omega
4 1.3 Family ties
Notas iniciais
Capítulo três: Laços familiares
Palavras: 3771
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Me sinto sozinho apesar de estar em uma sala praticamente lotada. Deve ser por esse motivo que um evento nomeado de "Exposição de Arte da Família do Século 21", não me agrada nem um pouco, afinal que bagagem eu possuo para falar de família?
Quando os professores quase imploraram para que eu participasse, me senti no vazio, como se todas as minhas memórias tivessem sumido. Nada aparecia em minha mente e praticamente no limite de tempo que eu tinha para montar o meu mural, resolvi fazer a única coisa que eu me orgulhava: desenhar.
Ando por entre os alunos até um mural vazio no canto com meu desenho em mãos. Não demora muito e o trio de meninas aparece me bajulando.
— Deixa a gente ver o desenho, Rhydian! Aposto que está incrível — diz uma delas a qual não consigo lembrar o nome.
Penduro a folha de papel e ela fica centralizada no grande mural vazio. O desenho mostrava um menino nas sombras apenas olhando seus pais, pelos quais foram abandonados, irem embora. Eu certamente não conseguiria um impacto positivo, mas eu precisava fazer o trabalho por nota e não queria desapontar os professores de uma nova escola. Apesar de não mostrar felicidade no desenho, os traços haviam tornado-se em uma bela obra.
A feição que apareceu em seus rostos fora certamente a que eu esperava. Em suas mentes, o encanto pelo menino novo fora substituído por algum sentimento estranho.
— O que isso tem a ver com família afinal? É assustador...
— E estranho — elas fazem caretas em seus rostos rebocados de maquiagem.
Apesar de serem uma daquelas que fizeram um mural espetacular mostrando as diversas qualidades de suas famílias, sei que são hipócritas. Um sorriso no rosto e aparência de perfeição normalmente esconde milhares de segredos não revelados. Então como justo eu sou tão estranho assim? Pelo menos sou transparente.
Irritado com a situação, viro a folha do trabalho e desenho aquilo que elas querem ver. Sol, uma casa e uma família feliz. Típico desenho de uma criança de nove anos.
— Está normal o bastante para vocês? — respondo assim que termino e olho para as três.
Diante do silêncio, confirmo aquilo que já sabia: o evento não se parece nem um pouco comigo e só estava sentindo-me deslocado. Me encaminho pelo corredor para sair logo daquele local se não fosse por uma mão leve que puxa meu casaco por trás.
— Não vai dar ouvidos a elas, vai? — Maddy pergunta confusa.
— Por que não? Você dá — indico com a cabeça até onde está seu mural. Fotos lindas de uma típica família inglesa comum: sua infância, os pais cozinhando, passeios. Mas sabemos que isso é apenas uma máscara para aquilo que é a verdadeira Madeline Smith — Finge ser o que não é. Você é como elas. Bonita e falsa.
Saí andando sem deixar que ela sequer se defendesse e sentei em um banco afastado do lado de fora do colégio. Pude apreciar o momento em que o sol se pôs e quando o céu já se encontrava em plena escuridão.
Do lado de fora conseguia ouvir as palavras da professora homenageando os excelentes alunos ao fazerem e se dedicarem ao estudo dos ancestrais. A atividade em si era extremamente interessante e pude ver no curto momento que passei do lado de dentro do salão que muitos alunos fizeram ótimos trabalhos.
O que me chateava em toda essa situação era que infelizmente nunca soube nenhuma informação a cerca dos meus pais, apenas que fui encontrado sozinho aos dois anos de idade perto da floresta. Desde então tenho morado no orfanato e morando em algumas casas, mas quando as pessoas se cansam, os órfãos são devolvidos ao sistema como se não passasse de um brinquedo velho que perdeu a graça.
Escuto passos pesados vindo de dentro dos corredores enquanto aprecio o evento pela janela do lado de fora do local. Percebo depois de um tempo que a raiva vem de Jimi, mas o garoto mal me olha e segue praticamente correndo para a rua principal.
Depois de um tempo, vou até a professora para que ela contabilize minha presença no evento, aparentemente irá ser significativo nas notas. Maddy do lado de dentro do salão me olha e me chama pedindo que eu vá até lá. Cansado demais, apenas dou de ombros e começo a andar para a casa dos Vaughan, sabendo que quando chegar não irei fazer mais nada a não ser desmaiar em minha cama.
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Na manhã seguinte, sem querer um interrogatório da Sra. Vaughan, acordo mais cedo e meia hora antes do horário já me encontro andando com calma pela floresta.
Noite passada minha mãe adotiva descobriu após uma ligação da escola que teríamos o tão temido por mim, evento dedicado as famílias dos estudantes. Não ficou brava como eu esperava, mas sim chateada de não ter sido comunicada de algo que era banal pra mim, mas aparentemente tão importante para o casal que me adotou.
Sem pressa ando até a escola e quando dou por mim já estou entrando nos corredores. A porta do salão onde o evento acontecera ontem a noite estava cheia de alunos aparentemente curiosos.
Encontro com Maddy, Tom e Shannon no meio da colmeia gigante e finalmente entendo o motivo de tanto alvoroço. Pelo vidro da porta consigo ver claramente todos os painéis e trabalhos completamente destruídos e revirados pelo chão.
E eu que achava que esta seria apenas uma manhã normal, percebi que Stoneybridge não possui nada de normal. Malditas cidades pequenas.
Sem parecer ligar para a faixa amarelo que impedia de qualquer um de passar pela porta, Katrina passa correndo igual a um furacão até onde estava seu bendito trabalho fazendo o restante dos alunos tomarem iniciativa para fazerem o mesmo.
Katrina aparentava estar realmente em pânico. Pelo que entendi da noite passada, ela trouxe uma jaqueta vintage de sua mãe para deixar de amostra e ela neste momento está coberta de tinta e outras coisas que não consegui identificar. Resumindo, muito nojenta.
— Quem faria isso? — Maddy pergunta baixinho, mas a ouço perfeitamente.
Os trabalhos estavam destroçados, sem exceções. Uns apenas derrubados, outros rasgados, mas o pior de todos com toda certeza era o de Tom. Seu mural de fotos de futebol com seus pais fora rasgado como se alguém tivesse raiva. E por mais que já havia passado bastante tempo, farejei esse mesmo sentimento rodeando o salão.
— Não era para ninguém ter entrado aqui — exclama Sr. Jeffries pelo local. Ele vê as expressões de confusão em nossos rostos e entende a frustração de cada um — Apenas não toquem em nada pelo menos, algo aqui pode nos ajudar a descobrir quem foi.
— O que aconteceu senhor? — Maddy pergunta curiosa. Apesar de estar chateada com a destruição de seu trabalho, eu sabia que ela não era apegada com coisas materiais, mas estava preocupada com o estado do trabalho de Tom e o motivo pelo qual alguém seria levado a fazer isso.
— Alguém voltou ontem a noite, depois que a exposição acabou. As câmeras só conseguiram pegar um vulto correndo. Naquela velocidade, no escuro, poderia ser qualquer um dessa escola — e com isso nos deixa sozinhos na sala.
Consigo sentir os olhos de Maddy olhando pra mim. Realmente espero que ela não esteja me culpando novamente. Apesar da feira familiar não me agradar nem um pouco, não é porque não tenho família que isso seja problema dos meus colegas de sala. Todos se esforçaram com seus trabalhos e se existe algo que levo muito a sério é a arte.
Eu só esperava que mais alguém tirasse as mesmas conclusões que eu e que Tom não estivesse aborrecendo outra pessoa. Porque o que os restos de seu mural indicavam, era alguém que em um impulso de raiva queria prejudicá-lo.
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— Esta escola tem tolerância zero em relação ao vandalismo. Diante disso, lamento informar que o baile está cancelado! — a sala torna-se um enorme barulho no mesmo instante — A menos que o vândalo apareça e assuma as responsabilidades de seus atos. Se alguém souber de algo, é sua chance de falar. A classe está dispensada — Sr. Jeffries parecia realmente aborrecido com tudo que está acontecendo, até porque ele foi um dos organizadores do evento.
Tento manter distância de Maddy por não querer sentir-me acusado de algo. Eu saí do evento, discuti com meus pais adotivos e dormi a noite toda. Apenas isso.
Coloco meus livros que não vou usar no dia em meu armário quando vejo Jimi e sua tropa ao meu lado como se estivessem em uma intervenção.
— Garoto Alho é verdade que destruiu o quarto escuro? — pergunta alto no corredor.
— Bati em algumas coisas. Por que quer saber?
— Onde estava ontem a noite por acaso? — pergunta uma das meninas.
— Até onde sei, isso não é da sua conta! — respondo já irritado com tanta acusação sem nenhuma prova.
— Se é inocente, por que não responde? — diz Kay.
— A menos é claro, que estivesse entrando na escola escondido noite passada e acabando com nossos trabalhos — Jimi já estava passando dos limites, então ao perceber meu controle esvaindo-se empurro todos os meus redor e caminho rapidamente até a saída.
Madeline aparece como um vulto e segura minha mão direita fazendo-me finalmente perceber as veias muito mais escuras que o habitual aparecendo como ramos de uma árvore.
— Suas mãos! Precisa tomar mais cuidado — exclama ela nervosa.
— Como se você ligasse para mim! Pensa a mesma coisa que eles, que sou o culpado — respondo chateado, o que me impressiona. A opinião dela conta mais do que eu imaginava. Possivelmente pela ligação de ser da mesma espécie.
— E foi? — ela perguntou com uma cara de culpa.
— É claro que não fui eu, esperava que soubesse disso...
— É que eu vi você do lado de fora do prédio pela janela — responde ela como se isso provasse algo.
— Eu vim, pendurei meu trabalho, vi seus pais e saí logo em seguida — falei exaltado.
— Por que não ficou? — Maddy pergunta.
— Porque... Você sabe, não estou pronto pra isso! Não sou acostumado com uma grande família feliz — respondo baixinho, mas sei que ela me escutou pela mudança de expressão em seu rosto.
— Tudo bem. Acredito em você! — ela diz olhando em meus olhos.
— Obrigado! Não que faça a diferença, provavelmente vou levar a culpa de qualquer jeito. Fui o único que não ficou o tempo todo na feira.
— Não se encontrarmos o verdadeiro responsável — ela sorri como se fosse Nancy Drew diante de um novo mistério.
Nos encontramos com Tom e Shannon no corredor e de lá fomos até o salão onde havia acontecido o evento. Estava exatamente igual e andamos um para cada canto procurando algo que fosse importante.
— O que fazemos agora? — pergunta Tom enquanto andava no fundo da sala.
— Descobrimos um motivo. Se soubermos por que alguém faria isso, podemos descobrir quem foi — Shannon explicava enquanto olhava os trabalhos — Se as melhores pinturas foram destruídas, então o vândalo tinha inveja. Já se apenas um trabalho foi destruído, então a pessoa tinha algo contra ela...
Shannon finalmente percebe aquilo que eu já havia entendido mais cedo e só confirma minhas suspeitas. Ela aproxima-se lentamente do trabalho de Tom onde tinha todas suas fotos em pedacinhos.
— Tom! Com quem você se desentendeu ultimamente? — a ruiva pergunta receosa enquanto todos o olhavam. De alguma maneira a resposta estava debaixo de nossos narizes e eu não sabia por que eu tinha essa sensação. Nós só precisávamos descobrir um jeito de encontrar o culpado.
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— Chama isso de pizza? Meu livro de álgebra é mais gostoso e eu odeio álgebra — fala Tom com uma careta no rosto ao provar a refeição no refeitório.
— Você ficou mal acostumado em Manchester — observa Shannon comendo de bom grado sua pizza mesmo após a feição de confusão no rosto do amigo — A terra da pizza? Onde você foi com seu pai no último feriado...
— É mesmo! Foi fantástico — escuto ele responder mas apenas me atento em suas feições e seu batimento cardíaco acelerado — Você pode montar sua própria pizza!
Reviro meus olhos enquanto ele diz o quão surpreendente e maravilhoso é Manchester, alguns garotos da nossa sala passam andando ao lado da mesa me acusando de estragar seu magnífico baile. Querendo ignorar tudo isso, levanto de forma abrupta com minha bandeja não sem antes ver Maddy atrás de mim.
— Rhydian, sei que está bravo, mas não desconte em Tom dessa forma — ela diz com tom de repreensão.
— Seu amigo está mais bravo do que eu, pergunte a ele.
— Do que está falando? — ela pergunte confusa.
— Olha para ele, olhe de verdade — Seguro em seu braço esquerdo e a viro de frente para que pudesse ver Tom a várias mesas de distância — Ele está mentindo sobre algo...
Ela faz uma careta engraçada onde mostra que está mais confusa que antes. Até algumas semanas atrás eu que não sabia o que era um Wolfblood e ela que não fica atenta aos seus sentidos.
— Hoje está frio. Mais ninguém está suando, então por que ele está? Você deveria perceber apenas pelo batimento cardíaco, é o mais acelerado no refeitório inteiro — eu explico a ela.
Ela passa discretamente seus cabelos pela orelha direita onde já percebi encontrar-se um piercing e por alguns seguidos averígua o refeitório confirmando o que eu havia dito.
— Como você pode ter tanta certeza? — ela pergunta receosa, afinal é de seu melhor amigo que estamos falando.
— Quando você muda tanto de casa e precisa saber mesmo em quem confiar, é muito útil saber quando alguém está mentindo e Tom definitivamente está, apenas não sei o motivo. Acho que cabe a você descobrir, ele confia em você!
Ela me olha sabendo que estou certo, apenas não querendo aceitar que seu melhor amigo acaba de mentir para nós. Maddy chama Tom para conversar na sala escura e eu resolvo deixar em suas mãos e me concentrar apenas em não ser punido por algo que claramente não é minha culpa.
Na aula de arte fomos até o laboratório para realizarmos desenhos gráficos no computador. Era uma ótima ideia se eu simplesmente conseguisse me concentrar. A maioria dos alunos, ou pelo menos aqueles que gostavam de tirar conclusões precipitadas, não paravam de me encarar como se dissessem "Obrigada Rhydian por estragar nosso querido baile".
— Desculpe pela interrupção — diz Sr. Jeffries entrando — Preciso falar com Rhydian Morris na minha sala.
Na cadeira onde estou, consigo ver Jimi rindo como se tudo isso fosse muito divertido. Provavelmente ele me dedurou por estar do lado de fora do prédio na noite passada, afinal ele me viu quando saiu.
Levanto morrendo de medo de ser expulso ou coisa parecida, não querendo deixar os Vaughan tristes já que estão depositando muita confiança em mim. O caminho junto ao docente até sua sala, é simplesmente uma tortura. Quando ambos estão sentados vejo que o interrogatório vai começar.
— Você foi visto por aqui na sexta á noite... — começa ele.
— Sim, eu vim e entreguei meu desenho, mas mudei de ideia e preferi não ficar — expliquei.
— O Sr. e Sra. Vaugham trouxeram e levaram você de volta?
— Eu vim sozinho — falei e me arrependi logo depois. Minha casa é um pouco longe para vir andando.
— Andando? Sozinho á noite desde a sua casa? — pergunta ele com um tom de acusação.
— Não me chame de mentiroso! — eu sentia minha respiração ficar mais pesada e meu auto controle esvaindo-se. Se tem uma coisa que um órfão está acostumado, é com as pessoas nunca acreditando em nada do que falamos, mesmo que eu esteja acostumado não é nada agradável.
"Rhydian, por favor se acalme!" — eu escuto a voz de Maddy como um sussurro vindo pela porta até os meus ouvidos — "Aja naturalmente. Não o deixe saber que pode me ouvir".
—O que aconteceu na sexta á noite, foi muito grave Rhydian. Foi um crime — diz o professor.
— Eu sei disso, mas não fui eu — tento me defender enquanto continuava ouvindo a voz da loba dizendo-me para ficar calmo. Ela me passa instruções do que dizer ao professor e repito sem pestanejar — Eu disse que vim sozinho, mas os pais da Maddy me deram carona. Pode ligar para eles.
Vejo o professor entrando no sistema da escola até a ficha de Maddy onde terá o telefone de sua casa. Se ela conseguiu realmente me tirar dessa furada, saberei nos próximos minutos quando Sr. Jeffries falar com a Sra. Smith.
Eles conversam por menos de dois minutos quando ele coloca o telefone no gancho e vira para mim com a feição de alguém fora da razão.
— Parece que disse a verdade. Está liberado, mas ficarei de olho em você...
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— "Pense que está deitado em um campo". Ótimo jeito de me acalmar — dou risada dos métodos de Maddy para me acalmar enquanto estamos na sala escura — Que coisa horrível!
— Funcionou, não foi? — percebo suas bochechas ficando vermelhas.
— Sim. Agora que Jeffries sabe que não fui eu, não é mais nosso problema — dou de ombros.
— Na verdade, é sim — seu rosto adquire uma feição chateada — Tom foi o último a sair na sexta...
Fico surpreso, apesar de eu saber que ele estava mentindo sobre seu fim de semana com o pai, não achava que pudesse fazer isso.
— O fim de semana maravilhoso em Manchester, nunca aconteceu! — dizer "eu sabia" não vai mudar nada — O pai dele não apareceu e o trabalho dele foi o mais destruído.
— Então fale com ele, não podemos acusar sem provas e é melhor que seja você do que os outros.
Percebo que deixei ela pensativa e este é o momento certo para voltarmos a aula e pararmos de fingir que eu ainda estava na diretoria e ela passando mal. Sim, essa foi sua desculpa brilhante.
Quando entro na sala percebo as feições surpresas e até mesmo irritadas por não terem conseguido me incriminar. Entrar com um sorriso no rosto foi inevitável e a aula continua normalmente até o momento em que Shannon solta um gritinho de felicidade.
— Se lembram da pintura ultravioleta que Kara fez na feira da família? — ela sussurra para nós três — A tinta espirrou por todo lado, então o vândalo deve ter pisado nela.
— Ele não deve ter lavado o sapato porque não sabia disso — eu respondo somando dois mais dois — Mas como vai verificar o sapato de todo mundo?
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— Detector de cocô de cachorro. Mostrem o sapato, por favor! — Shannon com um detector de luz ultravioleta falava para cada um que passava no corredor e durante um tempo, nada apareceu.
Tom vem andando com uns colegas pelo corredor e o momento chegou de tirar a prova. Eu não queria nem ver para falar a verdade. Ele não vai gostar nem um pouco de seus amigos estarem duvidando dele.
— Vai confrontá-lo? — pergunto e já vejo sua cara de cachorro pidão.
— Não tenho escolha. Se ela se aproximar dele com a luz UV, vai ser descoberto — ela responde e vira de frente á Tom assim que ele nos alcança.
— Descobriu algo? — ele pergunta sorridente como sempre.
— Precisamos conversar sobre sexta, sobre o que aconteceu de verdade — ela pergunta baixinho e ele fica confuso no mesmo instante. Isso não vai dar certo — Bem, sei que foi o último a sair da escola...
— Está brincando? — ele pergunta um pouco exaltado esperando a resposta de Maddy, mas quando não recebe nada percebe que ela está falando sério — Acha que eu fiz aquilo com o trabalho dos outros? Se quer tanto saber, é só tirar a prova!
Tom pega o aparelho das mãos de Shannon com uma força desnecessária e oferece para Maddy, obviamente desafiando-a.
No começo ela parece relutar, percebendo que tudo isso não vale a pena. Mas depois de alguns segundos aparentemente pensando no que fazer, ela pega de sua mão e leva o aparelho até os sapatos dele.
Depois de perceber não haver nenhuma tinta e ainda mais chateado do que já estava, Tom sai sozinho pela porta nos deixando sozinhos no corredor e com culpa por pensar nisso. Bom, eu particularmente não confio em ninguém, mas a confiança de Maddy em relação á Tom é importante para ele.
Maddy corre atrás dele e Shannon e eu continuamos no corredor tentando descobrir o paradeiro dos sapatos cobertos de tinta.
Depois de perceber o quão inútil era ficar sentados passando o aparelho nos sapatos de todos, decidimos continuar amanhã, afinal a pessoa poderia estar usando outro par de sapatos.
Me despedi da ruiva e prometi guardar o detector. Jimi que estava no armário ao lado do meu, deixou os sapatos pendurados na porta, o que talvez eu já esperava mais ainda sim fiquei surpreso foi o fato dos tênis brilharem em amarelo no local onde continham a tinta após eu passar o aparelho.
— Quero saber por que fez aquilo! — pergunto sem dar tempo de Jimi entender o que estava acontecendo.
— Sai fora! — ele sai andando pela porta mas pela minha velocidade sobre humana chego antes dele sequer atravessá-la.
Ainda mais confuso e provavelmente sentindo-se pressionado, o garoto não desiste e tenta novamente correr, dessa vez até o lado de fora da escola.
— Fez tudo aquilo só para me encrencar? — ele começa a negar em quase desespero com a cabeça — Você não gosta de mim, então disse ao Jeffries que fui eu! — aponto um dedo para ele querendo colocá-lo contra a parede, sabia que tinha sido ele e agora conseguiria provar.
— Acha que tudo gira em torno de você? — grita ele — Pobre órfão... Não sabe o quanto tem sorte. Ninguém te diz que não é bom o bastante, que é uma decepção. Se isso é uma família, quem precisa de uma?
Sua situação não deve ser nada fácil, seus pais tem cultura asiática e são mais rígidos. Ainda sim, isso não é motivo para descontar seus problemas em alguém que também tem seus próprios conflitos.
Eu sou um órfão, nunca conheci minhas origens ou o porque me abandonaram. Maddy apesar de ter uma pequena família, precisa guardar um grande segredo e não tem ninguém para compartilhá-lo. Tom, depois da separação de seus pais, quase não o vê e Shannon precisa lidar com a pressão dos pais para ir á um psicólogo.
A vida de ninguém é perfeita e cada um luta suas batalhas e Jimi precisava saber enfrentar as dele.
— Da próxima vez que perder a cabeça, destrua suas próprias coisas — com isso, decido que o mistério foi resolvido e me viro para voltar para casa.
— Vai me entregar? — pergunta ele quando já estou de costas.
Mas nem foi preciso uma resposta, seu pai chega de supetão e mostra que ouviu toda a conversa. Alguém aqui está bem encrencado e desta vez não sou eu.
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