Notas iniciais
"You can’t see me, no; Like I see you; I can’t have you, no; Like you have me; And I want you in my life; And I need you in my life" (Você não pode me ver, não; Como eu te vejo; Eu não posso ter você, não; Como você me tem; E eu quero você na minha vida; E eu preciso de você na minha vida) — You, The Pretty Reckless

Eu me sentia estranha, desconfortável. Mas não deixei que aquele sentimento me dominasse. Tentei ser cordial com Benjamin, que claramente estava me dando bola. Eu não era boba. Edward passou o almoço inteiro calado e saiu assim que deu o seu horário, apenas dando um aceno. Ele não parecia feliz. Não deixei de pensar que era por causa de ontem, mas, analisando os fatos, não tinha acontecido nada para que ele ficasse daquela forma. Decidi deixar aquilo para lá, embora ainda estivesse preocupada. Talvez ele só estivesse tendo um dia ruim.

— Mas então, Bella? O que achou da aula de hoje? Aquele livro que o professor de didática passou é incrível! – Benjamin perguntou e me tirou dos meus pensamentos.

— Foi ótima. Eu já tinha lido esse livro, discutir sobre ele foi ótimo. Nosso professor domina muito bem o assunto. – Falei, meio desanimada. Não tinha a menor intenção de discutir sobre a aula. Meus pensamentos estavam longe, mais precisamente no garoto de cabelos acobreados que tinha acabado de cruzar o salão.

— Queridos, eu preciso ir. – Angela falou. – Até mais.

— Eu também preciso. – Rosalie completou e começou a juntar suas coisas. Eu, querendo evitar ficar sozinha com Benjamin, me juntei a ela. Eu tinha mesmo muita coisa para conversar com minha amiga.

— Eu também vou. – Falei, para que ela me esperasse. – Benjamin, muito bom te conhecer. Eu preciso ir agora, mas a gente se vê por aí. – Completei e dei um sorriso amarelo.

— Claro. A gente se vê, Bella. – Ele falou com um semblante meio desanimado.

Já no corredor com Rosalie, ela começou a falar como se pudesse ler os meus pensamentos.

— Bella, o Edward estava estranho hoje, né?

— Sim. Eu não sei o porquê, isso está me matando. – Falei e expliquei o que tinha acontecido de manhã, na aula.

— Ele não disse nada quando vocês estavam perto do buffet? Eu vi vocês dois conversando. – Rose perguntou.

— Não. Na verdade, quando ele ia falar, o Benjamin chegou. – Expliquei a ela.

— Ah, tá explicado. Ele estava bem desconfortável, foi o que eu achei. Será que ele está com ciúmes de você, Bella? – Ela teorizou.

— Rose, não pira. Eu sou só uma amiga pra ele. Então, sem essa. E ele estava estranho desde antes da aula, mal falou comigo hoje. – Eu disse, dando de braços.

— Bell, você disse que ele conversava com o Benjamin antes da aula e que ficou estranho. Será que o Benjamin pediu, sei lá, ajuda pra chegar em você? – Ela perguntou.

— Sei lá, Rose. – Falei, sem pensar realmente na possibilidade. A única coisa que eu queria entender era o que havia de errado com Edward.

— Por que assim… Que o Benjamin tem uma queda… aliás, um precipício por você, todo mundo percebeu.

— É. Até eu. – Eu disse e ri.

— Mas eu sei que não é correspondido… Mas ele é legal, bonitinho até. – Rose disse.

— É, pode ser. Mas a gente não manda no coração, Rosinha. – Eu disse quando já chegávamos ao estacionamento. Rose me olhou com ódio, mas nada disse sobre o apelido.

— Sim, infelizmente. Mas pode ser que o Edward só esteja mal hoje. Acontece com todo mundo. Não pira com isso. – Ela disse, e concordei com minha amiga.

— Pode ser. Pensei nisso mais cedo. Enfim. Acontece. – Eu disse, cada vez mais desanimada. Só queria chegar em casa, deitar na minha cama e fingir que eu não existia. Mas parece que Rose tinha outros planos para mim.

— E você, Bellinha. Está desanimada demais e eu odeio te ver assim. Entra no seu carro. Vamos para a sua casa. Nós vamos sair. – Anunciou Rosalie.

— Mas eu tenho coisa pra estudar, Rose.

— Dane-se o estudo por hoje. Você triste não ia conseguir estudar mesmo. – Ela argumentou. E realmente o que disse era verdade. Eu ia só ficar olhando para o teto.

— Tudo bem. Acho que estou precisando mesmo de um descanso. Para onde vamos? – Perguntei, um pouco mais animada.

— Para o shopping, ora. Eu sei que você detesta, mas vai por mim. Comprar roupas é terapêutico. – Ela me olhou. – E ai, topa?

— Tudo bem. Mas só se a gente passar na livraria depois. – Eu dei um sorriso.

— Tá bom. – Ela sorriu também e entrou em seu carro. Ela me seguiu até em casa para que eu deixasse minhas coisas e fomos para Port Angeles.

Depois de passar cerca de três horas perambulando de lojas em lojas, eu saí com quatro sacolas de roupas. Paramos em uma lanchonete e pedimos um café.

— Eu definitivamente vou morrer quando a fatura do meu cartão chegar, Rosalie. – Falei, pensando no desfalque que minha conta bancária iria levar no fim do mês.

— Ah, Bella. – Ela me olhou e revirou os olhos. – Nós temos que fazer algumas loucuras na vida. E você ainda vai passar na livraria, aí sim vai gastar horrores. – Ela apontou o dedo para mim. – Te conheço.

— Conhece mesmo. – Eu ri, pensando nos prováveis livros que eu iria levar para casa e nos que eu iria me arrepender de não ter levado.

— Mas então… Como você está? – Rose perguntou. – Fala que melhorou só um pouquinho, por favor! – Ela juntou as mãos, em sinal de oração. Eu conhecia Rose, ela não era uma das mais religiosas. Aquela cena me fez sorrir.

— Eu estou um pouco melhor, mas ainda preocupada. Não paro de pensar em ontem. – Falei, apoiando o queixo em minhas mãos.

— Eu queria ser uma mosquinha pra ter visto aquela cena. E a Alice nem pra postar um stories! O Instagram existe pra isso, sabe. – Rose reclamou, e eu gargalhei.

— É até bom que não tenham gravações. Eu não ia parar de assistir, Rose. – Disse. Era verdade. Eu iria querer reviver aquele momento milhares e milhares de vezes, e me apegaria naquele pequeno instante, assim como estou me apegando à minha breve lembrança.

— Isso é verdade. Mas bem, se você ainda está preocupada com o Edward, você vai poder saber como ele está. – Rosalie disse, olhando para algo atrás de mim. Me virei rapidamente e vi Alice vindo em nossa direção, com seus cabelos curtos balançando e um sorriso perfeito no rosto, exatamente igual ao do irmão. Ela estava acompanhada por uma mulher muito bonita, extremamente parecida com ela e Edward. Suspeitei ser sua mãe.

— Ei, Alice! – Rosalie acenou para as mulheres, e eu apenas continuei a encará-las. O sorriso da mulher mais velha se abriu quando ela perguntou algo para Alice, que logo chegou à nossa mesa.

— Oi Bella! – Ela me deu um abraço e outro em minha cunhada. – Essa é Esme, minha mãe. Mãe, essas são Bella e Rosalie. A Bella é aquela amiga do Edward que ele disse. A da maternidade. A Rose é cunhada dela. – O sorriso perfeito da mulher se abriu mais ainda. Eu podia ver as expressões de Edward nela. Ela tinha os mesmos olhos.

— Bella! Que prazer finalmente poder te conhecer. O Edward falou muito de você. – Esme disse e meu coração acelerou.

— O prazer é meu. E o Edward? Onde ele está? – Perguntei, sem conseguir me segurar. Eu precisava saber como ele estava.

— Ele está em casa. Chegou dizendo que estava com dor de cabeça. Mas eu digo que você perguntou por ele. – Ela disse, e eu corei. O que ele iria pensar disso?

— Sentem-se, vamos conversar melhor. – Rose disse, e elas se sentaram.

— O que vocês fazem aqui numa segunda feira? – Alice perguntou. – Comprinhas?

— Exatamente. – Apontei para Rosalie. – Essa aí me arrastou.

— Só estava tentando ajudar. – Ela disse e deu um sorriso angelical.

— Ajudar a estourar meu cartão. – Eu disse e todas nós rimos.

— Mas então, Bella. É realmente muito bom te conhecer. Como sua mãe está? Quero vê-la! – Esme perguntou.

— Ela está ótima, senhora Cullen... – Eu ia falando, mas ela me interrompeu.

— Ah, por favor, Bella. Só Esme. – Ela pousou a mão sobre a minha e sorriu.

— Tudo bem, Esme. Minha mãe está ótima e louca para te reencontrar. – Falei.

— Você mencionou o jantar que ela está preparando? Aliás, você já falou com o Edward sobre isso? Sua mãe me perguntou ontem a noite. – Rose questionou.

— Ah, sim, Rose. Esme… Minha mãe quer dar um jantar lá em casa, sabe como é, para vocês se encontrarem. – Eu expliquei.

— Nós iremos! Agradeça à sua mãe por mim. – Ela olhou para Alice.

— Eu já estou empolgada. – A menina de cabelos pretos bateu palmas.

— Meninas, foi ótimo conversar com vocês, mas eu preciso terminar um projeto. – Esme disse. – Alice, você fica ou vai comigo?

— Tudo bem se eu ficar? – Ela perguntou para nós, que acenamos em positivo. Era bom ter a companhia de Alice. – Então eu fico. Depois eu pego um Uber.

— Não, eu te deixo em casa, não se preocupe. – Rose falou. A ideia de ir até a casa de Edward fazia meu coração bater forte e minhas mãos suarem frio. Escondi-as debaixo da mesa.

— Tudo bem. Até mais, Rosalie, Bella. Avise ao Edward a data do jantar, ok? Estamos esperando ansiosos. – Esme disse e sorriu. Deu um beijo no alto da cabeça da filha e foi embora, carregando algumas sacolas.

— Pronto, Bella. Pode perguntar o que você quer saber. – Rose falou e se inclinou sobre a mesa, atenta. Fiz minha pior expressão para ela, mas eu de fato queria saber como Edward estava, se tinha falado alguma coisa para a irmã.

— O que você quer saber? – Alice perguntou, curiosa.

— Queria saber como o Edward está. Ele mal falou comigo hoje. Eu o achei meio… estranho, distante. – Expliquei.

— Ah, isso. Eu também achei, ainda mais por que antes da aula ele estava normal, feliz até. Mas quando fomos embora ele estava diferente, porém não comentou nada. Eu também não tive muito tempo para conversar com ele. – Alice disse.

— Ah. Entendi. Eu só estava preocupada. Nada de mais.

— Eu sei. – Ela sorriu. – E ontem, hein? Vocês dois… Achei que fosse rolar alguma coisa. – Alice falou.

— Alice, você não gravou nada? Instagram existe, sabe. Queria ver a cena deles no karaokê. – Rose perguntou.

— Eu me esqueci completamente, desculpe Rose. – Ela riu. – Mas foi tão fofo! Eu podia jurar que eu vi algo diferente rolando entre vocês.

— Rá, rá. Sem chance. Ele me vê só como amiga, Ali. – Eu disse, desanimada. A cada vez que eu proferia aquelas palavras, um pedaço do meu coração quebrava.

— Mas as coisas podem mudar. Nunca se sabe... – Ela disse e piscou para mim. Ela parecia saber de algo que eu não sabia. Mas o que era? Eu não teria coragem de perguntar, pois sabia que ela não iria me contar. Pelo pouco que eu sabia da relação dela e de Edward, eles eram extremamente grudados e fiéis um ao outro. Ela não ia me entregar qualquer informação de mão beijada.

Decidi que não iria perguntar nada, pois poderia ser apenas uma impressão minha. Mas aquelas palavras ficaram na minha mente e eu me agarrava a elas como uma última esperança.