nomes ocultos
5 Renascimento de uma coisa antiga
Notas iniciais
“Existência, vida e morte são os pilares que seguram o universo, está escrito como primeiro verso no livro de Evoltron. Na mente de uma criança doente tudo isso pode ser dissolvido na palavra “fantasia”, se você tiver fé o suficiente, poder e fantasia, como Capriccio, você poderia sozinho sustentar um universo, e é isso que ela faz desde que nasceu” Esses pensamentos gritavam na cabeça da Morte.
— Talvez exista algo que ninguém esteja vendo... — resmungava a entidade
Uma ideia então surgiu, tão especial e significativa que ela poderia ser excomungada caso ousasse dizer alto demais.
— A existência é regida pelas oito deusas, a morte é por mim, a vida e seu início foi citado no livro de Herbeos como o início do sistema do universo, porém ele não é regido por ninguém desde o desaparecimento da Deusa Mãe.
Ela se lembrou rapidamente do livro mas a memória foi novamente suprimida por um pensamento.
— Capriccio pode ser a reencarnação da Deusa Mãe.
Deusa Mãe é um ideal, a deusa perfeita que ninguém jamais conheceu, existem ruínas nas terras sagradas sobre ela e um livro que está na mão dos elfos helenos, nele está escrito que ela voltará em seu poder original que iniciou o universo.
Empolgada com a possibilidade, a Morte foi até o templo de Evoltron, onde pretendia consultar a sacerdotisa do conhecimento, porém ela encontrou algo extremamente peculiar. Dezenas de mulheres trajadas com a farda de clerigas do conhecimento reunidas de joelhos, a sacerdotisa de cabelos verdes levantava seu bastão para o alto e pedia por misericórdia e iluminação sobre o corpo de Evoltron que se perdeu em devaneios. Muitas palavras soltas e uma quantidade massiva de energia magica humana foi drenada, algumas daquelas mulheres até chegaram a desmaiar.
Terminado o culto, a Morte que observava atrás do monólito, escondida na sombra do mesmo, emergiu da sombra para a esverdeada luz e perguntou do que se tratava aquilo, surpreendida foi com a reação da mulher sagrada.

— A Imunda não sabe o fruto dos seus próprios pecados?
Sem esboçar surpresa, porém confusa sobre o que foi atribuído a ela mais uma vez, a Morte deu um tapa forte, jogando-a no chão e perguntou:
— Quem lhe deu o direito de insultar uma divindade, como eu?
— Você perverteu o cérebro daquela criança, eu não sei o que você fez mas Evoltron está desacordada.
— O que aconteceu com Evoltron?
— Não está sabendo? Capriccio fugiu, destruiu o laboratório e criou bestas que já mataram algumas centenas, estão sendo caçados por nossas melhores tropas. — Falou enquanto se levantava.
— E você suspeita de mim, nada diferente do esperado por seres como vocês.
— Se não foi você quem mais seria?
Dando apenas um olhar de desprezo, a Morte não expressou nada e saiu do templo engolindo a raiva, ela agora sabia que precisava localizar a garota, porém precisava consultar Evoltron, já que sua sacerdotisa era uma inútil. Esperou pelo despertar do corpo de Evoltron.
O corpo de Evoltron, desacordado, estava num altar, seus olhos brilhavam e ela repetia rapidamente números aleatórios, seguidos de uma longa pausa e a palavra “falha”.
— Zero, dois, vinte e três, três, dois mil e doze, vinte e um, vinte e três, sessenta e nove — Disse Evoltron que parou rapidamente e continuou. — Sucesso
Como que se nada tivesse acontecido, Evoltron se senta em seu leito e percebe que a Morte está ali.
— Mas você é irritantemente ansiosa.
— Evoltron, tem algo que você precisa saber sobre Capriccio.
— Eu já sei de tudo, ela está sendo atormentada por um ser que é personagem em lendas e mitos antigos, seu nome é citado no livro da Deusa Mãe, é Isanael.
Notando que sua hipótese agora parecia um pouco tola, apesar de que algo grande ainda estava acontecendo ali, lembrou-se do livro e o mostrou à Evoltron.
— Isso deve ajudar a localizar Capriccio.
— Qualquer um pode saber para que direção ela foi se seguir o rastro de mortes que provavelmente ela deixou para trás.
— Ao menos olhe para o livro, ela recebeu e disseram pra ela que ele tinha respostas.
Evoltron pegou o livro, já havia o lido há muito tempo, um conto de terror com uma importante mensagem no final, que na realidade não é nada que não seja conhecimento popular básico.
— Bem, baseado nas ilustrações do livr, Capriccio está recriando todo o livro sem ao menos querer, o problema é que no final ela é enviada pro inferno.
— Inferno não existe.
— Considerando os poderes dela, o avanço e o fato de que ela trouxe à vida um demônio mitológico, o inferno não existe ainda. — Dizia com uma voz sem expressões ou profundidade.
— Mas o que está acontecendo com ela?
— Ligue alguns pontos, desenvolvimento cerebral acelerado, se ela fosse manifestar a doença quando criança, ela manifestou quando bebê, provavelmente antes de selar o poder dela, o que resultou na criação de Isanael, ele é a manifestação viva de doenças mentais.
— Capriccio criou ele?
A Morte logicamente passou a entender a profundidade do problema. Ela então se sentou no chão, sem reação nenhuma aparente mas com um furacão interno que foi incendiado com poucas palavras de Evoltron.
— É lógico que como você é a Morte, você vai eliminar esse problema.
A Morte enfurecida se levantou e como nunca, enfrentou verbalmente a deusa do conhecimento, que se manteve calma.
— Morte, seu compromisso é esse com todos, almas passam por você um dia, é o que ela iria querer.
A deusa menor se ajoelhou e implorou para que enviassem outros na caçada e se eles falhassem, ela iria realizar o serviço, seus olhos começaram a molhar.
— É uma oportunidade de testar alguns dos soldados do projeto de expansão imperial, dependendo do nível da loucura que está adoecendo a garota, ela já deve possuir um exército, como na história, espero que ela não tenha conseguido usar almas humanas de verdade, seria uma heresia imperdoável.
Naquele instante, sendo racional, não havia nada que pudesse ser feito para alterar a situação, pensava a Morte. Foi pensando nisso que ela voltou para a dimensão escura de onde ela veio, para pensar e refletir, ela não pretendia matar a garota e sabia que não havia nenhuma pessoa capaz de matá-la e muito provavelmente todos iriam morrer tentando, ela precisava ganhar tempo e era isso que ela fez dando a ideia de outros caçarem no lugar dela.
A dimensão escura é um lugar que como o nome já informa, é escuro, de ar pesado e frio, terra morta e poeirenta. Seu interior era preenchido da alma de todo o ser vivente que morreu, extremamente quieto, as formas de vida nesse lugar são estranhas, a mais poderosa sendo a Morte, que controla e é o que mantém o lugar existindo.
— Pavão das asas negras, apresente-se — ordenava, ao invocar um de seus servos. — Vamos procurar os rastros dela, preciso saber quão lúcida ela ainda está antes de decidir qualquer coisa.
Emergindo de dentro de um paredão de pedras, uma criatura de formato peculiar, uma idosa ave de penas pesadas e extremamente cansada.
A Morte novamente abriu uma fenda para o mundo dos vivos e não demorou para notar o caminho, o sol estava se pondo e por entre a cidade inúmeras casas pegando fogo e rastros de destruição, era óbvio a direção para onde deveria seguir, ao sobrevoar sobre a floresta pôde notar uma construção coberta por corpos de animais, o Calamaro e um exército circulando pela clareira aberta por Capriccio, ela soube então que já era tarde demais, mas ela não poderia desistir, se ela matar Isanael, talvez ela volte ao normal.
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