nomes ocultos
7 Nascimento da Ira
Notas iniciais
Bem como todo o ser divino que está confuso, Morte foi buscar a resposta de seus problemas com a grande deusa conselheira, Dastia, deusa do destino. Viajou com o seu portal até o arquipélago voador, onde estão as sacras moradas divinas, logo que se aproxima é perceptível os diversos monumentos, entre eles, uma cúpula minimalista negra com uma malha de diversas linhas roxas luminosas paralelas verticais e horizontais que se cruzam em ângulos retos, era a morada de Dastia. As proporções de tal coisa englobariam metade da capital de Evoltron, sua imponência escondia dentro de si a, talvez, mais sábia e doce das deusas, Dastia possui a habilidade de saber tudo o que se passou e se passa, e prever os fins que se seguem dependendo dos caminhos que se toma, e foi por isso que a Morte a escolheu.
Parada de frente a entrada do templo, Morte se ajoelhou e pediu permissão para entrar, rapidamente as portas em forma de arco se abriram, o seu interior era simples, um piso azul céu que ilumina todo o ambiente e no seu centro a deusa, que recebeu orgulhosamente a entidade do decaimento, suas paredes negras continham brilhantes constelações e parecia ser uma outra realidade. Ao abrir do portão a cúpula gigantesca era vazia e no seu centro estava a deusa, a Morte andou até Dastia que à abraçou.
— Você deve imaginar que eu já sei de tudo, inclusive o que veio me perguntar.
— Não esperava menos. — respondeu-a rindo, enquanto escondia seu nervosismo.
Com um movimento das mãos de Dastia, surgiu do chão algo que se assemelhava com um espaço acolhedor de consulta, com assentos confortáveis e tecidos finos.
— Já faz muito tempo que ninguém me busca, deusas seguem suas vontades e seus corações, se acham tão poderosas que esquecem que podem errar, no final eu sou subutilizada por dizer o que não querem ouvir.
— Acho que eu te entendo, ninguém gosta de morrer.
— Ninguém gosta da verdade e a morte é a verdade. — disse Dastia com seu olhar distante da realidade.
Surgiu um pequeno silencio, a morte encarou Dastia e se perguntava o que ela quis dizer com aquilo.
— A verdade é a morte, é a solução pro que você veio buscar saber.
— Capriccio deve morrer? Isso não é justo, nada disso é culpa dela pois ela não escolheu!
Dastia se levantou de sua poltrona e começou o seu discurso.
— A lagarta jamais pediu pra se tornar borboleta, porém isso não altera seu destino ou as consequências de tudo o que a borboleta fizer. Tudo está girando em torno de Tod, não Capriccio, pois a garota se tornou apenas um sonho distante.
— Eu não vou matá-la!
— Ela vai morrer de qualquer forma, cabe a você decidir se ela vai pro inferno que ela mesma vai criar pra castigar a humanidade, ou matá-la
.— Eu irei convencê-la!
Dastia suspirou e se despediu, falou que o final seria o mesmo, independente de qual fosse a escolha.
O portal da Morte se abriu e ela saiu de lá, conflituosa consigo mesma, decidira confrontar Tod, novamente pegou sua foice e dessa vez ela traria de volta a garota que ela sabe que ainda existe. Determinada, novamente voltou para a floresta, abriu o portal exatamente na entrada do palacete, conforme invadia, todos os corpos sem alma caiam mortos e suas mãos corriam pelas paredes belas e apodreciam-se com sua presença, as paredes enfraqueceram e cederam, demolindo o centro do palacete e por consequência ele inteiro.
— Tod! Apareça aqui.
Dos escombros, intacta, se levanta Tod, que estava confusa com o que via, chamou seu Calamaro e falou algo em seus ouvidos, ele partiu para dentro da floresta.
— Você precisa acordar Capriccio!
— Eu quero saber quem permitiu que você destruísse meu trabalho? Tanto faz, é muito simples levantar isso de novo.
Os escombros começaram a se recompor, a Morte então correu até Tod e a acertou com o cabo da sua foice, atirando-a para longe, acertando-a em uma das peças de pedra e argamassa.
— Morte, o que tem de errado com você?
— Você não é capriccio e vai sair daqui! — Disse a Morte levantando o corpo da criança e ameaçando-a de socar.
— Oh, está falando da garota? Ela chora todas as noites em meus sonhos.

Com seus olhos em chamas de ódio, ela soca a cabeça da criança que é jogada contra os escombros, porém nenhum ferimento surgiu daquilo, além do corte na barriga da morte, feito por Tod.
— Isso não faz sentido, Morte, você não pode fazer nada, você é impotente.
A morte soltou Tod e deixou uma abertura, Tod chutou-a no rosto com sua perna direita e com sua mão esquerda atravessou suas costas, abrindo seu peito que era vazio, não havia nada ali.
— Essas coisas não me machucam de verdade, sua bruxa!
As feridas no corpo se regeneraram, Tod frustrada chamou seu Calamaro, ele pode ferir a Morte. A fera veio por debaixo da terra, mordendo o torso da Morte, injetando seu veneno de demônio no seu corpo, enquanto a morte furava-o com a lamina de sua foice, ele voava levando o corpo para o alto e então o largou, durante a queda, Tod usou sua magia e lançou diversas lanças que atravessaram o corpo da deusa.
— Não existe mais nada dentro de você! — Gritou a morte em fúria, deitada no chão.— Ela destruiu tudo!
Se levantou e retirou três lanças do seu ventre, esperou pelo próximo ataque, Calamaro desceu do céu e iria causar um grande impacto, a morte então segurou sua foice em posição de ataque e usou da sua magia pra decepar a mandíbula da fera.
— Calamaro! Não.
A feiticeira então se impulsionou até a Morte e usou a magia de Capriccio pra começar a selar a deusa dentro da foice
.— Capriccio, não faça isso!
Morte se contorcia e se fragmentava, sendo lentamente puxada para dentro de sua própria arma, Tod gargalhava e inundava a floresta com sua assustadora alegria, foi quando algo estalou, o processo de selamento parou e a Morte se livrou do selo, dos olhos chorosos do corpo, Capriccio pronunciou sussurrando.
— Me desculpe Morte, mas não permitirei mais que esse corpo faça mais alguma maldade, nem mesmo ferir você, no fim não precisarás me matar, adeus.
Quase que desacordada, a Morte observou todas as construções corpos e tudo que Tod criou sendo lentamente destruídos até que o próprio corpo em si deixou de existir, permaneceu lá por um tempo indeterminado, apagou enquanto se sentia miserável e fraca. No final Dastia estava certa, não havia outra solução, para encerrar o sofrimento de Capriccio, ela precisava morrer, e para poupar a Morte, o doce coração de Capriccio encerrou a sua própria vida naquele mundo, porém sua alma jamais voltou ao vale da morte, onde descansam as almas de quem já morreu. Era naquele momento de derrota que Isanael começava a desenvolver sua nova criação, um ser impulsionado por ira, surgindo apenas como quatro máscaras, todas girando em torno de um mesmo eixo.
— Pobre Pobre Morte, todos os que você ama morrem, todos os seus sonhos são valas sepultadas. — Dizia a face depressiva de Isanael.
— Você jamais será amada novamente. — dizia a face paranoica.
— Você sabe os responsáveis por essa tragédia, as deusas! — Murmurava a feição otimista
— Você irá matá-las! — Gritava a face enraivecida.
— E antes disso elas sofrerão o fardo da ira que eu recebo de você, e as nações que à seguem conhecerão o caos do nosso coração. — Encerrou a Morte, nova encarnação da ira.
Os anos seguintes foram terríveis, Evoltron, tomada por enorme cobiça criada por Isanael, desenvolveu um projeto onde ela poderia conquistar universos novos, e em sua brincadeira permitiu a entrada de um mau maior, Archiri, o demônio com rosto de garotinha, sua chegada rapidamente gerou uma aliança com a Morte, a decadência humana, o caos, o plano de Isanael.
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