um novo começo
4 IV
Notas iniciais
Já era quase a manhã do dia primeiro de janeiro de 2018 quando Ana Maria ganhou alta do hospital. Os pais assinaram os documentos e enrolaram a pequena criança num manto branco. Ela tinha os olhos claros de Marcos, duas bolas de gude curiosas que reconheciam o mundo. Mas os traços eram de Caíque. O nariz, a boca vermelhinha. Era perfeita.
Estava no colo de Marcos quando cruzaram o corredor da recepção. Antes de saírem, os três se entreolharam. Caíque morava novamente na casa dos pais. Marcos, na mesma casa grande e vazia. E, depois de um longo silêncio, Marcos suspirou.
— Caíque, não precisamos fazer isso. O quarto dela está do jeito que deixou. Vamos pra casa. Hum?
E de novo, o sorriso estava nos lábios do outro rapaz. Eles precisavam tentar. Pela reciprocidade do amor que sentiam, pela filha que agora tinham. Era um novo ano. Caíque suspirou e concordou então.
Lá fora, o dia amanhecia num tom avermelhado, dando as boas-vindas à nova vida. Olhando para fora, Caíque fechou os olhos.
— Ela deveria se chamar Aurora.
A aurora do dia era o início de um novo dia. A Aurora em seus braços era o recomeço de suas vidas.
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