just one more about love Delena
50 Capitulo 50
Durante as horas que se seguiram nada se soube nem nada se ouviu sobre Elena ou Hope. Por um instante Damon teve receio de que Elena fizesse realmente uma festa, com musicas e risos, mas logo ele afastou essa hipótese da cabeça.
Confiava nela. Se ela dissera que não criaria tumultos, então ele acreditava.
Klaus: Damon? – Chamou, e Damon virou o rosto – Onde estava?
Damon: Lugar nenhum, apenas tive um lapso. Perdão. – Disse, e suspirou em seguida. Qualquer coisa que pudesse ter sido dita foi abafada pelo que ocorreu.
Caroline: Madison! – Disse, alegre, entrando na sala. Madison, que estava a um canto conversando com o marido, virou o rosto. Em seguida sorriu: Uma fileira de dentes brancos, alinhados, com aparência de serem afiados. O tipo de sorriso que ao mesmo tempo é deslumbrante e assustador.
Madison:Car. – Respondeu, fazendo a volta pela mesa até alcançar a outra, abraçando-a delicadamente.
Acontecia que Caroline tivera um mal estar durante a manhã, então só vira os outros agora, Madison inclusa. Depois de tanto se corresponderem era como se fossem melhores amigas. Alaric chegou logo em seguida.
Alaric: Perdoem a demora, eu... Ora, Caroline. – Cumprimentou, com um gesto sutil da cabeça, e Caroline sorriu.
Madison: Onde está Jenna? – Lorenzo observava os gestos da mulher com um sorriso que quase exalava orgulho no rosto.
Alaric: Ficou no quarto... Ei! – Ele chamou um criado no corredor. O criado largou o que tinha imediatamente e veio atender, de olhos baixos – Vá até meus aposentos, diga a Jenna que Madison e Caroline estão aqui. – O criado assentiu e saiu.
Klaus: Se sente melhor? – Perguntou, se aproximando de Caroline. Ele apanhou o rosto dela entre as mãos e ela sorriu, assentindo. – Avisei para não apanhar tanto sol ontem. – Ralhou.
Caroline: Não apanhei tanto sol. É inverno. – Brincou, e ele sorriu.
Observar aquele grupo reunido era meio desconcertante. Parecia haver algo suspenso no ar, algum mistério... Começando pelos olhos, cada um de uma cor impactante: Madison e seu olhos cor de carvão, Alaric com os seus da cor de topázio e Klaus com os olhos de um verde bem penetrante. O próprio olhar que trocavam parecia haver algum segredo seguramente guardado. Seguia pelas posturas dos corpos, todos muito eretos e flexíveis, terminando pela cor da pele. Principalmente a cor da pele. No topo ficava Madison, tão branca que parecia impossível, parecia que ela nunca havia se exposto ao sol, e não fosse ofensivo quase como alguém sem vida, cujo sangue já não corava os tecidos. Logo depois vinha Alaric, também branco, porém não como Madison. Era outro que parecia nunca corar. Então vinha Kalus, que não ficava quase nada atrás de Alaric. Era... Desconcertante. Lorenzo desviou os olhos de Madison um instante, vendo Damon que observava a cena com o olhar longe. Damon era o único desparelhado ali.
Lorenzo: Klaus comentou que tu pensas em casar outra vez. – Puxou o assunto, observando Damon, que o olhou. A beleza de Lorenzo era algo com que nem a própria Madison conseguira se acostumar. O cabelo, os olhos, a maçã do rosto, os lábios, a cor da pele, o físico, o porte, a voz...
Damon: Klaus ainda morrerá pela língua. – Rosnou, se abraçando.
Lorenzo: Desculpe? – Perguntou, franzindo o cenho.
Damon: Nada, apenas pensei alto. – Se retratou, quieto.
Lorenzo: Sei que hoje não é dia para falar sobre isso, respeito seu luto e sua dor. – Continuou – Apenas quero assinalar que tens meu total apoio. Já travas uma guerra pela morte de Katherine, logo tens todo o direito de querer outra esposa. – Concluiu. Damon assentiu, agradecendo, e Lorenzo encerrou o assunto voltando a olhar para Madison.
Jenna:Ric, mandou me chamar? – Perguntou, então sorriu. JEnna era mais baixa que Madison e Alaric, do tamanho de Caroline, pálida, com os cabelos loiro escuro, caindo ate o meio das costas, e os olhos castanhos claros.
Madison: Lorenzo. – Chamou, virando-se. Seu olhar encontrou ao dele e ela notou que ele já observava. Sorriu para o marido, que retribuiu.
Lorenzo: Tudo bem. – Assentiu e Madison apanhou a aba do vestido pesado, saindo dali com as outras mulheres. Klaus piscou duas vezes, mas Alaric já havia ido se sentar.
Kalus: O que foi isso? – Perguntou, apontando pro corredor. – Ela chama seu nome e você diz tudo bem?
Lorenzo: Ela queria minha permissão para sair. Caminhar no jardim. – Disse, se recostando, tranqüilo.
Klaus: Ela só disse seu nome, como pode saber?
Lorenzo: Porque eu conheço minha mulher. – Disse, obvio. Alaric riu. – Vá até o jardim, se lhe apraz. Ela está lá. Estava pedindo minha permissão.
Damon: Mas o tempo está frio, vai chover, está nublado. – Disse, ainda distraído. O dia não estava sendo fácil para ele.
Lorenzo: Tão melhor. – Se resumiu. Logo outro assunto subiu a mesa, e aquele foi abafado.
Damon não soube nada sobre Elena o dia todo. As celebrações e missas pela morte de Katherine levaram toda a tarde, e ele tampouco teve tempo. Toda cidade comparecia, todos os anos. Hope não ia. Elena também não foi.
Rose: O que significa isso? – Perguntou, entrando na cozinha que cheirava levemente a açúcar e estava coberta de doces. Elena confeitava um bolo enorme.
Elena: O que parece ser? — Perguntou, fazendo um confeito bonitinho na lateral do bolo.
Rose: Damon vai matá-la. – Disse, satisfeita. Elena revirou os olhos – E eu vou contar. – Elena suspirou.
Elena: Será que tu não aprendestes ainda que não pode me contrariar? – Perguntou, debochada.
Rose: Isso só porque és amasia dele. – Alfinetou. Elena parou um instante, mas não se conteve.
Elena: É, porque eu sou amásia dele. – Confirmou, divertida. As sobrancelhas de Rose se ergueram em surpresa.
Rose: Então tu o confirmas? – Perguntou, e Elena ergueu o queixo. Todos já sabiam mesmo.
Elena: Confirmo. – Disse, divertida – Confirmo e tu tens inveja. – Disse, pondo um dedo sujo de confeito na boca.
Rose: Inveja de ti? – Perguntou, mordida.
Elena: Inveja porque ele escolheu a mim, não a ti. Inveja por ele quase não me deixar trabalhar, por me dar presentes e um quarto enorme e confortável, enquanto tu continuas com o teu de empregada. – Começou, lavando a alma – Inveja porque ele confia tanto em mim que me confiou a filha. Inveja porque ele me deixa fazer tudo o que quero, na hora que quero. – Continuou, então sorriu – Inveja, porque toda noite ele faz coisas comigo... Coisas que nem nos teus melhores sonhos tu podes imaginar. – Disse, descarada, sorrindo – E aqui entre nós, sei que tu já o imaginou.
Rose: Estás louca. – Repudiou, mas estava corada.
Elena: Ele é melhor. Melhor do que tudo o que fantasiaste. Tão melhor que me custa respirar as vezes. – Elena estava adorando provocar – E não, ele não se cansa. É a toda hora, em todo lugar, de todos os modos possíveis. – Ela suspirou – Não que seja de tua conta, é claro. Agora saia daqui que tenho muito o que fazer.
Rose: Eu vou estar aqui para rir quando teu conto-de-fadas terminar, Elena. Eu vou rir de você. – Elena nem olhou para ela, mexendo um tacho – Que crês? Que ele vai assumi-la, colocar uma coroa em tua cabeça e ter uma mão de filhos? – Ela riu – Pobre de ti.
Elena: Meu conto de fadas terá um final feliz. – Ela queria acreditar nisso – E sim, tu estarás aqui para vê-lo. Agora saia, já disse.
Rose fuzilou Elena por instantes, então saiu. Uma vez sozinhaElena riu de leve, balançando a cabeça, e voltou ao trabalho. Hope esperou. Sozinha, em silencio, horas a fio. Porém, quando Elena voltou, estava de mãos vazias.
Hope: Eu avisei que ele não deixaria. –Disse, sorrindo de canto – Ele não brigou contigo, brigou? – Preocupou-se.
Elena: Não se preocupe com isso. – Disse, se aproximando – Venha, vamos tomar um banho. – Disse, descobrindo as pernas da menina e carregando-a.
Hope: Estás cheirando a açúcar. – Comentou, divertida, no colo de Elena, que sorriu.
Elena: Estou? – Hope assentiu. Elena deu de ombros.
Elena levou Hope para o banho. A menina não se entristeceu por não ter uma festa. Se frustrou por um instante, mas logo estava brincando com as bolhas de espuma na banheira. A capacidade de Hope se recuperar de uma desilusão era fascinante. Elena pediu licença por um instante, e correu. No corredor haviam vários carrinhos, com toda a comida que ela havia preparado. Ela trouxe tudo para o quarto, enchendo-o, e correu para buscar os pacotes. Não havia comprado um, ou dois brinquedos, como dissera a Damon. Comprou vários, dezenas. Bonecas, livrinhos, ursos de pelúcia, joguinhos, tudo. Arrumou o quarto todo e voltou pro banheiro, terminando o banho da menina. A vestiu com uma camisolinha rosa, fofa, e lhe penteou os cabelos. Quando voltou ao quarto os olhos de Hope se arregalaram em choque.
Elena: Parabéns pra você, nessa data querida... – Cantarolou, feliz. Hope ainda não tinha palavras.
Fora todos os brinquedos haviam montes de comida ali. Comida que criança gosta: Doces, guloseimas, tudo o que Elena conseguiu preparar durante o dia, e três bolos. Exagero, pois eram só elas duas, mas a menina merecia.
Suri: Ele deixou?! – Perguntou, a vozinha aguda de felicidade. Os olhos da menina corriam dos montes de doces pros vários brinquedos. Haviam velas nos bolos. Haviam chocolates, balas, pãezinhos... Um dos bolos era de morango, um de creme e outro de chocolate confeitado.
Elena: Seu pai ama você, demais. Mesmo que não tenha tempo para demonstrar como deve. – Disse, levando a menina para a cama. Damon, parado no corredor as escondidas, escutava tudo com os olhos contraídos em dor.
Hope: As vezes eu não sei. Parece que ele me evita. Só vem na hora de acordar e na de dormir. – Ela deu de ombros.
Elena: Um homem mal fez algo muito feio com o seu pai. – Explicou, arrumando o cabelo da menina – Muito, muito feio. Agora seu pai está magoado, ele quer revidar. Não que seja certo revidar. – Ralhou, e Hope sorriu – Mas ele quer. Está demorando, por isso ele não vem muito. – Hope assentiu – Sabe, foi ele que me mandou fazer isso tudo. – Mentiu. Os olhinhos de Hope se arregalaram e Damon franziu o cenho. Ele não mandara.
Hope: Ele me mandou essa festa? – Perguntou, agora radiante de felicidade.
Elena: Com tudo o que tem aqui. Eu pedi permissão e ele me ordenou fazer tudo o que desse tempo. – Continuou. Damon sorriu consigo mesmo, o olhar distante – Ele ama você, acredite. Mas agora vamos a sua festa. – Disse, puxando uma das bonecas. Hope apanhou, desembalando-a animadamente.
Dali pra frente a festa correu solta. O barulho das brincadeiras entre as duas e os risos não passavam da porta do quarto. Damon saiu dali quando a conversa sobre ele acabou. Parou em seu quarto e abriu a gaveta, apanhando a foto de Katherine a muito colocada lá. Todo ano ele mantinha o luto, como agora, vestido de preto até a alma, e a dor nunca passava. Ele se lembrou das pilhas de doces e presentes... Como Hope podia duvidar de seu amor? Ele tinha sido um bom pai, não tinha? Ele nem sabia dizer... Olhou a foto de Katherine novamente, e se lembrou da voz de Elena, mentindo, dizendo que ele tinha ordenado a pequena festa. O mérito era dela e ela mentiu para fazer sua filha feliz... Para ajudá-lo.
Damon: Kat... – Chamou, observando a foto. Katherine o encarava de lá, neutra. – Porque eu não consigo mais sonhar contigo? – Perguntou, olhando-a.
Damon largou a foto na cama, apoiando os cotovelos nos joelhos e apanhando a cabeça nas mãos, os dedos adentrando os cabelos, o cenho cerrado. Como todas as perguntas que ele fizera a Katherine nos últimos 6 anos, esta também ficou sem resposta.
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