dois poemas para amores que partiram

1 dois poemas para amores que partiram


I

recorda a casa da fazenda no verão

e o homem que alimentava os cavalos

e o jeito como todo mundo sentava-se à mesa

para tomar café e partir o pão

então você deita e dorme e sonha tudo de novo

a segurança de uma infância solitária

agora transposta para quartos de hotel

em que fazemos amor e trocamos confidências

sobre anos antigos e pais divorciados

& porém ainda amigos

essas coisas que todo mundo tem

em qualquer cidade

um retrato guardado na carteira

provavelmente teríamos sido amigos por um tempo

e brincado juntos num parque

mas eu mudaria de escola

e você se apaixonaria por muitas outras, repetidamente

até finalmente me reencontrar.

II

você conhecerá muitas pessoas

tão lindas e súbitas

pelas quais eu também me apaixonaria.

você conhecerá outras pessoas

outras mãos & outros nós dos dedos retorcidos

outras linhas do amor curtas e profundas

feito um rasgo feito à faca na ferida.

o amor lhe dará tudo

a água que exige a tua sede

e os mistérios que pede a consciência de teu corpo

até desenredar completamente a escuridão

de outros quartos

outros amantes

as luzes de um prédio silencioso, suas escadas

e os chinelos junto da cama.

você vai conhecer tantas pessoas

e eu o amo e eu o invejo e

eu o abençoo e contemplo, daqui,

na intimidade da paixão

a fragilidade de tudo.

você vai se apaixonar por todas as pessoas

consagrá-las na eternidade de um segundo

e viver em todos os amores

um pedaço de si mesmo

tão grande quanto o sonho

de um antigo navegador

ao avistar a terra que cabe ao seus pés.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.