“ – mãe eu sou gay! ’’
4 Capitulo 4 Crianças Crescem I
Notas iniciais
“BACK IN BLACK, I HIT THE SACK
I’VE BEEN TOO LONG, I’M GLAD TO BE BACK”
9:30! Puta que pariu! Desci as escadas correndo.
– O guri tá correndo porque?!-diz minha mãe- É melhor começar a caminhar senão eu arranco suas pernas!
Doce como sempre.
–Mãe eu tô atrasado pra escola porque não me acordou?!-meu pai escondeu o rosto atrás do jornal antes de passar o dedo na garganta me avisando que meu tempo na terra havia acabado.
Minha mãe pegou o facão que ficava em cima do armário e apontou pra mim, ela rangia os dentes, suas sobrancelhas se emendaram e eu pude jurar que vi duas guampas nascerem na testa dela, quando ela fica brava até o capeta tem medo dela. Engoli a saliva, meu coração começou a pulsar freneticamente , estava suando frio, meu deus esse será o meu fim.
–Primeiro: baixa o tom; segundo: não sou obrigada a te acordar pra escola, já tem 17 anos e desde que quis ir sozinho pra escola é responsabilidade de si mesmo e terceiro hoje é sábado e não tem aula!
Soltei um suspiro de alivio, minha mãe me empurrou, cai de costas no chão, ela pegou minhas pernas e começou a me arrastar pela casa.
–Mãe! Para! Para! Pai! Pai socorro!.
– Eu é que não vou me meter!-gritou meu pai.
–Se você falar comigo daquele jeito outra vez!...Eu te mato! Eu te mato!
Pensei que ela ia subir as escadas comigo, mas ela me soltou na porta da sala. Minha mãe pôs o pé no peito e cruzou os braços.
–Está avisado- Sorriu pra mim e apertou minhas bochechas- vem tomar café Addae...e não me obrigue a repetir.
Sentei –me junto ao meu pai, dei um tapa no braço dele e sussurrei; –valeu pela ajuda pai. Mas ele apenas riu e disse que eu mereci.
Nossa quando a minha mãe pôs aquele prato de panquecas quentinhas na minha frente senti-me como um condenado que não comia a dias. “O Doce Demônio” , apelido carinhoso que dei a minha mãe e que é claro ela não sabe, sentou-se de frente para mim, ela me olhava com aquela expressão de interrogação e intimidação que sempre me fazia confessar tudo.
–Addae.-chamou ela- Eu pedi pra você dar as boas vindas ao vizinho novo ontem.
– E dai?-Eu não tirei os olhos do meu prato nem um segundo.
– E dai que a mãe dele disse que você saiu correndo assim que viu o garoto...Posso saber porque, melhor, ordeno que me diga o porque.
Suspirei alto e joguei uma olhada para meu pai, ela havia baixado o jornal e também estava concentrado em mim, inferno! E dai que eu sai correndo? Se ela soubesse o que estava acontecendo comigo não me intimidaria daquela forma.
– Meu zíper tava aberto, minhas calças estavam caindo e eu... tive uma súbita dor de barriga que achei que fosse me borrar todo! Comi muito de tudo ontem, tive aquele desconforto e sai correndo.
– Tá... e o que achou dele?- perguntou ela com entusiasmo.
Como assim? Que pergunta é essa? O que eu achei dele? Bem...ele é...bem atraente! Não! Tire agora esses pensamentos da cabeça! Como assim você vai achar um cara atraente.
– Ele parece ser um cara que faz as meninas se ajoelharem.
–Ciúmes?
– Não.
– Acha que Elena vai gostar dele?
– Talvez, ela não fala de garotos comigo.- Mas eu falo de garotos com ela, cara da pra acreditar?!
Recolho meu prato e vou lava-lo, também se eu não fizer isso é pedir pra morrer, me retirei para meu quarto e liguei para Elena.
– Oi Elena?
– Sim... Addae que tom é esse? Tá tudo bem?
– Não! Aquilo Elena, aquilo de novo.
–Atração sexual por um garoto?
–Sim! Cara... a minha mãe pediu para mim dar um olá pro vizinho novo, de boas, fui, até achei estranho ela nunca me pede pra cumprimentar ninguém....enfim, o cara é louro, alto, um pouco musculoso , olhos verdes e uma boca...Elena!
– Sim.
– Porque você não me impede de falar essas coisas absurdas?
– Porque não é absurdo Addae, você não escolheu sentir atração por caras, mas aconteceu e você sente, já tentamos te iniciar com meninas e você resultou num desastre .
– Me atirar pras galinhas da suas amigas também não foi uma boa ideia, não é que eu não goste de garotas sabe? Acho elas incríveis, mas meus sentimentos pelo sexo feminino não são nem uma fagulha comparado ao s do sexo masculino, eu não sei o que eles tem, mas me atrai.
– Não se preocupe o que eles tem também me atrai. Addae já tá na hora de conta pra sua mãe.
– Você é louca?! Meu pai foi general do exército e minha mãe é “O Doce Demônio” ! Doce, mas ainda é um demônio, ela vai me trucidar e meu pai... Ele vai... morrer de desgosto e...a minha mãe vai ficar chocada, talvez ela morra do coração antes do pai...eu não quero magoa-los então eu vou ser o homem que eles querem que eu seja.
– E que homem você quer ser?
Uma lágrima escorreu do meu olhos, tratei de limpa-la com a costas da mão rapidamente, funguei o nariz e ergui a cabeça. Fui até a janela e vi o vizinho, meu coração começou a acelerar.
– Um homem feliz.
– E acha que vai ser feliz ao lado de uma mulher que não ama? É possível ter filhos mesmo sendo casado com um homem, dois homens também são uma família... pense nisso.
Elena desligou e eu fiquei admirando o sol pela janela.
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