don't f- it up!
1 track 1 - Only girl in the world feat. Love the way you lie. (2010)
Notas iniciais
Parvati Patil era uma garota genial, por mais que as pessoas não compartilhassem dessa opinião. Talvez fosse porque ela falasse de bolsas e sapatos com certa frequência ou porque ela não conversava com gente que usasse calças apertadas demais ou camisetas de séries de tv dos anos 90 sem ser de maneira irônica.
E que as pessoas não a entendam mal, os anos 90 foram uma época fashion de onde ela bebia da fonte diariamente para buscar suas inspirações. A combinação de blazer e saia de xadrez amarelo de Cher Horowitz (Clueless,1995) é basicamente o must have de todo um guarda roupa incrível — não que a versão em preto de Dionne ficasse para trás, mas o amarelo ficava tão lindo em sua pele! Sabe aquele destaque? Sem contar que Stacey Dash é republicana e eca, né?
Enfim, muitas pessoas diriam que a genialidade da família era Padma, mas Parvati gostaria de discordar desde já. Padma pode andar com o grupo dos espertos como Hermione Granger e Parvati com os populares como Lil Brown (Parvati tinha que admitir que toda vez que chamava a melhor amiga assim, ela soava como uma mistura de Lil Nas X e James Brown), e as notas de Parvati podem ter uma certa diferença quando comparadas às de Padma. Porém as notas não são tudo! Quando Parvati melhorou a vida de Hannah Abbott tal qual em My Fair Lady (1964), se tornando sua melhor amiga e a colocando em roupas fashion que não fossem maiores que ela (quem disse que se você é plus tem que se esconder em roupas de velha dois números maiores que o seu?) e aumentando a sua autoestima em mil por cento, ninguém questionou sua genialidade. Quando ela foi par de Harry Potter no baile Yule para que ele fizesse ciúmes em Cho Chang — e é assim que ela escolhe contar a história, thank you very much! — ninguém questionou sua genialidade.
Ah, mas hoje sua melhor amiga de todos os tempos questionou sua genialidade quando ela disse que fazer as pessoas acreditarem naquilo seria uma péssima ideia... Alguém sempre se machuca nessas histórias e ela tem certeza que de alguma forma, ela seria a parte lesada dessa equação… Pisciana = trouxa iludida.
Mas vamos voltar um pouquinho ao início da noite, quando ela e Lilá entraram de mãos dadas na festa anual de início de segundo semestre de Cedrico Diggory (a última de todas, já que esse era o último ano dele, ou seja, lendário né?), para dar apoio, sabe?
— Pavi, vai ficar tudo bem. — Lil sussurrou em seu ouvido, e Parvati apertou a mão dela com mais força. — Você é linda, popular, rica e gostosa.
— Você é idiota. — ela bateu na amiga de brincadeira e tentou esconder o quanto suas bochechas queimavam sussurrando de volta — Eu só quero que seja natural, sabe? Que não pareça forçado.
— Olhe para mim. — Lil pegou Parvati pelos ombros e olhou nos olhos dela, com um daqueles sorrisos doces que derretem o mais gelado dos corações (e o de Parvati já era um pouco mole demais para ela não derreter completamente por dentro). — Você é a melhor pessoa desse lugar, ok… Talvez não a melhor no quesito simpatia e generosidade…
— Hey! — Parvati riu. — Achei que estávamos me animando aqui!
— Nem no quesito humildade ou trabalhos de caridade…
— O ponto dessa conversa é? — Parvati gargalhou novamente, alisando a roupa de Lilá enquanto ela ainda segurava seus ombros.
— Te fazer rir. — ela sorriu mais uma vez e Parvati entrelaçou os dedos nos dela com mais confiança. — E sua risada é minha parte favorita sua.
— Achei que eram meus adoráveis olhos castanhos e minha pele macia de cor amadeirada. — Pavi sorriu e fez uma careta para a melhor amiga. Quando ela olhava para Lilá era como se nada mais existisse no mundo, nem seu nervosismo e o contexto de festa e as pessoas olhando para sua interação.
Parvati estava nervosa, já queria tomar a tradição da festa anual para ela, naturalmente já que era a mais rica, popular e com a maior mansão de seu ano… Só precisava que a notícia chegasse aos outros anos e pessoas. Lilá estava nervosa porque Ronald Weasley ia estar lá — por mais que isso fizesse Patil girar os olhos. Tudo normal, até Dean Thomas interrompê-las levemente embriagado, olhar para os dedos entrelaçados das duas e sorrir:
— Vocês estão juntas! — exclamou escandalosamente, fazendo Parvati o olhar como se ele fosse o E.T. (1982).
— Sim, sempre estamos juntas. — ela respondeu, com seu característico girar de olhos e a cabeça inclinada como se falasse com uma criança.
— Eu sabia! Seamus me deve 5 quid. — ele comemorou com um soquinho no ar, como se fosse a cena final de The Breakfast Club (1985) e ele tivesse ganhado a garota. Depois de abraçá-las, muito investido eu diria, chamou os amigos, o que incluía o dono da festa, o cara mais popular da escola, e Harry Potter, um segundo lugar mais tímido. — Cedrico, traz um lance para o casal mais quente da escola! PABROWN!
— Pa o que? — Lilá estranhamente quieta até agora, com um sorriso apertou a mão de Parvati com mais força, vendo que Ronald assistia a cena com interesse.
— Pabrown, Patil e Brown, entendeu? — Dean Thomas disse em um tom bêbado condescendente.
— Mesmo se a gente fosse um… — ela começou em um tom indignado e foi interrompida por um beijo na bochecha da melhor amiga.
Parvati ia completar que mesmo se elas fossem um casal, aquele não seria um nome de casal que ela estivesse a fim de possuir. PABROWN. Parece uma tentativa de feitiço que não deu certo, uma tentativa de palavra que deu errado… Tipo quando Hannah quis começar a usar “tá ligado” no fim das frases como uma adolescente de ensino médio sem classe; e ela estava no ensino médio, mas isso não significava que tinham que agir como neandertais, ok?
Viu quando todo mundo começou a dar assobios, comemorar e a olhar com interesse.
— OMG, Pavi, você tá vendo como todo mundo tá olhando! Isso pode te fazer a nova dona da escola, a dona das festas mais badaladas, isso pode fazer de mim a nova rainha do baile. — Lil sussurrou em seu ouvido como se fosse um boba apaixonada trocando segredos. — Primeiro casal de meninas da escola! Eu líder de torcida, você um ícone… Não tem como dar errado.
Parvati não conseguiu argumentar contra o fato de que ela era mesmo um ícone (duh!) e que elas seriam um casal maravilhoso, só sussurrou de volta em toda racionalidade que ainda tinha: “claro que tem! Nós não somos um casal e essa é uma péssima ideia”.
Quando percebeu que sua bochecha formigava pelo beijo inesperado em sua bochecha por sua melhor amiga, uma música da pisciana mais badass que conhecia começou a tocar em sua cabeça, aquela em que ela se sentia a única garota do mundo. Esse era o segredo que a genial garota Patil guardava: estava mais afim de sua melhor amiga do que já esteve de qualquer outra pessoa do mundo. Aquele beijo na bochecha fez acender aquela fagulha de esperança que tentava apagar todos os dias. Mas isso não significa nada, todo mundo tem um crush na melhor amiga, certo?
Quando viu que tal melhor amiga olhava de canto de olho na direção de Ronald Weasley, outra começou a tocar:
— Alexa, toque Love The Way You Lie part II.
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