rEVERSE - O conto da primeira estrela
19 E novamente... o início... Mais uma vez....
Notas iniciais
(Syaoran) E novamente... o início... Mais uma vez....
Deixar Sakura foi à coisa mais difícil que eu fiz. Lembro-me com detalhes desde o momento em que a conheci e me apaixonei. Gostava de provocar intrigas com ela para fazê-la me notar, de uma forma ou de outra, seja boa ou ruim, ela pensaria em mim.
Naquela época, tantas vezes eu pensei em desistir e tentar esquecê-la, mas com nossos corpos trocados, seria impossível. Portanto, mesmo voltando para a China, eu sabia que não a esqueceria. Conheci minha jovem esposa prometida, e desde o principio, deixei claro nossa relação e meus sentimentos sinceros. Ela havia entendido e aceitado perfeitamente, até aquele dia fatídico.
Em uma de nossas caminhadas matinais, Lieng Cho havia se declarado para mim. Me senti mal por magoa-la, era uma boa amiga, mas eu precisava rever Sakura. Havia dito que se Sakura não me quisesse mais, eu me de dedicaria a ela. Porem, se houvesse a menor possibilidade da japonesa me aceitar de volta...
Os anos na China não foram fáceis. Passava a maior parte do tempo acompanhando as reuniões de minha mãe para aprender na prática. Os conselheiros eram rígidos e incisivos... sedentos por poder e luxo, sempre querendo colocar o nome Li como a maior potencia do país.
No meio de tudo aquilo, eu rezava para acordar como Sakura novamente, desejando uma única desculpa para poder vê-la de novo. Mas mesmo na China, a primeira estrela nunca aparecia.
Me casei contra minha vontade. Herdei, logo depois, a linha principal de poder no Clã, o lugar de minha mãe. Levou muito tempo para todos ganharem confiança em mim e não me tratassem como apenas um garoto mimado. Fui forçado a parar de escrever para Sakura, passando a vê-la apenas em meus sonhos. E depois de sete longos anos, minha família me cobrava um filho.
Passei noites acordado pensando no que poderia fazer. Em um dia, minha mãe observando meu sofrimento colocou a mão em meu ombro e disse:
—Ainda pensa nela? – perguntou ela sem realmente esperar uma resposta – Syaoran, esse clã retirou de você muitas felicidades que uma pessoa pode ter na vida. O amor foi uma delas... por isso eu digo, vá atrás do que quer. Você já demonstrou ser digno de confiança, acho que pode fazer o que bem entender agora.
—Mas e se ela tiver me esquecido? Eu me casei e o mundo todo sabe disso.
— Vocês passaram por coisas que não se esquece com o tempo – por um instante, me perguntei se ela sabia do que aconteceu entre mim e Sakura – e se ela ainda esperasse por você?
Dois dias depois, eu havia embarcado em um avião para o Japão com a desculpa de viagens a negócios.
Acordei sentindo uma leve pontada no pescoço. Estava deitado no chão com Sakura a meu lado, ela havia caído no sono comigo em seu colo e seu corpo escorregou para a lateral. Fiquei observando seu rosto sereno, dormindo tranquilamente como uma criança. Sorri e passei as mãos por seu cabelo. Estavam um pouco mais longos e claros desde a ultima vez que a vi.
Ver Sakura tendo encontros com outros homens me fez querer invadir os estabelecimentos para arranca-la de lá, mas estava sob as ordens de Tomoyo. Depois de me encontrar com Daidouji, já que não tive coragem de ir diretamente a Sakura, tratei de saber como ela estava e se era seguro me aproximar. Em uma longa conversa com Tomoyo, descobri que Sakura estava tendo encontros às escuras.
—Eu preciso saber se ela vai encontrar a felicidade com outra pessoa Li, afinal, você já é um homem casado e vai ter um filho – disse ela entre um copo de cerveja e outro. Tomoyo aprendera a beber melhor do que eu.
Após muitas horas tendo explicar minha situação e objetivos, ela concordou em deixar que eu participasse como ultimo pretendente. Durante todos os encontros, eu mandava um buque de madressilvas e camélias para Sakura. Quando eu a encontrei incrivelmente bêbada, ralhei com ela por ser tão descuidada e a levei para casa. Não pude evitar de ficar imensamente feliz quando Sakura, completamente desorientada chamava por meu nome, dizendo que me amava.
Balancei a cabeça e tentei tirar o sorriso bobo de meu rosto, eu era um adulto agora. Olhei para a mulher adormecida a meu lado.
—Sua tonta – disse eu, pegando-a no colo e levando-a para cama – me desculpe por fazê-la esperar.
Não esqueço seu primeiro olhar sobre mim depois que voltei e de como deu seu primeiro sorriso. Eu só poderia agradecer. Quando vi o medo em seus olhos, não consegui me segurar mais e a beijei. Queria fazer isso desde que havia encontrado ela na creche com as crianças. Um garotinho havia dito que ela era a mulher dele, eu só pude rir e pedir para ele entregar as flores para mim.
Beijar Sakura foi como experimentar meu doce favorito antigo, cheio de nostalgia. Depois veio o desejo e o calor por todo o meu corpo. Há quanto tempo eu estava me segurando para ter essa mulher em meus braços novamente? Mas não consegui fazer mais do que ela havia pedido. Sakura ainda achava que eu estava casado e iria ter um filho, mesmo que eu tivesse cuidado da papelada do divorcio na primeira semana em que havia chegado, enquanto ela estava tendo encontro com outras pessoas.
Mesmo assim, apesar de não termos ido até o fim, retirei todas as suas roupas e beijei cada centímetro de pele dessa mulher. Não sentia isso fazia muito tempo, na China, eu era obrigado a me aliviar sozinho pensando nela, mas agora... era tão difícil me segurar.... A única coisa que me mantinha são era a felicidade imensa que sentia em ter Sakura para mim.
Quando coloquei o corpo de Sakura na cama, ela despertou levemente e chamou por meu nome. Vi de relance um pequeno brilho em seu pescoço, era uma corrente fina que descia por dentro da blusa. Tentando retirar o pequeno demoniozinho do pecado em minha mente que surgiu quando eu abri dois de seus botões para ver o que era aquela corrente – o decote de sua blusa parecia irresistível para enfiar o rosto ali – puxei para ver um pequeno pingente cair em minha mão.
Era o colar de cerejeira que eu havia dado a ela há muito tempo atrás. Fiquei com uma imensa vontade de acorda-la para perguntar se esteve usando por todo esse tempo. Sem conseguir me segurar, deitei o corpo de Sakura na cama e aproveitando a abertura de sua blusa que abri descaradamente, beijei e suguei até que ficasse uma pequena marca, um pouco mais abaixo da clavícula e bem no inicio dos seios, exatamente a altura em que o pingente ficava pendurado.
Retirei uma pequena caixinha preta do bolso e peguei o anel que estava dentro. Era prateado com um pequeno diamante branco entalhado, nada muito extravagante, mas se olhassem de perto, veriam sua beleza. Comprei pensando que parecia um pouco a primeira estrela, pequena e discreta, mas muito bonita quando vista com atenção.
Com cuidado, coloquei o anel no dedo de Sakura.
—Sabe, você deveria esperar eu acordar, se ajoelhar como fez antes e dizer novamente, “casa comigo Sakura” – disse a japonesa finalmente acordada, me assustando – alem do mais, que cara de pau, tirando minhas roupas assim sem minha permissão.
—Eu não estava tirando suas roupas, apenas queria olhar o que você estava usando no pescoço.
Seu rosto pegou fogo, exatamente do jeito que eu gostava. Sorri e olhei para ela daquela maneira convencida e perguntei:
—Que colar é esse Sakura? – mesmo eu sabendo a resposta.
—Como se você não soubesse – disse ela com rosto vermelho e desviando o olhar – que pessoinha você se tornou hein, todo descarado.
—Não somos mais crianças, sabe quanto tempo eu esperei por você? Quero matar toda a saudade – disse eu rindo, beijando sua bochecha – mas me conta, você usou por todo esse tempo?
Ela não precisou responder, bastava olhar para seus olhos e ver como eu estava refletido neles. Pequei suas mãos e entrelacei nossos dedos, colocando seus braços acima de sua cabeça, passei minhas pernas por cima dela e fiquei sobre seu corpo, causando uma sombra gigante sobre seu rosto. Eu não iria esperar mais.
—Syaoran. O que vai acontecer se nos casarmos de verdade? O quanto minha vida vai mudar? Você quer um filho, mas como vai ser a criação dessa criança? Teríamos que ir para a China?
Eu percebia o nervosismo em sua voz. Ela estava com medo. Não podia culpa-la. Eu havia passado por isso duas vezes, quando vim para o Japão e o momento em que eu voltei para a China. Não queria que ela se sentisse pressionada.
—Não Sakura. Você vai fazer exatamente o que você quiser, não posso prometer ficar no Japão, pois tenho negócios a cuidar, mas nem que seja preciso eu pegar um voo todo final de semana para ver você, farei o que for preciso. Não vou mais embora. Quero que você vá conhecer minha família, educarei nosso filho pessoalmente com muito amor para ser o próximo herdeiro.
—Mas e se eu não conseguir ter um filho? – era claro o medo em sua voz – eu não sei se estou pronta para ser mãe.
—Sakura, você é a melhor mãe do mundo, bastou ver você com todas aquelas crianças que você cuida aos finais de semana. E mesmo se você não puder me dar um filho... Eu não vou abrir mão de você.
Ela olhou para mim, analisando o que eu poderia estar pensando, encarando em meus olhos o possível futuro e a mudança eminente. Ela sabia que não seria fácil, que muita coisa poderia mudar, mas estaria disposta a tentar.
—Eu sei que provavelmente o céu deve estar cheio de tanto a gente pedir coisas, mas pela ultima vez... Que as estrelas abençoem nossa família e consagradem o nascimento de nosso filho.
Beijei Sakura selando nossa promessa. Seria nosso ultimo pedido.
Sem soltar os braços de Sakura, desci os beijos por seu pescoço até chegar à marquinha roxa que fiz em sua pele. Com força, Sakura puxou suas mãos e empurrou meu peito para trás. Pensando que ela queria parar, fui pego de surpresa quando girou o corpo para ficar em cima de mim.
Devagar, ela foi abrindo sua blusa, botão por botão. Tentei ajudar, mas recebi um tapa em minha mão. Quando a blusa saiu e o sutiã caiu, senti o calor em meu corpo e o desejo subir entre minhas pernas. Pois é, não éramos mais crianças, na verdade, estávamos sedentos um pelo outro.
Ela desamarrou as cordas de minha blusa, e abriu a parte frontal, deixando meu peito nu. Sem quebrar contato visual, deitou-se preguiçosamente em meu peitoril. Senti as formas macias de seus seios contra minha pele. Ela sabia que eu estava exitado, sentiu mais sedo e sentia agora. Minhas mãos passearem por suas costas nuas, aproveitando cada pedacinho dela, enquanto eu mordia seu ombro. Elas desceram para dentro de sua calça, por dentro do fino tecido da calcinha, apertando a pele macia e volumosa dentro da roupa. Sakura me beijava quando iniciou uma sequencia de rebolado contra meu quadril, me fazendo aperta-la ainda mais. Ela estava brincando comigo, por um leve momento, soltei um suspiro e um gemido contra seus lábios. Ela riu e eu soube que era o que queria ouvir.
Se ela queria brincar, iríamos brincar. Sem o menor esforço, levantei-a rapidamente e troquei de posição com ela, fazendo-a ficar de bruços contra mim. Levantei seus braços prendendo-os com uma mão só e usei a outra para passear por seu corpo, passando da clavícula para os seios, apertando-os, descendo pela barrica e ventre, até ser barrado pela calça. Que droga, havia esquecido dela.
—Não se mexa! – sussurrei eu.
Levantei o quadril de Sakura, fazendo ela gritar de susto por ficar em uma posição estranha, desabotoei e abaixei a calça até dos joelhos. Sorri observando a bela visão de seu bumbum empinado.
—Syaoran! – gritou ela injustiçada.
Antes que ela ficasse impaciente, pedi para que levantasse um joelho de cada vez até me livrar da roupa completa. Olhei para a calcinha rosa claro, me recordando rapidamente do passado. Sakura me obrigava a usar uma e fomos pegos em flagrante, contamos muitas mentiras para passar pela situação, mas agora... Não teria vergonha nenhuma de mentir... Era exatamente o que eu queria fazer.
Retirei o tecido e baixei o quadril da japonesa novamente, me deitando sobre ela. Voltei ao trabalho com as mãos, correndo de sua barriga, para o ventre novamente, e por fim, entre suas pernas, onde já estava molhado. Sakura pulou de susto e torceu o corpo, empinando o quadril contra o meu durante minha “massagem com os dedos”.
—Espera Syoran... Não é justo... ei – não precisou de esforço nenhum, bastava o toque e ela já tremia com a sensibilidade do clitóris. Meus dedos entravam e saiam suavemente sem dificuldade.
—Praticamos bastante na noite anterior Sakura – disse eu beijando seu pescoço – você sabe o que fazer.
Ela tremia de acordo com o ritmo de minhas mãos, agarrando-se aos lençóis. Assim como eu havia dito, ela abriu um pouco mais as pernas, se apoiando sobre os joelhos e empinando o quadril levemente outra vez. Jogou a cabeça para trás, mordendo os lábios. Não sei quem se entregaria primeiro, Sakura que se contorcia de prazer em minhas mãos ou eu, que observava tudo.
—Solte a voz – disse eu pressionando os dedos o mais fundo que podia – eu quero ouvir
Pode ter se tornado um fetiche a muito tempo, desde nossa primeira vez. Eu queria escutar a voz dela gemendo meu nome.
Porém, não ia deixar que tudo terminasse rápido demais, retirei minha mão de dentro de Sakura e a deixei tomar ar, seu peito subindo e descendo rápido, enquanto o rosto, vermelho como fogo, olhava para a cabeceira da cama com um olhar extasiado. Ela virou-se para mim, com a pergunta na cara, “porque parou?”.
Retirei o resto de minhas roupas, mantendo apenas a calça. Virei Sakura para mim e voltei para os beijos intensos. Ela passou os braços ao redor de meu pescoço, cravando as unhas em meus cabelos e pele. O contato de seus dedos em minhas costas fazia minha coluna inteira se arrepiar, ainda mais quando ela descia devagar, apenas com as pontas, até a barra da calça. Foi sua vez de enfiar as mãos por dentro de minhas roupas. Ri quando ela apertou minha bunda.
Sakura, achava eu, estava em um estado de transe que fazia suas mãos se moverem sozinhas, ela não iria conseguir me olhar nos olhos amanha.
Novamente perdendo o controle, me empurrou e se colocou entre minhas pernas. Desamarrou os cordões da calça, puxando com a boca e fazendo meu estomago se contorcer ao olhar a cena. Me senti uma mocinha tampando a boca com as costas da mão para não soltar nenhum som involuntário, mas era impossível.
Sem necessariamente retirar minhas roupas por completo, Sakura colocou para fora meu membro quente, segurando e massageando meio desajeitadamente.
—Eu já falei antes, não quero ser a única a se sentir bem – seu rosto estava em brasas – eu não sei fazer direito, mas...
Segurei suas mão, e cheguei mais perto.
—Então eu te ajudo, não se preocupe... – disse eu beijando seus lábios enquanto ajudava ela com o movimento das mãos sobre mim – você esta linda.
Sakura demorou um tempo para ganhar confiança. Subia e descia a mão, ganhando força e velocidade, fazendo eu perder o ritmo de minha respiração e apoiar a cabeça em seu ombro. Eu havia até soltado sua mão, deixando-a fazer o resto sozinha, enquanto apoiava meu peso em um braço e o outro usava para prender meus dedos nos cabelos de Sakura.
Não queria ser o primeiro, por isso iria pedir para ela parar. Mas Sakura abaixou a cabeça, colocando a boca onde não devia. Foi impossível.
—Sak..Sakura.. você não... não precisa.. – era impossível conseguir falar, sua boca era quente e molhada – puta merda!
Eu gemi alto chegando ao limite. Deixei o corpo relaxar e cai de costas no travesseiro, tentando puxar ar. Agora eu que tremia involuntariamente. Sakura engatinhou até ficar por cima de mim, sorrindo.
—Não aguenta mais?
Agora eu que não reconhecia a mulher em minha frente. Sakura havia crescido de todas as formas possíveis. Senti minhas bochechas vermelhas, mas não me dei por vencido. Bufei e a derrubei, empurrando seus braços para cima de mim. Seu corpo caiu contra o meu. A beijei com ardor, girei nossos corpos outra vez e fiquei por cima. Iríamos até o fim. Bastava ouvir seus gemidos contra mim para meu vigor voltar com força. Me desvencilhei de todo o restante das roupas. Éramos dois corpos nus e suados, em uma massa só, que ainda tinham a noite toda.
Sakura não era mais virgem, eu não precisaria me preocupar com dor ou algo do tipo, por isso entrei com uma estocada funda, me segurando dentro dela para apreciar a sensação. Ela passou as pernas por minha cintura, as mãos por meus cabelos e a boca na minha. Havíamos perdido a razão.
Comecei em um movimento lento, mas profundo, passando meus dois braços por sua cintura. Dessa vez, estávamos concentrados em nossos corpos, por isso fui obrigado a desfazer o beijo e iniciar as sequencias rápidas de meu quadril contra o seu. Minhas mãos se prenderam aos lençóis e as dela em meus ombros e costas.
Não demorou para Sakura se entregar e chegar ao clímax. Ela arqueava a cintura para se prender mais em mim. Eu uns segundos a mais para chegar ao final. Caímos exaustos um ao lado do outro, sem fôlego e cansado.
Eu sorri para mim mesmo, sem acreditar que finalmente havia me entregado para Sakura mais uma vez, assim como ela se entregara para mim.
—Acho que estamos velhos para continuar pela noite toda, como da primeira vez, não? – Comentou ela se aconchegando em mim.
—Quem sabe! – disse eu, beijando sua testa – me de alguns minutos e veremos.
Mas acabamos adormecendo.
****
Duas semanas depois, eu andava de um lado o outro no saguão. Hora arrumando a gravada, Hora o terno, ou as flores dos jarros que enfeitavam entrada da igreja. Eriol, um rapaz bem comportado que havia conhecido há uma semana como marido de Tomoyo andou até mim sorrindo e deu um tapa em minha mão.
—Se acalme, ela vai vir!
Fiz cara feia para ele, mas logo cai em preocupações. Não me sentira assim em meu primeiro casamento, na verdade, muito pelo contrario, eu apenas desejava que acabasse logo. Mas Sakura... ficava com medo de ela não aparecer.
—E se ela desistir? Ou se ela não me quiser mais? Faz dois dias que não a vejo.
Era verdade. Aproveitamos bem a primeira semana em que havíamos nos reencontrado, tendo encontros como dois adolescentes, assistindo a filmes e tomando banho juntos, até que ela me liga e diz que vai ficar na casa de Tomoyo por um tempo. Eu não vira mais Sakura desde aquele dia.
—Isso é obra da Tomoyo! Foi à mesma coisa no nosso casamento. Ela esta sendo boazinha com você, eu fiquei sem vê-la por uma semana. – comentou ele rindo – disse que era para dar mais saudades.
—Passei sete anos sem ver Sakura, saudade não é o que me falta – reclamei passando as mãos no cabelo sem me importar que ficasse bagunçado, eu não havia conseguido baixa-lo mesmo.
Ouvi a porta se abrir e olhei esperançoso para a entrada. Era Lieng Cho. Ela olhou para mim e, pela primeira vez desde o momento que eu havia a conhecido, fez uma cara de deboche e um sorriso cínico. Andou até mim e perguntou a Eriol.
—Ele ainda não perdeu a cabeça? – disse ela animada. Por um momento, poderia jurar que estaria fazendo graça.
Sakura fez questão de convida-la pessoalmente para o casamento, deixando claro suas intenções. Como Lieng fez parte de meu primeiro casamento – mesmo que todos achassem o contrario, já que foi a mentirinha que contamos – ela tinha direito a algumas posses de bens que dividimos no divorcio. Sakura não queria absolutamente nada relacionado ao clã, mesmo que tivesse direito como nova esposa. Tudo o que ela desejava era ficar a meu lado.
—Lieng foi sua primeira esposa apesar de tudo, ela tem muito mais direito a seus bens do que eu, não quero nada alem do que eu conquistei com minhas próprias mãos – disse quando discutíamos sobre a relação de posse da família Li – não acho justo, ela desistiu de tudo para você ter sua felicidade Syaoran, um grande clã em que ela seria a matriarca e um grande amor.
Porem, Lieng sabia como as coisas funcionavam mais que Sakura, já que a japonesa não entendia que se tivéssemos um herdeiro legitimo juntos, Cho não conseguiria ter muitos benefícios mesmo sendo a primeira esposa, pois nunca tivemos relações para possuir filhos. Era uma lei cumprida pela linhagem Li para que não houvesse problemas caso ocorresse quebra de contratos entre outras famílias, no caso, a família Cho. Lieng riu e disse que a pequena japonesa era muito inocente, mas uma boa pessoa, boba, mas boa. Agradeci por ver que a princesa chinesa parecia bem. Na verdade, ela se divertia com meu sofrimento no momento, talvez rezando para Sakura não aparecer.
_Não, mas esta quase – comentou Eriol, respondendo a pergunta de Lieng.
A igreja se encha aos poucos, diversas pessoas haviam comparecido, muitas eu lembrava pelo tempo da escola, outras eu nem conhecia. As garotas com quem Sakura sempre conversava nos horários do intervalo. Os gerentes e donos do restaurante onde a japonesa trabalhava. O rapaz loiro estrangeiro chamado Raphael – bufei olhando para ele, e este apenas olhou para mim da cabeça aos pés e acenou, comentando alguma coisa que eu não pude escutar, mas sabia o que era. “Então você é o famoso cara” – Minha mãe e prima, Meiling, também estava presentes. Elas haviam chegado uma semana atrás, também para conhecer Sakura, em que juntaram-se com Tomoyo e tornaram-se um trio de confidentes.
Meiling olhou para mim sorrindo. Ela sabia de alguma coisa.
Horas atrás, eu também havia cumprimentado o irmão de Sakura e seu pai. Foi uma situação estranha, pois Touya não parava de me encarar, enquanto seu pai sorria alegremente.
—Eu sempre a amei... e ainda vou ama-la – disse eu quando em sua resposta quando me contestou sobre ter ido embora, eu havia ido a benção da família de Sakura para o nosso casamento. Levou um tempo para fazê-lo aceitar, e muita bajulação minha e de Sakura, com certeza. O amigo dele, Yukito, havia ajudado bastante a acalmar o irmão. Mesmo na igreja, ele havia apertado minha mão como se quisesse entorta-la.
No entanto, o pai de Sakura me recebeu como um filho. Passamos horas conversando sobre arqueologia e os tesouros nacionais guardados sobre o domínio dos Lis.
Tive muito tempo para observar a estrutura da igreja . Estávamos tendo um casamento ocidental. Era pequena e simples, mas muito bonita, com o teto côncavo desenhado e os vitrais coloridos que produziam uma iluminação muito bonita. As flores que enfeitavam os bancos eram de madressilvas e camélias a pedido de Sakura, o tapete vermelho se destacava entre os bancos rústicos de madeira e as paredes brancas de cerâmica. Olhei intrigado para a quantidade de gente, conhecíamos tantas pessoas assim?
—Ora, é que todos ficaram sabendo da volta do rei e da rainha parada dura da escola. O casamento de Syaoran e Sakura. Ninguém daquela época queria perder. Até o diretor entrou em contato comigo pedindo um convite – disse Tomoyo quando estávamos montando a lista de convidados – você pode ser o príncipe Li, líder da família imperial chinesa, mas em Tomoeda, ainda é conhecido como Syaoran, o delinquente que teve seu coração derretido por uma flor. Todos estavam esperando pelo casamento de vocês.
—Eu não tive meu coração derretido – resmunguei, mas Sakura me beliscou mesmo assim.
Com quase quarenta minutos de atraso e meu coração derretido saindo pela boca, ouvi as trombetas e o barulho de todos os convidados ao se levantarem. Eu estava inquieto, mas agora meu espírito havia saído e voltado com o susto momentâneo. Correndo para meu lugar, observei as portas se abrirem.
Foi à coisa mais linda que vi em minha vida. Sakura andou a passos lentos sob a marcha cerimonial, com seu longo vestido brando movendo-se sob seus pés. Era rendado na parte dos ombros e braços, caindo em camadas na parte da frente, e a calda sendo erguida pelo mesmo menininho da creche que havia entregado as flores que eu pedi. O pingente que havia dado de presente há muito tempo atrás, balançava em seu pescoço. Eu não conseguia ver direito os olhos de Sakura sob o véu, mas sabia que ela estava linda, pois meu coração não se acalmava de jeito nenhum. Segurava o braço do pai, que a trazia até meu encontro, ele me cumprimentou e entregou Sakura a meus braços.
—Cuide bem de minha filha, meu rapaz!
Subimos juntos até o altar e o padre iniciou o discurso. Para ser sincero, não prestei atenção em uma palavra sequer do que ele havia dito, olhava Sakura de perfil. Apenas voltei a mim quando a pequena japonesa disse “aceito”, e eu respondi o mesmo. Ergui o véu de Sakura e olhei para seus intensos olhos brilhantes, com a igreja fazendo silencio para escutar nossas juras. Seus olhos imensos brilhavam e suas bochechas estavam tão rosadas quanto maçãs.
—Eu nunca imaginei que chegaríamos até aqui, por isso me sinto o homem mais feliz do mundo. Você foi a minha luz e salvação, e não estou sendo brega... eu era uma pessoa triste e infeliz, mas quando te encontrei, não conseguia parar de pensar em maneiras de te irritar e fazer você dizer meu nome todos os dias – peguei sua mão e coloquei o pequeno anel em seu dedo — Nesses sete anos que se passaram, eu nunca desisti de tentar voltar para seus braços.
Enxuguei as lágrimas que desciam por suas bochechas. Enrolei meu dedo em uma mecha de cabelo dela, que estavam meio encaracolados.
—Eu te amo Sakura. Quero te fazer a mulher mais feliz do mundo também.
Pulamos de susto com os aplausos. Por um instante esquecemos que não éramos somente nos dois. Sakura riu para mim quando eu fiquei mais vermelho ainda e iniciou:
—Syaoran... você é mesmo um rei demônio supremo – e se fez as gargalhadas do publico, estávamos nos casando ou apresentando um show? – mas eu só posso agradecer as estrelas por terem cruzado nossos caminhos. Demorou para perceber meus sentimentos, mas desde o principio, eu já o amava. Ainda o amo. E vou amar para sempre. Toda a espera valeu a pena, Eu te amo Syaoran, sempre vou te amar.
Puxei Sakura para mim e a beijei logo após receber o anel em meu dedo. Foram chuvas de aplausos e arroz por todos os lados. Porque arroz? Levei Sakura no colo da igreja para fora até o carro, causando muitos gritos.
—Porque demorou tanto para chegar – disse eu enchendo minha nova esposa de beijos até que seu batom estivesse borrado – sabe como eu estava perdendo a cabeça?
—Foi coisa da Tomoyo, ela disse que você já tinha esperado sete anos, podia esperar uma hora a mais. Além do mais, o vestido rasgou porque eu havia caído tropeçando no Kero, e depois ela teve que costurar.
—Aquele gato ainda esta vivo? Você é uma tonta mesmo – disse eu apertando suas bochechas e a beijando.
—E você um rei demônio – retrucou ela rindo.
Eu sabia que enfrentaríamos diversas dificuldades. Mas no momento, ter Sakura fazia com que eu encarasse qualquer problema com o peito erguido. Trocando de corpos ou não. Pedi para que o motorista subisse a divisória entre o banco de trás e o da frente para termos maior privacidade, e que ele fosse pelo caminho mais longo. Puxei Sakura para mim, aproveitando esse curto tempo para nós dois, pois com a quantidade de convidados que se dirigia para o salão de festas, quase não iríamos ficar juntos por aquela noite.
Mas tudo bem, estávamos finalmente vivendo nosso final feliz.
(Fim)
****
(E novamente... o início... Mais uma vez....)
****
A mulher segurava a criança adormecida enquanto se encostava no peito de seu marido. Ambos cansados já algum tempo. Já havia escurecido, então a lareira foi acesa pelo homem enquanto tomavam suas xícaras de chocolate quente.
—Quer ouvir uma historia? – perguntou o homem delicadamente, se dirigindo tanto a sua esposa quanto a seu filho, mesmo este adormecido – Já ouviu falar do conto da primeira estrela?
O pequeno balançou as mãos, como se desse sinais de que estava ouvindo, as palavras penetrando em sua mente enquanto estavas a sonhar. O pai continuou.
“Era uma vez... e sempre começa com era uma vez, pois se tornou um conto muito antigo... Há uma pequena estrela no céu, ela é um pouco mais especial que as outras, pois é a primeira a aparecer e a ultima a ir embora durante o crepúsculo.
Ela presencia o encontro do sol e da lua, dois amantes que não podiam se encontrar a não ser por rápidos instantes... E apesar de ninguém saber, essa é uma hora mágica no dia, que deixa o céu muito bonito para se ver. Torna-se uma magia que aquece e da força para os esperançosos que sabem observar o dia se pôr, e nascer....
A estrela que atende ao desejo dos dois amantes, se você pedir, ela também vai te ouvir. Mas muito cuidado. Ela é uma estrela brincalhona, escolha bem o que vai querer pra não se arrepender. Porém, conhecemos o que queremos e não sabemos o que precisamos, por isso ela não faz por mal, está sempre escutando nosso alento final, vamos ter nosso pedido atendido, mas não vira no tempo e forma que esperamos. Tem que ser paciente e crente.
A felicidade, a estrela, com certeza, um dia irá conceber.”
Como se tivesse ouvido cada palavra, a criança riu e voltou a adormecer. A esposa, enquanto segurava seu filho ainda no colo, olhou para o marido e disse:
—Que bonito esses dizeres, onde você ouviu essa história querido?
—é uma que meus avos contaram para mim, e agora passamos de geração a geração. Eles inventaram uma historia doida falando que haviam trocado de corpos, brincando com minha cara, mas a essa altura, já estão muito velhinhos, vivendo no Japão – disse o marido com um ar de nostalgia – Porem, nunca esqueci esse conto, e vou passa-lo adiante, para que meu filho conte aos filhos dele, assim como meu pai fez comigo e meu avo fez com ele.
—Seus avos com certeza são pessoas maravilhosas. Por hoje, vamos dormir. Amanha você vai receber a coroação como novo líder do clã Li, não é? Será um grande dia.
O casal depositou o filho dentro do berço e foram se deitar sob o olhar de todas as estrelas daquela noite.
Para quem quer que ainda estivesse acordado, se escutassem bem, poderiam ouvir uma leve risada infantil vindo de algum lugar, mas eles jamais saberiam de onde vinha. Quem conseguiu ouvir, apenas continuou sua vida, imaginando ter escutado coisas. E assim, todos os dias e inícios de noite, a primeira estrela apareceria esperando receber o próximo pedido.
Peça sempre seu desejo para mim
Eu estarei aqui para ouvir
Seja onde estiver ou o que quiser
Mas peça com cuidado
Vou tratar de te atender
Mas a vida não dá nada por satisfazer
Fale com o autor