the sweet taste of your lips | MATZ

3 the sweet look in your eyes


Após Hongjoong se declarar para mim, as coisas começaram a ser… diferentes. Eu ainda ficava envergonhado nas primeiras vezes, e acho que talvez demore um tempo até me acostumar a tê-lo mais perto do que o normal. Entretanto, dei meu máximo para deixar fluir.


Muitas vezes, ele chegava sorrateiramente enquanto eu estudava e hesitava ao apoiar a bochecha em meu ombro para observar-me. Em um dos dias, ao constatar que eu estava distraído o suficiente, pegou uma de minhas mãos e comparou o tamanho com a sua própria; isso quando não ficava simplesmente brincando com meus dedos em silêncio.


Por já perceber que eu não era muito de falar por conta própria, sempre fazia questão de puxar algum assunto, seja sobre meu curso na faculdade ou algo totalmente aleatório como: “Seonghwa, você não acha que a marca de chantilly que usávamos antes era mais gostosa?” ou “Ya! O céu está tão escuro, você acha que vai chover hoje?”.


Embora tivesse dificuldade, tentava responder tudo com mais do que três simples palavras, pois além de ter dito para ele que eu o deixaria se aproximar, prometi a mim mesmo que o faria; queria ser capaz de demonstrar que também estava tão interessado quanto. Era impagável sua expressão surpresa e suas bochechas vermelhas toda vez que eu o elogiava. Consegui até mesmo acariciar sua mão de volta na última vez. Minhas orelhas queimaram de vergonha e nem sequer consegui encará-lo nos olhos durante isso, mas pude notar seu sorriso largo e iluminado pelo canto do olho.


Aos poucos, tornei-me muito mais confortável; Kim se mostrou muito paciente nessa questão. Nós trocamos números de telefone e todos os dias ele mandava “Bom dia”, “Boa tarde” e “Boa noite”, junto com alguma de suas carinhas fofas formadas pelos próprios caracteres do teclado do celular. Eu sorria todas as vezes, porque aquelas carinhas estranhamente se pareciam muito com suas próprias expressões.


Quando menos percebi, eu mesmo comecei a puxar os assuntos, a mandar mensagem primeiro e, inclusive, iniciar nossos toques carinhosos. Ele pareceu gostar, pois, como agora, encarava-me sonhadoramente com o rosto apoiado no punho e um sorriso bobo para completar. Hongjoong me observava com carinho enquanto eu falava euforicamente sobre minhas novas ideias para o TCC da faculdade. Foi justamente esse olhar extremamente doce que tirou-me do transe momentâneo e me fez corar violentamente, pelo fato de que nunca, ninguém além de minha mãe, havia olhado para mim com aqueles olhos, tão verdadeiramente encantado por ouvir tudo o que eu tinha para dizer sobre minha profissão dos sonhos.


Todos da família eram contra, afinal.


— Por que parou de falar? — Exibiu um biquinho frustrado. — Continue.


— V-Você tem certeza? Eu… não estou falando muito?


— NÃO! Não… Gosto de ouvir você falar. Continue, por favor.


Com a deixa, mantive-me desenvolvendo minhas ideias, mostrei algumas coisas que já havia começado a fazer no papel e, mesmo que ele não entendesse nada, percebi o quanto Hongjoong se esforçava para fazer perguntas coerentes ou levantar questões que pudessem me levar a falar mais e mais. O olhar doce não abandonou seu rosto, e meu coração batia forte quando Kim sorria.


— Você costuma ir andando até a faculdade?


— Sim, é perto daqui. Por quê?


— Eu tenho horas positivas, então… posso te acompanhar até lá?


— Sério?


— Por que não?


— Tudo bem.


Organizei minhas coisas e as guardei de volta na mochila. Quando levantamos, ele me ajudou a colocá-la nas costas e esse simples ato tirou um sorriso envergonhado de mim, porque coisas assim vindas dele sempre pareciam tão espontâneas.


Caminhamos juntos pela calçada tranquilamente, até que, em um certo ponto, Hongjoong segurou discretamente minha mão com a dele, sorrindo satisfeito quando não viu nenhum afastamento da minha parte. Contudo, não se engane, fiquei tão eufórico por dentro que quis gritar e sair pulando alegremente como um louco. Nunca imaginei que estaria assim com alguém, iniciando algo doce, calmo e confortável com uma pessoa tão meiga quanto ele.


Para ser sincero, eu acreditava que seria para sempre a minha única companhia e já tinha me acostumado com isso, embora algo lá no fundo ainda desejasse ter alguém ao lado para poder amar e acompanhar em tudo. Era solitário, porém nunca fui bom em amizades e muito menos em relacionamentos; não sabia como começar uma conversa, muito menos mantê-la. No entanto, agora que fiquei próximo de Hongjoong, percebi que talvez a questão fosse que ninguém havia tido a capacidade de me fazer sentir confortável o suficiente para tirar-me de minhas amarras.


Eu ainda sentia dificuldade com todos os outros, mas com Kim era tão fácil… como se tudo finalmente estivesse em seu devido lugar.


Era cedo demais para dizer que o amo?


O pensamento fez minhas bochechas e orelhas esquentarem no momento em que observei seu rosto de perfil. Os cílios eram longos, o nariz era pontudinho e pequeno e... os lábios. De repente, a ideia de beijá-lo não era tão absurda assim e, se fosse para admitir, já fazia alguns dias que me pegava olhando para eles, desejando descobrir a textura e se eram tão doces e macios quanto pareciam.


Saí de meus pensamentos com a repentina movimentação próxima à faculdade, lembrando-me do quanto eu odiava o barulho. Hongjoong parou próximo ao portão, ainda sem largar minha mão, e pude ver claramente como as pessoas olhavam e cochichavam sobre isso. Eu não as julgava; se alguém solitário e quieto como eu aparecesse repentinamente de mãos dadas com um homem, também ficaria surpreso. Não pude escutar o que especulavam, nem fazia questão, na verdade. O cabelo de pêssego e o sorriso bonito do outro sempre faziam um ótimo trabalho em me distrair por completo de tudo ao redor.


— Seonghwa, eu estava pensando… Você quer ir até a minha casa amanhã?


— O quê?


— É que é sábado, imagino que não tenha aula e também é minha folga. Podemos jogar alguma coisa… Posso fazer um bolo ‘pra você também! Hum?


— Não seria um incômodo?


— Claro que não! Muito pelo contrário, eu adoraria ter você lá.


Pensei um pouco e, ao juntar os prós e contras, decidi que poderia dar a chance de estar com ele em um novo ambiente, sem a correria do café. Teríamos atenção cem por cento recíproca, mas confesso que, ao mesmo tempo que parecia algo incrível, também era um pouco assustador. Entretanto, se não tentasse, nunca saberia se poderia ser bom ou não.


— Tudo bem, mas você precisa fazer um bolo igualzinho ao do café! — brinquei, sorrindo.


— Sim, senhor! Vou dar o meu melhor! — Bateu continência, gargalhando junto a mim. — Vou mandar mensagem mais tarde com a localização, ok?


— Hum.


— Boa aula, Seonghwa.


— Obrigado.


Observei-o dar meia volta para ir embora e, em um ato impulsivo, segurei sua mão e o puxei para mim. Quando Kim estava perto o suficiente, com os olhos arregalados em surpresa, me aproximei e lhe dei um selinho na bochecha.


— Obrigado por me acompanhar. Até depois, Joong.


Andei para longe dali o mais rápido que pude, envergonhado demais para ao menos ver qual foi a reação dele ao beijo.


Meu Deus… o que eu acabei de fazer?