in and out (is never enough)
1 seus olhos, como mil sóis, me queimam por inteiro.
Notas iniciais
Bom, vou logo avisando que sou especialista em fugir do tema, hahaha, mas eu juro que dei meu melhor para tentar utilizá-lo. Para ficar mais clara a minha intenção, eu interpretei o âmbar como fogo aqui, já que podia e tal.
Boa leitura!
d e n t r o e f o r a
☼
A partir do momento em que conhece Atsushi, Akutagawa toma como objetivo pessoal seu derrotá-lo. Por isso, enquanto não está prestando algum serviço à Máfia do Porto, ele decide sair em busca do homem-tigre para que finalmente aquele feito possa ser realizado por suas mãos.
Até porque, além disso, também existe um pouco de interesse.
Interesse na forma irregular que Atsushi é. Interesse no jeito em que seus olhos brilham, de medo e de raiva, toda vez que o destino os reúne no mesmo lugar. Interesse nele por inteiro, que ganhou o reconhecimento de Dazai.
É na mistura de todas essas coisas que Akutagawa se vê obcecado em querer encontrar Atsushi logo. Em vê-lo. Em destruí-lo, se possível. Contudo, uma vez que aquele cenário desejado se desmancha frente a si, tudo para.
Tudo para porque Akutagawa simplesmente se dá conta de que não vale a pena derrotar Atsushi no presente momento em que se encontram.
Afinal, é perda de tempo lutar contra alguém que possui um espírito tão fraco.
Com isso, a indignação e a falta de entendimento logo preenchem a cabeça de Akutagawa. O que Dazai havia visto em Atsushi, para começar? Apenas algumas investidas de Rashomon foram suficientes para conseguir imobilizar o rapaz, e tinha certeza que seus olhos não lhe pregavam truques quanto àquilo.
Ele admite para si mesmo que Atsushi tem força, mas ainda precisa melhorar em muitos aspectos. Aspectos como determinação, por exemplo.
Ainda assim, Akutagawa não o solta. Alguma coisa o impede de deixar Atsushi ali para ir embora, por isso, tudo o que ele faz é desarrochar um pouco o aperto que o seu casaco anteriormente fazia ao redor do pescoço do outro e o observa com curiosidade.
Curiosidade em descobrir porque aquele olhar, agora confuso pela sua atitude não-tão-Akutagawa-assim, continua a lhe fascinar em sua plenitude dourada como o sol. Como mil sóis. Derretendo uma barreira invisível e talvez, quem sabe, sua raiva pela incompetência dele.
“O que pensa que está fazendo...?” Atsushi direciona a pergunta para si com incerteza, mas sem permitir um desvio.
Não é como se quisesse um, para começar.
Talvez porque, interiormente, Akutagawa sente que são parecidos um com o outro. E, por isso, o estúpido pensamento de estar ao lado dele acaba passando pela sua cabeça rapidamente, como um corte de navalha.
Preciso e fatal.
Sem saber o que dizer, Akutagawa não o responde, mas por fim o solta de Rashomon — o que deixa Atsushi sem reação a princípio, uma vez que ele percebe que não caiu de cara no chão, e sim que foi segurado pelos braços dele.
Provavelmente porque ele esperava que algo como aquilo só acontecesse a cada mil anos. O próprio Akutagawa pensava o mesmo, pelo menos se tratando de Atsushi. Mas ali está, permitindo-o viver.
Permitindo-o lhe fazer perceber que aquela proximidade era incômoda, mas bem-vinda; constrangedora, mas confortável. Vários paradoxos. Uma única vontade.
É quando Akutagawa inclina a cabeça para beijá-lo, sentindo aquele algo dentro de si pulsando na procura de se libertar. Atsushi — ainda apoiado em seu ombro — sem surpresas, se surpreende com a atitude tomada por ele, mas não demora muito para ajustar seus lábios contra os dele numa reciprocidade igualmente inesperada.
Então, não há guerra, balas ou fogo; e se há o último, vem com razão de que os olhos de Atsushi o queimam por inteiro, derretendo quaisquer implicações que ele possa ter em relação à possibilidade de o homem-tigre ter se tornado algo a mais para si.
Naquele momento, naquela hora, naquele instante, Dazai não importa.
(Atsushi, sim. Porque se ele está em inflamando, inflamando por ele, por quê ao invés de apagá-lo com água não provocar um incêndio por debaixo daquelas roupas?)
Dessa forma, Akutagawa se deixa levar pela ardência que são os lábios do outro. A rua estar deserta àquela hora é apenas um fator secundário sobre sua sorte, porque o principal, do fundo do seu coração, é a correspondência, é Atsushi estar tão entregue àquilo quanto ele mesmo está.
Sem saber como proceder, Akutagawa deixa, de forma desajeitada, ele lhe guiar a maior parte do tempo pelos caminhos de seu corpo. Atsushi permite que suas mãos o contornam por inteiro, desde os ombros ao peito, das costas às nádegas, sem demorar muito em nenhuma parte em específico — possivelmente por nem ele próprio saber com exatidão quais são os lugares que lhe dão prazer.
Naquela série de movimentos, Akutagawa passa a memorizar cada pequena parte de Atsushi como se fosse algo efêmero na ponta de seus dedos. Ele tem certeza que, devido a oposição da Agência quanto a Máfia, eles nunca voltariam a se encontrar de novo para se abrirem um com o outro daquela maneira.
Ou ao menos, é isso que pensa.
Após interromper a troca de beijos que compartilhavam, Akutagawa levanta um pouco o queixo de Atsushi e experimenta por seus lábios ali, descendo à medida que seu pomo-de-adão fica mais exposto. Aquela claramente lhe parece ser uma posição desconfortável, mas uma vez que o outro suspira abaixo de seu toque, clamando seu nome em um pedido quase surdo, ele continua a mordiscar sua pele de leve.
A saliva se mistura com o suor, e junto a eles, Akutagawa consegue sentir um cheiro de perfume impregnado naquela pele agora vermelha de vergonha e marcas.
E, então, ele sorri mentalmente quando se dá conta que é sempre Atsushi — Atsushi, Atsushi, Atsushi — em seus pensamentos, falas e ações.
Em seu mundo, ele simplesmente está por toda parte.
Akutagawa sabe que não deveria deixar aquilo acontecer, mas já está feito. Por isso, com certeza pagaria por aquela exceção; afinal, estar dentro ou fora dele por um breve instante não é suficiente para que as circunstâncias da realidade de ambos se acertem ou mudem.
Ainda assim, é bom enquanto dura.
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