Elena dormiu. Muito. Damon não deixava ninguém nem olhar na direção dela, logo era ele que lhe dava os chás, no tempo certo. Mas ela dormia segundos após ser colocada de volta a cama.

Estava pálida, o que destacava as manchas roxas e os inchaços, e os cabelos cacheados estavam soltos a sua volta, nos travesseiros brancos. Damon estava agoniado.

Damon: Eu estou aqui. – Disse, segurando a mão dela, que o olhava, sonolenta. Ela tivera convulsões durante a madrugada e chegou a tossir sangue, mas não vomitou. – Qualquer coisa... – Interrompido.

Elena: É só te olhar. – Completou, sorrindo de canto. – Eu estou tão... – Ela suspirou, olhando pra frente... E dormiu. Damon viu aquilo como uma derrota. Ele pôs a mão dela no lugar e se sentou, respirando fundo. Foi quando Lorenzo e Madison entraram, após bater na porta.

Damon: Porque ela dorme tanto? – Perguntou, angustiado.

Lorenzo: Pense nas surras que ela levou e deixe-a dormir. Antes adormecida que morta. – Assinalou.

Damon: Não tive oportunidade de agradecê-la. – Disse, olhando Madison. Esta dispensou com o rosto, sorrindo – Porque você me mandou soprar ar para ela? – Perguntou, lembrando-se de como fora lento.

Madison: Porque acredite, você não ia querer que eu tivesse o sangue dela em meus lábios. – Respondeu, se aproximando da cama, e Lorenzo riu gostosamente. Ela tocou a veia do pescoço de Elena, observando suas feições – Você a alimentou?

Damon: Ontem a noite. Ela não acordou desde então. – Respondeu.

Madison: Só está fraca. – Disse, observando – E esse osso está quebrado, alguém não devia ter tomado uma providencia? – Perguntou, apanhando o braço de Elena sutilmente. O pulso realmente estava em um ângulo estranho.

Damon: O médico não disse nada. – Disse, preocupado, olhando.

Madison: Me dá licença? – Damon assentiu. Madison checou os ossos de Elena rapidamente, braços, pernas, dedos. Apenas um pulso estava partido. – É, apenas o pulso. E duas costelas, se eu não me engano. – Damon gemeu. Elena, por sua parte, continuou no mais profundo sono. – Eu acho que tenho algo. Com licença. – E ela saiu.

Damon: Ela é sempre assim? — Perguntou, olhando Elena.

Lorenzo: Encantadora, não é? – Perguntou, orgulhoso. – Escute. Defenderei você diante da suprema corte. – Damon o olhou.

Damon: Defenderá?

Lorenzo: Acredito que Klaus e Alaric também. Você não fez nada, não merece ser punido. – Disse, com as mãos nos bolsos – Eu não entrei nessa guerra para perder. – Resumiu.

Damon: Você entrou? – Perguntou, admirado.

Lorenzo: É divertido aqui. – Disse, tranqüilo, como se isso justificasse.

Damon: Obrigado. – Lorenzo assentiu. Nessa hora Madison voltou. Trazia algo branco nas mãos.

Lorenzo: Mad... Madison, em nome de Deus, o que é isso? – Perguntou, confuso.

Madison: Espartilhos são objetos curiosos. – Disse, se sentando ao lado de Elena.

Aparentemente Madison rasgara um espartilho seu, o que lhe dera bastante tecido, e uma espátula de aço. Ela apanhou o pulso de Elena, pondo a espátula cumprida (ia da mão até perto do cotovelo) debaixo do braço dela. Elena se remexeu quando Madison sutilmente pressionou seu pulso, levando o osso torcido de volta ao lugar. Em seguida atou todo o braço dela com o linho branco, imobilizando fortemente, mantendo a espátula lá. Elena havia voltado ao seu sono. No final ficou como engessado, tudo perfeitinho, nem uma linha fora do lugar.

Madison: Vai funcionar. – Garantiu.

Damon: Chamarei o médico novamente. – Disse, acariciando a outra mão de Elena. Lorenzo observava Madison como quem observa um troféu caro.

Madison: Eu preciso de apoio antes que as costelas dela comecem a se reagrupar fora do lugar. – Disse, parecendo falar consigo mesma. – Lorenzo, me ajude?

Lorenzo: Sempre. O que quer? – Perguntou, se aproximando.

Madison passou as duas mãos por debaixo do tronco de Elena, erguendo-a levemente... Levando as costelas a posição onde deveriam estar. Por fim Elena gemeu de dor, franzindo o cenho.

Elena: Hum. – Gemeu, puxando uma golfada de ar.

Madison: Segure-a. – Pediu, e as mãos de Lorenzo substituíram as dela. Ela apanhou um travesseiro, pondo-o embaixo de Elena, o que a faria ficar na posição que devia.

Elena: Estou olhando para você agora. – Disse, olhando Damon. Aquilo doía.

Damon: É pro seu bem. Me perdoe. – Disse, e ela respirou fundo, sentindo Lorenzo deixar o corpo dela relaxar sob o travesseiro. A dor começou a ceder.

Madison: Isso não é permanente, mas se seguir assim não demora muito. – Observou.

Damon: Obrigado. – Elena o encarava.

Lorenzo: Vamos deixá-los a sós. – Disse, e apanhou a mão de Madison, levando-a dali. Logo os dois estavam sozinhos.

Elena: Estou toda quebrada, não é? – Perguntou, rouquinha – Devo estar horrível. – Ela franziu o cenho.

Damon: Sua beleza é imutável. Segue linda. – Disse, beijando a mão dela — Nunca vou cansar de pedir perdão.

Elena: Quando eu melhorar, lhe esbofetearei sempre que você insistir em pedir. – Disse, e ele sorriu – Não há o que perdoar.

Nesse instante bateram na porta. Damon deu autorização para entrar. Era uma criada.

Criada: Senhor... A menina Hope desmaiou. – Informou. Damon gemeu, se levantando.

Elena: Desmaiou? – Perguntou, confusa. Hope era sempre saudável.

Damon: Ela entrou em greve de fome desde que sumiste. Aliás, em greve de tudo. Eu sabia que isso ia acontecer. – Rosnou consigo mesmo – Ficará bem?

Elena: Estarei dormindo antes que chegue ao quarto dela. – Prometeu, sorrindo. Ele assentiu, urgente.

Damon: Eu já volto. – E saiu desembestado pela porta.

Elena suspirou, fechando os olhos. Dormiu quase de imediato. O silencio e o conforto dali faziam bem para ela. O problema é que Damon esqueceu de fechar a porta, que ficou escancarada, para quem quisesse entrar. Que pena.

Damon: Mas que diabo, falei a você, não falei? — Perguntou, irritado.

Hope: Não vou comer e ponto. Papai, não insis... – A menina suspirou... E desmaiou de novo.

Damon: Deu-se a desgraça. – Suspirou, passando a mão no rosto. Klaus gargalhava na porta. – Vá buscar algo para ela comer. – Disse, apanhando o algodão com álcool. A criada saiu — E CHAME O MÉDICO! – Completou.

Klaus: APROVEITE E MANDE O MÉDICO SE MUDAR DE VEZ PARA CÁ! – Emendou, e Damon revirou os olhos.

Damon: Você é uma gracinha, KLaus. – Disse, passando o algodão perto do nariz de Hope. Aos poucos a menina despertou. Damon suspirou – Já não vê que não pode brigar comigo?

Hope: Não é não. – Disse, determinada. Estava prestes a desmaiar de novo.

Klaus: A tenacidade dela um dia ainda vai ser útil. – Disse, observando-a.

Hope: Eu quero Elena. – Impôs.

Klaus: Ela viajou. – Disse, e tanto Hope quanto Damon o olharam com uma cara tipo: Hã?

Hope: Mentira. – Disse, lentamente.

Damon: Precisou ir buscar uns remédios. – Emendou.

Hope: Remédio para quem? – Ela cruzou os braços.

Damon: Por suposto que para mim não é. – Rebateu, erguendo a sobrancelha.

Hope: Não preciso de remédios. E se fosse verdade o senhor teria me dito antes. – Impôs. A menina piscou uma duas vezes e Klaus riu novamente, vendo-a desmaiar.

Damon: JESUS, O QUE FOI QUE EU FIZ? – Perguntou, apanhando o algodão de novo. Levou um instantes para Hope acordar – Vai ficar assim ou podemos encontrar um meio termo?

Hope: Que... – Ela estava meio zonza – Que meio termo?

Damon: Ela vai voltar. – Propôs.

Hope: Quando? – Rebateu.

Damon: Eu não sei. – Disse, sincero.

Hope: Nada feito.

Damon: É tudo o que eu tenho, pelo amor de Deus! – Disse, exasperado.

Hope: Um mês? – Estipulou, erguendo as sobrancelhas delicadas. Damon se lembrou do estado de Elena.

Damon: Dois meses. – Rebateu, e a menina avaliou – É o que posso fazer.

Hope: Se estiver mentindo... – Ameaçou. Klaus estava vermelho de rir.

Damon: Menina, ainda sou teu pai! – Lembrou, incrédulo. A criada entrou com a bandeja, servindo-a na frente de Hope.

Hope: Dois meses. – Lembrou. Damon assentiu e ela se pôs a comer. Ele suspirou, aliviado.

Enquanto isso, na torre mais alta... Elena dormia o sono dos justos. A torre de Damon era confortável, o clima era gostoso, fazia frio, pela chuva. Ela tinha sonhos felizes. Em seu sonho, Damon segurava os braços dela, os dois rindo gostosamente enquanto ele tentava fazê-la cortar lenha. Havia um sorriso de canto no rosto dela. Rose não gostou desse sorriso.

Rose: Faz o que fez, é absolvida e ainda vem parar aqui, tratada assim. – Disse, em um murmúrio para si própria – Não há justiça nisso. Eu vou te mostrar, “vossa alteza”.

E ela apanhou um travesseiro, afofando-o. Elena não se moveu. Nem quando Rose avançou sobre ela, levando o travesseiro em direção ao seu rosto, na intenção de sufocá-la.

O travesseiro estava quase tocando o rosto de Elena...

Damon: Srta. Rose. – Disse, a voz cortante, parado a porta, e Rose se sobressaltou, virando-se – O que pensa estar fazendo?

Rose: Nada, senhor. – Respondeu, ainda tremula pelo susto – A porta estava aberta. Entrei para ver se ela precisava de algo. – Damon a olhou por instantes, os olhos insondáveis.

Damon: É claro. – Disse, debochado – Fora daqui. – Ordenou, duro.

Rose: Sim, senhor. – Ela soltou o travesseiro na cama, dando uma ultima olhada em Elena, e saiu. Damon fechou a porta, suspirando. Teria que se dividir em 50 agora? Ele se aproximou da cama, preocupado, mas Elena dormia profundamente. Ele se sentou, cansado, e respirou fundo.

Elena: Ela está melhor? – Perguntou, rouca, os olhos castanhos olhando-o.

Damon: Fora a teimosia, está. – Disse, tirando um cacho do rosto de Elena– Ainda sente sono?

Elena: Um pouco... É, sinto. – Damon sorriu. – Damon, se lhe significar problemas eu estar aqui, não sendo sua esposa e tendo causado todo o problema, eu posso pedir a... – Interrompida.

Damon: Pro diabo com os problemas. A torre é minha e você fica aqui. – Dispensou, e ela sorriu.

Elena: Você parece cansado. – Observou, vendo as olheiras dele.

Damon: Eu quase te mato e você se preocupa comigo. – Disse, negando com a cabeça – Eu estou bem. Volte a dormir.

Elena: Se deite aqui e durma comigo. – Ela se esforçou e estendeu o braço bom, numa tentativa falida de abraçá-lo. Damon apanhou o braço dela, repreendendo-a com o olhar, e o pôs no lugar.

Elena ia perguntar o que foi, mas ele empurrou os sapatos, se deitando do lado dela, e a abraçou pelo ombro com cuidado, beijando-lhe a testa. Ela encostou a cabeça no pescoço dele, desfrutando de seu perfume, e logo ambos dormiam. Simples assim.

A recuperação de Elena foi muito mais demorada e muito mais sofrida do que Damon gostaria. O medico detectara realmente os ossos partidos.