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5 FRAGMENTO 5 - Ministra Granger


Notas iniciais
Antes de colocar o capítulo aqui, mt obrigada mesmo a quem favoritou a história e está acompanhando! Até os comentários!

FRAGMENTO 5 – Ministra Granger

(paredes têm ouvidos, não sabia?)

— Você não pode continuar vetando as buscas pela minha filha! – a porta de madeira, pesada em sua sobriedade e idade, bate com um estrondo na parede, quebrando o silêncio reinante no ambiente.

A mulher loira adentra a sala em suas vestes mais caras e porte altivo já exclamando no escritório mais importante de todo o complexo. Voltada de frente para grandes vidraças que mostram uma cachoeira distante, certamente um feitiço de ilusão, Hermione nem mesmo move um milímetro da sua posição inicial. Sua linguagem corporal não demonstra reconhecimento da presença da outra, mas o pequeno movimento da sua mão é suficiente para que a porta se tranque com um baixo clic.

Ela gira ao redor do próprio corpo e senta-se na cadeira de couro da mesa do gabinete ministerial, no caso, a sua sala. Um espasmo de perturbação toma sua mente por alguns segundos ao contemplar a razão de seus assessores, secretários (sua equipe, em geral) para terem deixado Fleur entrar lá, mas se foca na ex-cunhada, quem toma uma das cadeiras que ficam em frente a sua mesa sem esta sê-la oferecida.

— As decisões sobre todo o corpo do governo são tomadas em prol do bem do povo bruxo, não de indivíduos particulares. Não é minha intenção ser indelicada, Sra. Weasley – os lábios crispados da mais velha nem afetam a outra, acostumada a lidar com tantas pessoas bem mais complicadas –, mas problemas comunicativos desse caráter devem ser tratados, em caso extremo, no Departamento dos Aurores, como bem sabe. Não no meu gabinete.

Os olhos semicerrados de Fleur e sua expressão afrontada não chocam Hermione, quem está mais preocupada com regulamentações com os alemães do que com o pequeno drama familiar que parece ter comovido os Weasleys na última semana.

— ‘Arry deixou claro na última reunião da Ordem a sua insistente mobilização contra nossos esforços. – o sotaque encontra um meio de se infiltrar na pronúncia, certa satisfação ao ver uma sutil mudança de expressão a menção de Potter. – Todos achavam que você ainda teria alguma consideração por Dominique, afinal ela foi sua sobrinha por longos quinze anos.

Hermione arqueia uma sobrancelha antes de apertar certo equipamento na sua mesa. Manteve contato com o olhar arrogante de Fleur até uma batida leve na porta ser seguida pela entrada de um homem jovem de terno que lhe entregou um arquivo marcado como semi-confidencial, retirando-se em silêncio.

A mulher de cabelos cacheados e crespos analisa os papéis cos seus olhos treinados antes de deixar um sorriso aparecer na curva discreta de seus lábios rosa-escuros.

— Não sabia que Harry tinha retomado as reuniões da histórica Ordem da Fênix, – sua voz é clara, as palavras calculadas – devo me preocupar com alguma atividade mágica ilegal desconhecida pelo Ministério?

Antes de Fleur tomar a palavra, seus olhos encontram a figura de Hermione Granger, e certo receio fazem sombra na confiança que depositara na ideia de Ronald e Harry de confrontar o antigo cérebro do Trio de Ouro. Os anos não haviam sido cruéis para a aparência dela, mas haviam moldado a sua personalidade, tornando-a imprevisível demais para o gosto da francesa. Abre a boca motivada a replicar, mas é cortada pela outra.

— Ou alguma tentativa de controle do governo através da influência que certos nomes ainda mantem?

A perspicácia e inteligência da mulher ajudam a explicar o motivo de ter chegado tão longe, sendo uma mulher negra nascida-trouxa e divorciada de um queridinho da elite bruxa inglesa. Hermione sabia como absorver, mas principalmente, aplicar conhecimento. A acusação implícita mexe com Fleur quem passa a mexer no anel de ouro no seu dedo de casamento em certa insegurança.

— Ações contra a nossa organização serão retratadas como abuso de poder e censura extrema por todos os jornais importantes nacional e internacionalmente, pode ter certeza disso, Ministra.

Os olhos dela se arregalam levemente, não surpresa com a básica confirmação, mas pelo modo como a loira havia lidado com a quase imperceptível implicação. Ela já tinha ciência dos movimentos por conquista de espaço fazia aproximadamente três meses e todas as medidas já haviam sido tomadas: a verdade era que embora Potter e boa parte dos Weasleys fossem excelentes para lutar em meio de campo e fazer discursos motivando a população em desespero, eles pouco tinham costume com as sutilezas das politicas do Supremo Tribunal Bruxo ou os esquemas da tradição sanguínea de poder.

— A Ordem da Fênix é uma parte da minha história também, Fleur. Estejam dentro da legislação e não terão que se preocupar com qualquer formalidade jurídica, espero. Infelizmente, me encontro inábil de participar devido a minha posição aqui. – ela descarta o assunto ao pousar o arquivo sobre Dominique Weasley na mesa.

— Não muda a questão em pauta: pare de barrar as investigações por Dominique.

Hermione se apruma na cadeira, ajeitando o longo casaco, típica referência da moda inglesa bruxa ao ideário da velha boa bruxaria trouxa, e junta às mãos na mesa, abrindo uma expressão mais condolente.

— Os invasores do hotel francês Le Pont já foram identificados, mas o CEO do grupo que administrava o evento entrou em acordo com eles através de uma série de negociações confidenciais. Quanto a Dominique, sua maioridade lhe dá controle total sobre o pedido enviado e já em vigor com autenticação judicial superior de sua proteção de localização após os eventos. Legalmente seus esforços para rastrear seus movimentos poderiam até configurar uma infração.

— Isso é um absurdo. Ela foi sequestrada, Hermione, você precisa entender, aquela Nott e a gang dela estão a manipulando. – sua voz se tornou mais aguda com a irritação e surpresa das notícias.

Um vinco cresce entre as sobrancelhas de Granger.

— Lamento, mas eu represento uma instituição, não interesses familiares. O que importa: ela está viva e aparentemente saudável.

Hermione busca sua varinha dentro da capa e transfigura uma pena num relógio simples. Após colocá-lo num bolso interno, levanta-se e estica a mão para Fleur, que levemente atônita balança sem muita firmeza, ainda digerindo a despedida.

— Sinta-se a vontade para ir embora quando absorver melhor a situação. – diz com cuidado. – E se houver uma próxima vez procure Twist Wood para marcar uma reunião, por favor.

Fleur Weasley balança a cabeça, seus olhos vazios vagando pela cachoeira que ainda cai diante da janela.

— Espere, — sua voz está um tanto arranhada, mas é suficiente para parar Hermione quando sua mão já alcançou a maçaneta da porta. – o que você faria se fosse Rose? Não estaria tão desesperada quanto eu?

Um riso nasalado teima em escapar dela, mas ela abre a porta após lançar ao vento suas palavras, sem tempo para dar continuidade a conversa.

— Rose não precisaria ser resgatada, ela teria ido embora por si mesma antes de nós percebermos.

Quando Fleur aparata na sede da Ordem, ou seja, na casa de Harry Potter, e conta o desenvolvimento das coisas, só escuta os xingamentos abafados de Rony. Não percebe que se existem lados ali, a Ministra da Magia pousa suas mãos sobre os ombros de Dominique Weasley e a incontrolável juventude tão representada naquela desculpa de família.