toxic
1 único
Notas iniciais
you're toxic, I'm slipping under
with a taste of a poison I'm on paradise
I'm addicted to you
don't you know that you're toxic?
and I love what you do
don't you know that you're toxic?
toxic — britney spears
Sakura sentia vergonha de si mesma.
Mais um dia, mais uma recaída.
Perguntava-se se era dessa forma que os dependentes químicos pensavam. Conhecia os sintomas físicos e não estava distante de desenvolvê-los. Contudo, parecia que sua mente estava programada a elaborar qualquer maneira de encontrá-lo, indiferente ao lugar e ao horário, somente para que ele a fodesse como uma devassa.
Se sua mãe soubesse onde havia se metido, a repreenderia até o próximo século. Mas não conseguia evitar.
Desde a primeira vez que o viu, tinha sido capturada por aquele perfume inebriante.
Não houve escapatória.
Nem a aliança no anelar esquerdo a fez parar, muito menos o peso na consciência, tampouco o fato do homem ser casado com sua chefe, Karin.
Sasuke era um homem perigoso: sedutor e indomável, cheio de lábia, do jeito que fazia Sakura umedecer. Um cara como ele deveria ter um aviso.
Então, quando ele a chamou no chat de uma rede social, depois de uma confraternização de final de ano do hospital, tomado de segundas intenções, ela tentou evitar.
Contudo, ele estava em todo o lugar. Na academia, no mercado, fazendo questão de cumprimentá-la com aquele sorrisinho sacana e cortesias insinuantes e ela se sentia vulnerável.
Todavia, agarrava-se piamente a sua sanidade e bom senso, sabendo que seria guiada pelo caminho da prudência.
Mas seu freio social precisava urgentemente de conserto e logo, colidiu de frente com o marido de sua chefe.
De frente, de costas, de lado, de quatro…
Agora estava ficando tarde para desistir, já tinha tomado um gole do copo do demônio e estava lentamente tomando conta de sua mente.
Estava perdendo a cabeça, dando voltas e voltas.
E quando ele a chamou naquela tarde, não hesitou.
Estava de folga e sentia a abstinência dos lábios daquele homem.
Vestia sua lingerie mais bonita e perfumou o corpo.
Quando ele a buscou, foi sucinto. Não era um homem de muitas palavras. Disse o quanto estava bonita e que sentia sua falta. Nunca perguntava sobre seu trabalho ou sua família.
De resto, o trajeto era sempre silencioso. Seu corpo sempre agitava-se de antecipação, como uma criança que anseia por uma porção de seu doce favorito.
Sempre que atravessava o portal de entrada daquele motel de estrada, era onde sua consciência mais pesava. Onde sua prudência implorava para que se atirasse pra fora do carro e fugisse enquanto havia chance.
Mas não queria ter qualquer chance.
Vivia entorpecida, tão intoxicada pela paixão que sentia. Sua mente sempre tão sensata, nublava-se perante a diminuta possibilidade de afeição.
Sakura só queria um pouco de amor. E se Sasuke só podia oferecê-la aquela forma física de afeto, ela podia se contentar.
Tinha aprendido tanto sobre amor-próprio para, no final, se sujeitar à aquele homem rude e conquistador. Como uma garota boba e inocente.
Lamentava por Karin. Profundamente. Sentia-se a pior pessoa do mundo toda vez que Sasuke beijava seu pescoço e a chamava de amor.
Amor.
O que diabos ele queria dizer com aquilo, enquanto em seu dedo uma aliança dourada reluzia como uma maldição?
Desfaçatez tremenda era seduzi-la ao seu bel-prazer, sem ao menos desejá-la ao seu lado como mulher.
Entretanto, não podia evitar ansiar por seu carinho.
Quando ele a beijava, a tocava, via-se distante de seus princípios.
Quando conectavam-se e amavam-se, era o ápice de sua insensatez.
Não podia controlar, não conseguia.
Sasuke era tóxico, como uma droga.
E Sakura sabia que era completamente dependente, que necessitava encaminhar seu coração para reabilitação, mas tudo que queria agora era Sasuke a fodesse.
Que Deus e Karin possam perdoá-la por seus erros, pois, para ela, não havia mais salvação.
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