Madison: Isso não some. – Rosnou, enquanto Alaric avaliava seus pulsos. Não melhoraram em nada. Os dois estavam sós em uma sala, era meio da tarde. – Todos me questionam o porque eu ando de luvas, Lorenzo quer chamar um médico, é o inferno!

Alaric: Ainda dói? – Perguntou, virando os pulsos dela na mão.

Madison: Não muito, quase nada. Isso não vai sumir? – Perguntou, atordoada – Ric, eu já me machuquei inúmeras vezes, eu acreditei que isso teria desaparecido na noite seguinte!

Alaric: Antes não foi ele a machucá-la. – Disse, observando as marcas negras. Madison ergueu a sobrancelha – Você o ama.

Madison: Ainda esperando o motivo pelo qual isso não some. – Disse lentamente.

Alaric: Você o ama e ele lhe machucou. Por isso a mancha não some. – Ela olhou de Alaric pros pulsos.

Madison: Acredite, essa não é a primeira vez que ele deixa uma marca em mim. – Disse, debochada.

Alaric: Suponho que essa tenha sido a primeira que ele deixou com a intenção de deixar. De machucar, causar dor. – Ela não teve resposta. Era verdade.

Madison: O que eu faço? – Perguntou, derrotada. Alaric pressionou um roxo, fazendo ele sumir... E em seguida reaparecer.

Alaric: Você já tentou...

Madison: Já. – Completou, sem que ele precisasse terminar a pergunta, e ele assentiu, soltando-lhe as mãos sutilmente. Ela apanhou as luvas, calçando-as. Os pulsos não doíam mas pareciam relutantes em obedecer. Ela olhou Alaric, esperando. Os olhos dourados estavam pensativos, distantes.

Alaric: Eu não faço idéia. – Ela suspirou, passando a mão no rosto.

Madison: O casamento está próximo. Eu preciso resolver isso. – Disse, angustiada.

Lorenzo: Mad? – Chamou, a voz vindo do corredor.

Alaric: Eu vou pesquisar. Alguém deve saber. – Disse, vendo ela se levantar, e ela agradeceu com um sorriso de canto.

Madison: Eu estou aqui, querido. – Disse, sumindo no corredor.

Ai estava um problema similar a guerra: Ninguém sabia como resolver.

–--*

O dia do casamento chegou. Elena mal dormiu. Logo pela manhã criadas foram ajudá-la. Prepararam um banho com pétalas de rosas, massagem, logo havia alguém para cuidar dos cabelos... O vestido de noiva, pronto, impecável, estava em um manequim. O castelo (o reino) estava um alvoroço. Porém o quarto dos Malarkey estava quieto. Madison, recém saída do banho, olhava desolada os pulsos. A criada acabara de sair, após amarrar o espartilho preto. Ela suspirou. Tentara de tudo, e a droga da mancha não sumia. Ela se virou para a cama, o vestido preto metálico, luxuoso, passado e engomado. Ao seu lado a caixa com a coroa... E luvas. Ela não agüentava mais. Até que a porta se abriu e Alaric entrou, fechando-a.

Madison: Alaric, que susto! – Ralhou, tendo recuado para se esconder, antes de ver quem era. Estava seminua, só de roupa debaixo. Aquilo era motivo pra morte.

Alaric: Esperei Lorenzo sair. – Disse, entregando uma garrafinha de metal a ela, como aquelas que as pessoas usam para guardar whisky hoje em dia. Ela pegou, confusa. – Beba isso.

Madison: O que... – Ela puxou a tampinha, aspirando o cheiro, então o encarou. Era familiar. – De quem é?

Mas antes que Alaric pudesse responder...

Lorenzo: Mad, você viu onde eu deixei aquela pasta que eu trouxe ontem? – Perguntou, a voz vindo do corredor, cada vez mais próximo da porta. Ela arregalou os olhos, olhando pra si mesma, de roupa de baixo, e Alaric parado ao seu lado. Aquilo seria uma desgraça.

Madison: Ele vai matar você. – Literalmente. – Suma daqui! – Sussurrou.

Alaric: Até a ultima gota. – Ressaltou, e havia sumido. Só deu tempo de Madison esconder a garrafinha debaixo do vestido na cama e Lorenzo entrou.

Lorenzo: O que há? – Perguntou, vendo a expressão dela.

Madison: O espartilho. – Mentiu – Acho que apertei demais. – Completou. Ele observou.

Loenzo: Quer que eu afrouxe? – Perguntou, se aproximando. Ela negou.

Madison: Não precisa. – Ela apanhou uma pasta largada na cabeceira da cama – Aqui está. – Ele apanhou – Vá, eu vou terminar de me arrumar. Não permita que Klaus enlouqueça Damon. – Lorenzo riu, dando-lhe um selinho, e saiu.

Madison respirou fundo, se acalmando. Alaric já havia sumido dali. Ela apanhou a garrafinha, destampando-a, e virou nos lábios. O gosto era particularmente familiar, mas ela não detectou. Com um suspiro tomou o resto em goladas... Até a ultima gota. Quando terminou arfou, olhando os pulsos... E nada. Ela largou a garrafinha, limpando os lábios, e voltou a se arrumar. Bastava aguardar.