerva encarou a garota a sua frente com aqueles olhos velhos de quem sabe mais, e Dominique percebeu que ela era capaz de ver além do que estava sendo exposto no diálogo. Ela voltou novamente o olhar para a folha de pergaminho que continha as notas de Dominique.

— Você atingiu nota O em Aritmancia e EE em Runas Antigas. Escolhas impopulares para matérias optativas.

— Eu gosto.

— Nota-se, srta. Delacour-Weasley. E como anda seu pai Bill? Eu ainda me lembro, ele tinha excelente desempenho nas provas. Continua trabalhando como Desfazedor de Feitiços?

Minerva tinha um ar interessado, quase inocente, mas Dominique percebeu que ela havia captado o motivo por trás do interesse pelas aulas geralmente tidas como difíceis. Resolveu seguir a linha da conversa, tentando não manifestar nenhuma emoção ou pensamento.

— Sim, continua. No Gringotes.

— E você se interessa por essa profissão? — pressionou a professora.

— Não mais. — Dominique rebateu rapidamente — Não tenho talento para Poções.

Minerva sustento o olhar da garota por alguns segundos, tentando entender o que realmente se passava na cabeça da jovem, até que suspirou profundamente e recostou-se na poltrona.

— Entendo que uma reprovação pode ser desanimadora, mas ela significa que suas chances estão esgotadas. — explicou — Sua nota em Poções foi P, a mais branda entre as negativas, que te torna elegível a repetir a prova ao final deste ano… se for do seu interesse, é claro.

Um sentimento de esperança pela possibilidade de seguir a carreira de seu pai, como ela sempre quis, despontou no peito de Dominique. Ela imediatamente tentou suprimi-lo, temendo que fosse inútil.

— Não será fácil, mas você terá o apoio do professor Slughorn. Depois do intervalo de Natal, eu posso escrever uma carta às Autoridades de Exames Bruxos endossando sua reavaliação.

***

Naquela noite, Dominique foi para a cama se sentindo nas nuvens com o caminho que Minerva lhe tinha mostrado. Sentiu-se com o ânimo renovado para dedicar-se às aulas e estabeleceu um cronograma rígido para estudar as matérias que estava frequentando no sexto ano e ainda encaixar estudos paralelos de Poções na agenda.

Slughorn lhe ajudava com aulas particulares duas vezes por semana, às terças e sextas-feiras pela tarde, a pedido da própria diretora McGonagall. Porém, à medida que o ano letivo avançava e o professor precisava dedicar mais tempo às turmas regulares e a correção de trabalhos e exames, foi necessário reduzir os encontros com Dominique.

— Mas veja bem, minha querida, você está se saindo muito bem. — ele incentivou, amigável como era característico de seu jeito — Vamos seguir com o reforço apenas nas sextas e, para compensar, vou pedir a um dos meus alunos do quinto ano que continue dando a você a ajuda que precisar. Um menino brilhante, você vai ver.

Dominique não ficou tão contente ao saber que receberia apoio de alguém mais novo que ela, mas engoliu o orgulho e forçou-se a lembrar que seu objetivo era alcançar o maldito “Excede Expectativas” nesta segunda vez.