love in the fall

7 Day 07 – the "canon fix-it" in other world


Notas iniciais
prompt day 07: canon fix-it (algo como canonizar seu shipp ou situação, de forma adaptável ao enredo original de seu fandom/obra)

Se Harry pudesse voltar no tempo e mudar a vida que levavam, talvez não o fizesse, pois amava Severus da maneira que era e mesmo que sua vida não fosse perfeita, ela estava mais do que agradável. Mesmo assim ele sentia-se tentado a imaginar um universo onde não existisse um Tom Riddle fascista tentando aplicar uma eugenia na qual ele próprio seria uma vítima, se indicasse sua verdadeira origem ao invés de tentar fingir ser o que não era. Pegava-se olhando um mundo onde não houvesse a necessidade de um jovem ser usado como arma de guerra, porque alguns poucos poderosos temiam exercer seu poder para a busca do bem.

Talvez fosse por isso que naquela noite, após um longo e exaustivo dia de trabalho em que chegara em casa tão tarde que mal pudera ajudar Severus a ficar confortável, deitou-se quase esparramado ao lado do outro, somente dando-lhe um beijo casto antes de abraçar seu corpo com as mãos e dizer um calmo boa noite, sendo então imediatamente transportado a um sonho estranho. Nele Harry e Severus eram adolescentes, vivendo os mesmos anos que Harry passara como aluno em Hogwarts, com a diferença que seus pais estavam vivos, Sirius e Remus eram uma constante em sua vida, com Tom Riddle sendo um jovem professor nada agradável, mas excelente em Defesa Contra as Artes das Trevas que nesse universo recebia o nome de Aulas de Defesa e Ataque Mágico-Muggle aula altamente disputada pelos alunos, assim como poções que tinha sua mãe como professora. Enquanto que Sirius, Remus e seu pai trabalhavam como aurores e volta e meia apareciam na escola com o intuito de auxiliar em demonstrações ou aulas extras, a todos os professores que precisassem. Tudo parecia um sonho, mas o melhor de tudo era que ali Severus era seu par, um namorado tão ou mais fiel e amoroso como na vida a dois que levavam fora desse sonho.

Tanto que no presente momento Harry via a si ansioso e muito entusiasmado para uma partida de Quidditch contra Ravenclaw, seu outro eu, um mais jovem na faixa de 16 anos, seguia animado pelos corredores, procurando a figura do seu amado. Não fora difícil encontrar Severus, em uma entusiasmada reunião com Luna e Hermione, que discutiam acaloradamente sobre alguma planta mágica e suas reais propriedades. Ele amava ver aquele brilho nos olhos do outro, quando falava sobre a sua paixão, debatendo, pesquisando ou produzindo poções. Era uma visão única de se ver, tão linda que o fazia suspirar de felicidade pela sorte que tinha por ter Severus em sua vida. Ele até mesmo sentia-se mal por querer interrompê-los, mas antes que o fizesse Luna olhou para sua direção para depois então cochichar algo com Severus, que ruborizou-se como um tomate antes de virar para si e caminhar até sua direção despedindo-se das meninas que voltaram a conversar, como se a reunião não houvesse sido interrompida. Harry então analisou o rosto do outro, o nariz bem diferente do que Severus tinha quando adulto, harmonizava com seu rosto, que atualmente estava coberto de espinhas, culpa da puberdade. Harry sentia no fundo da sua mente, que mesmo sendo exímio em poções, ele não conseguira encontrar algo que amenizasse tais sinais de sua adolescência. E ele riu, pensando, ou relembrando-se se assim fosse possível dizer, como o outro ficara furioso por causa disso.

Visualizando tal imagem, Harry quase não notou a chegada eufórica de Severus, que pulou sobre seus braços dando-lhe um abraço rápido, antes de voltar a posar como um estoico e controlado Slytherin, um estudante que não demonstra suas emoções em público. Ele riu, não podendo deixar de pensar em como Severus não mudava de hábitos seja qual universo fosse. Olhando então mais atentamente para o outro notou como o cabelo preso em um rabo de cavalo baixo e com alguns fios da longa franja solto sob as laterais do seu rosto, levava-o a ter uma beleza diferente da normal, única, e Harry sabia que aquilo era tudo para si, pois Severus, que nunca fora muito ligado a questão de cuidados com aparência além do recomendado, passara a luzir mais "enfeitado" – se assim fosse possível dizer –, quando tentara flertar consigo, pretendendo chamar a sua atenção, e após o namoro, pois habituara-se com a ideia de cuidar de si, depois de muita insistência sua é claro.

Harry flutuou entre pensamentos mil sobre Severus, sua relação nesse universo que seu sonho produzira e como o outro era perfeito aos seus olhos. Foi quando notou que estava divagando, pois Severus o chamara e ele não respondia, tanto que o jovem sly precisou dar-lhe um pequeno solavanco para ver se ele reagia as perguntas que fazia.

— Harry, está me ouvindo? Oi, Terra para Potter? Francamente, acho que o melhor seria eu te deixar aqui plantado como um idiota, mas como te amo demais estou aqui como um bobo preocupado contigo. Fale-me o que você quer? — Pedia firme, mas sem estar realmente brigando com ele, pois sempre usava um tom ironicamente engraçado quando falava consigo, um teor ácido que poucos conseguiam distinguir.

— Estou hipnotizado pela sua beleza — respondeu sorrindo antes de lhe beijar ao tempo que recebeu uma pequena carranca do outro.

— Você é um pouco maluco Harry, estamos em pleno corredor, ninguém precisa ver noss-

— Severus, não fique assim, todos sabem que namoramos, ninguém irá se importar com um simples beijo, além do mais tenho que ser rápido, tenho um jogo em alguns minutos, vim cá só para lhe informar e também poder te ver e assim ficar mais calmo para poder ganhar deles.

— Então está indo para um jogo? Humpf não sei o que vê nessa coisa acéfala repleta de violência que vocês chamam de Quidditch.

— Por favor Severus, não vamos discutir isso ok. Só me dê um beijinho e um abraço, preciso de sorte nesse jogo — então dito isso, beijou-o para em seguida dá-lhe um forte abraço antes de seguir correndo castelo afora e gritando incoerências, pois Severus que estava ali parado a o observar não conseguia mais distinguir as palavras que saiam de sua boca, mas torceu intimamente para que ganhasse o jogo. Foi então que ele acordou, com um chute certeiro do bebê sobre sua bexiga. O coração disparado e uma vontade de urinar que o estava matando, mas com os braços pesados e firmes de Harry ao seu redor era difícil sair da cama.

— Harry, querido por favor me solta, eu preciso ir no banheiro — pedia gentilmente enquanto puxava os braços de Harry para fora de si e com uma força que quase não tinha. Conseguiu após algumas tentativas, e correu ao banheiro o mais rápido que sua barriga o deixou fazer, aliviando-se assim que sentou ao sanitário, Estava no paraíso, enfim. Ao voltar para a cama, encontrou Harry esfregando os olhos e fixando-se em si com ar de preocupado.

— Banheiro? — Perguntou com a voz embargada de sono.

— Sim, o bebê tem um ataque perfeito, creio que puxará ao pai — Severus respondeu, enquanto deitava-se novamente na cama, com Harry o abraçando outra vez.

— Eu tive um sonho muito estranho agora a pouco, não me recordo muito bem, mas nós dois vivíamos juntos em Hogwarts-

— Mas Harry, nós já fazemos isso, não que agora estejamos o fazendo, pois estamos em nosso lar longe do castelo, mas não é anormal sonhar com isso — ditou Severus interrompendo-o.

— Não Sev, no meu sonho era diferente. Nós dois éramos jovens, adolescentes e você era tão lindo, ainda é. Imagino como seria o seu rosto depois que envelhecêssemos ali naquela realidade — indagou ilusionado, abraçando-o com mais força.

— Eu não deveria sentir ciúmes de uma versão de mim mesmo em seus sonhos, mas estou sentindo Harry — respondeu-lhe a sorrir, inundando o quarto com um som cristalino e agradável do seu riso doce.

— Mas você era bonito Severus, será que você era assim na infância? Eu vi algumas poucas fotos suas, mas você sempre estava tão triste em todas elas. E se você visse meu sonho? Poderia me falar se o que estou pensando é concreto — e dito isso conjurou um accio não mental, trazendo a penseira para a cama, depositando-a sobre suas pernas, após sentar do seu lado, colocando as poucas lembranças do sonho dentro dela e deixando que Severus adentrasse nas mesmas. Ao tirar sua cabeça de dentro do líquido azul cintilantes que flutuava no objeto, Severus olhava para si com um rosto chocado.

— Você está bem? Severus, amor, por favor fale comigo — pediu Harry preocupado.

— Seria uma loucura se eu dissesse que sonhei com a mesma coisa?

— Sério mesmo? Mas como isso é possível?

— Algumas vezes a conexão entre os casais é muito forte, e com um bebê a caminho isso se intensifica, o que pode gerar sonhos compartilhados. Talvez se voltarmos a dormir, possamos concluir o sonho, pois se me lembro bem alguém precisa ganhar a taça para poder me presentear com uma rodada de sexo — ditou animadamente, enquanto montava sobre as pernas de Harry, beijando-o firmemente ao tempo que jogava a penseira para longe, deixando para lá se havia derramado a lembrança sobre o tapete ou não. Pois o que importava no momento, eram as mãos firmes de Harry apertando o seu corpo, delineando suas curvas enquanto dizia obrigado por existir em minha vida Severus.

Notas finais
arte do capítulo por CorgiNub → http://dogpawprints.tumblr.com/post/178843164460/flufftober-7-canon-fix-it-to-be-honest-i-didnt