eu não acredito em almas gêmeas - myungjin
7 6 - capítulo seis - primeiras vezes
Notas iniciais
[ jun ]
voce
sei la
tá livre hoje?
podíamos sair ou algo do tipo
[ woo ]
eu não sei se meus pais vão deixar
[ jun ]
eu posso passar na sua casa
seus pais vão te deixar sair se eu já for quase maior de idade?
eu viro maior de idade daqui a pouco tempo
[ woo ]
talvez
vou perguntar e te falo
já volto
te amo
✗
apesar de se mandarem mensagens todos os dias, eles não tinham tido coragem de se encontrar novamente, apesar que ambos tinham tentado, sempre resultando em tentativas falhas.
jinwoo desceu as escadas e teve o azar de ter seus pais juntos no mesmo ambiente, então teria de perguntar a ambos ao mesmo tempo, o que talvez não fosse uma boa ideia, mas precisava tentar.
ㅡ mãe, posso sair?
ㅡ pra onde e com quem?
a voz de seu pai entrou na conversa.
ㅡ um amigo meu que vocês não conhecem, mas ele é quase maior de idade, ou seja, ele já tá no último ano da escola, e nós vamos ir num karaokê. eu não vou beber, vocês sabem que eu não bebo.
ㅡ quem é esse? preciso conhecer ele melhor antes de te deixar sair com ele.
ㅡ ele vai passar aqui, ele pode entrar se vocês quiserem conhece-lo.
sua mãe concordou com a cabeça e um sorriso tomou seu rosto imediatamente, em seguida subindo as escadas digitando seu endereço e um horário que era a pouco mais que meia hora a partir do momento enviado.
agora a roupa. parecia que ficava feio e não o suficiente para encontrar myungjun. com dez minutos no relógio faltando, ele já tinha decidido a roupa. não foi muito longe das roupas do dia a dia. era uma calça preta e um moletom preto com a metade para cima estampada com um xadrez preto e vermelho.
a campainha tocou e ele foi correndo para o andar de baixo, vendo sua mãe com a porta já aberta, falando com myungjun.
ㅡ boa noite, meu nome é kim myungjun.
jinwoo surgiu por trás de sua mãe olhando para o garoto nervoso do outro lado da porta. usava uma calça jeans rasgada e clara, um moletom simplesmente branco.
ㅡ entra. é ótimo conhecer um amigo novo de jinwoo, ele não tem muitos amigos.
ㅡ mãe.
o garoto se manifestou com indignação e com vergonha
ㅡ meu nome é shinhye, alias.
ela guiava o garoto pelo ambiente estranho até o sofá branco da sala da casa. jinwoo seguia sem graça, não sabia como agir, só queria sair com myungjun logo.
ㅡ o que você quer estudar na faculdade?
o questionário de sua mãe começou conforme colocava dois copos de água e sentava numa poltrona na diagonal do sofá.
ㅡ não decidi ainda. mas provavelmente algo a ver com publicidade.
ㅡ que interessante. vocês se conhecem a quanto tempo?
ㅡ há dois meses...
ㅡ você namora?
ㅡ não.
ㅡ mãe, a gente pode ir?
não queria ficar naquele lugar desconfortável por muito mais tempo.
ㅡ sim, sim, só volta antes da meia noite.
e os dois então saíram juntos.
✗
ㅡ você primeiro. você começa cantando, eu canto na próxima.
ㅡ mas eu canto mal.
ㅡ tudo bem, vai escolhendo sua música enquanto eu compro ramen. tem preferência por sabor?
ㅡ frango, não picante por favor.
ele saiu da pequena sala escura e conferiu o número doze na porta, seguiu o corredor até o final e entrou no banheirp, simplesmente para checar seu cabelo. myungjun saiu rapidamente e então foi para a recepção do lugar.
ㅡ eu quero dois ramens de frango. um picante, o outro não.
o atendente pegou as embalagens sob o balcão, usava um colete laranja com a logo do local em cima de uma camiseta preta. mantinha os olhos no celular.
ㅡ e também dois leites de banana.
ㅡ número da sala?
ㅡ doze.
ele colocou as quatro embalagens dentro de uma sacola plástica e a deslizou sobre a bancada na direção de myungjun, que pegou a sacola e dois pacotes de sujeo de madeira, em seguida virando e voltando a seu lugar inicial saída.
ㅡ pronto. ㅡ fechou a porta e colocou a sacola na mesa se sentando próximo de jinwoo, algo inevitável naquele pequeno espaço. ㅡ já escolheu a sua música?
ㅡ sim... who you, do g-dragon.
ㅡ o palco é todo seu.
ele selecionou a música e pegou um dos microfones da pequena mesa onde também estavam as comidas compradas pelo outro, que no instante se encontrava gritando para deixar jinwoo também animado e evitar qualquer clima estranho que pudesse ocorrer.
a melodia começou a soar pelo pequeno cômodo com a acústica preparada para aquilo. após alguns segundos a voz grossa, mas acolhedora, do menino que definitivamente não tinha talento para cantar, mas ia bem em partes que precisava fazer rap.
de momentos em momentos olhava par myungjun, que ria e gritava conforme a música ia. em o que pareciam apenas segundos a música já estava no fim.
ㅡ agora enquanto escolho a minha música, coloca água e esquenta. tem um micro-ondas no final do corredor. por favor.
ambos os potes já estavam abertos, só precisavam de uma pessoa com motivação.
jinwoo então saiu da sala com um pote em cada mão, deixando o outro sozinho com a lista infinita de músicas. ele lia uma a uma, sem realmente conseguir se decidir, até observar ice cream cake entre elas. era boba, mas parecia perfeita para ele naquele momento, e então se pos a esperar o outro garoto com a comida, o que não demorou muito mais tempo.
ㅡ dois ramens prontos. agora você tem que cantar pra mim.
ㅡ obrigado.
e ele começou a cantar no microfone e jinwoo e acompanhava cantando animadamente e colocando o macarrão aos poucos na boca.
então, nos segundos finais da música, myungjun simplesmente parou e olhou diretamente para jinwoo.
se tinha uma hora certa, era aquela.
myungjun não tinha feito aquilo muitas vezes, e nunca havia tomado a iniciativa.
se aproximou o pouco que faltava para cortar o espaço entre os lábios de ambos.
o beijo não durou muito, foram alguns segundos em que eles encostaram. antes que jinwoo virasse o rosto, ele nunca havia beijado antes, e nunca sequer imaginou que iria beijar.
principalmente quando considerava que era um menino.
ㅡ cedo demais, né? eu sabia que não devia ter feito isso. sinto muito mesmo. eu consigo sempre estragar tudo, é surpreendente.
ㅡ não...foi bom, mas é que eu... nunca imaginei que meu primeiro beijo seria assim, e muito menos no meu primeiro encontro de verdade.
jinwoo abaixou a cabeça, olhando para o chão, repleto de vergonha, fazendo myungjun rir e em seguida pegar sua mão.
ㅡ o que mais você nunca fez? posso ser parte de mais primeiras vezes suas?
ㅡ eu nunca... ㅡ ele começou a pensar, rindo ㅡ comi melancia... o que mais? eu nunca andei de metrô. ah uma coisa que eu sempre quis e nunca fiz é ir em um parque infantil a noite.
ㅡ então vamos de metrô comprar melancia e depois ir para o parque.
e assim fizeram. conforme eles realizavam aquelas coisas tolas que jinwoo nunca tinha tido a chance de fazer, o tempo passava, e madrugava se aproximava a cada minuto.
✗
ㅡ oi?
jinwoo atendeu o celular enquanto myungjun procurava algum lugar que vendesse tintas que brilhavam em luz negra e estivesse aberto. não conseguia ouvir o outro lado da ligação, apenas o garoto ao seu lado.
ㅡ tá, já vou. ㅡ e guardou o celular no bolso no instante seguinte, perdendo o sorriso do rosto. ㅡ tenho que ir para casa, em cinco minutos.
ㅡ eu te levo até a praça perto da sua casa.
entrelaçou seus dedos com o garoto de preto e eles caminharam juntos, não falando muito, mas também não mantendo um total silêncio. os doces sorrisos que esboçavam valiam mais do que mil palavras que pudessem falar.
ㅡ chegamos. eu não posso ir pra sua casa, vai ser muito longe da minha casa pra eu ir sozinho.
ㅡ tudo bem. ㅡ eles estavam com as duas mãos dadas, olhando diretamente nos olhos um do outro. os dois eram baixos e a diferença de altura não era muita ㅡ eu vou indo então, me manda mensagem depois.
eles se separaram e jinwoo inicialmente virou as costas para sair em direção a sua casa.
ㅡ jinwoo. espera.
ele se virou e muito rápido myungjun encostou seus lábios nos do menino, sorrindo em seguida.
ㅡ myungjun, eu só tenho um medo.
ㅡ o que foi?
ㅡ eu vou ter que falar para meus pais, e eu não acho que eles vão aceitar.
ㅡ vai ficar tudo bem, eu tenho certeza. me liga mais tarde. e você não precisa falar hoje, não se apresse.
ㅡ eu quero falar hoje.
ㅡ boa sorte, e lembra, qualquer coisa, me liga.
e myungjun virou de costas deixando jinwoo sozinho com, o que parecia infinito, caminho até sua casa.
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