Notas iniciais
"I'm hooked on all these feelings; I know exactly what I'm feeling; This love asylum, like an island, just me and you" (Estou viciada em todos esses sentimentos; Eu sei exatamente o que estou sentindo; Este asilo de amor, como uma ilha, só eu e você) — Feelings, Hayley Kiyoko

Dirigi o mais rápido possível para o shopping. No rádio, conectado ao bluetooth do meu celular, a playlist que estava no modo aleatório começou a tocar a música que eu e Bella tínhamos cantado no karaokê. Eu não parava de ouvir aquela música depois daquele acontecido e, dois dias depois, ela já era a primeira música das mais repetidas no meu Spotify. Estacionei o carro na primeira vaga que vi e continuei a cantarolar a tal música. Fui até uma livraria megastore, a fim de achar o presente perfeito para Bella. Quando bati o olho naquele pequeno livro de capa marrom e bordas douradas, não tive dúvidas. Aquele seria o presente perfeito: uma forma de nos ligarmos. Não me importei com o preço, paguei e saí da loja completamente satisfeito. Se mantivesse meu histórico de bom presenteador, Bella iria adorar o que eu tinha planejado.

Dirigi de volta para casa, enquanto pequenas gotas de chuva batiam na janela do carro. A chuva não iria atrapalhar minha expectativa, mas, enquanto esperava o sinal de trânsito abrir, chequei a previsão do tempo da chuvosa Forks. Céu sem nuvens na parte da noite, sem previsão de chuva. Chegando perto da entrada da cidade, peguei um certo congestionamento. Estava tudo parado, e, enquanto eu esperava a boa vontade dos motoristas de andarem, procurei em meu celular fotos do dia do aniversário de Alice, mas, para meu completo desespero, não achei nenhuma. Burro! Celular existe para essas coisas, Edward!

Tinha ficado tão extasiado com Bella naquele dia que eu nem me toquei que meu celular existia. Era só ela. Pensei em meu plano de presente. Não poderia dar errado de jeito nenhum e eu só sabia de uma pessoa que era capaz de me ajudar. Quando cheguei em casa, corri para achar minha irmã.

— Alice! Aliceeee! – Gritei por minha irmã enquanto entrava pela porta.

— A casa está pegando fogo? O que está acontecendo, meu Deus? – Ela falou, com a boca cheia de sanduíche de atum. Ela quase se engasgou de desespero.

— Não, claro que não. É que eu preciso de um favor. Mais precisamente do seu celular. – Expliquei.

— E você precisava entrar gritando assim? Eu achei que estávamos sendo assaltados, ou a casa pegando fogo, uma invasão alien… – Ela começou a rir. – Você é muito desesperado, Edward. Aposto que tem a ver com esse jantar de hoje.

— Óbvio que tem. – Falei e dei de ombros. – Você me conhece, né?

— Conheço. O que você quer?

— Preciso do seu celular. Na verdade, preciso de uma foto do seu aniversário. Você deve ter tirado alguma. – Expliquei.

— Que foto, Edward? Eu tirei umas trezentas. – Ela pegou o celular do bolso e começou a mexer.

— Preciso de uma foto minha com a Bella. Por favor, diga que você tirou pelo menos uma foto nossa. Você é mestre em tirar fotos quando nós não estamos vendo. Conto com seu dom agora. – Eu falei, juntando minhas mãos em sinal de súplica.

— Ah. – Ela gargalhou. – É óbvio que eu tirei várias, bobinho. Não iria perder a oportunidade de tirar as primeiras fotos do meu casal. Não gravei nenhum vídeo, o que foi um erro, mas fotos eu tenho!

— Só pra constar. Nós não somos um casal. É só um presente que eu vou fazer. Me deixe ver as fotos. – Eu disse, estendendo a mão para ela.

— Aqui. Começam aí. Pode escolher. – Alice falou e logo comecei a passar as fotos. Ela realmente tinha tirado várias e eu, como sempre, não tinha percebido. Ela era sorrateira.

— Você vai me contar o que é o presente ou eu terei que descobrir sozinha? – Minha irmã perguntou, enquanto eu olhava as fotos. Era uma mais bonita que a outra.

— Vou fazer um álbum. – Falei.

— Meio ultrapassado, mas fofo. Adorei! Queria ajudar, mas eu preciso voltar pra faculdade. – Ela disse, e, para não atrasá-la, enviei todas as fotos minhas e de Bella que ela havia tirado para o meu celular.

— Muito obrigado, baixinha. – Dei um beijo no alto de sua cabeça. – Como sempre, você me salvou. – Apertei suas bochechas.

— Não há de que. – Ela pegou o celular e a mochila, que colocou no ombro. – Eu realmente tenho que ir, mas quero ver esse presente, hein? Tira foto de tudo e me manda!

— Seu pedido é uma ordem, maninha. – Eu disse e sorri para minha irmã, que saiu pela porta como um furacão.

Subi as escadas e fui direto para o escritório de minha mãe. Eu quase nunca entrava lá porque meus dotes artísticos eram mais próximos do zero, mas hoje eu iria me esforçar. Não seria tão difícil. Sentei-me à mesa, meticulosamente organizada. Canetas e lápis coloridos todos separados por tons, blocos de post it também. Liguei o notebook e imprimi as fotos que peguei com Alice, além de imprimir a foto mais importante para nós.

Enquanto eu colava as fotos no pequeno livro, senti um olhar sobre mim. Ao olhar para a porta, deparei-me com minha mãe me observando.

— Sabe, você sentado nessa cadeira me fez lembrar de quando você e sua irmã eram pequenos e ficavam o dia inteiro colorindo e pintando aqui. – Ela disse e se aproximou de mim, colocando suas mãos em meus ombros. – Que lindo. Para a Bella, certo?

— É. – Eu ri, meio sem graça. – Queria fazer uma coisa especial.

— Entendi. E o que vão fazer no aniversário de vocês? – Esme perguntou. – A Alice já quer saber. Você a conhece.

— Conheço bem. Foi um milagre ela não querer fazer uma festa dupla esse ano. Ela sempre vem com essa ideia. – Eu ri.

— Teria que ser uma festa tripla. Ela, você e a Bella. Acho que ela desistiu da ideia.

— E é melhor nem comentar isso. Vai que ela inventa isso de novo? – Falei.

— Minha boca é um túmulo. – Minha mãe disse e sorriu. – Eu vim te avisar que daqui a pouco vamos sair. Se você quiser começar a se arrumar. – Ela deu de ombros, e olhei o relógio. Não tinha notado que o tempo tinha passado tão rápido, e já eram quase sete da noite.

— Estou indo. Só vou terminar de colar essas fotos aqui e escrever uma coisa. – Avisei.

— Ok, te espero lá embaixo. – Ela disse, e deu um beijo no alto da minha cabeça.



Cerca de uma hora depois, estávamos parados à frente da casa de Bella, observando a movimentação antes de sairmos do carro.

— Que casa linda. – Minha mãe falou, sempre muito observadora.

Saímos do carro e fomos em direção à casa branca. Pelas janelas, era possível ver a movimentação do interior. Toquei a campainha, e, menos de dez segundos depois, a porta se abriu, revelando Bella.

— Meu Deus. – Falamos em uníssono, e começamos a gargalhar. Nós dois tínhamos escolhido exatamente a mesma roupa para nos vestirmos. Um suéter caramelo e um jeans preto. – Ah, olá Esme. Entrem, por favor.

— Olá Bella. Você está linda, fazendo dupla com o Edward. – Minha mãe sorriu para minha amiga, que a abraçou.

— Ah, vocês chegaram! Finalmente! – A mulher, mãe de Bella, disse. O pai, chefe de polícia da cidade, estava ao seu lado com um leve sorriso por baixo do bigode. – Esme, que prazer te reencontrar. Edward, muito bom te conhecer. A Bella fala muito de você. – Ela disse, e notei que Bella ficou mais vermelha que um pimentão. Eu sorri com a informação.

— Muito prazer, senhora Swan. – Falei.

— Pelo amor de Deus! Senhora está no céu. Me chame de Renée. Esse aqui é o Charlie, meu marido. – Renée sorriu, e estendi a mão para o pai de Bella.

— Chefe Swan. Muito prazer.

— O prazer é meu… Edward? – Ele perguntou.

— Isso. – Eu ri.

— Desculpe. Não sou muito bom com nomes. – Ele deu um sorriso fraco.

— Bem, hoje nossa família está incompleta. – A mãe de Bella começou a falar. – Meu filho Emmett e minha nora Rosalie estão em um jogo. Coisa da faculdade do Emmett. Mas vocês vão se conhecer em breve, eu espero.

— Ele conhece a Rose, mãe. Só o Emm que não. – Bella explicou.

— Ah, sim. – Renée balançou a cabeça.

— Hoje também estamos incompletos. Carlisle está de plantão e Alice precisou ficar até mais tarde na faculdade, mas oportunidades não vão faltar para você se conhecerem. Precisamos marcar outro jantar, mas dessa vez, faço questão que seja em minha casa. – Minha mãe falou.

— Vai ser um prazer, senhora Cullen. – Charlie falou.

— Bem, já que vocês já chegaram, vamos jantar? – Renée jogou a pergunta no ar, e todos concordamos.

O jantar correu bem. A mãe de Bella cozinhava de forma excepcional, e conversamos basicamente sobre o passado de nossas mães e minha amizade com Bella. Depois de satisfeitos, nossos pais se entreteram em uma conversa sobre trabalho. Me toquei que tinha esquecido o presente de Bella dentro do carro.

— Ei, vamos lá fora? Eu tenho uma coisa para te dar. – Falei com ela, e vi que seus olhos brilharam na mesma hora.

— Vamos. – Ela disse e me puxou porta afora. A previsão do tempo não tinha mentido. Nenhuma gota de chuva e o céu com algumas estrelas perdidas. Fui até o carro, peguei o pequeno embrulho e entreguei a ela.

– É só uma coisa simples.

— Ah, Ed. Não precisava! Nem é nosso aniversário ainda! E eu não comprei nada. – Ela disse.

— Não precisa. Você já me deu o que eu precisava. – Sorri. – Não vai abrir?

— Claro. – Ela falou e se sentou nas escadas da varanda. Me sentei ao seu lado enquanto ela rasgava o papel e revelava o pequeno livro marrom dentro. – Ah, meu Deus. Que coisa mais linda. – Ela disse, manuseando o livrinho.

— Abra. – Falei, ansioso.

— Oh. Ed… Eu nem tenho palavras. – Ela folheava nossas fotos. – Onde você conseguiu tantas fotos nossas? – Bella perguntou.

— Alice. – Sorri.

— Eu amei. Muito. Eu nem sei como te agradecer. – Ela me puxou para um abraço, e apertou seu corpo contra o meu. Eu podia sentir seu perfume e o cheiro de morango do seu shampoo.

— Já agradeceu. – Eu disse, ainda abraçado nela.

Bella começou a se afastar e olhou nos meus olhos. Ela estava tão perto. Eu conseguia sentir sua respiração em minha pele. Nossos olhares estavam grudados. A distância entre nós diminuiu. Bella estava mais perto do que nunca. Mais um centímetro, e nossos lábios se tocariam. A distância diminuiu mais ainda e minha respiração estava pesada. Os lábios de Bella quase encostaram nos meus, mas a porta se abriu de uma vez.

— Edward, querido, vamos?