Notas iniciais
“Listen to your heart, when he's calling for you; Listen to your heart, there's nothing else you can do.” (Ouça o seu coração, quando ele está chamando por você; ouça o seu coração, não há mais nada o que você possa fazer.) — Listen to Your Heart, Roxette

Acordei naquela segunda-feira com a cabeça latejando. Para completar, era o meu primeiro dia de aula do semestre na faculdade. Ótima forma de começar, eu diria. Peguei meu celular e vi quase vinte ligações perdidas de Tanya.

— Ai, Deus. Era só o que me faltava. – Eu falei. Ouvi duas batidas na porta. Quando me virei, vi minha mãe parada.

— Edward, você está bem? – Ela perguntou e caminhou em minha direção. Esme se sentou ao meu lado na cama. – A Tanya me ligou. Ela disse que vocês terminaram. O que aconteceu?

— Eu estou bem. É verdade. Ela me ligou umas vinte vezes, também. Mas sim, nós terminamos. Não ia dar certo. – Eu falei, sem dar mais explicações, pois eu sabia que aquilo a magoaria. Minha mãe gostava muito de Tanya e de sua família. Quando meu pai nos apresentou a família de Eleazar – um amigo do hospital –, minha mãe se encantou pela filha dele e de Carmen Denali. Tanya era realmente uma garota incrível, e logo que nos conhecemos ficamos amigos muito rápido. Sempre soube que ela tinha segundas intenções com a nossa amizade, e, depois de muito escutar minha mãe falar, acabei cedendo e dando uma chance à Tanya. Nosso breve relacionamento durou um semestre da faculdade – cerca de cinco meses –, tempo suficiente para minha mãe se apaixonar mais por Tanya do que eu.

— Mas por que vocês acabaram? Você gostava tanto dela, Ed… – Minha mãe falou, e logo eu pensei: “Não, mãe. Você gostava dela.”

— Mãe, como eu disse, não ia dar certo. Agora eu vou focar na faculdade… Inclusive, já estou quase atrasado. – Eu dei um beijo em seu rosto. – Vai ficar tudo bem. – Falei e saí para o banheiro.

A realidade era que o que eu sentia por Tanya era nada mais do que amizade. Eu não a amava, nem era apaixonado por ela. Eu tentei gostar dela, mas aquilo tudo parecia errado. Não fazia sentido para mim continuar em um relacionamento em que eu não me sentia completo. Eu expliquei a situação para Tanya, que em um primeiro momento deu a entender que me compreendia. Porém depois que saí de sua casa, ela não parou de me ligar em nenhum momento. Hoje eu falaria com ela mais uma vez.

Cheguei à faculdade quase atrasado. Por sorte as ruas estavam relativamente vazias perto de casa, por isso consegui fazer um bom tempo até chegar ao prédio da universidade. Se minha mãe soubesse que eu andava a quase duzentos por hora nas ruas de Forks, ela me mataria. Peguei meu celular no bolso e entrei no site da faculdade para consultar qual a sala de cada matéria. Minha primeira aula seria de didática. Eu fazia Biologia, a total contragosto de meu pai, que insistiu para que eu fizesse medicina. No entanto, o que eu realmente gostava era de ensinar.

Ao chegar na sala, percebi que haviam poucas pessoas conhecidas na minha turma. Teria eu entrado na sala errada? Era pouco provável. Resolvi ignorar aquilo e me sentei em uma cadeira perto da porta – mais fácil para fugir caso eu realmente estivesse na sala errada. Algumas pessoas passavam por mim e me davam um “oi”, todas de minha turma, até que uma velha conhecida parou ao meu lado.

— Edward? – Ela perguntou. – Não sabia que você estava nessa turma.

— Oi, Bella. Como vai? – Falei. – Pois é, resolvi adiantar essa matéria.

— Estou ótima, e você? Bem, é ótimo que você esteja aqui. Eu ouvi falar muito bem desse professor. Posso? – Ela apontou a cadeira ao meu lado.

— Claro que sim. – Eu disse e ela se sentou.

— Você cursa o quê, mesmo? – Bella questionou.

— Biologia. Nenhuma surpresa, não é? – Eu ri. – Você faz Letras, certo?

— Isso mesmo. – Ela falou e concordou com a cabeça. – Eu lembro que você era ótimo em biologia. Acho sua cara.

— Ah, você era boa também. Nós éramos uma dupla imbatível no que se referia às cebolas de ouro, não é? – Eu falei e ri, me recordando das inúmeras cebolas de ouro que nós ganhamos do professor pelos experimentos nas aulas.

— Ah claro! Éramos realmente imbatíveis. Acho que o senhor Banner nunca sentiu tanto orgulho dos alunos dele quanto de nós. – Ela disse e soltou uma risada.

Nesse momento, nosso professor começou a falar e nosso assunto foi cortado.

— Eu quero que vocês façam duplas. Escolham bem, pois vão ser as mesmas duplas até o fim do semestre. – Eu e Bella nos olhamos instantaneamente e ela sorriu para mim, que não consegui deixar de retribuir o sorriso da garota.

— Parece que teremos um replay do ensino médio? – Eu perguntei. Ela deu de ombros e arrastou a cadeira até meu lado. O professor continuou a explicar como a disciplina iria funcionar, mas eu só conseguia lembrar do meu ensino médio e das poucas vezes que estive em companhia de Bella.