conversa de beco

8 Palais du Luxembourg


Ainda penso muito naquele dia. Ainda penso muito em tu. Qual era teu nome? Você não me disse. Eu também não te disse o meu.

bonjour!

bonjour.

es-tu seul?

oui.

Você assentiu. Olhou ao redor do parque, os patos, as crianças, os pais. Eu estava sentada sozinha numa cadeira. Estava quente. Quente demais. Era final de junho. E eu estava exausta. Meu cabelo em nós feitos por um vento ainda mais quente.

puis-je m'asseoir avec vous?

oui, s'il vous plait

Você se sentou na cadeira de metal verde ao meu lado. Olhamos pro pequeno lago. Tantas flores. Era quase melodramático. Você me estendeu teus Galouises. Olhei em volta. Aceitei. Você acendeu por mim.

que fais-tu ici?

en visite

n'êtes pas de Paris?

non

britannique?

non

Mais silêncio. Olhei em volta novamente. Você sorriu.

voulez-vous aller prendre un café avec moi?

Te olhei de volta. Não pude evitar sorrir também. Você era simpático, pra um estranho. Não era uma boa ideia falar com estranhos, principalmente com estranhos cujo nome você não sabe. Mas creio que seja isso que define um estranho.

je ne peux pas. je dois y aller.

quand?

bientôt.

Olhei pra trás.

maintenant. merci pour la cigarette. jusqu'à une autre fois.

Me levantei e andei pra longe. Você sorriu e acenou.

Eu penso muito no que teria acontecido se eu tivesse aceitado ir contigo. Talvez fosse bom, divertido. Talvez fosse um erro, talvez você fosse perigoso. De qualquer jeito, eu nunca vou saber. Mas eu menti. Não estava sozinha naquele dia.