the only noise

2 A decisão tomada


Notas iniciais
A última vez que atualizei essa fanfic já faz 84 anos! Mas enquanto há vida, há esperança! Boa leitura!! E perdoem os erros :D

A decisão não era algo a se tomar levianamente. Mesmo alguém como Kiba sabia disso. Assim como sabia a importância das expectativas depositadas sobre seus ombros.

A Vila da Areia clamava por ajuda. E, ainda que fosse um pirralho de gênio indomado, o Hokage confiava que seria capaz de executar bem seu papel como Ômega, representando Konoha e estreitando os laços entre as duas nações.

Papel que o afastaria de casa, da família e amigos por cinco anos. Pelo menos.

E Kiba nunca ficou tanto tempo fora de seu lar!!

Não podia negar o medo de ir para tão longe e dar os primeiros passos sozinho. Assim como não podia negar ter visto o brilho nos olhos de sua mãe, enquanto o Hokage explicava o motivo de sua visita.

Um Inuzuka nunca estivera em uma posição tão destacada quanto o filho dela naquele momento. Não colocou qualquer tipo de pressão sobre o garoto. Pelo contrário, não admitiria: afastar-se do filhote não seria tão fácil! Só ele podia escolher que caminho trilhar.

Kiba recebeu um prazo, espaço de tempo em que deveria decidir se aceitava ou não a missão de ir para a Sunagakure, ajudar durante a reconstrução pós-guerra ou se preferia ficar em Konoha.

A decisão não foi leviana. Ele pesou todos os bônus e os ônus. Ponderou sobre o futuro e em como aquilo afetar-lhe-ia os planos de vida.

Antes mesmo do prazo acabar, já tinha se decidido.

Ele aceitaria a missão.

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Arrumar as coisas foi a parte mais simples da decisão! Conseguiu reunir em uma sacola as roupas que levaria. Não era muita coisa, mas nunca foi dado a luxos desnecessários. Só precisava do básico para ajudar as pessoas.

Finalmente a sua chance de provar o valor de um Ômega, que era tratado como fraco em muitas situações. E ali, quando a dor tornava o recomeço tão difícil, apenas essa casta podia emprestar a força para os demais seguir em frente.

Quer missão mais importante do que essa?

A parte ruim da decisão foi despedir-se dos amigos. Estar cinco anos fora da vila significava perder muita coisa! Perder Konoha se erguendo das cinzas, seus companheiros deixando a adolescência de vez para trás e se tornando homens e mulheres a iniciar a vida adulta!

Quão diferente eles estariam?

Fez longos passeios durante os poucos dias que lhe restava ali, despedindo-se de cada cantinho familiar, dos lugares em que corria e brincava com Akamaru, do Ichiraku que se reconstruía e era ponto de encontro dos queridos companheiros...

Porém, de longe, o mais complicado foi se despedir do namorado.

Kiba enviou um recado para Shino através de Akamaru, uma das derradeiras missões que daria ao cachorro, que não poderia viajar com ele. E marcou de se encontrarem à beira do lago, para decidir como seria o futuro.

Por um longo tempo, apenas ficaram sentados na grama, observando a superfície da água, calma como um espelho a refletir o brilho do sol poente.

Kiba sentia um aperto na garganta. Descobriu que odiava dizer adeus.

— Eu… Shino…

— Respeito a sua decisão — Shino suspirou — Só queria poder ir junto.

— Você é um Alpha, o Hokage não deixaria você ir embora enquanto ainda existem pessoas descontentes com o resultado. E com você aqui eu fico tranquilo porque sei que vai cuidar da minha família.

— Com certeza.

O silêncio voltou por longos segundos, quase um minuto de puro incomodo. O desassossego de Kiba chegando a Shino, que já começou a sentir saudades antecipadas de tais momentos. A vida seria calma demais sem ele por ali, perderia todo o brilho...

— Você vai terminar comigo? — finalmente Kiba disparou a pergunta do que mais lhe incomodava.

— O quê? — Shino se surpreendeu.

— Você vai me achar egoísta? Eu sou egoísta, mas… não precisamos terminar, não é? Cinco anos passam rápido, você nem vai perceber! Logo eu volto e…

Shino se divertiu com o jeito meio desesperado, ainda que a angústia que Kiba demonstrasse doesse mais do que a sua própria. Estendeu a mão e tocou no rosto do namorado, acariciando com carinho, antes de enroscá-lo pela nuca e trazê-lo de encontro ao peito, um tanto desajeitado pelas posições.

Ao encostar-se contra o peito de Shino, Kiba sentiu-lhe o coração batendo rápido e forte. A vontade de chorar quase o sufocou.

— Claro que eu vou te esperar, Kiba. Pelo tempo que for necessário. Vejo essa como outra missão qualquer, sempre estarei aqui por você.

O Ômega segurou com força na blusa de Shino. Lágrimas silenciosas deslizaram pelas marcas do Clã Inuzuka, manifestação de tristeza cuja rápida existência encontrou abrigo no aconchego dos braços que envolveram seu corpo.

Não se arrependeu da decisão. Ir para Sunagakure seria uma forma de crescer e se aprimorar sem precedentes. Mas era impossível não se emocionar ao dizer adeus para as pessoas que amava.

Shino acariciou os rebeldes cabelos castanhos com carinho, tentando acalmar seu namorado. Kiba chorando não era algo comum de se ver. Geralmente o pestinha era duro na queda, não sucumbindo nem quando Tsume o punia por travessuras impulsivas.

E, enquanto consolava Kiba, encontrava seu próprio acalento. Ele também sofria pelo pensamento de seu pequeno Ômega indo sozinho cuidar de uma vila distante, que serviu de aliada durante a guerra. Sozinho, mas não em absoluto.

Shino aproveitou o abraço para deslizar alguns insetos para a gola da blusa de Kiba, onde os bichinhos se esconderam. Aquela espécie era rara e recebia um treinamento diferenciado, especial para missões realizadas em longas distâncias.

Desse modo, caso Kiba precisasse de ajuda, ele ficaria sabendo.

—--

Sunagakure

Kankuro estava sentado em um dos grandes prédios encravados na cidade entranhada de areia. Ultimamente seu tédio alcançava níveis perigosos.

— Saudades da guerra — sussurrou o deboche para o vento.

Durante os conflitos podia agir com liberdade jamais vista. Sob a desculpa de defender seus ideais, matou inimigos usando de técnicas que, diante de um Tribunal de Guerra, seriam consideradas hediondas e desumanas. Por sorte, o irmão no poder conseguiu evitar que toda a verdade viesse à tona e Kankuro escapou ileso dos crimes. Lamentava apenas não ter tido tempo de se divertir mais.

Daquele ponto podia observar a vila se reerguendo. Todos os shifters estavam envolvidos de corpo e alma na reconstrução. Sua presença era repudiada pela maioria absoluta dos grupos de trabalho. Por isso sobrava tempo, sobrava tédio, sobrava vontade de ter com o que se distrair…

Nesse momento um ninja mensageiro esgueirou-se veloz até parar com um joelho apoiado no chão, próximo de onde Kankuro estava sentado.

— Kankuro-sama…? — falou cheio de cerimônias.

— O único que você conhece — o rapaz debochou, emanando um pouco do chacra Alpha só para se divertir.

Viu o mensageiro estremecer de leve e encolher-se quase imperceptível. Era quase impossível manter-se firme quando um Alpha demonstrava intenções agressivas. A essência Beta reagia de acordo com a situação, o que significava submissão à quem se dedica serventia. Ou, em caso de inimigos, a reação de contra-atacar, mesmo sabendo que somente um Alpha pode derrotar outro, desde que a luta seja cara-a-cara.

— Se-senhor, Gaara-sama pediu que lhe entregasse isso — tirou um pequeno pergaminho das vestes ninja e entregou ao outro — E Temari-sama pediu que se apresente a ela para selecionar as acomodações do visitante.

Kankuro sentiu-se intrigado. Desenrolou o pergaminho e leu as informações ali contidas. Era uma ordem de ofício com a resposta dada por Konohagakure. Eles acataram o pedido e encontraram um voluntário que prestaria serviços em Sunagakure. Acabou erguendo as sobrancelhas em espanto pelo que leu. O nome do Ômega que viria era inconfundível. O Destino tramava a seu favor.

Inuzuka Kiba era o garoto que salvou enquanto ele enfrentava bravamente dois Betas gêmeos. Um feito e tanto, levando-se em conta que Ômegas não eram guerreiros e a força física limitada nunca faria frente sequer a um Beta.

Desde então, não negaria, seu interesse por ele atingiu o limite do aceitável. Apenas não insistiu porque a relação entre as vilas não passava de um rascunho e seu pescoço ainda estava em jogo pela morte daquele Ômega em Sunagakure. Precisava andar na linha, controlar os instintos foi o preço a se pagar.

Mas agora… agora o brinquedo desejado vinha por livre e espontânea vontade para as suas mãos. Só esse simples pensamento causou fortes reações em seu corpo, a ereção cresceu entre as pernas e ele quase gemeu. A sensação que emanou do Alpha foi terrível, tão depravada e suja que o pobre Beta quase fugiu dali. Só não o fez porque sabia o que irritar Kankuro podia significar. Aguentou firme a onda de júbilo mesquinho que veio rápida e forte, e logo se dissipou.

— Pois diga a minha querida irmã que não precisa se preocupar com acomodações. Será uma honra acomodar o Ômega nos meus aposentos… ou melhor, será um prazer.

Notas finais
Previsão de atualização: agosto. Digo, a gosto de Deus!! *foge pro inferno dançando lambada e, dançando lambada* LEMBREM-SE: AUTORA MORTA NÃO POSTA!! Então nem vem me ameaçar ò.ó Hohohohohoh