the only noise

4 Interlúdio 02 - Luz que afasta as trevas


Notas iniciais
:o Atualizei!! Culpa do Camp. Do nada eu queria digitar palavras, mas tava meio desanimada com "Pigmentos de Amor", aí vim escrever isso!!

Kiba estava fascinado. Isso só pra começar a descrever a euforia que sentia.

Era a primeira vez que viajava para tão longe de casa sozinho. Okay, não exatamente sozinho. Sabia que o mensageiro de Sunagakure havia despachado uma mensagem para a vila natal através de um pombo-correio, e o seguia pelas sombras, sem nunca se aproximar demais ou mostrar sua presença. Medida de segurança, claro. Pelo jeito o pós-guerra não era tranquilo o bastante para que um Ômega viajasse sozinho por aí.

Isso irritava Kiba um bocado.

Ele não precisava de guarda-costas. Às vezes soltava umas frases mal humoradas nesse sentido, só pra provocar seu “segurança”, na certeza de que ele escutaria mesmo viajando às escondidas.

E falando em viagem, Kiba estava se divertindo muito com isso.

Seguia bem acomodado nas costas de Tokage, um camaleão caladão, que não falava a língua humana, que tinha o corpo todo tatuado com o kanji de “coragem”, e avançava a passos tranquilos, sem pressa. Carregando Kiba em suas costas escamosas e um tanto desconfortáveis, lugar onde o garoto passava a maior parte do tempo deitado, com as mãos cruzadas atrás da cabeça, observando o céu.

Quando passavam muito tempo na mesma paisagem, Tokage mudava de cor. Era um barato!

De vez em quando sentia umas saudades da mãe, dos amigos, de Shino... nesses momentos batia as mãos com força nas bochechas e sacudia a cabeça.

— Você acabou de sair de casa, Kiba! — dava bronca em si mesmo — Não seja uma criança!

Mas não podia negar que a viagem teve encantos marcantes.

O primeiro deles aconteceu durante o segundo dia de viagem. Andavam a horas sem avistar viva alma, quando a floresta acabou subitamente em um amontoado de casas entranhado no meio da inesperada clareira.

Ainda era parte de Konohagakure, mas Kiba realmente nunca tinha ouvido falar de um vilarejo tão longe e pequeno.

A medida que o camaleão se aproximava, crianças surgidas de vários pontos iam correndo até eles, guiados pela curiosidade de ver um animal tão grande sendo montado por um Ômega! Um que usava bandana, ou seja, um ninja!

— Você sabe lutar?

— Está vindo de onde?!

— Vai ficar na nossa vila?

— Você é um Ômega de verdade?!!

— Posso te tocar?!

— Como se chama, niichan?!

O coral de vocês infantis berrava as dúvidas em tom de surpresa e curiosidade. Estufou o ego de Kiba na mesma proporção da animação daquelas crianças.

Desceu do camaleão, pronto para impressionar ainda mais o grupinho que saltava ao seu redor, porém um ancião se aproximou sorrateiro e as espantou para longe, ameaçando aceitá-las com a bengala, antes de se concentrar em Kiba e alisar a longa barba branca.

— Sou Okumo Hirata, o líder da vila Kinogakure. Peço desculpas pela falta de educação de nossas crianças.

— Não precisa — Kiba coçou a nuca, meio chateado por terem acabado com seu momento de glória — Meu nome é Inuzuka Kiba, estou em uma missão importantíssima por Konohakagure.

— Mas você é um Ômega! — a surpresa foi grande para o velho homem. Antes que Kiba emburrasse ou se sentisse ofendido, emendou: — Deve ser muito forte.

Foi o suficiente para que o garoto estufasse o peito, cheio de si.

— Sim! Sou muito forte.

— Precisa descansar um pouco? Posso oferecer nossa humilde hospitalidade pelo tempo que for preciso.

Kiba pensou na oferta. O sol estava se pondo, logo teria que erguer acampamento. Nas últimas noites fazia isso sozinho, tendo apenas o som da própria voz para se distrair. Não havia mal algum aproveitar a hospitalidade, havia?

— Obrigado! Seria ótimo poder passar a noite.

O ancião sorriu de volta.

— Me siga! E traga seu amigo, temos comida para ele também — referia-se a Tokage.

Isso serviu de sinal para as crianças. Elas não tinham ido longe, estavam escondidas entre as árvores em derredor. E em segundos estavam pulando em volta de Kiba, enchendo o garoto de perguntas. Uma menininha, mais atrevida, segurou na mão dele, meio possessiva. Era uma pequena Alpha.

— Yare, yare — o velho homem suspirou — Precisa desculpá-los. Não temos um Ômega entre nós a anos. Você é o primeiro que os pequeninos conhecem desde que nasceram.

— Tudo bem — Kiba relevou. Não era como se não gostasse da atenção. Pelo contrário.

E, no fim das contas, sua presença despertou o interesse até mesmo de adultos. Alguns homens tinham ido servir durante a guerra, mas não encontraram com muitos shifters além de Alphas e Betas. Ter um Ômega pisando no vilarejo depois de décadas, exatamente quando o país se erguia da guerra, era uma benção dos céus.

Mal se apercebeu de todos os arranjos, só aceitou sentar-se no centro onde uma grande fogueira foi acesa, três ou quatro shifters surgiram com um gordo javali e o colocaram para assar. Kiba sabia que era menor de idade e deveria evitar, mas foi fraco e acabou aceitando alguns copinhos de sake.

Tokage foi levado para um canto onde havia muita verdura para ele comer, assim como água fresca. Kiba não sentiu a presença do ninja que era sua escolta. Ele não queria se aproximar e interagir. Resolveu que devia respeitar essa decisão, com certeza o homem poderia se virar e preferiu continuar assim nas sombras.

Logo o cheiro de carne tomou conta do ar. As crianças enchiam Kiba de perguntas fascinadas, todas sentadas pertinho dele. Algumas mães pediam que tocasse na cabeça de seus filhotes. Inclusive uma grávida pediu que lhe tocasse a barriga. Tantos anos sem um Ômega entre eles não foram suficientes para fazê-los esquecer a sensação, aquela paz, aquele... equilíbrio e harmonia que apenas a presença da terceira casta poderia proporcionar. Um Ômega fechava o ciclo e completava a tríade. Sem um Ômega, nenhum Pack estaria completo.

A comemoração agitada varou a noite, chegando longe na madrugada. Kiba não aguentou muito tempo, dormindo por ali no terreno, cercado por um montinho quente de crianças que não queria se afastar!

No outro dia, a despedida foi meio tardia (todo mundo perdeu a hora!) e um tanto triste. Kiba montou em Tokage, levando um farto bento cheio de carne e bolinhos de arroz enrolado em folhas de repolho, um bom estoque de água fresca. O ancião fez um breve discurso agradecendo a gentileza e os aldeões assistiram enquanto o grande camaleão se afastava em passos grandes, porém lentos.

Kiba acenou para as crianças que corriam atrás por um bom tempo, até as perninhas se cansarem e elas ficarem todas para trás, acenando de volta e gritando desejos de boa sorte, assim como o pedido de que passasse ali novamente, quando a missão acabasse.

Dali a cinco anos.

Aquelas crianças teriam a sua idade atual.

O pensamento deu certa emoção. Se continuasse assim, sua jornada não seria tão pesada. Aqueles anos longe de casa passariam bem rápido!

A cena foi similar em mais duas ou três pequenas vilas por onde Kiba e Tokage passaram, no decorrer de três dias. Quando mais se aproximavam da fronteira, mais rara parecia a interação dos shifters com um Ômega. E um que saia em missão!! A força dele deveria ser lendária.

Kiba não negava certa surpresa lá no fundinho do coração. As coisas em Konohagakure eram um tiquinho diferente, melhor do que em muitos países, claro. Mas Ômegas não eram essa raridade toda. O próprio Kiba conhecia alguns. Por isso estava acostumado a ser tratado como um shifter comum, a maior parte do tempo.

Mesmo quando a paisagem mudou drasticamente, ao alcançar a última aldeia fronteiriça e deixar de vez Konoha para trás, a sensação de acolhimento e de ser bem vindo foi marcante! Levaria os ternos sentimentos no coração, enquanto começava a segunda e derradeira parte da viagem.

Dessa vez sabendo que não seria tão fácil. Enfrentaria três dias de viagem pesada através do deserto, encontrando com poucas tribos nômades (caso tivesse sorte). Tokage era um expert na viagem, sabia que não precisava se preocupar: o grande camaleão conseguia encontrar água e comida. Era uma criatura do deserto, no fim das contas. E não se esqueceu do mensageiro, claro. Ele estava sempre por perto, oculto, vigiando para que nada desse errado, natural de Sunagakure e treinado no clima árido seria capaz de reverter qualquer situação que o deserto lhes impusesse.

E foi cheio de expectativas que Kiba adentrou oficialmente o território do país do Vento. Pegou aquele traço de saudades que o acompanhou por todo o caminho e guardou com carinho no fundo do coração. Não usaria aquilo como âncora para arrastar o avanço de sua missão. Usaria como um talismã de sorte e proteção, como a promessa de ter um lugar certo para voltar e pessoas para reencontrar. O sentimento seria uma luz a guiá-lo na escuridão.

Ele não tinha a menor noção do quão literal a decisão seria.

Notas finais
No próximo o Kiba deve chegar em Suna. Devo atualizar daqui a 84 anos!! Hahsaushua alguém ainda lê? xD