coletânea hetalia
17 BraPort
Notas iniciais
então, aqui está mais um capitulo da coletanea, espero que gostem, e aviso, nem todas as informações e fatos aqui narrados são reais, alguns sim, outros não.
boa leitura
Portugal, uma nação ibérica que entrou em ascensão e decaiu em um curto período de tempo, sempre vivendo em turbulência e perseguido, alguns o chamam de grande império, outros apenas de Portugal e outros apenas o ignoram pelo fato de não ter mais tanto poder quanto antes.
Nossa história poderia se iniciar em 1500 quando o nosso querido império encontrou seu irmãozinho moreno perdido numa grande ilha repleta de vegetação, mas não é dessa parte que quero iniciar.
Esse pequeno caso começa em 1807 e continua seguindo por séculos a fim.....
“Afonso... Você deve partir, antes que os franceses cheguem aqui...” o homem loiro falou sério enquanto ajeitava sua espada na cintura.
“Eu não quero abandonar meu povo...”.
“Não é questão de querer, Afonso, é questão de segurança, tanto sua quanto da nobreza de sua nação, agora vamos, eu e a marinha britânica escoltaremos seus navios até o Brasil”.
“... Está bem...” Afonso virou o corpo pela ultimo vez em direção à cidade, seus olhos estavam cheios de lagrimas, as qual ele tentava controlar com todas as forças, mas não lhe foi o suficiente, logo seu rosto era manchado por trilhas quentes, seus lábios tentaram formar um sorriso, mas tudo o que conseguiu foi soluçar alto e deixar o choro vir.
“Daqui a pouco seu povo estará chegando ao porto para se despedir, tente melhorar um pouco seu estado, seria vergonhoso se eles te vissem chorar assim, não é?” o rapaz loiro de olhos verdes manteve-se sério e impassível perante o estado lastimável do amigo, “vamos, erga sua cabeça, Afonso, sabe que eu odeio te ver chorar”.
“P-perdão, mas eu não consigo segurar... Não quero deixar meu povo... Não quero abandonar minha nação, muito menos a minha história, é doloroso demais....” o lusitano se jogou no outro rapaz o abraçando e deixando suas lagrimas caírem contra o ombro deste e encharcarem sua roupa vermelha.
“Tsc, pelo jeito você não está em condições de se despedir, vamos entrar no navio” o loiro passou um de seus braços pela cintura do moreno e o arrastou para dentro do navio português, “você pode ficar alguns instantes sozinho, Afonso? Irei buscar seu rei”.
O lusitano nada disse apenas concordou com a cabeça e continuou chorando sentado em cima de um barril de vinho do porto.
A partida estava marcada, não havia como voltar atrás, era fugir ou morrer, suas duas únicas opções, se morresse seu povo, sua gloria, sua história, tudo que havia sido construído por aquele grande império lusitano seria destroçado, perdido no tempo e nunca mais encontrado, caso fugisse haveria possibilidades de voltar, de se reestabelecer, construir um novo império, mas seu povo sofreria a miséria e a discórdia que iriam ser disseminados na nação.
O povo lusitano se reuniu no porto, a nobreza portuguesa começou a embarcar nos navios, muitos pertences foram deixados para trás e as naus estavam cheias de pessoas, não cabia mais ninguém, não havia espaço, tampouco comida e agua o suficiente para todos, mas não havia escolha, eles tinham que partir.
Por meses e meses as naus lusitanas seguiram pelo oceano, sendo seguidos e escoltados pela marinha britânica, ocorreram muitos problemas, muitos morreram no meio do caminho, tempestades e tormentas, paradas em ilhas, até chegarem a tão esperada terra da colônia lusitana.
Afonso desembarcou juntamente com sua realeza, ao lado do bonachão Dom João VI, não havia muitas pessoas para recebê-los naquele dia, mas houve uma grande comemoração dias depois, os canhões dos navios atiravam em comemoração e até mesmo a marinha britânica se pôs a festejar junto.
“Afonso, Afonso, senti sua falta” a voz do moreno ecoou por toda a baia carioca chegando aos ouvidos do grande império, “Afonso”, quando o jovem se aproximava da nação mais velha foi barrado por dois guardas do império.
“Luciano... Deixe-o passar” pediu o lusitano indo em direção a sua jovem colônia, que já não era mais como ele havia visto, não era mais aquela pequena criança indefesa escondida e acuada no meio do mato, agora era um jovem robusto e cheio de vitalidade, “v-você está enorme...”
“Você viu? Iracema ficaria orgulhosa de me ver assim.... Agora sou forte como você” criança iludida, mal sabia ela que aquele império grandioso que estava bem a sua frente era um covarde, assim como seu chefe, que havia fugido da luta, uma luta que poderia ter vencido, havia entregado suas terras aos franceses de mão beijada e se refugiou nas terras ultramarinas.
“Certamente ela ficaria orgulhosa de ti, Luciano” o lusitano deu um sorriso triste e acariciou o cabelo do mais novo, logo passos foram ouvidos e Afonso se virou, dando de cara com o rapaz loiro.
“Afonso... Tome cuidado, te deixarei sozinho por aqui, mas deixarei alguns de meus navios patrulhando essa área” o rapaz apontou para a enseada e ajeitou seu chapéu preto.
“Obrigado, Arthur, estarei te devendo mais essa” o lusitano deu um sorriso fraco e se despediu do amigo que o deixava a mercê do que viesse.
“Luciano, cuide bem dele, eu o deixo em suas mãos” e dizendo isso o britânico se afastou sem olhar para trás, o coração apertado em seu peito batia forte, estava com medo de deixar o amigo, mas precisava voltar para casa, precisava defender seu povo das mãos de Napoleão.
E com a chegada de Afonso e da coroa real lusitana o império brasileiro começou a ganhar forma, a se tornar forte, a republica federativa começava a querer se mostrar.
O império lusitano passava a maior parte do tempo escutando as reclamações de seu rei, os pedidos por frango, via com seus próprios olhos o quanto seu rei era imundo e tapado, um tremendo bonachão.
“Ah Luciano... você tem sorte por não ser independente” comentou o lusitano suspirando e se sentando ao lado de sua colônia.
“Por que diz isso, Afonso?” o mais jovem se voltou curioso para o mais velho e observou as mudanças na expressão do outro, os lábios se contraindo e seu rosto sereno se transformando em algo triste e desesperançoso.
“Nada... Esqueça, Luciano...” o mais velho se levantou e olhou para o mar, seu coração aclamava para que ele voltasse para casa, para que subisse em um navio e fosse embora.
~hetalia~
1822, Brasil, proclamação da republica.
“Agora sou independente, Afonso, e você não pode mais explorar-me, não pode mais ocupar meu território, escute-me bem, eu estou independente de você, assim como o Haiti está independente do França, como o América está independente do Inglaterra, eu sou uma nação e não mais seu irmãozinho ao qual deve proteger” o brasileiro levantava a espada na direção do lusitano, ao seu lado, montado em um cavalo branco, D. Pedro I que gritava o mais alto possível “independência ou morte”.
O português se manteve estático olhando fixamente para o homem a sua frente, para a grande nação que sua pequena colônia havia se transformado.
“Afonso, nunca mais quero te ver em meu território” o brasileiro deu as costas para a nação mais velha e saiu andando, deixando para trás o grande império em ruinas, desabando e se pondo a chorar baixinho a perda do irmão mais novo, que afinal de contas sempre foi grande demais para ser domado...
~hetalia~
2008, Inglaterra, crise europeia.
Islândia havia quebrado economicamente, o que acarretou uma sequencia desastrosa de quebras econômicas em todo o mundo, principalmente na Europa, Portugal e Espanha estavam arrasados, literalmente arruinados, não tinham mais glorias, nem o império que construíram, tudo havia se desmanchado.
Afonso havia ido visitar Arthur para lhe pedir ajuda, mas quando chegou viu o estado lastimável do amigo, estava deitado na cama com um hambúrguer na cabeça e um americano escandaloso ao seu lado o observando, podia até perceber a figura da morte encarnada ao lado da cama do britânico.
“América... não é como se eu te odiasse... eu te...” antes de terminar a frase os olhos do inglês se fecharam lentamente e ele parecia estar morto, ao ver aquela cena o lusitano se afastou e correu pelos corredores da casa do britânico.
“Yeah, agora que ele se foi vamos sair e tomar um goró” convidou o americano olhando para a morte ao lado da cama que concordou com a cabeça.
“What?” o britânico abriu os olhos e se sentou na cama olhando o americano sério.
“Viu? Eu disse que se falássemos de bebidas ele acordaria”.
~hetalia~
2008, Brasil.
A ultima opção do lusitano, pedir ajuda a sua ex-colônia, mas não lhe parecia muito provável que este o ajudaria, já que este parecia não o querer por perto, nem pintado de ouro.
A campainha da casa do moreno tocou e este foi atender de mal grado, afinal, estava dormindo, havia ficado a noite toda conversando e jogando alguns games on-line com o Japão e não havia conseguido dormir devido a isso.
Ao abrir a porta ficou pasmo ao ver sua antiga metrópole ali parado, o rosto mais pálido do que nunca, os olhos sem vida, as roupas gastas e as cicatrizes espalhadas por seu corpo, pequenas linhas rosadas que não pareciam querer sumir.
“Luciano...” chamou o mais velho com a voz baixa e rouca.
“Afonso... Afonso” as lagrimas começaram a escorrer pela face do moreno e este se jogou nos braços da nação mais velha “Ah, Afonso, você tinha razão... ser independente não é tão legal assim.... Tem tantas obrigações, tantos papeis...”
“Luciano, não foi para receber abraços que eu vim aqui” o lusitano afastou os braços do brasileiro “eu preciso da sua ajuda, Luciano, preciso que me emprestes dinheiro...”
“...Entre... Conversaremos lá dentro” o brasileiro abriu espaço para a nação mais velha que entrou e o seguiu trancando a porta, “sente-se, irei fazer um café para você”.
O lusitano se manteve em silêncio enquanto a nação mais jovem preparava o café, o café que foi uma das coisas que o português mais explorou no jovem e que lhe rendeu tanto dinheiro, as vezes se sentia impotente ao ver aquela jovem nação tão viva e ativa, tão cheia de si, sem nunca ter vivido quase nada, por ser tão jovem e tão forte, por ser algo que o lusitano fora e agora não era mais, toda a gloria de outrora havia se desfeito, como fumaça de cigarro assoprada aos ventos.
“Afonso... Acabei de pagar uma tremenda divida... Não sei se estou em condições para te ajudar...” respondeu o mais novo colocando a xicara de café na mesa de centro, em frente à nação mais velha.
“Por favor... Eu preciso da sua ajuda...”
“O que fez... O que fez com todo o ouro que tirou das minhas terras? O que fez com o dinheiro que conseguiu me explorando? Hein, Afonso? Onde está?” o jovem segurava a própria xicara com força, suas mãos tremiam um pouco, e sua face estava séria e irritada, o que preocupou a outra nação, “vamos, me diga, cadê seus méritos e glorias do qual você tanto se gabava?”
“Brasil... Eu... não tenho mais nada disso... Tive muitas dividas com o Arthur... Perdi quase tudo o que tinha... Perdi até meu orgulho...” o lusitano se levantou do sofá e ficou frente a frente com o jovem “por favor, eu preciso de você, sei que tudo o que eu fiz foi errado, que eu te explorei... Mas eu lhe imploro... Me perdoe... Me ajude...” o lusitano se ajoelhou perante a outra nação, as lagrimas já escorriam por seu rosto alvo.
“Levante-se, Afonso, pare de chorar, vamos, olha, eu não posso te ajudar, nem ao menos emprestar dinheiro...” o brasileiro acariciou sutilmente as bochechas do mais velho e suspirou “sei que pode sair dessa, como o grande império que você era, e a nação que você é”.
“Luciano... eu não consigo...”
“Eu vou te ajudar... Assim que for possível, da forma que der... não vou te deixar desamparado... Mas não posso lhe emprestar dinheiro...”.
“... Acho que... Assim é melhor... Eu não quero te envolver tanto nessa crise e não quero que acabe no meu estado” o lusitano suspirou pesado e sorriu tristemente.
“venha, deixarei que passe alguns dias aqui, talvez as coisas se acalmem um pouco...” o brasileiro segurou no braço da nação mais velha e o puxou para cima o levantando do chão, “odeio te ver chorar, Afonso”.
“o Arthur dizia a mesma coisa para mim no passado” comentou o lusitano olhando para o chão, como se um peso enorme possuísse suas costas e o empurrasse para baixo.
“pare de falar daquele inglês engomadinho, odeio quando fala dele” gritou o mais jovem se agarrando a blusa do mais velho, “odeio quando você fala dos dias animados que vocês tiveram, do quanto são amigos... Dos tratados que fizeram, eu odeio isso, Afonso, por que não pode falar de mim ao invés dele? Por que é sempre ele que você pensa? Que droga”.
“L-Luciano... Do que está falando? Qual o problema? Arthur é só um amigo...”
“É só um amigo... É só um amigo que não sai da sua mente, por que não pode ser eu a pessoa que pensa toda noite? Por quê?”
“Luciano...”
“Eu te amo, droga, por que não consegue perceber isso, Afonso?” o brasileiro puxou o lusitano pela gola da blusa e o beijou com força.
Os olhos do lusitano se arregalaram de surpresa, nunca havia pensado na sua colônia daquele jeito, tão rebelde, nunca tinha notado a força que o jovem tinha, os sentimentos que cresciam no peito do menor, ele era tão selvagem agora, tão poderoso que a única opção que via naquele momento era obedecer e retribuir, mesmo que lhe parecesse impossível.
O lusitano sabia, que de certa forma o jovem o amava, e sempre sonhara em estar junto dele, e agora que estava ali, com seus lábios juntos ao do menor, parecia um sonho, mas era real, seu coração começou a acelerar, os sentimentos guardados da nação mais velha começaram a aflorar depressa, agora eles eram irmãos, eram nações, eram amantes, e no fim talvez não fossem mais nada.
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