(mini)scary

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Comentem !!! : )

A terra encontrava-se preta e morta aos seus pés com restos de cadáveres e sangue misturados cobrindo o solo. Rose tinha lágrimas escorrendo em ambas bochechas vermelhas e delicadas, seu corpo arrepiava-se de medo enquanto ela encarava Peter exibindo um sorriso de escárnio no rosto. Ele divertia-se com seu pânico, parecia que ele se alimentava daquilo e sentia-se cada vez mais forte e poderoso.

A garota queria poder fugir daquilo, aquele pesadelo real que a deixava nos braços da morte e da destruição.

― Oh Rose, mesmo triste você ainda fica bela. — Ele se aproximou dela e a analisava de cima a by Vid-Saver\">baixo. ― Vamos, me fale seu segredo, que tipo de água você tomou quando era criança pra ficar assim tão linda ? — Ele riu sarcasticamente.

Rose tentava respirar de modo calmo, entretanto era impossível. Ela sentia que poderia desmaiar a qualquer momento e talvez fosse até melhor do que ter que encarar os olhos castanhos negros e medonhos de Peter.

― Porque você está fazendo isso Peter ? O que todas essas meninas fizeram pra você agir desse jeito ? — Ela gritou assustada se referindo a todas as meninas que Peter havia matado e torturado a sangue frio da pequena cidade de Whicherfall.

Peter bagunçou seus cabelos dourados e adotou uma expressão pensativa antes de responde-la.

― Eu sou um demônio Rose e demônios matam pessoas para se by Vid-Saver\">divertir. Nos deixa mais fortes, e é claro que ganhamos uma certa reputação, no inferno, dependendo de quantos que nós assassinamos e também na criatividade que temos na hora de matar, essa é a melhor parte. — Ele levantou uma de suas sobrancelhas negras enfatizando o que havia dito. ― Vou te mostrar, só um minuto.

A loira ao perceber que Peter havia sumido tentou fugir, ela estava presa em um by Vid-Saver\">campo by Vid-Saver\">aberto ao lado de um cemitério. A luz da Lua a banhava em um tom fantasmagórico e ao mesmo tempo bonito. Ela se levantou do chão e quando começou a correr, algo a empurrou para trás feito um by Vid-Saver\">campo de força invisível. Rose caiu de costas na terra negra e só constatou que ela ainda continuava sendo a prisioneira de um psicopata, presa em alguma prisão mágica e invisível e totalmente vulnerável a Peter.

Peter voltou acompanhado de Natalie, sua melhor amiga de infância e Rose teve vontade de vomitar. Natalie estava nua, seus cabelos negros e lisos desciam por suas costas delicadamente e assim como Rose, Natalie chorava, as lágrimas descendo vagarosas por sua pele nua.

― O que será que eu devo fazer com essa beleza de mulher ? — Peter passou os dedos pelo rosto de Natalie que tentava soluçar baixinho.

― Por favor Peter, eu te imploro, não faça nada com ela ! — Rose levantou-se do chão a fim de salvar Natalie mesmo não tendo a mínima ideia do que fazer.

― Não...Um corpo exuberante como esse deve ser dilacerado e tenho certeza de que Lúcifer vai aprecia-lo com prazer. — Ele lambeu os lábios e sorriu.

― Sobre o que você está falando ? — Rose falou sentindo-se ainda mais confusa.

― Sua amiga irá de passagem direta para o inferno, eu posso ver isso. Quando olho dentro desses olhos pequenos e verdes posso ver todos os crimes que cometeu e não foram nada misericordiosos. Bonita e venenosa, as preferidas de Alastair e tenho certeza de que ele irá cuidar dela direitinho. — Peter então segurou o rosto de Natalie e seus olhos perscrutaram seu corpo afundo.

― Por favor... — A garota implorou. ― Por favor, não faça nada comigo ! Eu te imploro, faço tudo o que você quiser...

― Mas no fim... — Peter continuou. ― Todas se tornam as mesmas, todas imploram por suas vidas miseráveis. — Então o demônio em forma de menino sacou um punhal afiado do bolso e seus olhos se tornaram totalmente pretos feito piche. Sem hesitar, ele perfurou inúmeras vezes seu abdômen, sangue e carne caindo e se fixando no solo. Uma carnificina.

Rose fechou os olhos e apertou o corpo com seus próprios braços, encolhendo-se. Ela não queria ver a morte da amiga, porém ela podia escutar seus gritos que ecoavam em seus ouvidos mesmo que ela tentasse tapa-los. Gritos de horror.

― Quero que você assista Rose... — Peter falou com um divertimento na voz.

― Pare... — Rose sussurrou e sentiu-se mais fraca e derrotada do que já estava. Não havia mais esperanças, Peter havia acabado com as outras e agora acabaria com ela. Deixaria a melhor parte, no caso, a parte mais dolorosa para o final.

Ele não parava de rir e ria alto, uma risada escandalosa e maquiavélica. A morte dos outros era seu prazer.

― Olhe para mim Rose... Eu só quero o seu bem.

Peter segurou seu rosto delicadamente, suas mãos estavam quentes, e ele adotava uma expressão preocupada no rosto como se não quisesse que nada de ruim acontecesse a garota. Esta queria poder fugir para muito longe dali, se desgarrar de suas garras demoníacas que tiravam a vida dos outros em míseros segundos.

― Por fa-favor... — Rose gaguejava e tremia diante de Peter que ainda a segurava de um modo protetor.

― Não seja igual as outras, não implore por sua vida, isso é patético. — Ele tinha o olhar direcionado aos olhos azuis escuros dela. ― Sabe porquê eu te escolhi Rosalie... Porque você não era parecida com as suas amigas, você só queria o melhor para sua família. Eu também sei reconhecer almas desesperadas.

Então ela se lembrou da primeira vez que o conheceu. Tinha acabado de brigar com Jimmy Carter, que na época era seu namorado. Rose havia saído da festa que alguns amigos da sua escola tinham organizado para o Senior Year na férias de verão, o último ano do colegial. Ela costumava fumar muito quando as coisas ficavam fora de controle e a primeira coisa que fez ao ficar sozinha, foi acender uma bituca de cigarro. A nicotina uma vez que era inspirada para dentro de seus pulmões causava um efeito calmante em seu sistema e Rose apreciava a sensação. Era como se o cigarro a concedesse minutos de paz por um curto período de tempo.

O motivo de ela ter brigado com o namorado era de fato ridículo, o que realmente a estressava e a fazia querer sumir era pensar em seu irmão no hospital com câncer no estômago em fase terminal, em seus pais fazendo o máximo de esforço para seguirem em frente e darem força ao seu irmão. Rosalie só queria poder fechar os olhos e depois de abri-los ver que tudo tinha voltado ao normal e que Sam já não estava tão próximo da morte como estava agora.

Rose exalou a fumaça com força em meio ao vento e suspirou. Estava tentando ser forte para não cair no choro em uma rua escura e deserta. Já havia desperdiçado muitas lágrimas todas aquelas noites ao lado de Sam na cama do hospital que insistia para que ela não chorasse. E chorar agora não mudaria o curso das coisas de forma alguma.

― Você está bem ? — Uma voz calma desvencilhou seus pensamentos e ela virou a cabeça para seu lado esquerdo automaticamente afim de ver quem era seu dono.

A loira se arrepiou ao observa-lo. O garoto possuía belos cabelos cor de ouro levemente bagunçados e até angelicais, mas não como um anjo e sim alguém que parecia irradiar beleza. Rosalie não conseguiu ver perversidade ao analisar seu sorriso que era realmente muito bonito assim como seus olhos castanhos escuros que tornavam-se cada vez mais pretos ao passar do tempo. O estranho era incrivelmente lindo.

― Não. — Rose respondeu e tragou o cigarro mais uma vez. ― Mas o que isso te importa ?

Ele se aproximou e sentou-se no capo do carro ao lado dela com uma expressão curiosa no rosto.

― Acho um tanto estranho uma garota bonita como você estar ai sozinha fumando em vez de estar...Deixe-me chutar, com seu namorado. — Ele sorriu novamente. ― E você não me parece bem.

Rose por um momento achou que ele a estava cantando, mas ao pensar melhor, o tom de sua voz era tão tranquilo e descontraído que provavelmente estava afim de fazer amizade ou conversar com a primeira pessoa estranha que havia encontrado em sua frente. A garota não sabia dizer, o estranho era uma completa charada para ela, um livro fechado que estava pedindo para ser aberto.

― O que você define de estranho eu defino como normalidade. Às vezes as pessoas gostam de ficarem sozinhas.

Então ele tirou o cigarro da mão de Rose rapidamente e o colocou em seus lábios, tragando-o como se fosse um perito no assunto.

― Eu não consigo gostar disso. — Ele admitiu e continuou segurando o cigarro entre os dedos. ― Sou Peter. — Ele a encarou de volta.

Rose sentiu seu rosto esquentar novamente, estava atraída por um garoto que havia acabado de conhecer, um estranho, um alguém que há alguns minutos atrás nem existia para ela. Entretanto Peter era charmoso e divertido totalmente diferente de Jimmy que vivia colocando seus músculos no lugar de seu cérebro. Tudo o que Rose precisava nesse momento era de alguém engraçado o bastante que a fizesse esquecer de seus problemas e Peter parecia ser perfeito para representar esse papel.

― Eu deveria dizer meu nome...

― Mas é muito teimosa para dize-lo. — Peter a interrompeu ainda sem mudar o tom irônico e divertido em suas palavras.

― Sou Rose. — Ela roubou o cigarro da mão Peter e o jogou no chão, amaçando-o com sua bota preta.

Rosalie amaldiçoou o dia que o tinha conhecido, a partir dai as coisas tinham virado um inferno. A garota passou a conversar com Peter mais vezes, terminou com Jimmy e quando deu por perceber, ela estava nos braços de Peter achando que tinha encontrado sua cara metade enquanto Peter matava as garotas da cidade em um massacre sangrento para depois de tudo finalizar Rose.

― Você estava totalmente apaixonada por mim... — Peter dispersou as suas lembranças a fazendo voltar para a realidade sombria. ― Eu te tirei do terror que sua vida tinha se tornado e trouxe sua felicidade novamente, livrei o câncer de seu irmão.

― Você poupou uma vida, mas tirou inúmeras... — A loira fugiu de seus braços, arrastando-se na terra para longe dele e sentindo seus braços arranharem-se por conta das rochas frias e duras que cortavam sua pele. ― Não faz a menor diferença.

― Sempre rebelde e teimosa. — Ele riu. ― Isso me excita.

Rose de repente sentiu-se ser suspensa no ar, seu corpo flutuava como se não houvesse nenhum tipo de gravidade. Peter não desfazia o sorriso do rosto e Rosalie gritou assustada, debatendo-se enquanto sentia seu corpo ser levado aos ares. Petar o controlava.

― Posso acabar com sua vida em segundos...Basta eu soltar você. — Ele disse amargamente.

Ela não conseguia dizer mais nada, sua garganta ardia e os músculos do seu corpo doíam intensamente, mas nada maior do que o medo que ela sentia em seu interior. Rose sabia que já estava morta, não havia mais escapatória para ela recorrer.

Peter levitou seu corpo até estar próximo novamente dela e em um movimento rápido, beijou seus lábios com fúria e desejo. Rosalie grunhiu com o movimento repentino e tentou se largar de seus braços, lutando contra seu aperto forte. Por fim ela mordeu a sua boca e ouviu Peter suspirar de dor.

― Vaca ! — Ele gritou e lambeu seus lábios vermelhos de sangue causados pela mordida de Rose.

Rose ao colocar os pés no chão andou para longe dele e percebeu que o campo invisível que a prendia havia sumido, provavelmente Peter o fizera de propósito para poder caça-la, porém Rosalie não conseguia ficar parada e esperar por sua morte, começou a correr como nunca o havia feito.

A adrenalina se apoderou de seu corpo em conjunto com o medo e a loira correu para um lugar sem fim no meio da floresta escura, totalmente perdida e ouvia os gritos pavorosos de Peter ecoarem para todos os lados.

― Socorro ! — Ela gritou e continuou esgueirando-se pelas árvores quase caindo no chão de exaustão e dor.

Depois de uma meia hora correndo, ela parou para descansar ao ouvir que os gritos de Peter haviam cessado. A floresta escura encontrava-se silenciosa a não ser pelos sons que os animais e insetos dali emitiam. Eu não posso parar de correr, ela pensou, Se parar estarei morta. O problema era que ela não aguentava mais correr, sua respiração estava entrecortada e seu corpo latejava cada vez mais. Mais lágrimas escorreram de seus olhos involuntariamente e Rose fechou os olhos ao sentir a presença de Peter no recinto.

― Você não pode fugir de mim Rosalie... — Peter segurou suas mãos em um aperto firme.

― Acabe logo comigo... Eu não aguento mais. — Rose fungava e tentava respirar fundo em meio ao terror que corria em suas veias.

― Primeiro quero que você sinta a minha dor.

A garota então sentiu a pior dor de sua vida, sua pele começou a arder como se chamas corressem pelo seu corpo, queimando cada centímetro de sua carne, uma dor excruciante que fez ela gritar e gemer desejando morrer o mais rápido possível.

― Esta é uma das dores que senti por mais ou menos trezentos anos no inferno, depois eles se entediaram e decidiram cortar e raspar a minha pele até só sobrarem meus ossos e mesmo quando eu me regenerava de novo, eles voltavam a me torturar vezes seguidas. Eu estou até facilitando pra você Rosa, não quero que nada aconteça com esse rostinho lindo. — Ele afagou delicadamente uma das bochechas da loira. ― É uma pena que você não vai para o inferno, senão eu poderia continuar a te torturar lá embaixo, seria bastante prazeroso !

Rose sentia que seu corpo iria explodir em chamas, o calor de mil infernos tomava conta dela e ela não conseguia ter forças para gritar e dizer para que Peter parasse ou a matasse de uma vez por todas. Quando estava prestes a desmaiar a dor passou tão rápido como tinha começado, sua pele já não ardia mais. Um vento gelado balançou seus cabelos e esfriou seu corpo e imagens surgiram em sua mente como se fossem flashes.

Memórias e lembranças que aconteceram ao longo da sua vida passaram por seus olhos rapidamente e ela sorriu mesmo depois de perceber que estava morrendo. O mundo a sua volta foi ficando cada vez mais escuro e silencioso, a morte carregava sua alma em seus braços como se carregasse um bebê no colo. Ela podia sentir seu espírito se separando de seu corpo quente e vivo e tudo ficar negro declarando o fim de sua vida tão repentinamente.

Peter ao observar Rose morrendo, teve vontade de chorar ao ver que ela continuava com o mesmo rosto sereno e delicado. Parecia que ela estava em um profundo sono do qual não queria despertar. Demônios raramente tinham sentimentos, apenas raiva, ódio e destruição do qual eram alimentados. Porém muitos deles já foram humanos e apesar de ser raro um demônio envolver-se com seu lado humano, Peter acabou fazendo parte dessas raridades por uma fração de segundos ao fitar Rosalie esvaindo-se na sua frente.



Notas finais
Se vocês gostaram, favoritem !! Ajuda muito na divulgação do conto !!! ; )
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!