a mais bela flor selvagem do jardim.

X

Você me ensinou isso, pessoas que ajudam as pessoas, você era um fedelho imaturo que teve tudo na mão, e eu achava que precisar de ajuda era decadente. E quem garante que não era?

Eu fiquei de longe -o tempo todo, eu olhava por você, porque você iria precisar disso em algum momento, precisar de alguém que também estivesse disposto a ajudar sem pedir nada em troca. Alguém que a No. 6 não conseguisse enrolar. Ela nunca conseguiu me enrolar.

Você estava maravilhado com tantos e tantos livros, porque pra você livros clássicos, obras de arte, isso não existia, não é? Não fora do seguro para eles. Você não sabia o que era música de verdade, e sua atuação sempre me fez querer enfiar estacas em sua garganta, mas eu aguentei. Aguentei suas crises de herói e sua sisma em nos meter em roubadas. Aguentei, nem ao menos sei porque.

Ou talvez saiba.

Acho que sei, acho que soube quando eu o puxei pela mão, e você gritou que não sabia dançar, mas eu sabia conduzir. E você estava tão perto. E algo gritou 'beije-o, beije-o...', mas eu não o fiz.

Nós estávamos cheios de sangue, e você mudou tanto em menos de um dia, mas era merda de mais para um ser humano, era difícil de aguentar, e eu via sua ingenuidade escorrendo por entre os meus dedos. E eu estava começando a entrar em desespero.

Eu escutei quando a guarda-cão gritou 'quem tem algo a proteger sempre perde!' e ela estava certa, eu perderia tudo por você. E você abriu os olhos, e eu não sei como exatamente, mas abriu, e algo disse 'beije-o, beije-o...' e tudo desabava, e dessa vez eu o fiz, porque parecia não haver amanhã, e tudo que eu precisava era seus lábios nos meus.

'Beije-o, beije-o.'

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!