Notas iniciais
“It's just another night; And I'm staring at the moon; Saw a shooting star and thought of you” (É só mais uma noite; E eu estou encarando a lua; Vi uma estrela cadente e pensei em você) — All Of the Stars, Ed Sheeran

Era o momento do crepúsculo quando cheguei em casa. Ao estacionar, olhei para as luzes laranjas, rosas e amarelas do céu de Forks rodeadas por algumas insistentes nuvens de chuva. Eu gostava daquele momento. Na verdade, eu gostava do céu e as tonalidades do fim de tarde eram as que mais me agradavam. Elas só não ganhavam das estrelas, lindas, brilhantes e imponentes no céu. Mas aqui, infelizmente, elas quase não apareciam para me dar um oi.

Encontrei meu irmão na sala assistindo a um jogo de baseball, seu esporte favorito. Ao me ver, ele se levantou e veio até mim.

— Oi irmãzinha. – Ele me deu um abraço que me tirou do chão. Emmett tinha um abraço de urso. – Saudades do seu irmão favorito? – Ele me perguntou enquanto ele me carregava no ar. Emmett estudava educação física em Seattle e, geralmente, ficava por lá durante as aulas. Era estranho ele estar ali.

— Claro, claro. Agora, se você puder, meu querido irmão, me coloque no chão. – Eu disse e ele me trouxe de volta à segurança dos meus pés no carpete. Já no chão, eu completei: – Na verdade, que eu saiba, você é meu único irmão. – Ele riu e deu dois tapinhas em minha cabeça, como se estivesse fazendo com uma criança.

— Mas não deixo de ser o favorito. – Emm respondeu.

— Onde estão o papai e a mamãe? – Eu perguntei.

— Eles foram ao supermercado comprar as coisas para o jantar de hoje. A Rosalie vem. Nós vamos contar que estamos namorando para o papai e a mamãe. E para você também, é claro. – Ele parou de falar e resmungou baixinho, para ele mesmo: – Na verdade eu estou contando agora, mas isso não importa.

— Nossa, que novidade! – Eu fingi ultraje. – Eu juro que nunca esperei o meu próprio irmão me contar e fiquei sabendo pela minha melhor amiga que agora ela é minha cunhada! – Eu dei um tapinha em seu braço. – E você ainda diz que me ama. Isso é inaceitável, Emmett.

— Ah, Bellinha! Não fica assim! Eu ia te contar. – Ele me abraçou de novo.

— Sei, Emm. Acredito em você… – Eu falei com deboche.

— O que importa é que eu contei pra você. E vou contar pro papai e pra mamãe hoje. Eles nem fazem ideia. – Ele riu.

— Emm, você e a Rose não desgrudam um do outro desde o primeiro ano do ensino médio. Você acha mesmo que nossos pais não sabem? A Rose vinha aqui toda semana praticamente.

— Mas você é amiga dela, ué. – Ele argumentou, mas parou um momento, olhou para o nada e voltou a falar. – Você tem razão, é óbvio que eles já sabem… Mas bem, pelo menos fica oficial, né? – Ele perguntou e sorriu, e eu sorri junto com ele. O sorriso de Emmett era contagiante e desfazia qualquer pose que ele pudesse ter. Ele era grande, botava medo, mas na verdade era inofensivo.

— Eu fico feliz por vocês, meu casal lindinho. – Eu falei e fiquei na ponta dos pés, para dar um beijo em sua bochecha. – Vou subir e tomar um banho. – Eu fiz menção de subir as escadas quando meu irmão me chamou.

— Bells, você sabe que o seu tweet fez o maior sucesso, né? – Eu nem estava lembrando disso e tinha esquecido completamente meu celular no fundo da minha mochila.

— Até você já sabe? – Eu perguntei.

— A Rose me contou e bem… Eu vi no twitter, né. – Emm respondeu e deu de ombros. – Acho que vocês vão achar esse cara.

— Eu não acredito muito nisso… E na verdade esse tweet foi ideia da Rose. – Eu contei e meu irmão riu.

— É claro que sim, você não ia ter coragem de fazer isso. Te conheço desde quando você estava na barriga da mamãe, pirralha.

— Bem, isso é verdade. Mas eu certamente não espero que eu vá achar ele. É quase impossível, Emm. E se ele não morar mais aqui? E se ele tiver morrido? – Eu falei e meu irmão gargalhou.

— Deixa de ser surtada, Bells. Essa cidade é um ovo. Se tudo der certo, até semana que vem você vai saber quem é o “garoto misterioso”. – Ele falou, fazendo um movimento de aspas com os dedos. – Inclusive, a mamãe já viu algumas fotos de algumas pessoas que mandaram nos comentários. Ela não reconheceu ninguém ainda.

— Até a mamãe já sabe? – Eu perguntei assustada com a proporção que aquilo tinha tomado.

— Querida, eu sou fofoqueiro. Tive que contar para ela. Ou você acha que eu não estou curioso para saber quem é esse cara? O meu primeiro cunhado! – Ele gargalhou de novo.

— Você é ridículo, Emmett. – Eu falei e ele jogou uma almofada do sofá em mim, que a taquei de volta nele. Subi as escadas e fui para meu quarto. Encontrei meu celular jogado no fundo da mochila, com quatro ligações perdidas de Rosalie e várias notificações do Twitter, que não paravam de chegar. Entrei no aplicativo e vi que meu tweet contava com mais de mil retweets, centenas de comentários e quase dez mil likes.

Meu telefone tocou. Era Rosalie.

— Bella! Eu já estava preocupada, você não atende minhas ligações! Só fiquei tranquila quando o Emm me avisou que estava com você. – Minha amiga falou.

— Eu estava dirigindo e quando cheguei fiquei conversando com o Emm, só vi suas ligações e todas as milhares de notificações agora. – Eu me joguei na minha cama, tirando o tênis e o jogando pelo meio do quarto.

— Ai! – Rosalie deu um grito. – O Emm te contou que ele já falou com a Renée e que ela já viu algumas pessoas que poderiam ser nosso garoto? Eu tô tão animada, Bella!

— Sim, ele me falou. Esse homem é um grande fofoqueiro. Mas confesso que fiquei animada também. Agora eu quero saber realmente quem esse garoto é, estou curiosa, Rose! Olha o que você fez comigo. Está feliz? – Eu respondi.

— Eu estou radiante, Isabella! Mas voltando aos nossos planos, eu vou te ajudar. Ele vai aparecer. Você já recebeu alguma mensagem na DM? – Ela perguntou, e abri o notebook para olhar.

— Tenho só vinte e três mensagens novas. Por enquanto. – Eu falei. – Rose, você não ia jantar aqui em casa? – Eu mudei completamente o assunto.

— Eu vou! Inclusive falo com você enquanto eu faço minha maquiagem. – Ela parou por um momento. – Espera, estou passando batom. Se eu falar mais, vai borrar tudo.

— Rose, são só meus pais. Calma. – Eu falei e comecei a rir da minha amiga.

— Eu sei, mas quero causar uma boa impressão. Agora eles são meus sogros né. – Ela falou.

— Bem, se você acha… Na verdade eu acho que eles ainda veem você como aquela menina loirinha que vinha brincar de bonecas comigo.

— Ai, que saudades. Não das bonecas, claro, mas do tempo que nós passávamos juntas. Era tão bom, não tínhamos nenhuma preocupação… – Ela falou e soltou um suspiro no final.

— E olha onde estamos, você vindo jantar em casa como minha cunhada. O mundo gira. – Eu completei e Rose gargalhou.

— Mas me conta… E o Cullen? Viu ele de novo? – Rosalie perguntou, como quem não quer nada.

— Não o vi mais, mas amanhã nós temos aula de novo, então acho que eu o verei. – Eu falei para ela e a imagem dele veio diretamente em minha mente.

— Entendi… Ele parece ser legal. Quem sabe vocês se aproximam, não é, Bellinha? – Ela disse.

— Lá vem você com essa história. Ele é só minha dupla, assim como foi no ensino médio. – Falei.

— Mas tudo pode mudar, Isabella. Como você mesmo disse, o mundo gira. – Ela argumentou e eu sorri. Quem sabe, não é mesmo?

— Ai, ai, Rose. Só você mesmo para fantasiar uma coisa dessas. – Eu falei. – Eu preciso ir. Quero esperar minha cunhada minimamente apresentável. Até daqui a pouco.

— Até, Bells. – Ela respondeu.

Assim que ela desligou o telefone, minha mente foi direto à Edward, meu amor de adolescência quase – ou nunca? – superado. Será que o mundo giraria daquela forma para mim? Parecia impossível, tão impossível quanto uma semana de Sol seguida em Forks.