konoha Soldiers
5 Capítulo 5: Lembranças
Notas iniciais

Sasuke tinha o coração acelerado, sua respiração era rápida assim como seus passos. Naquele momento a sua ultima preocupação seria ser visto por alguém. Seus pensamentos eram todos direcionados a Sakura e Naruto. A aflição em seu peito era a mesma do dia da morte de seu Clã , com isso não conseguiu se segurar e seus pensamentos o levaram para o pior dia de sua vida.
"O pequeno Sasuke havia entrado em uma espécie de depressão devido às brigas constantes de seus pais. Ouvir tudo aquilo era torturante demais para uma criança.
Seu pai era muito rígido e passava a maior parte do tempo no trabalho, ele era delegado do Konoha, já sua mãe era dona de casa, uma ótima pessoa e amável com todos. Por fora qualquer os rotularia como a "família perfeita", porem por trás dessa mascara na verdade havia muita dor e sofrimento.
Uchiha Fugaku era um bêbado viciado em jogos, chegava quase todos as noites embriagado depois de longas horas de jogatina em cassino clandestino, com isso ele em pouco tempo havia acumulado uma enorme divida e a situação piorou quando seus devedores haviam ameaçado sua esposa e filhos por meio de ligações de números restritos e perseguições durante o dia.
Mikoto já não agüentava mais aquela situação todas as noites eles discutiam, mas naquela madrugada em questão a coisa havia saído do controle. Não agüentou quando seu marido mesmo sabendo da situação embebedou-se novamente e voltou aos jogos. A discussão estava seria, ela pouco se importou em ser ouvida pelos vizinhos, já desabava em lagrimas enquanto discutia com Fugaku que também estava fortemente alterado devido ao álcool.
Ouvindo tudo aquilo do Segundo andar estava Sasuke , angustiado pela situação, se encolheu e tentou abafar os ouvidos com o travesseiro, porém foi em vão, a agonia em seu peito só aumentava a cada grito que ouvia, o choro de sua mãe o entristecia, então ficou em pé na cama e abriu a janela que ficava ao lado, como já estava habituado a fugir dos castigos quando queria jogar bola, se impulsionou na beirada da janela e pulou para se segurar em um galho da enorme árvore próxima ao seu quarto, assim o fez, desceu devagar e com cuidado, quando seus pés tocaram o chão, correu para o portão de entrada e sem muita dificuldades o pulou.
Andou por algumas ruas desertas àquela hora da madrugada até chegar a um parque, lá se sentou no balanço, sozinho começou a se impulsionar para se balançar, solitário e triste, ele não tinha a quem recorrer, a não ser ao silencio e a luz da lua, se pudesse correria para o irmão mais velho, mas ele havia ido para um colégio militar e já fazia algum tempo desde a ultima ligação que receberam dele, somando mais um motivo para se sentir sozinho.
O pequeno fazia força para não chora, mas a angustia em sem coração clamava por sair e então ele puxou o capuz de seu casaco cobrindo a cabeça e chorou colocando aquela tristeza para fora, mesmo sendo tão pequeno ele não gostava de chorar, seu pai sempre dizia que “chorar é para os fracos” e Sasuke sempre acatava o que seu pai dizia para impressioná-lo assim como Itachi sem qualquer esforço, ele ia bem na escola , quando se metia em brigas sempre se certificava de que seu pai nunca soubesse, as vezes pedia para que sua mãe guardasse segredo para não decepcioná-lo, era um bom filho, mas parecia nunca agradar o pai.
Limpou suas lagrimas na manga do casaco, já se sentia um pouco melhor, então resolveu voltar para casa, estaria em grandes problemas se seus pais não o achassem em seu quarto. Levantou-se ainda com o capuz na cabeça, colocando as mãos nos bolsos, até ao longe conseguiu ouvir a sirene de carros da policia, algo que atiçou sua curiosidade e como não queria que nenhum amigo de trabalho do seu pai o levasse para casa o dedurando, se abaixou atrás do escorrego para que ninguém o visse e esperou que policia passar, contudo estranhou a quantidade de carros que estavam juntos e corriam em alta velocidade, seguiram pela pista e viraram na mesma rua que mais ao longe se encontrava a casa do pequeno. Sem nem mesmo pensar ele seguiu para seu lar, algo lhe dizia que tinha acontecido uma coisa muito ruim, um pressentimento mau lhe encheu o coração, e quanto mais isso lhe vinha à mente mais rápidos eram seus passos, até que se viu correndo pela rua já ofegante. Quando virou a esquina, havia vários carros de policia estacionados na frente da residência, muitas pessoas se aproximavam dos carros. O perto que sentiu só o impulsionou a ir até lá o mais rápido que suas pequenas perna permitiam, ao chegar, aproveitou-se de sua agilidade e estatura e se enfiou no meio das pessoas, quando ouviu um policial dizer:
—Central, é isso, acabamos de olhar as filmagens, parece que o filho mais velho do casal que cometeu os assassinatos, ele estava armado. O filho mais novo não foi encontrado — Disse o homem segurando o rádio comunicador da viatura.
Sasuke permaneceu estático, não acreditou no que acabara de ouvir, tinha que ver com seus próprios olhos, então seguiu o caminho para dentro da casa. Alguns policias tentaram segura-lo mas ele desviou e entrou, passou pelo portão principal correndo e viu a porta do hall de entrada aberta....”
Já estava a menos de 20 metros da cabana. A única coisa que se ouvia eram tiros por todos os lados, teve o total cuidado de se abaixar entre as arvores, não tinha como saber de onde os tiros vinham, mas sabia que havia um confronto. Pelas ultimas informações passadas por Kakashi, provavelmente ele estava no meio da troca de tiros, pelo menos tinha a certeza que um de seus companheiros não haviam morrido.
Quando finalmente se encontrou com as costas da casa, seguiu pelas beiradas de forma rápida, não podia se dar o luxo de ficar tão exposto. Chegou à entrada e suas mãos suaram frio, com isso sentiu um arrepio na espinha, fechou os olhos para se concentrar ,então pegou a pistola na calça e se preparou para entrar dando um chute na porta com toda sua força e ela se abriu...
“As luzes estavam acessas e assim que entrou deparou-se com a pior coisa que uma criança poderia ter visto, seus pais estavam mortos, ensanguentados e jogados um por cima do outro. Inicialmente ele não teve reação só conseguia olha aquilo sem acreditar, pedia para Deus que aquilo fosse uma brincadeira, não poderia ser verdade. Andou até os pais e se ajoelhou próximo a eles.
—Por favor, acordem, eu não quero brincar disso – dizia com muita dificuldade enquanto as lagrimas escorriam, ele fazia carinho nos longos cabelos negros de sua mãe – Por favor! Mamãe, papai, acordem!
Um policial dentro da casa, o pegou tentando tira-lo dali, Sasuke foi relutante, gritou o mais alto que podia e tentava se liberta das mãos do homem, entretanto não conseguiu, o arrastava para fora da grande casa enquanto ele via a imagem de seus pais ficarem cada vez mais distantes...”
A única coisa pode ver foi a cabana vazia, estava preste a dar mais um passo para entrar quando sentiu um cano de uma arma próximo a sua cabeça.
—É você... – Sakura sussurrou soltando um longo suspiro aliviado — Naruto está lá fora, você precisa ir ajudá-lo!
Sasuke nada disse, apenas olhava a médica um pouco surpreso, ela havia sido rápida o suficiente para apontar a arma para ele e até matá-lo se quisesse, mas quando se deu conta do que aconteceu e ver que apesar da situação estava tudo bem, sentiu um alivio enorme no peito, não conseguiu segurar seus instintos e abraçou a rosada.
Sakura ficou estática, esperava qualquer reação do moreno menos essa, que brigasse com ela ou que simplesmente a ignorasse, mas lhe dar um abraço necessitado como aquele? Nunca. Ela podia sentir sinceridade naquele toque, o quanto ele precisava daquilo, mas quando entendeu o que estava acontecendo ficou totalmente vermelha como tomate, para ela parecia que o mundo havia parado, porém não haviam se passado nem 5 segundos. Ele a soltou, pegou a mão da rosada e entrelaçou os dedos nos dela puxando na para fora da cabana, nada disse só se deixou ser guiada por ele. Felizmente ela estava com sua mochila nas costas, sabia que se precisasse sair correndo as apresas não teria a chance voltar para buscá-la então achou melhor se prevenir.
Saíram da cabana em silencio , Sakura teve vontade de perguntar para onde eles iam ou se estava tudo bem, mas sua consciência lhe alertou que era melhor ficar quieta e que o foco dela seria sair viva dali se possível.
Só se ouvia as balas rasgando o ar e os disparos vinham de varias direções, com isso Sasuke não teve muita certeza da onde se poderia ir, ele seguiu com Sakura até a floresta novamente, ficando ainda próximos a casa.
A médica pareceu nervosa ao seu lado, ela só o olhava espantada e mais calada do que de costume, também como poderia reagir bem aquela situação? Nunca havia estado no meio de um tiroteio, contudo sempre passou por rigorosos treinamentos para aquele momento, mas nem isso lhe impediu de sentir fortes dores de estomago pelo nervosismo que sentia. Só conseguia pensar em segurar o refluxo com todas as suas forças. Sakuke olhou por alguns segundos para ela e percebeu sua angustia, tentou confortá-la apertando e entrelaçando ainda mais seus dedos nos dela, o que pareceu fazê-la se dispersar um pouco dos pensamentos ruins e se acalmar.
Quando notou que estavam “seguros”, Sasuke soltou a mão da rosada, pegou seu walk talk mais uma vez, e tentou contado com Kakashi. Não havia noticias de Naruto desde a ultima vez que Sakura disse que o vira, estava preocupado com o amigo, mas tinha ciencia que o mesmo sabia se cuidar muito bem. Não seria sua primeira missão de alto risco, mas nunca se sabe o dia que ira partir...
—Kakashi, esta ai?- disse soltando o botão.
Sasuke não teve resposta, logo após as palavras ditas, só se ouvia um chiado alto, provavelmente uma interferência, o que fez Sasuke se irritar e soltar um rosnado frustrado. Olhou para sakura como se fizesse uma escolha, abandoná-la ali e ir salvar seus companheiros ou seguir com a missão. De imediato a médica entendeu o que se passava na mente o tenente, sentiu medo, mas seu consciente só conseguia gritar para si o quanto ela seria egoísta se o fizesse desistir de salvar seus amigos por sua causa, não era uma mulher fraca e nunca foi, mas como qualquer outra pessoa tinha seus medos e não evitá-los todas às vezes.
O tenente sabia o protocolo de como agir naquele tipo de situação, deveria dar continuidade a missão e confiar em seus amigos, talvez fossem isso que devesse fazer, não podia colocar tudo a perder e muito menos deixar o esforço deles ser em vão. Concluiu que o melhor a se fazer era seguir em frente. Olhou para Sakura e apontou com a cabeça como se disse “siga-me” e assim a rosada fez, ainda um pouco assusta. Cautelosamente andaram pela floresta, se esgueirando e se escondendo a cada barulho que ouviam.
E assim fizeram por longas horas. O tempo pareceu piorar, quando já se dava o crepúsculo, a céu estava escuro e nevava, em pouco tempo a neve estava forte demais para que eles continuassem. Sakura havia o acompanhado por horas sem sequer trocar uma palavra com ele, o Uchiha estava serio, não parecia querer conversar e muito menos lhe explicar para onde iam. Estava exalta e faminta, havia apenas tomado um pouco de café pela manhã e também não tinha dormido muito. Queria pedir para descansar um pouco e talvez comer algo, a neve estava tão forte que tinham dificuldades de se locomover, quando já sentia sãs forças se esvaindo, parou e chamou Sasuke o mais alto que conseguiu. O vento e a neve abafavam muito o som da sua voz.
— Eu estou muito cansada pra continuar... Está muito frio – disse por fim apertando os próprios braços.
Precisou concordar, eles poderiam morrer e além do mais não teriam energia para seguir caminho ou lutar se fosse necessário. Olhou em volta e conseguiu ver que a alguns metros havia uma fresta em um dos relevos da montanha, era um pouco apertado, se dessem sorte ela sair maior por dentro, mas daria um ótimo abrigo temporário.
— venha comigo- ordenou ríspido. A rosada apenas o seguiu, estava muito cansada para discutir se aquele lugar era o mais apropriado para se passar a noite.
Sasuke entrou primeiro com um pouco de dificuldade e logo após auxiliou a médica a entrar. A caverna era pequena, mas tinha espaço suficiente para os dois ficarem confortavelmente. A única claridade que adentrará era da estreita frecha que eles entram. A temperatura ali dentro nem se comparava com a de fora, só de não sentir aquelas rajadas de vento lhe faziam bater os dentes já era algo para se orgulhar.
A rosada olhou em volta e só conseguiu ver neve e algumas rochas pontiagudas, mas não se preocupou muito, pois estar aquecida e poder descansar já desfazia qualquer reclamação que ela tivesse sobre aquele lugar.
Ela sentia-se angustiada, estava preocupada com Kakashi e Naruto, até o momento eles não haviam dado sinal de vida , o que a deixava muito preocupada , mas não tanto quanto Sasuke. Durante todo o percorrer da caminha deles, Sakura viu o tenente pegar seu walk talk varias vezes na falha tentativa de contatar seus amigos, sentia pena todas as vezes, ele sempre ficava muito irritado inicialmente e logo após parecia estar desolado , porém nunca desistia. E lá estava ele novamente, próximo a entrada, tentando mais uma vez, Sakura o olhou preocupada e também triste. Sasuke chamou por eles algumas vezes, mas como da primeira vez a única coisa que se ouvia era um chiado irritante
Passado alguns minutos Sakura percebeu repentina fixação de Sasuke por algo do lado de fora, o moreno se abaixou bruscamente e fez o gesto com a mão para que ela fizesse o mesmo.
—Estão procurando por nós- Sasuke sussurrou, ainda olhando para fora.
Sakura sentiu seu coração disparar, novamente aquela sensação ruim lhe tomou, uma profunda ansiedade e medo lhe atingiram, havia sentido isso quando ficou sozinha na cabana após Naruto deixá-la.
Sasuke estava concentrado, olhava os homens em meio à neve, estavam com enormes casacos e também armados. Um deles começou a se aproximar, não que tivesse os visto, mas ia de forma intuitiva, quando Sasuke o viu poucos metros de distancia, cautelosamente pegou seu rifle no chão sem tirar os olhos do inimigo e puxou para junto de si, mas para seu alivio na metade do caminho o grupo pareceu chamá-lo e ele os seguiu. O Uchiha apenas soltou a arma no chão novamente e olhou para Sakura, ela parecia nervosa e o olhava como quem pergunta “Eles já foram?”, Sasuke respondeu apenas de forma positiva com a cabeça, ela soltou um suspiro aliviado.
Algumas horas se passaram, Sakura havia se enrolado em alguns lençóis que trouxe na mochila, estava sentada no chão, encostada em um das rochas e totalmente distraída com seus pensamentos, enquanto Sasuke havia posto apenas mais um casaco por cima do anterior que usava, ainda estava próximo a entrada fazendo a vigia muito cansado, mas teria que fazer o Maximo que pudesse para manter os dois vivos, dormiria algumas horas durante a madrugada e depois voltaria a vigia. Tentando distrair um pouco a mente começou a reparar melhor o local e parou exatamente onde a rosada estava, ela parecia preocupada e quase não haviam trocado palavras desde que saíram da cabana, então tentou falar sobre qualquer idiotice para que talvez ela se acalmasse.
— Tem algo para comer na sua mochila? – perguntou quase em um sussurro.
Sakura pareceu despertar de seus pensamentos e olha para o moreno ainda desanimada.
— Sim... – disse se remexendo entre as cobertas tentando sair do meio delas- Acho que só tenho um saco com biscoitos de água e sal...
Sakura mexeu na mochila em busca de algo com mais sustância para se alimentar, biscoitos de água e sal não seguraria sua fome, vasculhou o fundo e achou algumas barrinhas de serial, sentiu-se feliz por aquilo, com um pouco de chã que tinha guardado em uma pequena garrafa térmica ela e Sasuke poderia ao menos tapear a fome por algumas horas. Retirou os alimentos da mochila e os levou até Sasuke que também pegou um saco de dentro de sua mochila.
—A única coisa que eu tenho é esse saco de ração humano, não é das melhores, mas vai nos dar um pouco de energia se isso é possível... – dizia enquanto abria o saco.
Os dois comeram pouco, não sabiam como seria o dia seguinte, talvez não conseguissem alimentos e essa seria a ultima coisa que teriam para comer.
Sakura novamente se enrolou nas cobertas e se apoiou na parede rochosa, adormecendo logo em seguida. Sasuke por sua vez achou melhor fazer vigia, mas depois de algum tempo concluiu que nevava muito para que alguém tivesse a audácia de sair debaixo daquela tempestade a procura deles, então se recostou próximo a Sakura e também pegou no sono.
“- Pobre menino... – Uma senhora comentava com a outra através de cochichos.
Sasuke já estava acostumado a ouvir esses tipos de comentários, por diversas vezes ouvia esse tipo de coisas pelos corredores. Havia se passado um mês desde o dia da morte da sua família, não havia com quem ficar, então o levaram para um orfanato.
—Está sozinho no mundo. Me parece que o irmão mais velho matou os pais e seus tios, uma chacina... – sussurrou
Sasuke estava lendo um livro no sofá da sala recreativa do seu novo, porém não desejado lar. Era a única coisa que lhe distrai um pouco a mente de todo aquele turbilhão de pensamentos, não que não existisse outras coisas para se fazer, mas ele mesmo não queria. As crianças tinham medo dele devido a sua ignorância e aos rumores sobre o que aconteceu. Então a única coisa que lhe estou fazer era ler ou se esconder no quarto durante a noite e chorar para colocar esses sentimentos ruins para fora.
Já era a terceira vez que relia aquele parágrafo, não conseguia se concentrar devido à conversa das funcionarias do orfanato, isso o irritava muito, as pessoas sabiam ser inconveniente quando era em relação a ele.
—O irmão está desaparecido até agora.
— Você acha que ele pode crescer e virar um assassino?-indagou
—Esse menino é muito estranho... Não sei dizer, mas a psicóloga dele mandou ficarmos de olho nele – respondeu a mais velha.
—Também com uma família assim, não me surpreende... –Fez uma pausa – Soube que o pai era um bêbado viciado em jogos e que a mãe tomava remédios controlados.
Sasuke sentiu o sangue ferve. Elas não sabiam de nada, não imaginavam o tamanho do sofrimento dele e mesmo assim, insistiam em falar sobre esse assunto bem na sua frente como que por ele ser jovem seria sinônimo de burrice ou surdes. Estava farto e muito irritado.
—Calem a boca! – gritou furioso.
A mulheres que estavam na porta levaram um susto, não esperavam essa reação do pequeno que agora passava por elas correndo e as empurrando.
O Uchiha correu dali com seu rosto já estava inundado por lagrimas o que dificultava ainda mais a respiração. Atravessou alguns corredores e desceu uma escadaria até dar de cara com a porta principal da casa, a empurrou com força, saindo para o grande campo aberto.
Fora da grande e velha casa havia um rio, este era sempre visitado pelo menino de olhos ônix quando queria esvazia seu coração. Sasuke correu pela margem enquanto tentava limpava suas lagrimas. Ao longe conseguia ouvir algumas mulheres responsáveis por cuidar das crianças gritarem seu nome, porém nem deu atenção.
Não sabia para onde ir, mas retornar não era uma opção. Queria voltar para sua casa, queria sentir o cheiro da comida da sua mãe quando chegava do colégio,do seu quarto um pouco bagunçado,do pai na mesa esperando o almoço enquanto admirava sua mãe fazendo comida, de Itachi estudando na sala e o recepcionando com um sorriso... Queira sua família de volta...
—SASUKE!
A última coisa que ouviu. Quando deu por si já seus pés pisaram em falso e o desequilibraram. Logo após estalar do impacto do seu corpo a água, se sentiu-se submerso, todo seu corpo lutava contra aquilo, mas quanto mais força fazia mais era arrastado pela correnteza, que por diversas vezes lhe fazia descer e logo o arremessava para cima. Já sentia a seus pulmões arderem e seu estômago revirar devido à quantidade de água que havia engolido. Mantinha seus olhos fechados com força e é tateava água inutilmente na busca de algo para se prender.
—Sasuke! — ouviu uma voz conhecida lhe chamar em um tom de desespero
Mas uma vez tentou sair, mas não conseguiu e foi arremessado para o fundo do rio...”
Estava ofegante, por mais que parecesse impossível estava suando. Assim que abriu os olhos sentiu a cabeça latejar fortemente e a claridade incomodou seus olhos, voltou a fechá-los por alguns segundos até se acostumar e abri-los novamente.
—Eu não queira te acordar, mas você parecia bastante aflito com seu pesadelo- Sakura disse pausadamente, estava ajoelhada ao lado do moreno deitado no chão.
Sasuke se sentou com um pouco de dificuldade, passando a mão em seu cabelo e os bagunçando. Estava realmente muito agitado por aquele sonho, lembranças que ele queria esquecer com todas as forças, mas que nunca o deixavam em paz. Buscava se acalmar por dentro e apaziguar seus pensamentos, até que percebeu que um par de olhos o encarava.
— Você está bem?- perguntou singelamente
—Vou ficar... – sussurrou
O Uchiha do jeito que estava puxou a mochila para próximo de si e pegou em um dos pulsos da lateral, um relógio de pulso antigo, porém muito útil. O relógio marcava exatamente 04h30min da manhã, logo o sol nasceria e o Kabuto se encontraria com um dos mensageiros da Akatsuki e como o local de era um pouco longe da onde eles estavam achou melhor saírem dali e seguirem viagem.
Sakura acatou as ordens do moreno e se preparou para irem embora, estava cansada, com fome e talvez se sentindo um pouco nervosa com toda situação, era muito coisa para absorver de uma só vez. O silencio de Sasuke a incomodava, mas preferiu que ele permanecesse, sabia que o moreno estava nervoso, tenha muita coisa em jogo, muitos problemas para que ela ainda viesse enche-lhe a cabeça de perguntas, ainda mais sobre aquele abraço inesperado que a fez corar novamente ao lembrar.
Seguiram por um logo caminho, mas uma vez em meio à floresta branca, como Sakura carinhosamente apelidou. O dia permanecia frio e a neve mesmo que branda ainda caia. Sasuke e Sakura estavam de capuz para se aquecerem, o dia ainda permanecia um pouco escuro, mas já dava os primeiros sinais de que logo o sol apareceria, o céu pintado com tons de roxo e azul escuro fizerem a rosada se encantar e admira-lo enquanto caminhavam. Como estava distraída nem percebeu que Sasuke havia parado e quase bateu de frente com o moreno.
— O que houve?- perguntou curiosa
Sasuke nada respondeu, apenas soltou um suspiro como se um enorme peso tivesse saído de seu peito.
— vê essas marcas na árvore? – perguntou passando as mãos por cima de uma delas – Quando soldados se separam e ficam sem comunicação, eles geralmente marcam árvores nas redondezas para dizer que estão bem...
Sakura abriu um sorriso imenso só de pensar que os dois estavam bem e Sasuke admirou aquilo com um pouco de ternura, porém advertiu.
—Não quer dizer que eles ainda estejam vivos, mas quer dizer que conseguiram sobre viver ao tiroteio – disse enquanto se abaixava e retirava uma faca de dentro da sua bota- Vou marcar aqui novamente para dizer que estamos bem também.
Sasuke fez três riscos um do lado do outro assim como os que já estavam na árvore e as observou com um sorriso de lado, estava feliz por saber que seus amigos estavam bem e isso lhe trazia alguma paz, bem diferente do dia anterior com aquelas lembranças.
Então continuaram a caminhada, Sakura parecia feliz aos olhos de Sasuke, antes suas feições eram de preocupada e se sentindo culpada, mas agora parecia bem mais radiante.
Caminha por alguns minutos até se depararem com um templo próximo ao pé da montanha...
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