the only noise

9 Sondando o terreno...


Notas iniciais
Boa leitura!!

O plano de se tornar familiar ao terreno foi por água a baixo. A mente de Kiba só conseguia focar naquele Alpha que caminhava dois passos a frente, dando longas explicações que entrava por um dos ouvidos e saia pelo outro, sem ficar registrado em seu cérebro.

Ele caminhava pelo terreno de areia, com parca vegetação, mas com os olhos fixos nas costas a sua frente. Ainda estava impactado pela cena mais cedo no pombal, quando os olhos de Kankuro, sua postura... nada nele lhe foi familiar. Ele parecia outro Alpha.

A sensação durou segundos, e foi forte o bastante para impressionar Kiba por todo o caminho. Ele dava-se conta, cada vez mais, de ter mergulhado em uma situação sem desconfiar das proporções e dos riscos. Nem mesmo a conversa com Gaara deu indícios do desafio que seria.

Kankuro o ameaçou a luz do dia. Deixou bem claro que seria monitorado e que qualquer coisa que escrevesse nas cartas seria analisado pelo Alpha antes de ser enviado, assim como as correspondências que receberia.

Os pombos correios eram basicamente sua única forma de comunicação com lugares fora de Sunagakure. E Kankuro logo cortou aquela possibilidade. Em último caso poderia pedir que Temari ou Gaara despachassem as cartas, mas seria sempre um risco. Se fizesse tal coisa, estaria se rebelando explicitamente contra o Alpha. Ter Kankuro como inimigo declarado não era apenas perigoso, era contrário à missão que o levou ali. Kiba foi convocado para ajudar o Alpha, se conseguisse de forma efetiva, talvez não precisasse ficar por todos os cinco anos em Suna. E, obviamente, nenhum outro Ômega seria atraído para aquela armadilha.

— Ei, está me ouvindo? Kiba...?

O rapaz notou que Kankuro havia se virado para trás e lançara a pergunta com um ar de diversão, achando engraçada sua distração. Tão parecido com o Alpha que conhecia e que salvou sua vida, que foi assustador.

— Ah, eu tava refletindo umas coisas — não se comprometeu — O que você disse?

— Aqui termina o entorno da residência oficial — Kankuro fez um gesto amplo com a mão — Estamos na periferia de Suna.

Só então Kiba realmente prestou atenção na paisagem. Realmente a área desértica começava a ser tomada por residências. Muitas delas, pequenas casinhas de madeira, construídas perto demais uma das outras, e tão diferente de Konoha que o coração acelerou. Foi impossível não sorrir de animação! Com a mente temporariamente livre das preocupação, ele notou até mesmo os cheiros diferentes! O olfato apurado foi inundado por aromas exóticos e indistinguíveis, assim como o som de vozes se fazia ouvir a medida que o caminhar continuava e eles entraram na cidade.

— Suna tem uma Academia militar para defesa, mas não somos especializados em missões como Konoha — ele explicou — Vivemos basicamente de turismo e do comércio. Sunagakure tem uma das maiores feiras ao ar livre do continente, e recebemos um fluxo de milhares de pessoas por ano, porque ficamos na rota de um oásis. As caravanas acabam parando aqui, é benéfico para todos.

Kiba encantou-se com o cenário que se descortinava. As casinhas agrupadas logo foram rareando e abrindo espaço para um ajuntamento de tendas e barracas que exibiam os mais variados produtos: roupas, utensílios, comidas, condimentos, objetos típicos da cultura de Suna... Ele não sabia para onde olhar! E a balburdia? Impressionante! Vendedores gritavam competindo e tentando atrair clientes, falavam sobre os ótimos preços, a qualidade dos produtos, o ótimo sabor dos pratos!

— Caralho! — Kiba não conteve a animação.

— Aqui — Kankuro indicou uma barraca que vendia túnicas.

O Ômega se achegou para verificar as roupas típicas. Então se viram envolvidos na primeira parte do dia, comprando algumas coisas que seriam necessárias para a rotina de Kiba, e algumas coisinhas mais supérfluas, embora interessantes.

Terminaram a manhã fazendo um almoço rápido em uma das tendas: as iguarias de sabor forte conquistaram o paladar de Kiba. Ele gostou principalmente dos espetinhos de carne de lagarto assado na brasa. Nunca pensou que seria tão gostoso.

Enquanto socializavam, pechinchavam, e procuravam boas ofertas; Kiba se deu conta de que Kankuro interagia bem com a população. A grande maioria conhecia o irmão do Kazekage, o tratando com polidez e educação, até mesmo cordialidade. Não esperava isso para alguém que matara um Ômega, nem que saiu com graves sequelas da guerra... com certeza precisava de mais detalhes. Ou teria Gaara abafado o caso? Não seria algo inédito, até mesmo em Konoha. Bastava pensar em Uchiha Sasuke e Orochimaru, participantes chave na guerra, que foram perdoados e acolhidos, como se das ações deles não resultassem um grande número de feridos e mortos.

Por fim, chegou o momento de se afastar da feira. Kankuro explicou o caminho até o orfanato de Sunagakure, que ficava em um dos subúrbios.

— Aqui nos despedimos — Kankuro informou quando chegaram em frente a uma grande residência — Volto no fim da tarde para buscá-lo.

— Okay — Kiba disse como despedida. Viu o Alpha se afastar com as compras, antes de se virar e respirar fundo para começar a parte oficial da missão, e que na verdade era apenas uma fachada para o que esperavam dele na realidade.

—-

O trabalho no Orfanato foi tão incrível que Kiba sequer viu as horas passarem. Ele foi recepcionado por Shijima, uma mulher firme, porém acolhedora, que afirmou já estar ciente das visitas do Ômega.

Em um breve passeio ela apresentou a casa que servia de orfanato, explicando um pouco da rotina das crianças e adolescentes que ali viviam, a grande maioria havia perdido os pais na guerra. Alguns foram abandonados por nascer em famílias pobres, cada um trazia sua própria história de tristeza e desamparo.

Era esperado que Kiba ajudasse com os menores. Quinze filhotinhos entre meses de vida a cinco anos de idade, que ainda não frequentavam a escola e não compreendiam bem a realidade daquela “grande e nova família”.

Foi incrível lidar com a curiosidade infantil. Ele se viu cercado tão logo o apresentaram. Pegou o jeito rápido e pôde cuidar das crianças, sua essência Ômega mais afiada do que nunca, envolvendo aquelas frágeis existência.

Despediu-se com uma satisfação imensurável, garantindo que na próxima segunda-feira estaria ali sem falta!

Ao sair da casa, logo notou Kankuro parado do outro lado da rua, esperando. Já não segurava nenhuma sacola, com certeza foi levar tudo em casa, voltando ao fim do dia.

— E aí, como foi?

— Foi tudo bem! — Kiba sorriu — É meio foda ver essas crianças órfãs, né? Acho que a minha presença ajudou bastante — a última parte veio sem arrogância nenhuma.

— É. A guerra é foda — Kankuro concordou antes de se colocar a caminho da residência do Kazekage.

Kiba respirou fundo e o seguiu. O clima ficou esquisito, mas não exatamente tenso. Diferente da vinda, Kankuro não ofereceu nenhuma explicação sobre Suna. E Kiba aproveitou para prestar mais atenção no caminho. Assim que saiam da periferia, enfrentavam uma caminhada de quinze a vinte minutos em terreno árido, descampado, o que era algo considerável.

— Suas coisas estão no quarto — Kankuro explicou, despedindo-se do Ômega no hall de entrada da residência e saindo da casa em sequência.

Kiba foi para o quarto e encontrou tudo sobre a cama. Foi impossível não suspirar, Kankuro realmente entrava e saia do local sem a menor preocupação com sua privacidade.

Sem pressa guardou as compras, organizando também as roupas e pertences que trouxe de Konoha. No dia anterior estava cansado demais e com a mente cheia de coisas para algo que não fosse descansar.

Só saiu do aposento na hora do jantar, quando Temari veio chamá-lo. A mulher bateu na porta e aguardou que Kiba saísse, já de banho tomado e refrescado, depois de arrastar a cadeira que travava a entrada.

— Boa noite — a Beta cumprimentou — O jantar está pronto.

— Boa noite! Provei algumas coisas na feira e caralho, a culinária de Suna só me surpreende!

Temari acabou sorrindo diante da espontaneidade.

— Que bom que está se adaptando.

— Nunca tive problemas com comida! — Kiba se gabou.

E aquele foi o clima da última refeição do dia: bem humorada e leve. Inuzuka Kiba narrou o dia no orfanato com detalhes, tendo em Gaara e Temari ouvintes interessados. A mulher fazia perguntas pontuais, que resultavam em longas explicações. Kankuro não participou da refeição e a ausência não causou estranheza, pois os irmãos ali presente não comentaram nada. E Kiba, evidentemente, não perguntou.

O Ômega se alimentou bem, comeu e repetiu, mandando cumprimentos a serva da família, mas soube que ela se retirava logo após preparar o jantar. Eram os irmãos que recolhiam as louças e Temari organizava a cozinha. Preferiam assim, manter a noite o mais particular possível.

Kiba se ofereceu para ajudar, gesto gentilmente recusado, não lhe restando opção a não ser voltar para o quarto e terminar a noite. O ar estava agradável, um passeio ao redor poderia ajudar na digestão, talvez até mesmo um pouco de treino...

Pensamentos que não deixaram de ser pensamentos. O instinto de Kiba lhe gritou que andar sozinho por ali a noite era uma péssima ideia. Acabou indo para o quarto e deitando-se para descansar. No dia seguinte iria para o hospital, essa visita com certeza seria mais pesada do que a ia ao Orfanato.

Teve um derradeiro pensamento de arrumar alguns livros para se distrair durante a noite, antes de render-se ao cansaço e adormecer. Uma fadiga boa, daquelas que só acometem ao corpo quando as atividades do dia foram positivas. Pelo jeito o primeiro dia oficial de trabalho em Sunagakure ia terminar muito bem!

Mas não terminou.

A certa altura da madrugada Kiba abriu os olhos, prendendo a respiração. A janela que esqueceu de fechar salvava o quarto da escuridão, mantendo tudo em penumbra, mas não foi isso que chamou sua atenção.

Todos os sentidos foram dominados por uma espécie de instinto animal, nem mesmo durante a Guerra percebeu seu lado Ômega tão atento ao ambiente. E atento à presença de Kankuro que passou pelo corredor bem em frente ao quarto em que estava. Kiba podia sentir claramente aquele Alpha, que não fazia questão nenhuma de esconder sua essência, indo pelo corredor, para voltar em seguida passando pela porta de novo. Não escutava o som de passos ou quer outro elemento que denunciasse a marcha do homem que ia e vinha, ia e vinha, além da forte presença animal.

Kiba ficou tenso, em expectativa que enrijeceu os músculos e comprimiu-lhe o peito. Captou a presença indefinível de Gaara também, pela posição o Kazekage parecia ter parado pouco antes do corredor fazer a curva e aguardava os acontecimentos.

Por fim a sensação que irradiava de Kankuro seguiu uma última vez pelo corredor, e foi enfraquecendo até desaparecer no que dava a impressão de ser o quarto dele. A presença de Gaara ainda ficou perceptível por longos segundos, algo que pareceu uma eternidade, até desaparecer em sentido contrário.

Só então Kiba conseguiu voltar a respirar com normalidade. Só não conseguiu adormecer de novo, passando o resto da noite em claro sobre a cama.

Notas finais
Aí, pessoal! Nem demorei, hein? Ainda tenho mais um... mas o próximo complica mais a situação. Alguma teoria sobre essas mudanças de sensações que o jeito do Kankuro passa pro Kiba? Vocês vão descobrir como e porque o Kankuro matou um Ômega... dai vou fazer tipo o Sheldon e fugir feito um animalzinho selvagem ausaushuash