Elena não disse nada nos minutos que se seguiram. Jeremy tentou mesmo consolá-la, mas nada adiantava. Por fim ele teve de ir embora, voltar pro trabalho. Elena não se moveu por horas. Seu pai estava morto. Isso doía tanto! Até que a porta do quarto se abriu. Damon hesitou, vendo tudo escuro. Ele apanhou uma das velas do quarto e voltou no corredor, acendendo-a em uma das tochas que havia ali. Distribuiu as chamas por todas as velas do quarto. Quando pôs a ultima no suporte foi que veio ver ela.

Damon: Escute, eu... – Ele parou, vendo seu estado – Elena?

Antes que as portas se fechem, isso chegue ao fim ♫

Mas ela só ergueu os olhos, vermelhos pelo choro, para encará-lo. Damon, entendendo errado, hesitou.

Damon: Certo, eu realmente a ofendi. – Disse, preocupado, se aproximando da cama. Ele se sentou, tocando o rosto dela, inchado pelas lagrimas que haviam caído – Eu não...

Elena: Não é tua culpa. – Disse, passando a mão no nariz. Mas soluçou de novo, desolada.

Damon: Não? – Perguntou, admirado – Quem te machucou? – Perguntou, a voz já em tom de ataque. Elena negou com a cabeça, incapaz de falar algo – Em nome de Deus, o que houve?

Elena: Meu pai... Está morto. – Desabafou, caindo no choro com mais força ainda. Damon ergueu a sobrancelha.

Mas com você ao meu lado, eu lutarei e defenderei ♫

Damon: Ah. – Disse, surpreso – Eu... Eu lamento. Ei, não fique assim. – Disse, preocupado. – Venha. – Disse, esticando o braço. Como Elena não se moveu ele a apanhou pelo braço, trazendo-a pra si, e ela o abraçou, as lágrimas molhando sua camisa. – Isso, chore. Deixa tua dor vir. – Disse, beijando-lhe o cabelo. Elena apenas soluçava – Ele estava doente? – Elena assentiu. – Você precisa de permissão para ir vê-lo? Acompanhar o velório, ou algo assim? Eu posso providenciar... – Ela o interrompeu, negando com a cabeça.

A verdade é que Damon não queria que ela fosse. Não queria dar a licença, pois não queria perdê-la de vista, tê-la fora de seu alcance. Mas daria ainda assim, o que ela precisava.

Damon: Não? – Perguntou, ainda ninando-a. Um braço forte a abraçava, e o outro acariciava-lhe o rosto.

Elena: Meu pai... Nós não nos dávamos bem. – Mentiu – Minha família... Não me aceitaria. Por isso vim para cá. Por isso nunca precisei sair. – Disse, a voz carregada de agonia.

Damon: Entendo. Mas você o amava.

Elena: Demais... – Disse, caindo no choro outra vez. Ele a acolheu em seu peito, agoniado por fazê-la parar de chorar. Mas sabia que não havia como. Quando os funerais de Katherine terminaram ele não teve condições de sair do quarto por semanas, nem pra ver a filha.

Eu lutarei e defenderei... ♫

Damon: Vai ficar tudo bem. – Disse, tranqüilizando-a – Eu vou ficar aqui, com você. Vai passar.

Mas Elena não teve condição de responder. Ela chorou por horas a mais, a verdade engasgada em sua garganta, uma dor que lhe atormentava. Ela adormeceu amparada nele, abraçada. Ele, que ainda a ninava, sentiu a cabeça dela tomar em seu ombro. Por um instante achou que tivesse desmaiado, mas estava dormindo. Ele, cuidadosamente, se encostou na cabeceira da cama e a ajeitou sobre seu peito. Ele puxou, lentamente, os cordões do vestido dela, liberando-a do aperto do espartilho, mas não tentara nada. Passou a noite toda em claro, os lábios no cabelo dela, os olhos fixados a sua frente. Queria poder fazer a dor dela passar. Queria poder protegê-la dessa e de qualquer outra dor. Inferno, era tão frágil! Ele só se dera conta disso após vê-la chorando. Debaixo do queixo empinado e do olhar inocente era frágil. De que diabo adiantava ser rei se não podia proteger a quem queria bem?

Elena só despertou na manhã seguinte. Estranhou porque não estava sob a cama. Estava sob algo que respirava, e haviam braços a sua volta, abraçando-a confortavelmente. Damon viu os olhos dela, avermelhados e confusos, se situando, e lhe acariciou o braço.

Elena: Você ficou. – Disse, admirada, a voz rouca. Damon acariciou o rosto dela – Passou a noite aqui e eu nem... – Ela passou a mão no rosto, olhando em volta – Perdoe.

Continue agüentando firme
Porque você sabe que conseguiremos, nós conseguiremos ♫

Damon: Tranqüila. – Disse, confortando-a – Apenas tive que trancar a porta. Seu amigo teve aqui duas vezes. Você nem acordou quando eu levantei, nem quando eu a apanhei no colo. – Comentou, distraindo-a.

Elena: Que horas são? Rose virá me buscar. – Disse, mas não desencostou a cabeça do peito dele; Ali podia ouvir seu coração. O som era encantador.

Damon: Rose não está. Na verdade, ninguém está. – Disse, dando de ombros.

Elena: Ninguém... Onde estão?

Damon: É aniversário de Klaus. Haverá uma comemoração, e todos os criados foram mandados até o salão de festas, para organizar tudo. Seu amigo avisou que estava saindo, da ultima vez que tentou entrar.

Elena: Eu deveria ter ido? – Perguntou, ainda confusa pelo sono. Damon acariciou o cabelo dela.

Damon: Não. Hoje tu não vais a lugar algum. Aliás, vai sair comigo, salvo engano. – Ele viu Elena franzindo o cenho – Vou te levar a um lugar onde eu ia quando era mais novo. Lá poderemos ficar em paz. – Vá se banhar. Eu vou preparar... Uma cesta.

Elena: Tu vais preparar uma cesta? – Perguntou, rindo de leve.

Damon: Se te fizer sorrir assim, vou. Não quero te ver triste. – Disse, tocando o queixo dela. Elena sorriu e ele selou os lábios com os dela, apenas por tocar. – Anda, vai.

Apenas seja forte,
Porque você sabe que eu estou aqui por você ♫

Elena : E se nos verem?

Damon: Mando matar. – Disse, e ela ergueu uma sobrancelha. Ele riu – Ninguém nos verá, confie.

Elena o olhou, o olhar sondando-o por um instante, então se levantou, cambaleando com o vestido frouxo. Damon sorriu, divertido, perante o olhar acusador dela e ela, após olhar o corredor, saiu. Ele foi logo em seguida. Vamos ver no que dá.

Notas finais
Bom gente por hoje é isso amanha tem mais bjs :)