the search for snake

8 A Noite da Medusa


Após conseguir fugir do esconderijo, Medusa se pôs a caminhar no meio da noite. Tinha

alguns cortes profundos na pele. “A garota melhorou muito nesse tempo”, pensava. Ela não tinha

ideia de para onde iria. A alguns minutos, ela sentira a alma de Stein, desde então estava inquieta,

como se tivesse que correr até ele. Mas ela sabia que aquilo era impossível. Ele era um artesão, e

ela era uma bruxa. Por mais que houvesse um acordo entre as bruxas e a Shibussen, isso ainda

fazia dela inimiga dele. Fora ela quem libertou o Kishin Asura, e isso nunca passaria despercebido.

­Que merda eu estou fazendo?

Ela se lembrou de um antigo esconderijo de bruxas em uma pequena cidade ao leste dali.

Arrumou­se de tal maneira que se tornara irreconhecível, embarcou em um trem, e se dirigia para a

cidade. Ao seu lado, sentou um homem alto, musculoso e de cabeça raspada, que cantarolava uma

estranha música. O homem segurava algo nas mãos.

­Boa tarde. – Ele disse com um sorriso no rosto.

­Boa tarde. – Ela respondeu, com uma voz terna, fingindo um sorriso para disfarçar sua

falta de interesse.

­O que uma dama tão distinta faz em um trem tão vagabundo?

­Tenho negócios na cidade. – Ela ainda forçava o sorriso.

­Negócios? – Um sorriso malicioso surgiu em seu rosto. – Que tipos de negócios,

Medusa?

Ela gelou, seu sorriso falso se desfez. O homem atirou o que segurava no chão do trem.

Uma explosão que fez com que os vagões tombassem para foras dos trilhos, fazendo Medusa se

proteger usando seus vetores. Quando os desfez, seis cães cinzentos saltavam sobre ela. Ela chutou

um deles para cima do outro, um terceiro tentou agarrar­lhe o braço, mas um vetor o cortou ao

meio. Os outros que restaram a cercavam e rosnavam. De repente, o chão aos seus pés rachou e o

homem saiu de lá, segurando ela pelo pescoço. Ele girou o braço com toda a sua força e a atirou

contra o chão. A dor a fez deslocar o ombro, mordeu os lábios para aguentá­la e se pôs de pé. Os

cães a atacaram, mas dessa vez não tiveram chance, os vetores atingiram os animais, fazendo

sangue jorrar para todos os lados. Em meio a chuva de sangue, o homem se pôs em ataque. Um

soco atingiu o estômago dela. Rapidamente, Medusa atingiu­lhe um chute na cabeça, que não fez

muito efeito. Ele passou a língua pelos lábios e acertou um chute no ombro deslocado de Medusa.

­Ops. desculpa aí, “senhora Medusa”. Se estiver muito cansada, eu posso te pôr pra

Ela respirava forte, tentava esquecer a dor, e ainda por cima não tinha se recuperado da

luta contra Maka Albarn. Ela suspirou longamente, acalmou seus pensamentos e observou o local

ao redor. Um sorriso se fez em seu rosto.

­Obrigado pela oferta, mas um banho bem quente é muito melhor pra relaxar.

Ela partiu para cima dele. O homem começou a desferir socos e chutes sem parar, e ela

nada fazia além de se esquivar. Ao menos era o que parecia. Seus vetores estavam por ai,

sorrateiramente pegando uma garrafa que estava na mala de Medusa. Os vetores foram sobre a

cabeça do homem que atacava sem parar e quebraram a garrafa, derramando o liquido nele.

­O que diabos...? – Ele sentiu o cheiro subir e seus olhos se arregalaram. – Álcool?!

Medusa sorriu malignamente, em suas mãos ela segurava um isqueiro. Ele gritava

enlouquecido de dor enquanto as chamas derretiam sua pele. Medusa se virou, e então reparou que

as pessoas que estavam no trem a observavam boquiabertos. Os ignorou e seguiu o resto do

caminho a pé, já não estava tão longe da cidade. Quando chegou ao esconderijo percebeu que

estava limpo, arrumado. “Alguém já está usando”, pensou. De repente, seus sentidos estavam

bagunçados e ela foi ao chão. Alguém se aproximou, uma garota usando uma roupa de bruxa com

os cabelos cacheados.

­Olá, professora Medusa. – A bruxinha tinha um sorriso duvidosamente inocente.

­Melody?

­Yay! Ela se lembra de mim.

­O que pensa que está fazendo?

­O que a senhora ensinou, experimentos. ­ Melody retirou uma faca de seu chapéu de

bruxa, e se aproximou de Medusa.

­Vou perguntar novamente. O que pensa que pensa que está fazendo?

­A senhora está muito irritada, cadê o amor pela vida?

­O que você quer?

­Ok... ­ Melody suspirou. ­ Eu conto. Eu tenho um plano, mas para realizá­lo preciso da

alma de duas armas e a de uma bruxa. Coincidentemente, você está sendo perseguida por duas

delas, não?

­Você está brincando com fogo, criança. – A fúria de Medusa era nítida.

­Fogo? Que metáfora interessante essa sua, parece que você gosta de fogo.

Melody, com a faca, furou a lateral de Medusa, que gemeu de dor. Com a faca pingando

sangue, a bruxinha se aproximou de algo coberto com um pano. Quando retirou, havia um corpo

de um homem cheio de queimaduras. Medusa, de imediato, o reconheceu. Era o homem que a

atacara mais cedo.

­O que você...?

­Consegui pegar ele bem rápido, não? – Ela sorriu. – Você acabou com o coitado.

Melody pingou o sangue de Medusa no corpo do homem, e entoou um feitiço. O homem

se levantou, seu corpo começou a pegar fogo novamente, mas ele não gritava de dor. As chamas

eram como parte de seu corpo.

­Agora, vamos começar. – Ela se virou para encarar Medusa. – Vamos caçar alguns

artesãos.