rEVERSE - O conto da primeira estrela

8 Ela não está tão afim de você


Notas iniciais
Mil desculpas, não imaginei que havia passado tanto tempo, estive muito ocupada. Mas espero compensar com o capítulo.

(Sakura) Ela não está tão afim de você

Me lembro como se fosse ontem, meu irmão e eu brigávamos um com o outro, sempre as provocações. Eram bons tempos, Touya sempre dizia que ele era o único que poderia me provocar daquela maneira. Depois que a mamãe morreu, ele segurou minha barra para que eu não desabasse junto com papai, foi ele que deu um passo à frente primeiro. Por isso, mesmo que a gente sempre brigue, eu o amo muito.

Mas isso não justifica o olho roxo.

Eu juro que quando voltar ao normal vou espetar os dois olhos dele. Como ele pode fazer isso com a própria irmã? Mesmo que tentássemos explicar o que era impossível, Touya interpretou tudo sozinho. O quão grande foi meu susto quando ele veio para cima de mim, e não de Syaoran, pois por um momento, esquecemos que estávamos em papeis invertidos. Eu só sabia gaguejar e ficar a beira de lágrimas, quase soltando toda a verdade, pois nunca vi meu irmão daquela maneira. Syaoran me salvou, de alguma forma conseguindo me empurrar para fora de casa, mas ainda assim, não sem uma lembrancinha por ter abusado de sua irmã caçula, mesmo a irmã sendo eu.

Não sei quem ficou mais desconcertado quando eu comecei a chorar e a correr, Syaoran por saber que eu era uma garota, ou Touya, que me viu chorar como uma criança. Corri para o primeiro lugar que me veio à mente, a casa de Syaoran.

Um pouco depois de toda aquela humilhação, Syaoran me encontrou debaixo das cobertas de sua cama. Ele sentou ao meu lado e passou a mão em minha cabeça para me consolar. Quando comecei a me sentir sufocada, tomei coragem para olhar para ele, mas me arrependi, pois ele havia começado a rir.

—Desculpa...sério, desculpa mesmo, é que você esta muito engraçada – disse chorando de rir – a situação toda é muito louca.

Eu queria chorar mais, mas ele tinha razão. Peguei o celular para olhar minha situação pela câmera, mas a única coisa que vi foi um Syaoran choroso como se tivesse acabado de apanhar. Desliguei a tela para não rir na frene dele, eu ainda estava em choque, havia levado um soco do meu próprio irmão.

—O que você esta fazendo aqui?

—Fugi pela janela do seu quarto – disse simplesmente.

—Mas é no segundo andar.

—Eu sou um ninja – ele tentou fazer graça, mas perdeu o humor de repente, fazendo cara de culpado – acho que só piorei a sua situação com seu irmão depois quer você saiu, acabamos discutindo terrivelmente e fingi me trancar no quarto. Agora mais do que nunca ele deve saber que você não é exatamente a Sakura.

—Esta tudo bem, você agiu normalmente, não se preocupe – disse eu fungando – mas a noite, se você não aparecer para jantar, ele vai levar um copo de leite e biscoitos, como forma de arrependimento.

Syaoran fez uma careta engraçada que me fez rir, como se não estivesse acreditando em minha palavra.

Estranhamente, de uma hora para outra, reparei como estávamos próximos, sentados na mesma cama, mesmo que aquele corpo magricelo fosse meu, me senti extremamente incomodada. Levantei-me como se estivesse pegando fogo, lembrando repentinamente do encontro.

—Kamui, meu deus, você deve estar muito atrasado.

—Não é como se eu estivesse animado para isso, sabe. Deixe ele lá, faz bem para o orgulho levar um fora de uma garota bonita, ele cresce.

Syaoran deitou na própria cama esticando as pernas e os braços, como se estivesse sentindo saudades. Tentei ignorar o fato de que ele havia me chamado de bonita. Mas como ele havia falado, o orgulho cresce, e o meu também.

—Por isso mesmo, é meu nome que esta no jogo, temos que dar um jeito de você ir de qualquer maneira.

Syaoran suspirou, levantando-se, foi até a cozinha e voltou com uma sacola nas mãos, jogando em meus braços.

—Peguei tudo o que você separou – disse ele se jogando na cama novamente, mas com a cara no travesseiro.

Me senti orgulhosa, pois ele realmente tinha levado a serio o encontro para limpar meu nome. Queria puxar suas bochechas, mas elas eram minhas, então deixei pra lá.

—Bom, vamos lá, ainda dá tempo. Mas agora, tira essa cueca.

—Não vamos começar isso de novo! – gritou ele.

****

Kamui era realmente tapado, pois qualquer pessoa normal teria desistido de esperar. Syaoran apareceu e nem deu uma desculpa, apenas o cumprimentou e virou pedra. Ele nem sorria de tanto desgosto.

Eu os observava de longe, usando um óculo escuro para não parecer suspeita – e esconder o olho roxo – analisando a situação a situação de longe. Syaoran já havia deixado claro que se Kamui se aproximasse tentando beija-lo, ele o socaria. Eu tinha que ficar esperta para interpretar o que estava acontecendo para evitar ficar mal falada, pois se estivesse certa, Kamui levaria Syaoran para lugares conhecidos por toda a escola, para que alguém visse os dois juntos e comentasse no dia seguinte.

A praça do centro da cidade e o Sorvete Feliz. Na mosca. A praça era um lugar bonito, muito arborizado e bem iluminado mesmo durante a noite, mas a hora dos casais era o por do sol, exatamente como naquele momento. E o Sorvete Feliz era do senhor Kimihiro, em que todos da escola passavam para comprar, pois era o melhor da cidade. Tinha lembranças muito boas de mim, papai e Touya naquele lugar, nos dois brigando pela bola de sorvete maior e quem comia mais – quem tinha indigestão mais rápido também.

Meu sentido de alerta tiniu. Kamui havia encostado o ombro no de Syaoran, mesmo ele se afastando até a ponta do banco. Era agora que Syaoran deveria começar o discurso do “eu não estou a fim de você”, mas ele apenas sabia ranger os dentes. Como eu estava longe, não conseguia ouvir a conversa, mas decidi atravessar o parque para dar um pequeno sinal.

Syaoran me viu, isso ficou evidente, pois ele me fuzilou com muita força. Acenei fazendo todo tipo de movimentação com os braços, incentivando a iniciar a conversa, mas apenas o distrai. No segundo seguinte, Kamui se aproximou segurando seu pulso. Me desesperei, ele ia esmurrar o rapaz ou iria haver um beijo gay. Mas o rei demônio foi mais rápido, se contendo, apenas enfiando a mão com o sorvete na cara de Kamui, lambuzando-o por inteiro.

Senti meu coração falhar um dois anos de vida, pois Syaoran realmente estava com uma cara de assassino, mesmo assim, Kamui era persistente, apenas pediu licença para lavar o rosto e saiu sorrindo, dizendo que era normal o susto quando se estava com um garoto tão bonito.

Corri até Syaoran e ele veio até mim.

—O que esta acontecendo? Porque você não dispensa logo ele? Ta afim é?

—Olha aqui mocinha, vou enfiar esse resto de sorvete em você!

Ele olhou para o banheiro que Kamui se dirigiu e me puxou até outro, um publico, que tinha do lado dos bancos da praça.

—O cara não cala a boca, ele só sabe dizer o quão ele é bom nos esportes e como os dois ficariam bem juntos, sério Sakura, ele é um zé mané.

—Você acha que eu não sei? Apenas peça desculpas educadamente e fale que ficou nervosa, depois vai embora.

—Se eu fizer isso, ele vai achar que você gosta dele!

O banheiro era terrivelmente apertado e fedido, porque Syaoran tinha enfiado a gente ali afinal? Estávamos tão próximos que eu tinha que olhar para baixo para vê-lo.

—Sakura, ele quer que vocês dois namorem porque seriam o casal mais popular da escola, mesmo depois do sorvete ele saiu sorrindo, tentando manter a aparência. Esse cara não bate bem da cabeça não.

Olhei para fora, Kamui já estava procurando Syaoran.

—Apenas diga que não esta afim dele e vá embora, inventa uma desculpa, sei lá – o empurrei para fora – vá logo!

Levou um tempo para que eu conseguisse sair daquele banheiro sujo e apertado. Quase tinha perdido os dois de vista quando percebi que ambos se encaminhavam em direção ao Shopping central. Abismada, andei atrás dos dois, parando de loja em loja toda vez que Kamui virava olhando para traz, desconfiado. Ele segurava o braço de Syaoran com força, era evidente, pois o chinês tentava puxar de volta de dois em dois minutos. O que eles fariam dentro de um shopping? Já tinha escurecido e era pra esse encontro ter acabado, não queria que Kamui pensasse que eu estava gostando.

Eles compraram ingressos para uma noite de verão 3, só podia ser um filme romântico. Mesmo Syaoran iria estar vulnerável dentro do cinema, ele teria um ataque com as tentativas insistentes de Kamui. Comprei um ingresso para uma poltrona uma fileira acima e me afundei nela. Chamei a atenção de Syaoran jogando pipoca em sua cabeça. Tivemos uma discussão silenciosa, fazendo sinais um para o outro se apressar. Kamui chegou com refrigerantes e apenas um saco de pipocas, eu sabia o porque ele havia comprado apenas um, velho clichê de encontro de dedos. Acho que a cena não ia ser nas telas e sim na minha frente, o Li como protagonista.

As luzes se apagaram e não demorou muito para começar. Não o filme, mas Syaoran. Eu via em minha mente uma bola se enchendo ao ponto de estourar, esse era Syaoran. Mesmo com o apoio dos braços entre os dois, que o chinês lutava para manter abaixado, o rei demônio estava quase deitado no colo da pessoa ao lado, pois empurrava Kamui, tentando afasta-lo. Eu sentia pena e arrependimento, essa ideia havia sido minha. Eu tinha que fazer alguma coisa.

Antes que eu percebesse, levei um susto quando todos do cinema haviam gritado, achei que estava acontecendo alguma coisa, quando percebi que o filme em si era de terror. Mesmo não sendo minha intenção, mas sendo útil, derrubei meu saco de pipoca inteiro em cima de Kamui, fazendo ele parar de tentar beijar Syaoran, mas dirigindo sua fúria para mim. Antes que ele conseguisse agarrar meu colarinho para berrar, sai correndo da sala com ele em meu encalço.

Em dois saltos, Kamui me alcançou, já percebendo que era eu. Eu não sabia se ficava irritada comigo mesmo ou com Syaoran, que com seu rosto, eu havia conseguiu em menos de uma semana consegui arrumar mais de duas brigas e um olho roxo.

—Olha só quem é! Eu sabia que você deveria estar por perto, nos seguiu o dia todo, não foi? – ele não era tão tapado quanto imaginei.

—Você ainda não saiu do pé da Sakura né? Eu to na reta, sai fora!

Disse ele me empurrando e me jogando contra a parede, mas mesmo assim, eu e minha língua afiada respondemos.

—Você é que não se manca, ela não esta tão afim de você assim, se liga!

Afinal de contas, eu estava respondendo por mim mesmo. Esse jeitinho metido dele estava me fazendo ficar enojada. Levantei decidida a brigar se fosse necessário. Syaoran apareceu, pronto para entrar na confusão, mas em vez de usar os punhos como imaginei, ele ficou na minha frente, com as mãos na cintura e encarando Kamui.

—Eu estou tentando dizer isso para você o dia todo, não quero ficar com você porque estou comprometida com outra pessoa. Eu gosto de outra pessoa.

Não precisava somar dois mais dois para entender a situação, mas novamente, somaram errado. Kamui olhou para mim, já fazendo seus incríveis cálculos e interpretando que o sujeito era eu.

—Você acha que é bom para ela? Não passa de um vagabundo bandido que não tem família.

Kamui não fazia ideia de que estava provocando dois tigres, achei que eu e Syaoran bateríamos nele ao mesmo tempo. Eu é que sentia mais raiva, como ele ousava dizer isso do rei demônio? Ele nem o conhecia direito. Em um rápido pensamento, percebi que aquele era o mesmo julgamento que eu fazia há algum tempo atrás.

—E dai? Você não tem que se intrometer nos assuntos dos outros! Volta correndo para as suas garotas abanando o rabinho que é melhor, essa garota agora é minha! – para dar efeito, passei um braço pelos ombros de Syaoran e o tirei do caminho de Kamui.

Os três pararam desacreditados com as palavras que eu havia dito, Kamui e Syaoran olhando para mim, e eu mesmo, sem acreditar no que havia dito. Antes que eu sentisse meu rosto esquentar, empurrei Kamui fingindo ser um verdadeiro homem pronto para brigar, mas sem me lembrar que uma ação causava outra reação.

Kamui veio desabalado para cima de mim, me derrubando no chão pronto para me socar, como eu estava segurando Syaoran, ele também caiu no meio do corredor. Tudo se acionou em câmera lenta, dois lanterninhas do cinema correndo ao fundo em nossa direção ao perceberem a confusão, a cara bonita de Kamui se contorcendo em uma cara feia de fúria e Syaoran, tentando impedir que eu fosse esmurrada mais uma vez naquele dia.

Sem pensar duas vezes, lembrei-me das defesas que Syaorna havia me ensinado no dia anterior, deixei Kamui agarrar a gola de minha camisa, me enforcando um pouco, segurei seus ombros e com força enterrei meu joelho entre suas pernas. A reação foi instantânea, ele rolou para o lado em um silvo dor enquanto eu me levantava.

—Você tem razão, funciona!

Syaoran me olhava com a mesma cara que Kamui fazia no chão, como se fosse ele que tivesse recebido o golpe.

****

Obviamente, fomos expulsos do cinema, mas demorou um tempo para Kamui se levantar. Saímos andando em silencio antes que ele recuperasse o juízo. Um ao lado do outro, fomos andando de volta para casa, eu pulando de alegria e Syaoran irritado.

—Achei que ficaria feliz por eu ter me livrado dele finalmente.

—Estou! Mas depois de tudo o que eu tive que passar, estou triste que não fui eu quem bati nele – ele estremeceu – e o pior é que senti pena depois, eu não teria sido tão baixo.

—Você disse que para mim estava valendo.

—Mas ninguém vai saber que você é uma garota, vai ficar meio estranho à situação amanha quando ele começar a espalhar boatos como vingança. E para piorar, confirmamos para todo mundo que estamos juntos.

—Não importa mais! Eu quero um sorvete, fiquei morrendo de vontade depois de ver vocês tomando.

Passamos no mesmo Sorvete Feliz e pedimos dois grandes de chocolate e creme. Pegamos duas bolas cada um e trocamos um com o outro, para provar o sabor. Olhei para minha pequena figura sentada a meu lado, como um clone, não era mais tão estranho assim, na verdade, me sentia feliz por ter Syaoran a meu lado.

—Amanha, vamos chegar de mãos dadas? – disse eu fazendo ele engasgar, depois comecei a rir.

—Bom, eu já faço seu almoço mesmo! Só vamos ter que evitar o túnel do amor no festival cultural.

Olhamos um para o outro e começamos a rir.

—Mas sério, obrigada por se forçar nesse encontro desse jeito, sei que não foi do jeito que você quis mas...foi significativo para mim.

—Não é como se eu tivesse melhorado sua situação, afinal, você esta encrencada até o pescoço, tanto na escola como na sua casa.

—Pode ser, mas hoje foi divertido – parei para refletir – menos o soco do meu irmão.

—Deixe-me ver!

Ele pegou meu rosto com as duas mãos antes que eu pudesse responder, me puxou para perto e analisou a área dolorida. Eu não entendia porque ou como, olhava para minha própria imagem a minha frente e ainda assim, sentia meu coração correr feito um louco.

—Está meio inchado, coloca um pedaço de bife em cima que melhora amanha – disse ele – assim, eu não apareço na escola como se fosse alguém que acabou de apanhar. Apesar de que está evidente. Espero que o diretor não chame você para o conselho, ainda sinto que eles estão quietos demais.

Quanto mais ele falava mais perto chegava, me afastei num pulo sentindo o rosto esquentar. Deixei os óculos escuros que estavam em minha cabeça caírem, arrumei uma desculpa qualquer para voltar em algum assunto.

—E a calcinha, incomodou?

—Ah – ele se levantou e virou pra mim, levantou a saia até que eu pudesse ver sua cueca samba canção escura – não estou usando.

Foi o suficiente, pulei em cima dele para que evitasse o constrangimento de outras pessoas olharem, ele riu e saiu correndo. Depois de muito enrolar, voltamos pelos quarteirões à noite, iluminados pelos postes de luz e as poucas lojas abertas, já estava tarde afinal. Syaoran me acompanhou até sua própria casa, lembrou-me onde havia colocado a comida para esquenta-la e de não esquecer de arrumar o quarto antes de sair para a escola amanha. Também disse para não chegar atrasada, amanha seria o inicio das preparações para o festival cultural. Antes que ele fosse embora, um assunto veio de repente em minha mente, então segurei sua mão para impedi-lo.

—Sabe, sobre toda essa situação, talvez ficasse mais fácil se contássemos para Tomoyo, não? – eu tentei me explicar apressadamente – é que ela é super inteligente, e nos piores momentos, ela pode nos ajudar. Eu não quero ela pense que nossa amizade esfriou, sabe. Além do mais, ela pode nos cobrir.

Eu assistia dolorosamente todos os olhares de preocupação e tristeza de Tomoyo durante as aulas, quando Syaoran se isolava dela sem perceber, não que ele fizesse por mal, mas isso me doía na alma. Afinal, sempre estivemos juntas em tudo, sentia falta de nossas conversas. Syaoran encarou o chão novamente por alguns segundos, pensativo, depois apertou minha mão e assentiu com a cabeça.

—Talvez seja melhor, mas temos que pensar em fatos bem construtivos para mostrar a verdade. Apesar de que eu acho que ela desconfia. Não custa nada.

Eu realmente esperava por um não da parte dele. Mas me senti tão feliz que o abracei com força, até perceber que o estava sufocando. Nos afastamos devagar e para a situação não ficar mais constrangedora, lembrei a Syaoran do copo de leite de meu irmão e ele saiu correndo.

****

Esquentei a comida que o rei demônio havia dito estar na geladeira, dei uma pequena geral na casa para poder dormir até mais tarde no dia seguinte e tomei um banho. Já estava acostumada com aquele corpo como se fosse meu, mas ainda assim, evitava olhar para baixo. De toalha, parei em frente ao espelho e me encarei, analisando aquele rosto de olhos castanhos penetrantes e cabelos rebeldes.

Meus cabelos estavam húmidos, grudados na testa, os olhos eram tão profundos que eu me perdia neles, e seu corpo era ideal para um garoto de 18 anos, nem musculoso e nem magricelo, agora eu entendia porque todas as garotas insistiam em falar dele, era porque o desejavam, pois ele era perfeito. Senti uma leve satisfação ao saber que era eu que estava olhando para aquele peitoral nu. Havia algumas cicatrizes, passei a mão sobre elas imaginando o que teria sido. Brigas? Pareciam marcas de facadas, que segredos Syaoran escondia? A toalha escorregou de minha mão e caiu no chão, mas me virei antes que eu pudesse ver alguma coisa, apenas um vulto de duas entradas laterais em V bem torneadas que me fizeram arrepiar. Não conseguia impedir mais o pensamento de Syaoran colando o corpo dele no meu. Estapeei minha bochechas para me livrar da ideia, de costas, desviei o olhar para o espelho novamente, observando a largura de seus ombros e a curva da coluna que afinava um pouco para um bumbum perfeito, que fiquei morrendo de vontade de apertar e passar a mão.

Percebi novamente minha indecente conduta e me estapeei de novo, desejando que Syaoran sentisse aquilo, pois era tudo culpa dele. Me vesti rapidamente e mergulhei na cama macia e cheirosa, um cheiro muito gostoso que vinha também das roupas, toalhas de banho e minha própria pele. Tão gostoso que não me sentia nem um pouco envergonhada de abraçar o travesseiro e respirar profundamente, mesmo sabendo a quem pertencia aquele aroma.

Notas finais
Espero que tenham gostado e feliz natal!!!