(in) esquecível
24 Sobre como você se tornou em sonhos o preto-e-branco das figuras
Notas iniciais
Sobre como você se tornou em sonhos o preto-e-branco das figuras
Um arrepio frio percorria sua espinha, do cóccix até a nuca, a cada vez que os dedos dos pés de Orihara Izaya contorciam-se às suas costas. Quentes, oscilantes em seu suor, rígidos ao apertarem-se juntos. Podia vê-los em suas pálpebras, ao cerra-las lentamente. Podia ver-se tocando os espasmos, sorrindo para as contrações e juntando-os entre as mãos para beijá-los. Não virou-se, entretanto, sem sorrisos, sem toques sem beijos, a ânsia pelas imagens por trás de seus olhos fechados findando-se no exato novamente no qual os abriu novamente, bem abertos.
Não havia, para ele, fuga, mesmo que uma pequena, nem que os poucos centímetros de uma volta.
Seus olhos, seus toques, sua atenção eram todos, integralmente, da firme ereção imediatamente diante de seu rosto, sem possibilidade alguma de mover-se para longe dela.
Não a tocava, contudo, algum medo infundado de profanação a gelar seu estômago. Ou, ao menos, jurou não tê-la tocado, voltando atrás em suas juras ao ouvir gemido. Profundo, gutural, agudo, longo.
Como se crime, levantou os olhos devagar, receoso, não ousando pará-los até encontrá-los com os castanho-avermelhados. Impudicos, úmidos, quase negros. Como se Orihara Izaya gemesse também através de seus olhos.
Ele os fitou até que sorrissem, até que fechassem-se por um sorriso dos lábios para os quais não ousava desviar a atenção. Sorriu de volta, orgulho estranho a forçar-se em suas bochechas, e, como se ensaiado por toda a vida, fechou também os próprios olhos antes de abrir os lábios.
O gosto plástico espalhou-se em sua língua, desconhecido e estrangeiro, mas o inquestionável calor por trás dele não o deixou hesitar na certeza de que era Orihara Izaya a forçar o quadril contra seus lábios. Deixou-o fazê-lo, sem tentativa alguma de endurecer o aperto nas coxas firmes e guia-lo mais devagar. Era desajeitado, impetuoso, sem ritmo, desesperado, como se um grito do quão frustrante e insuficiente era o toque, como se o rapaz em sua língua sentisse que nunca fosse receber o suficiente dela.
Pensou em pedir calma, debochar que tinham tempo, afirmar que não se afastaria, limitou-se, entretanto, a rir, riso baixo, nasal, trilha sonora de seus os dedos a deslizarem na cintura estranhamente fina até alcançarem o quadril em encaixe firme. Dois pequenos beijos foram depositados na virilha coberta de pelos negros e um novo riso fez-se ouvir antes de provar mais uma vez o calor que o preservativo não era capaz de barrar. Devagar, os lábios firmes, os dentes escondidos como o monstro de Ikebukuro jurou nunca esconder para seu pior inimigo.
Ouviu um último gemido frustrado antes que tantos outros, de tantos outros tons diferentes, o substituísse. O medo, contudo, de que o desespero permanecesse nos toques de Izaya ruiu no instante no qual percebeu que ele, que antes procurava em fúria por mais de sua boca, agora limitava-se a correr os dedos em carícias vagarosas por seus fios descoloridos.
Queria sorrir. Verdadeiramente queria. Sorriso bobo e infantil. Sorriso orgulhoso e malicioso. Sorriso satisfeito. Sorriso com prazer, o dele e o dos gemidos cada vez mais altos a alcançarem seus ouvidos. Sorriso proibido. Sorriso como o que nunca, nunca, deveria invadir o rosto do homem mais forte de Ikebukuro. Sorriso que nunca, nunca, deveria receber o informante mais astuto de Ikebukuro.
O sorriso, contudo, só escapou quando sentiu Izaya resistir ao seu aperto. Resistência sem desespero, sem fúria, sem ímpeto, mas natural, sonora, pequenos espasmos a quebrarem o encanto das ondulações do quadril estreito. Afastou sem querer afastar-se e sorriu novamente ao ganhar novo gemido de frustração, tão parecido e tão diferente dos anteriores. Sorriu, desta vez largo entretanto, todos os dentes a mostra. E, sorrindo, permitiu-se abrir os olhos, de uma vez só, tremendo em excitação para encontrar um sorriso tão largo quanto o seu em um rosto de sobrancelhas franzidas, bochechas coradas e pupilas grandes.
A sua frente, entretanto, apenas o branco do teto, amarelado pelo fraco sol da manhã fria.
Piscou duas, três, quatro vezes. Cada piscada como que propulsor para o gemido frustrado que escapou desta vez de seus lábios, os lábios que até poucos segundos tinha certeza estarem envoltos no calor de Izaya.
Um sonho, ele pensou. Outro deles.
Como confirmação silenciosa, contorceu os dedos dos pés e das mãos, tremendo levemente o cenho ao comprovar que, longe de ter entre os últimos as nádegas macias de Orihara Izaya, ainda traziam preso o pequeno mangá que lia antes de adormecer.
Bocejou e estalou os lábios que, sem dúvidas, não tinham gosto de preservativo, antes de fitar o pequeno livro, apertando ainda mais os olhos já baixos pelo sono. A cena que mostravam as páginas em preto-e-branco era tão semelhante a de seu sonho que pequenos choques de desconforto estalavam em sua nuca. Estava doente, sem dúvida. Louco, no mínimo.
Fosse doença fosse loucura, fato é que o homem mais forte de Ikebukuro, embriagado por sono e sonho, assumia haver certa magia em afundar-se nelas. Algum feitiço que roubava os movimentos preguiçosos de Heiwajima Shizuo e sem autorização alguma aconchegava-o novamente nos lençóis quentes apesar da manhã fria, que sem pudor algum obrigava-o a soltar o mangá e levar ambas as mãos até a ereção presa pela calça do pijama. Algum encantamento que insensatamente fechava os olhos castanhos-mel e abria os lábios avermelhados para um sorriso. Algum sortilégio que fazia fácil trazer a imagem de Orihara Izaya nu sem manchá-la de culpa. Quase natural, como se sua mente só precisasse de uma mínima permissão para fazê-lo.
Astuta de maneira que o antigo informante nunca imaginaria e sagaz como se não estivesse a permitir-se afundar em loucura, a consciência de Heiwajima Shizuo nunca começava com imagem falsa. Ela tinha que ludibriá-lo, sabia, convencê-lo. Mostrar-lhe Izaya inclinando-se em direção aos seus lábios, Izaya como silhueta na cortina do banheiro, Izaya seminu em seu sofá, Izaya encaixando-se em seus braços. Devagar. Aos poucos. Lembrar-lhe como era a sensação da pele sob seus dedos, o calor da língua, a umidade da boca, o toque das pontas dos dedos. Invadi-lo com sorrisos, olhares, provocações. Só então, matreira, ele o abandonava parcialmente. Escondendo-se sorrateira enquanto assistia-o, de longe, confundir realidade com fantasia. As cenas em seu sofá com cenas em preto-e-branco. A língua enroscada à sua com língua a provar sua ereção. As carícias discretas com unhas dolorosamente cravadas em suas costas.
Embriagado, Shizuo tocava-se sem saber se seria capaz ou não de sentir as cicatrizes de Izaya se fossem os dedos dele, e não os seus, a massagearem-no com ímpeto. Pensava que sim, enquanto pensava, também, que seria muito mais macia que a sua, muito mais suave que a sua, muito mais cuidadosa que a sua, a mão dele. E, pensando, viu-as através de suas pálpebras fechadas: as unhas curtas, as cicatrizes longas, a malícia que sua mente excitada e sonolenta insistia em atribuir a cada um dos gestos de Orihara Izaya.
Reteve-se, com um gemido mais alto, em sua imagem favorita, sua maculada prova de que não era a primeira vez que se masturbava pensando em seu pior inimigo e que, definitivamente, não seria a última. Nela, Izaya contraditoriamente ostentava um sorriso enorme enquanto o chupava. O sorriso malicioso, debochado, úmido. “Impossível”, ele sabia. “Não sorria enquanto faz isso, pulga”, reclamava, quase em êxtase, “Esconde os dentes, seu maldito!”. E, ainda que fosse aquela a sua imagem favorita, a que escolhera por si próprio em sua loucura, a que manipulava de acordo com os movimento de sua mão direita, Izaya não o obedecia. Não, ao menos, integralmente. O Izaya de suas fantasias só escondia os dentes porque percebia ser muito mais efetivo sorrir com os olhos. Brilhantes, sarcásticos, provocadores, presos aos seus até seu orgasmo. O quinto desde que encontrara uma pequena caixa diante de sua porta na tarde anterior. Cinco as vezes em que sua ereção substituiu o livro qualquer entre suas mãos e imagens de Izaya as em preto-e-branco em sua mente.
A primeira enchera-o de culpa. Culpa por deixar-se estimular e culpa por continuar estimulando-se. Culpa por serem imagens em preto-e-branco em um livro ilustrado e culpa por ser Izaya a dar cores a elas em sua mente. A última, a pintar ainda seu abdômen sequer corou de vergonha suas bochechas. Entre uma e outra, o homem mais forte de Ikebukuro percebeu-se bastante eficiente em esquecer suas culpas e deixar sua atenção seguir o fluxo de seu sangue. Não que, inexoravelmente ao fim de cada orgasmo, não perturbasse seu estado inerte o comichão desconfortável por não saber ser pior agir como adolescente e tocar-se por conta de um livro ilustrado ou agir como adulto e tocar-se por conta de outro homem, por conta de Orihara Izaya.
Por fim, jogado em sua cama, suado apesar do frio cortante, sequer podia convencer-se de que a culpa por imaginar Izaya na exata posição do personagem fictício do mangá ao seu lado alcançava-o. De certa forma, não podia se culpar seriamente, não quando, mesmo calmo, mole e sujo, ainda sorria diante da certeza de que as coxas de Izaya fariam ótimo trabalho aquecendo suas orelhas e os lábios seu baixo-ventre.
O sorriso resignado que entregou ao espelho ao lavar das mãos o gozo ralo era muito mais, sem dúvida, pela frustração de ser seu próprio gozo a ler lavado, do que pelo desconforto de ser aquela a quinta vez que lavava as mãos por Izaya. Sabia que precisava de um banho, que a mão molhada não seria o suficiente para tirar do abdômen o melado. Mas sequer envergonhou-se por pensar que de nada adiantaria lavar-se. Não quando ainda tinha mais dois mangás dos enviados por Erika para ler.
O leite foi acrescido ao café frio da noite anterior. Não faria outro por pura rebeldia. Mesma rebeldia que o fazia colocar na caneca quatro colheres cheias de açúcar e duas de creme. Rebeldia, entretanto, que o deixou imediatamente ao sentar-se na mesa de jantar e retirar da caixa o penúltimo livro.
Kadota os havia deixado, tinha quase certeza. Quase corava ao pensar que o motivo pelo qual o rapaz não batera à sua porta para entrega-los pessoalmente – deixando-os para trás após tocar a campainha, como uma criança arteira – fora o fato de conhecer o conteúdo. O fato de que vira as capas e, talvez, uma das páginas das centenas eleitas pelos marcadores coloridos de Karisawa Erika. Karisawa Erika que, inegavelmente, havia o surpreendido imensamente. Quando ouviu-a afirmar que o ajudaria ao enviar material de pesquisa para seu apartamento, nunca imaginou que seria um tão incrivelmente organizado.
Um índice fora, afinal, a primeira coisa que vira ao abrir a caixa. Um separado por cores e tópicos.
“Preparação e preliminares” em azul escuro, subtópico “Sexo-oral” em azul claro. “Cuidados necessários e recomendações” em amarelo vibrante, subtópicos “Quantidade e posição dos dedos” e “Lubrificação” em laranja. “Próstata” em rosa, a caneta brilhante a formar balões de diálogos com “socorro, como acho isso?”, “tenho que apertar ou esfregar?” e “tem certeza que isso é bom, Izaya-kun?!”. “Grand finale” em vermelho sangue, seguido de vários coraçõezinhos de diferentes tamanhos, em especial diante do subtópico “Posições mais incríveis”.
Shizuo teria rido, certamente, mais de frustração e indignação do que por diversão, se as caretinhas a contornarem as margens do papel não roubassem todos os sorrisos do mundo. E teria agradecido pela atenção e cuidado, sem dúvidas, se não soubesse que nunca, em toda a sua vida, seria capaz de voltar a falar sobre o assunto com a garota.
Vergonha nenhuma, entretanto, e carranca alguma, o impediram de ler atentamente cada página marcada. E vergonha alguma e carranca alguma o impediram de masturbar-se em sua pequena sala-de-estar-corredor antes mesmo de terminar o primeiro livro.
Shizuo não sabia, até estar sexualmente frustrado e com imagens impudicas de sexo gay em mãos, o quanto sua mente poderia ser poderosa na tarefa de encaixar Orihara Izaya nu em cada imagem na qual pousava seus olhos castanhos-mel.
Só após o primeiro orgasmo pode concentrar-se o suficiente para notar que todos os mangás eram sobre rapazes virgens. E sua mente provou-se mais uma vez bastante poderosa ao roubar toda sua excitação e preencher-se com a possibilidade de Izaya não ser virgem.
Era ridículo, ele sabia. Infundado, no mínimo. Ele não era. Sabia que Izaya também não. Nenhuma pessoa que se remexia tão sensualmente podia, de alguma forma, o ser, ele pensava.
A garota, sem dúvida, contava com a possibilidade de ele ser o primeiro homem de Izaya, assim como Izaya era seu primeiro. Ou talvez, ele acreditou, ela não confiasse tanto assim no autocontrole do homem mais forte de Ikebukuro e tivesse certeza, portanto, de que teria que ensiná-lo a não ser rude. Como se, de alguma forma, ele pudesse agir propositalmente como um babaca caso não fosse a primeira vez de Izaya.
Não perguntaria. Nem a ela os motivos nem a Izaya a verdade.
“Diz, pulga, você não lembrava nem seu nome, mas, sei lá, por acaso não lembra se já trepou com algum homem? É que estou com planos com você e quero saber o quanto vou ter que te preparar...”.
Não havia forma de perguntar.
Não havia forma diferente, consequentemente, de continuar o absurdo plano de transar com seu pior inimigo que não ler atentamente as páginas indicadas pelos marcadores coloridos.
“Eu vou fazer você gozar para relaxar, ficará mais fácil assim.”
“Você está tão duro! Tão molhado...”
“Você prefere quando coloco inteiro na boca ou quando lambo assim, só a pontinha?”
“E aqui? É bom com minha língua? E meus dedos? Você se sente bem?”
“Relaxa, meu bem, é só meu dedo. Prometo ir com calma.”
“Vou colocar o segundo agora, respira fundo, tudo bem? Me diz se doer.”
“Hey, meu gatinho, acho que encontrei o que queria...”
“É bom? Aqui? Você parece tão sensual agora!”
“Vira assim para mim? Vou tentar ir devagar, ok?! Me diz se doer.”
“Desculpa, meu doce, não consigo parar... você é sexy demais.”
“Não esconde seu rosto... você está tão lindo assim. Aqui, me abrace.”
“Meu anjo, não se mexe assim... por favor... eu não vou aguentar muito se fizer isso”
“É gostoso quando te toco assim? Geme para mim, então!”
“Vamos juntos, gatinho!”
Quem de fora olhasse a atenção quase clínica que Heiwajima Shizuo dedicava aos pequenos balões repletos de palavras, certamente pensaria que ele, de alguma forma, era familiarizado com a leitura. Não fora desde o início, entretanto, que os olhos mel foram capazes de manterem-se firmes.
“Gatinho”, “meu bem”, “meu anjo” – Shizuo quase ria ao imaginar-se tratando Izaya por qualquer uma daquelas formas e torcia os lábios em evidente diversão ao lembrar-se que o projeto de informante já considerara que o apelido com o qual o nomeava – pulga – era apelido carinhoso. Ele tinha certeza que absolutamente nunca algo como “você está tão duro, pulga” escaparia de seus lábios, mesmo que, sem dúvidas, não se importasse sequer minimamente caso Izaya estivesse em situação na qual merecesse o adjetivo.
Ademais, não fosse pela constante insistência de sua mente em substituir cada uma das imagens por Orihara Izaya, ele admitia que o excitante choque inicial havia, sem dúvidas, passado.
Havia sempre um roteiro. E, por mais que ele se interessasse por ele e estivesse lendo todos aqueles livros exatamente para aprendê-lo, admitia ter-se cansado dele. Cansado-se ao ponto de, não poucas vezes, virar os olhos e as páginas, ao mesmo tempo. No mangá atualmente em suas mãos, não hesitara sequer segundo antes de direcionar-se apenas para as páginas marcadas pelas fitas coloridas, cogitando em momento algum dedicar-se a ler a obra por completo.
Eram chatos. Os dramas. As declarações. As recusas. As investidas. As negações. Salvo poucos personagens, nenhum deles realmente o prendia.
Os olhos grandes demais. Os traços delicados demais. A relutância grande demais. Poucos foram os que, verdadeiramente, lembraram-no minimamente Izaya. Talvez Izaya enquanto doente. Talvez Izaya desmoronando em sua sala ao descobrir que não eram namorados. Talvez Izaya implorando para que o deixasse ficar. Nunca, entretanto, o Izaya que o provocava, que ria malicioso, que implicava com seus doces, que o chamava para dentro do banheiro enquanto tomava banho, que procurava seus lábios para um beijo e que usava suas cuecas. Tampouco o Izaya que corria dele pela cidade, que ferrava sua vida e que fazia o submundo de Ikebukuro tremer.
Conhecendo agora as denominações, tinha que concordar com Erika quanto a “nenhum ser tão interessante quanto o seu uke”, mesmo que não tivesse certeza quanto ao uso do possessivo.
Ademais, havia algo, em uma boa quantia das relações retratadas em preto-e-branco, que causava-lhe arrepios e lhe fazia pular página atrás de página, não poucas vezes abandonando o livro sem lê-lo até o fim. Não queria que Izaya fosse como eles. Nem queria ser ele mesmo como os outros. Nem que entre eles as coisas fossem daquela forma.
Queria o Izaya que inclinava-se em direção aos seus beijos e sorria enquanto provocava-o, o que retribuía seus carinhos com igual animação e começava-os não poucas vezes por si mesmo.
De seu próprio lado, esperava que Izaya não quisesse dele as falas que tantas vezes lera em tantas obras diferentes. Nem a insistência tantas vezes absurda e doentia.
Queria-os como eram até não serem mais. O que, de certa forma, era ridículo, ele sabia, já que fora ele mesmo a arruinar tudo. Com cafeína, açúcar e excitação correndo por suas vezes, assumia querer até mesmo o sorriso malicioso que trazia-o dúvidas, até mesmo o cheiro insuportável que após duas semanas já quase abandonara seu pequeno apartamento.
O mangá foi pousado ao lado da xícara vazia. Lentamente, incerto. Diferente das ações do dia anterior, entretanto, os dedos ansiosos de Heiwajima Shizuo não buscaram por outro livro, limitando-se a tamborilarem na mesa. Três batidinhas pequenas antes de pararem em uma batida forte.
O último mangá, ainda dentro da caixa, nunca chegou a ser tocado. A maçaneta da porta de entrada foi, naquela tarde fria de domingo, naquele apartamento, a última coisa a ser marcada pelas digitais do homem mais forte de Ikebukuro.
Heiwajima Shizuo tomara sua decisão.
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