happily ever after.

30 Eu não teria nenhum outro rumo


Notas iniciais
Ooooooi, hehehehe Eu adoro deixar vocês curiosxs então vou começar o capítulo... hehehehe Vamos ver o que o Emmelie resolveu quanto a eles, mas temos bastantinho de dia-a-dia Beward com um gostinho de... Bom... Espero que vocês gostem das coisas que vão rolar aqui e, mantenham em mente, meu canal para xingamentos é: @porgiovannad no twitter hahahaha Boa leitura!

Capítulo 30 – Eu não teria nenhum outro rumo

|BELLA|

Virei a esquina encarando Edward de longe, encostado no vidro da livraria digitando algo em seu celular, senti o meu vibrar em meu bolso e sorri, sabendo quem era.

E: Vida, quer que eu te encontre em algum lugar ou já está chegando?

Apertei meu passo jogando meus braços ao redor dele que riu, depois de passar o susto da minha aproximação repentina.

—Boa noite para você também – ele falou devolvendo o abraço que eu lhe ofertava, então depositou um beijo casto em meus lábios – Sem companhia hoje? – ele brincou e sorri.

Dan normalmente vinha comigo para conseguir jantar gratuito em nossa casa. Edward tirou a mochila de minhas costas para carregar e eu agradeci-o, mentalmente.

—Folga dele – contei e Edward assentiu.

Entrelaçamos nossos dedos e começamos a rumar para casa, meu celular vibrou na minha mão e olhei para a tela, lembrando que Alice estava mandando mensagens para mim.

A: É o tipo de coisa que espero do Lucca, que tem uma cabeça de vento que não existe no planeta, mas o Bobby deveria ser a parte responsável.

Comecei a rir da situação como um todo antes de responder a ela.

B: Ousado de vocês presumirem que o Bobby pode ser uma parte pensante.

Edward olhava para as ruas enquanto nos conduzia pelas calçadas de Nova Iorque, mas eu podia dizer que ele estava curioso sobre minha risada.

—É a Allie – contei e ele pareceu surpreso.

—Não está tarde lá?

—Aí que vem o highlight da história – eu ri – Acredite se quiser, mas Bobby e Lucca foram despejados do apartamento deles porque, agora escute bem essa parte, eles se esqueceram de pagar, não um mês de aluguel, mas três, diretos, e toda a vez que o senhorio ia cobrar eles estavam fora – contei rindo e Edward fez uma careta engraçada.

—É com esse tipo de gente que minha fadinha está lidando? – ele perguntou quase ofendido e eu gargalhei.

—Exatamente esse tipinho – brinquei abraçando seu braço que entrelaçava a mão na minha.

Ficamos rindo e ele começou a prestar atenção nas mensagens que Alice mandava, junto comigo, enquanto gargalhávamos e tentávamos não acertar ninguém pelas ruas.

O que eu faço? Eu os deixo dormirem aqui quando não tem espaço na casa do Marco, né, normalmente tenho que dispor meu colchão de ar para um dos dois e, no fim de semana que fui para Pizzi sem avisar, o Lucca teve que morar no carro dele— escutamos a mensagem de voz de Alice e eu revirei os olhos quase teatralmente.

—Por que meus amigos? Sério, quando eu cheguei à escola lá eu caí na sala das duas mulas – falei desgostosa e Edward riu, segurando meu celular.

—Eles já pensaram em, não sei, talvez, alugar um novo apartamento? – Edward perguntou debochado no áudio que gravou para Alice.

—Ela disse que estão procurando e ela ajuda, mas o antigo era realmente muito bom, entretanto, o senhorio não está disposto a dar nem meia chance para eles – contei e ele riu.

Alice não tinha escutado a mensagem ainda, então ele me devolveu o celular e paramos num farol de pedestres.

—E a Rose e o Emm? – Edward perguntou de repente.

—Não escutei de nenhum dos dois desde que mandei as mensagens para ela de manhã.

Era muito estranho vê-los tão distante depois de tudo o que eles tinham enfrentado juntos nos últimos meses, para mim não fazia sentido nenhum, mas eu também não era uma para julgar qualquer dificuldade que eles estivessem enfrentando.

Alice se despediu de nós depois de mais algumas mensagens trocadas, já era madrugada para ela e ela acordaria cedo no dia seguinte, estava só esperando Bobby chegar e pediu-me para fazer companhia a ela para não dormir. A última foto que ela nos enviou foi de Bobby mostrando um dedo do meio já que fizemos questão de mandar um áudio de dezessete segundos rindo da cara dele e de Lucca.

Edward e eu chegamos ao nosso prédio, em meio a conversas amenas sobre nossos dias e ideias para nossa próxima folga, ideias essas que estavam cortadas na metade porque eu estudaria de manhã e Edward se dispôs a me ajudar.

—Não precisa disso – falei abrindo a porta do meu apartamento.

—Sou ótimo em anatomia – ele falou bobamente, me lançando um sorriso malicioso.

—Esse garoto é muito sem noção – Emmett reclamou e percebemos que ele estava sentado no sofá do meu apartamento.

—Ei, você não está na faculdade... Isso sim é uma novidade – sorri amplamente.

—Faltei por um motivo maior – ele suspirou.

Edward e eu trocamos um olhar confuso, mas entramos mais para a cozinha reparando que Rosalie tinha feito arroz, carne de forno – que era uma das favoritas de Edward – e batata assada para mim.

—Que bom que chegaram – ela sorriu.

Voltei meu olhar para Emmett que parecia desconfortável, se levantou vindo para a cozinha também. Reparei o rosto de Rosalie que parecia inseguro, o que era estranho para a rainha de gelo.

—Está tudo bem? – Edward perguntou confuso.

—Queríamos falar com vocês dois – Emmett anunciou, parando ao lado de Rosalie.

Edward e eu ficamos os encarando, esperando que um dos dois abrisse a boca, mas eles conversavam por olhares e eu estava ficando irritada já porque estava com fome e queria tomar banho.

—Se puderem falar hoje, a gente vai achar bem legal – Edward falou impaciente e eu soltei uma risadinha.

—Certo – Rose deu um passo para frente – Como vocês sabem, tivemos um desentendimento hoje e, bom, nós conversamos bastante. Assumimos que nosso relacionamento estava fadado ao fim-

Eu bati minha cabeça contra o ombro de Edward soltando um rosnado irritado pela imaturidade dos dois.

—Não vão fazer isso de novo, não é? Todo o desconforto de terminarem, sendo que claramente se amam e discutirem por coisas pequenas achando que a separação é a única solução para qualquer problema – reclamei pensando no meu afilhado.

—Ah, falou a bonita que terminou com o Edward porque o emocionado achou ruim o acidente no pub – Emmett atacou.

—Tão diferente... – eu tentei me defender.

—Está certo, todos nós sabemos que os Swan têm problemas com conversar e acham que falar “adeus” é a solução para qualquer coisa, nada novo sob o Sol – Edward cortou nossa discussão e eu e Emmett reclamamos, sendo ignorados por meu namorado – Agora, continue, Rose... Estavam fadados ao fim... – ele demandou curioso como somente ele era.

Quer dizer, ele e Alice, mas ele era mais.

—Bem, a Bella acertou a reação do Emmett quanto a isso, mas eu sugeri uma coisa menos... Extrema? – ela olhou para Emmett que riu beijando a testa dela, assentindo em concordância – Decidimos morar juntos – Rose anunciou.

Paramos por um minuto completo, um olhando para o rosto do outro até que Edward comemorou e foi abraçar o casal dizendo estar muito orgulhoso da maturidade deles e que já tinham passado da hora de dar aquele passo, mas uma coisa ficou presa em minha mente.

—Isso significa que estou sendo despejada? – perguntei me fazendo de ofendida.

—É que, bom, se quiser ficar no apartamento você pode, mas Emmett e eu teremos que nos mudar e... – Rosalie estava insegura, mordia o lábio inferior nervosa.

Comecei a rir e apressei-me para abraçar os dois ao mesmo tempo.

—Estou muito feliz por vocês dois – garanti – Quanto tempo eu tenho para achar um novo lar? – eu brinquei e Edward bufou alto.

—Eu vou pegar suas roupas agora do seu armário – ele falou seguindo pelo corredor.

Rosalie ignorou Edward e disse que não tinha pressa nenhuma, poderíamos esperar até o final de semana e fazer tudo com calma. Emmett desligou o fogão e forno e sorriu, concordando com Rose, reforçando que não tinha pressa para nada.

Senti meu celular vibrar no bolso traseiro da minha calça e franzi o cenho, pegando e rindo ao ver o remetente da mensagem.

E: Onde está aquela mala grande que você trouxe da Itália?

Revirei os olhos seguindo para o... Bem, o quarto de Rose e Emm e encontrei Edward abaixado procurando embaixo da cama.

—Menino, não quer me convidar antes? – perguntei debochada – Sabe, ainda tenho que falar com meus pais, contar que a garotinha deles irá morar com um marmanjo... E antes do casamento – falei fingindo estar ultrajada.

—Casa comigo – Edward falou, parando de procurar a mala, de joelhos na frente da cama.

Revirei os olhos, rindo dele.

—Não – anunciei abaixando para beijar a cabeça dele – E hoje nem é quinta-feira – atentei.

Edward tinha essa piada que quinta-feira era o dia de me pedir em casamento. Sem razão nenhuma, ele só inventou essa brincadeira lá para fevereiro e eu vinha negando pedidos desde então.

—Você não cansa de levar toco não, cabeção? – Emmett perguntou se jogando na cama.

—Não?! O não eu já tenho... – deu de ombros.

—Agora está correndo atrás da humilhação? – Emmett cortou rindo e eu fui obrigada a acompanhá-lo.

Edward levantou um dedo do meio para Emmett. Rose se aproximou de mim no meio do quarto.

—Acho que vou pegar apenas as coisas mais urgentes e que usarei agora e depois, no sábado, a gente separa tudo com calma, o que acha? – perguntei a Rose que arregalou os olhos.

—Bells, não tem que sair agora, podemos nos mudar no final de semana... – ela reforçou, com certeza se sentindo culpada por me "despejar", mas eu realmente não poderia ligar menos.

—Ah, Edward tem razão, vocês já deveriam ter feito isso há tempos, não me importa que seja imediato – falei dando de ombros e ela sorriu, dando um abraço forte em mim.

—É o fim de uma era – ela murmurou e eu ri.

—Estarei do outro lado do corredor para chutar a bunda desse troglodita caso ele te magoe, Rose, não vou a lugar nenhum – prometi e ela sorriu quando nos separamos.

—Falo o mesmo sobre o pedidor de casamento – ela brincou.

Emmett riu alto, sem se preocupar com a possibilidade de Henri acordar e eu não negaria que amei ver o meu irmão novamente como o bobo alegre que sempre foi.

—Até você, Rose? – Edward falou se levantando com a mão no peito como quem sente dor.

—Primeiro pedido de casamento feito no primeiro dia de namoro – Rose brincou o olhando divertida.

Alcancei uma mala pequena que estava entocada no nosso armário e, com a fala de Rose, virei sorrindo amplamente ao lembrar-me de algo, meu olhar cruzou com o de Edward e ele me lançou um sorriso tão grande quanto o meu, fazendo-me acreditar que nós tínhamos lembrado a mesma coisa.

—Na verdade, ele me pediu em casamento pela primeira vez na segunda série quando o tio Carlisle contou a ele que a tia Esme era a melhor amiga da vida dele, e Edward juntou um mais um e achou que fazia sentido me propor – eu ri lembrando o dia exato.

No parquinho da escola, com uma flor roubada.

—O único que ela aceitou – ele suspirou sonhador e eu ri.

Comecei a socar algumas roupas para eu usar nos dias que seguiriam, sem realmente me importar em pensar muito, já que qualquer coisa eu poderia, simplesmente, vir buscar.

—Vai virar aquela fábula do menino que mente tanto que quando é verdade, ninguém acredita – Emmett disse levantando da cama.

—Garoto!? Todos são de verdade – Edward falou verdadeiramente ofendido – No momento que ela falar que sim vê se eu não corro para Vegas com ela nas costas.

Fechei a mala que já carregava itens “primordiais”, cansada daquela discussão e com fome de mais para pensar em qualquer outra coisa que não aquela batata que vi Rosalie tirando do forno.

—Está bem, calem a boca e vamos jantar porque não apenas de pedidos de casamento vive uma Bella – brinquei e os três riram, me acompanhando para a cozinha.

Rosalie e Emmett voltaram a dizer que não era necessário fazer a mudança naquela noite, mas Edward estava radiante e Rose e Emm também, eu não deveria estar muito diferente.

Fora com aquele propósito que eu saí da Itália e, mesmo que eu tivesse amado a experiência de viver com Rosalie e Alice, viver com Edward era um objetivo de vida.

A noite passou leve, enquanto lavávamos a louça Emmett foi para o apartamento da frente pegar as coisas que ele precisaria. Comemorou por poder dormir “na cama dos sonhos” diariamente e o fato de não ter mais que ser acordado todos os dias bem cedo para atravessar o corredor, como se fosse realmente um peso, mas no fundo eu conhecia bem aquelas piadas, ele só estava tão feliz que quase não cabia em si, queria transbordar.

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|ALICE|

Ô, casseta— Tina disse assim que chegou perto de mim – Que luz desgraçada— reclamou e eu ri, fazia um tempo que o show tinha acabado.

Era muito mais inato escutar italiano agora, todos estavam bem obedientes quanto a falar comigo somente na língua deles e eu tentava a minha parte.

Qual o problema?

Essa porra de luz chata ficou no meu olho o tempo todo— ela falou e Tato apareceu com uma garrafa de água para ela.

Ninguém percebeu, linda.

Eu percebi, oras— ela voltou a reclamar e eu ri.

Marco apareceu perto de mim e abraçou meu ombro ao entregar-me a piña colada que ele tinha ido buscar para nós dividirmos.

Tem certeza que ele vem?— Marco perguntou apreensivo.

Ele tinha marcado um encontro com um amigo de Lucca que eu conhecia e, Marco jurava que não queria muito mais que envolvimento físico, mas algo me dizia que ele estava realmente interessado no garoto.

Seria um tolo de deixar você esperando— prometi tomando um gole da bebida antes de entregá-la de volta a Marco – Vá, com coragem, vira o drink que eu pego outro para nós jajá— falei sorrindo amplamente.

Ele me olhou pensativo, mas dei um sorriso encorajador e logo Matteo apareceu e começou a dançar e cantar para Marco virar tudo, acompanhei-o na dança e no canto porque eu podia. Camila ficou rindo de nós dois, mas Marco fez o que sugerimos, então o abraçamos comemorando.

Você está lindo, não se preocupe— Camila disse quando falei o porquê dele estar nervoso – Falo isso porque sabemos que, quando ele aparecer, não vai querer fugir.

Já aconteceu com você?— perguntei curiosa e Camila riu.

Não, mas minha amiga saiu para um encontro e, quando chegou achou o cara feio e foi embora como se nada tivesse acontecido— ela contou.

Não é legal— falei chateada pela pessoa que levou bolo e Camila deu de ombros sem deixar claro se ela concordava ou não com a conduta.

Vi Lucca criar espaço pela multidão, sendo parado por uma menina ou duas dando guardanapos para ele que, claramente, continha o número delas. Lucca sorriu para elas da mesma forma cafajeste, antes de continuar andando e foi quando reparei que um garoto o seguia. Um belo garoto.

Ele está aqui— comemorei baixinho antes de fingir dançar distraída com Marco que me acompanhou, soltando uma lufada de ar que me fez arrepiar, porque foi perto demais do meu pescoço.

Marco!— Lucca chamou e Marco me olhou, dei um sorriso encorajador, então ele virou devagar, fazendo o distraído.

Oi?

Giuseppe está aqui — Lucca anunciou apontando para o garoto que sorria amplamente para o empresário da Italian Pack.

Como vai?— o garoto perguntou educadamente.

Marco deu dois passos e cumprimentou o garoto com um beijo no rosto. Ambos conversaram um pouco conosco antes de sumirem pelo bar que estava bem cheio.

A Italian Pack tinha feito o show e agora contávamos com um DJ para animar o local.

Cupido Lucca em ação— ele riu e eu sorri.

Um caso de amor resolvido e você já se denomina cupido?— ridicularizei e ele riu.

Bom, se você olhar bem ali— ele virou meu corpo para o canto próximo ao palco onde Bobby beijava avidamente uma garota ruiva – Verá que tenho mais do que uma pontuação para comemorar— sorriu e eu ri, concordando.

Meu erro, parabéns cupido— falei.

Foi quando percebi que as mãos dele estavam em minha cintura e a cabeça bem ao lado da minha, o que deixava minhas costas quase que coladas no peito de Lucca. Afastei-me devagar para não deixar o clima estranho, mas ele era realmente distraído, então sequer se importou. Ofereceu escolta até o bar e eu agradeci, seguindo com ele para lá.

Sentados nos banquinhos a gente ria alto e ficamos conversando por um bom tempo, em certo ponto da noite Matteo e Camila se juntaram a nós e antes de eu perceber Tina e Tato também, nós ríamos alto e conversávamos sobre as mais diversas amenidades.

Camila estava fazendo sua pós em alta costura e eu falava com ela sobre o curso de moda na Espanha o qual eu tinha me inscrito por indicação de uma professora.

Se foi ela quem lhe indicou o curso, é realmente uma oportunidade do caramba. A senhora Pagani é uma das melhores da faculdade, acredite quando eu a digo isto— Mimi falou arrastada – Se ela gosta de você, algo você faz certo.

Tento ao menos— falei e ela sorriu.

Em certo momento da noite eu percebi como tudo aquilo parecia bom e correto. Estar no meio deles me fazia sentir mais eu mesma, como se não houvesse história prévia, nenhuma dor que precisava ser curada. Eu era apenas a Alice animada e feliz, apaixonada por tantas coisas e pronta para viver o melhor dia da minha vida todos os dias. Era certo eu estar ali.

—Acho que estamos bons para ir – Lucca falou no meu ouvido devido a música alta e eu assenti.

Tínhamos ficado somente os dois quando os casais saíram para um pouco de privacidade e foi quando eu reparei que, apesar de me sentir mais eu mesma, não significava exatamente que eu era. E eu entendi o porquê quando pareceu que, para todo o lado que eu olhava, via algum casal junto.

Percebi que eu não realmente lembrava sobre ser solteira. Minha mente bêbada rodou naquele pensamento. Comecei a ficar com Jasper aos catorze anos e agora, cinco anos depois, eu estava perdida e sozinha numa coisa que eu não conhecia, eu ainda não estava solteira, mas sem ele por perto a carência e necessidade de estar com alguém, não apenas no sentido romântico ou físico da coisa – apesar de sim, eu sentir muita falta daquilo – mas sobre dividir as coisas, de olhar para alguém e saber que a pessoa estará ali, querer dividir coisas boas e ruins com ele, ele abdicar de coisas por nós e eu o mesmo.

—Seu casaco está no carro né? – Lucca perguntou ao meu lado colocando sua jaqueta em meus ombros.

Sorri agradecendo e seguimos para fora do bar sem nos preocuparmos em nos despedir de ninguém.

O cheiro de Lucca tinha virado estranhamente calmante para mim, ele representava segurança à minha pessoa. E, novamente, minha mente embriagada percebeu o que minha mente sóbria sequer cogitou, eu estava projetando em Lucca toda a minha carência.

Ele destravou o carro e entrou ainda alheio aos meus devaneios.

—Você está sóbrio? – perguntei quando coloquei o cinto.

—Minha missão é sempre embebedar vocês – ele riu e deu partida no carro.

Sorri de canto e fechei os olhos.

Acordei quando senti o vento gelado da madrugada bater contra mim e abri os olhos dando de cara com o pescoço de Lucca, sorri me ajeitando mais em seus braços, deixando o conforto dele me tomar.

—Você não estaria ronronando perto de mim se soubesse o que acabei de fazer.

Abri os olhos, espantada com as palavras dele. Primeiro porque não reparei que estava fazendo som algum, segundo porque...

—O que você fez?

—Tranquei a chave do meu carro dentro dele – ele bufou – Sem comentários sobre isso, a chave do seu quarto está no meu bolso, eu já chequei – ele riu.

Neguei com a cabeça, gargalhando.

—Você é muito sonso, Lucca, eu nunca vi nada assim.

—Ué, eu estava preocupado em não acordar a mamute – ele zoou e belisquei o braço dele sem nem pensar.

—OUCH– reclamou alto – Eu vou te jogar no chão, piccolina, não duvide – ele falou zangado e eu ri.

—Pode me colocar no chão, Lu, acordei bem – falei e ele obedeceu.

Caminhamos com as mãos entrelaçadas para o quarto e eu só reparei aquilo quando ele soltou para pegar a chave em seu bolso.

Minha mente estava mais atenta agora e todos os pensamentos que tive ao sair do bar me bateram e a culpa veio junto. Suspirei alto e entrei no quarto, sentando na cama e escondendo meu rosto nas mãos.

—Qual o problema?

—O que estamos fazendo? – perguntei e o silêncio dele me assustou.

Mas ao olhar para o rosto de Lucca, reparei que ele não tinha nem uma pista do que eu estava falando.

—Alice?

—Não posso fazer isso – falei nervosa ao levantar.

—Fazer o que?

Perdida entre minha sanidade e a confusão, não consegui medir as palavras antes de dizê-las.

—Querer beijar você como eu quero agora – confessei.

Lucca pareceu muito surpreso com a minha exposição e me arrependi no momento que ele se levantou também. Arrependi-me porque enquanto eu escondia aquilo de mim estava tudo bem e mais fácil, mas agora que havia exposto meu desejo, tudo parecia estranho, eu queria desfazer o espaço que nos separava, sentir-me desejada, querida, amada.

—Alice... – ele sussurrou.

Antes de realmente entender o que acontecia, nós dois andamos em direção um ao outro e nos beijamos com a vontade que estava acumulada a meses. Ele apertou minha cintura com delicadeza, mas firmeza, o jeito exato que eu precisava. Minhas mãos nos cabelos dele e nossas respirações descompassadas.

Eu sabia que a altura, a textura dos lábios e cabelos, o corpo que era prensado contra o meu, tudo era... diferente. Mas não pensei que era errado, não até nos separarmos e ficarmos nos encarando. E não foram os olhos, nariz ou boca diferentes que me mostraram que aquilo era apenas errado, foi minha mão pousada na lateral do rosto dele, a mão que tinha o anel, meu anel. O anel de Jasper.

Jasper.

Comecei a chorar copiosamente depois disso.

Lucca me abraçou e eu chorei ainda mais porque eu estava machucada, tinha traído meu noivo e estragado todas as coisas com Lucca, mas estava cansada e ainda embriagada. Não queria mais pensar naquilo, eu precisava de um tempo, eu queria pensar livre de amarras, de julgamentos.

Empurrei Lucca delicadamente e ele me olhou, aflito.

—Você quer que eu vá embora? – perguntou.

Olhei para ele, pensando naquela pergunta, obrigando-me a refletir em cima do preconceito, culpa e tudo, simplesmente com a maior verdade que meu coração tivesse para ofertar.

—Está sem carro – eu sussurrei.

Ele negou rapidamente com a cabeça.

—Não se preocupe com isso, apenas me diga... Você quer que eu vá embora? – perguntou firme.

Diferente do meu amigo divertido e sem noção. Respirei fundo, e neguei devagar com a cabeça. O anel que estava em meu dedo parecia pesar como uma âncora, então o tirei delicadamente, o posicionando em minha escrivaninha. Eu precisava me sentir livre.

—Queria que dormisse comigo, na verdade – falei sincera.

—Lili, você está bêbada...

—Não estou sóbria, mas não estou sendo impulsiva também – o cortei – Não quero que transe comigo, quero genuinamente que divida minha cama comigo, somente dormir. Preciso sentir-me segura um pouco, só um pouco Lu, e amanhã nós vamos conversar sobre isso – falei séria – Mas eu preciso que você saiba, que me confirme que tem o conhecimento de que eu amo Jasper – finalizei querendo que ele aceitasse ficar comigo sabendo de toda a merda que passava na minha mente.

—Eu não duvidei disso nem por um segundo – prometeu voltando a me abraçar.

Trocamo-nos no banheiro, primeiro eu e depois ele. Então deitamos abraçados na minha cama de solteiro e eu dormi. Tão bem quanto não dormia há quase um ano, sentindo a segurança nos braços e perfume distinto dos quais eu estava acostumada.

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|EDWARD|

Estava trabalhando na organização da letra que tinham me enviado por e-mail naquela semana enquanto Bella estava concentrada em algum livro de medicina que, eu tentei, mas não consegui entender para ajudá-la.

A Italian Pack se preparava para gravar seu primeiro EP em produção independente mesmo, jogariam em todas as plataformas digitais e, se debatiam para escolher que músicas colocariam nele. A música na qual eu trabalhava agora era uma forte candidata, então eu me esforçava para fazê-la parecer certa.

Distraído eu cantarolava a música. Tato e Matteo tinham feito um trabalho do caralho com a melodia, eu batia o pé no chão refletindo sobre como as frases se encaixavam melhor, então. Pela trigésima vez batendo o refrão, percebi uma coisa.

—Amor? – chamei e Bella levantou a cabeça para me encarar.

Sorri, ela era muito linda, puta que pariu, como eu tinha sido tão abençoado e sortudo daquela forma?

—Vida? – ela puxou-me de meus devaneios e eu sorri, percebendo que eu era mesmo o emocionado que Emmett sempre me zoava.

Lembrei do que queria falar.

—Pode tirar dez minutos? Quero te mostrar uma coisa – pedi e ela assentiu, marcando o livro e o deixando em cima da mesa de centro da nossa sala. Nossa sala.

Mesmo depois de algumas semanas dividindo a casa com Bella, ainda não conseguia acreditar na minha sorte. Ela tinha transformado o “apartamento reserva” – como costumávamos chamar o meu apartamento e de Emmett – em um verdadeiro lar em poucos dias que tinha se mudado para cá e eu não poderia estar mais contente com tudo aquilo.

—O que é?

—Uma música – falei – É sobre uma pessoa que nós conhecemos – eu acho— Quero que tente adivinhar quem – falei e ela assentiu, animada.

Peguei meu violão e toquei a parte da guitarra que Matteo tinha feito, muito boa mesmo, imaginei quando Bobby juntasse a linha da bateria com aquilo. Eu soube ali que aquela música* tinha que entrar no EP.

Querida, eu quero que você segure a minha mão. Porque eu gostaria que você me mostrasse a forma que você está levando, você está levando, você está levando isso devagar. Não deixe, não deixe isso sair do controle. Você está tornando, você está tornando isso difícil para mim. Eu estou quebrando, estou quebrando. Ambos sabemos que não é como costumava ser, eu estou tremendo, estou tremendo— a melodia crescia em animação – Ela tem estilo, eu tenho sentimentos por ela, ela tem estilo. Faz um tempo, encontre-me essa noite. Ela tem estilo— Bella sorria amplamente para mim, com certeza tinha gostado da música, mexia-se lentamente com a melodia – Ultimamente, eu tenho dormido aqui bastante. Bem agora, deixei minhas chaves no carro. Talvez eu goste de beber todas as noites, acho que estou perdendo tudo. Eu assinto, você sabe que é tarde demais, nós dois assentimos indo para caminhos diferentes. Algo continua a me dizer que eu fodi com tudo, é sempre o mesmo. Ela tem estilo, eu tenho sentimentos por ela, ela tem estilo. Faz um tempo, encontre-me essa noite. Ela tem estilo— o final era mais do mesmo, repetiam o refrão, mas a melodia ficava muito boa, mesmo.

Cortei a música naquele final.

—A música cresce, melodiosamente falando, mas os planos dos meninos são gigantes então não vou estragar com um simples violão.

—Essa música é ótima, amor. De quem é a letra?

—Ah-há, esse é o ponto, o que você achou da letra?

—Não consegui colocar ninguém nela – Bella disse mexida.

—Não mesmo?

—Camila? – ela perguntou insegura – A palavra estilo me remete a ela e...

—Alice – falei como a resposta final.

Bella franziu o cenho, confusa.

—Edward?

—Bella, dentre os mais diversos atributos de uma mulher, porque apontar o estilo dela? Ou ela se importa muito com isso, ou realmente é algo que chama a atenção. No caso da minha irmã pode ser os dois.

—Mas... Não é sobre a Mimi? – Bella voltou a bater na tecla e eu suspirei.

—Eu teria pensado nisso, caso a letra fosse do Matteo.

—De quem é a letra? – ela perguntou curiosa.

—Lucca.

—---

*a música chama Style da banda Easy Shapes e eu não a achei no Youtube, por isso não coloquei o link, mas escuto ela pelo Spotify, é uma música do álbum "So We Can Play With Fire" da banda que não é muito conhecida, mas é muito boa.

Notas finais
Okay, antes das Alisper shippers me chutarem quero deixar claro que a Alice realmente sempre namorou e o Lucca está sempre por perto e vamos lembrar que já faz quase um ano que ela não sabe nada sobre o Jasper e, mesmo assim, ela ainda se debateu para assumir que ela gosta do Lucca (o que não a impede de amar o Jasper), enfim... Quero muito saber o que acharam do capítulo de hoje! Me diverti muito escrevendo ele, deixando inata a relação de Bella e Edward, Rose e Emm dando um grande passo e Alice surpreendendo no final. O que acharam da música do Lucca? Essa banda é ótima, eu amo demais, indico cada singular canção deles, sério! Espero que tenham gostado e que deixem suas opiniões nos reviews (mesmo que não tenham gostado, gostaria de saber em que eu poderia melhorar) Nos vemos logo!