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"Droga, cadê o Peter", Sirius Black estava de braços cruzados, batendo pé e olhando para a porta.
Era Halloween e, por mais que os Potter estivessem escondidos, os marotos nunca deixariam de comemorar esta data. Black não estava fantasiado, não tivera tempo para pensar nisso.
Remus estava em missão e aparentemente não poderia ir comemorar com eles. E Peter deveria estar ali há exatos 12 minutos.
O som de alguém aparatando fez Sirius revirar os olhos.
"Está atrasado, Worm... Remus?", ele se surpreendeu ao ver Lupin parado na porta, levemente esbaforido e com um olhar assustado.
Fazia tempo que Lupin estava despertando suspeitas em Sirius após alguns alertas que Pettigrew tinha lhe dado, mas Black não gostava de acreditar que o amigo era um espião.
"Eu fui atacado, Sirius, e Peter estava com eles. Quando eu o vi, ele desaparatou, mas eu tenho certeza".
"O QUÊ?", Black gritou, "que porra você tá falando, Remus?".
Lupin respirou e contou tudo rapidamente. Ele estava em uma missão quando foi cercado por três comensais, todos mascarados, com os quais duelou. Estuporou um e, enquanto se dividia em combater os feitiços dos dois que sobraram, conseguiu arrancar a máscara que cobria o rosto de Peter.
O amigo de infância deles era um traidor.
"Só para você não confiar nenhuma informação importante a ele", Remus completou, sem saber porque Black aparentava estar em pânico.
"Ele é o fiel dos Potter, Remus, não sou eu", eles trocaram um olhar assustado, seguraram na mão um do outro e aparataram para a casa que acabara de ter a porta destruída.
Trocaram outro olhar e entraram correndo. Encontraram James desarmado frente a frente com Voldemort, que apontava a varinha e ria.
"Avada Kedavra".
Sirius se sentiu gelar, mas antes que o feitiço atingisse seu amigo ele levitou o sofá como uma barreira sólida entre eles.
Lupin, atrás dele, já estava com a varinha em punho, sabendo o que lhes aguardava.
Voldemort se virou e olhou para os dois, parados à porta. Enquanto isso, James corria para pegar sua varinha para lutar (mais uma vez) ao lado dos amigos.
A cena se passava em câmera lenta aos olhos do Black. Se chegasse 2 minutos depois, teria perdido seu melhor amigo.
No andar de cima, Lily encarava a porta, desejando ter sua varinha consigo ou saber o que estava acontecendo. Temendo perder o filho e o marido.
Lá embaixo, o trio se esforçava para conter Voldemort. Era três contra um, mas a briga era feia. A sala já estava destruída.
"Crucio", ele gritou para o Potter, que berrou em agonia por poucos instantes, quando Black e Lupin atingiram Voldemort ao mesmo tempo com feitiços não verbais. Fora a primeira vez que viram ele realmente tendo algum tipo de reação, se desestabilizando e precisando se apoiar para não cair.
Durou poucos instantes e ele já estava duelando novamente. Sem que o trio percebesse, Voldemort foi atirando feitiços conduzindo o duelo para onde ele acreditava estar o garoto. Foi levando o grupo para as escadas.
Só sairia dali quando matasse o Potter mais novo.
O plano deu certo: James, Sirius e Lupin se assustaram quando viram Lily de pé e o pequeno Harry no berço. A gargalhada de Voldemort ecoou alta.
Ele se virou na direção da ruiva e James se colocou entre eles sem pensar duas vezes. Foda-se que ele é Voldemort, poderia ser quem fosse. Ele morreria antes de deixar alguém tocar em Lily e em seu filho.
Sirius e Lupin se posicionaram ao lado dele. Com um aceno de varinha, Voldemort fez um feitiço que nenhum deles conhecia e os jogou longe. Lily permaneceu entre o homem e o bebê. Morreria antes de ver qualquer coisa acontecendo com Harry.
"Saia. Saia da frente, sua tola".
Ela não se moveu. Ele empurrou Lily com a mão mesmo e ela tentou lutar contra, sem se deixar cair e desejando mais que nunca sua varinha ali.
Voldemort apontou a varinha na direção do bebê, ainda com Lily tentando voltar para frente do berço, e repetiu o que já havia dito antes, em direção a James, sem sucesso.
No canto do quarto, James, Sirius e Lupin tentavam chegar até eles, mas seja lá o que Voldemort tinha feito, criou uma barreira que os impedia de chegar.
"Avada Kedavra".
O grito dos marotos só não foi mais alto que o de Lily. O desespero na sala era palpável.
Ninguém esperava ver o feitiço ricocheteando e Voldemort desaparecendo, diante dos olhos deles. A barreira que separava os marotos de Lily desapareceu e o trio correu em direção à ruiva.
James, aos prantos, abraçou a mulher, que chorava em desespero. Lupin se apoiava no berço e chorava também, exausto após o segundo duelo da noite.
Quem também chorava era o pequeno Harry, que tinha apenas uma cicatriz em forma de raio na testa. Ele foi rapidamente abrigado no abraço do padrinho.
"Shiu, você está bem, mini Prongs", a voz dele estava rouca e embargada, mas soava suavemente.
"Meu menino", Lily acaricou a bochecha do filho. Em uma carga de emoção que nenhum deles tinha vivido antes, todos se abraçaram, juntos.
O amor tinha vencido.
♡
Quando, no meio da madrugada, Albus Dumbledore recebeu de surpresa os ex-alunos em seu escritório, ele não esperava ouvir tudo aquilo.
Explicou, calmamente, que apesar de o sacrifício não ter ocorrido de fato e Lily estar viva, ela não ter agarrado a oportunidade de se salvar que Voldemort lhe ofereceu e estar ali, agarrada a ele, lutando pelo filho, despertou uma magia antiga: o amor. E essa magia protegeu o pequeno Harry.
Todos choravam e Dumbledore se continha, sem poder contar o que aquilo significava de fato. Já sabia que Harry acabara de ser marcado, mas achava que eram acontecimentos demais naquela noite. Eles não precisavam saber agora que Voldemort retornaria um dia e que caberia a Harry derrotá-lo.
Todos foram para o apartamento do Black e se acomodaram. O quarto de hóspedes continha uma cama de casal, onde James e Lily deitaram Harry no meio deles e se abraçaram. Estavam bem. Estavam salvos.
♡
Lily refletia como quase perdera sua família em poucos instantes. James olhava para a mulher e a criança em sua frente pensando o mesmo.
Selaram os lábios em um beijo cheio de alívio.
O amor venceu.
E o casal tinha certeza que, o que quer que acontecesse depois, o amor deles sempre venceria.
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