coletânea hetalia
19 AsaKiku
Notas iniciais

O temível pirata havia sido pego, pela primeira vez em sua vida e talvez a ultima, ninguém nunca o havia capturado, muito menos um bando de piratas de meia tigela e ainda por cima asiáticos.
–o que diabos pensam que são para me trazerem até esse navio de merda? Quem é o capitão dessa joça? Quero uma luta com ele imediatamente – gritou o loiro enfurecido empurrando os dois piratas que o seguravam – tirem suas mãos imundas de mim.
–Asa-san, então finalmente foi capturado, não é? – um jovem pequeno e moreno apareceu, com seus olhos escuros olhando fixamente para o pirata inglês – espero que não se importe com suas acomodações.
–Asa-san? Que merda é essa? Tsc, você que pensa que irei ficar aqui, as coisas não ficarão assim, seu asiático maldito, quando meus marujos chegarem aqui... – a espada do japonês se posicionou próximo ao pescoço do inglês que se manteve parado no lugar, com os olhos esverdeados que pareciam relampejar de irritação, como se uma hora ou outra pudesse lançar faíscas.
–Levem-no para o porão – os dois piratas agarraram o braço do britânico que se debateu e os derrubou tirando a espada e cortando-lhes parte da pele e da roupa.
–Não toquem em mim, seus malditos porcos imundos – o inglês notou que começaram a se aglomerar vários piratas ao seu redor e segurou a espada com uma das mãos prestes a atacar quem viesse primeiro.
–Parem, não o machuquem, o imperador quer ele vivo – falou o japonês se pondo a frente de todos e se aproximando do inglês – me acompanhe, Asa-san, irei mostrar onde passará a noite.
–Tsc – o britânico olhou ao redor, não havia opção a não ser segui-lo, estavam em alto mar e nem sinal de terra firme.
O japonês seguiu pelo convés e abriu a porta indo em direção a uma cabine afastada das outras, no fim do corredor e abriu a porta mostrando um cômodo vazio com apenas um colchão e nada mais.
–Então essa é a maravilhosa acomodação que o senhor tem a oferecer para um dos piratas mais temidos de todos os tempos? – comentou o britânico fechando a cara e cruzando os braços em frente ao peito – prefiro dormir na proa a dormir aqui.
–É isso ou é nada, agora entre antes que eu seja obrigado a machuca-lo.
–Não me machucaria, agora mostre-me onde é sua cabine, pois eu certamente não vou ficar aqui e não tenho obrigação alguma de não lhe machucar – o inglês tocou no cabo de sua espada embainhada e sorriu sádico.
–Não lhe mostrarei nada.
O barulho das espadas se chocando cortou o ar gélido, os dois piratas se olharam com os olhos faiscando irritação, as laminas se atritavam com raiva, estava sendo travada uma guerra entre as duas laminas, nenhuma das duas parecia ceder.
O japonês foi o primeiro a recuar e quase foi atingido pelo fio da espada do britânico.
O jovem moreno se virou de costas para o britânico e saiu andando pelo corredor sendo seguido pelo loiro que ria vitorioso.
O japonês entrou em sua própria cabine e fechou a porta deixando o inglês do lado de fora, o britânico chutou a porta com força o que a soltou da dobradiça e deixou à mostra a cabine do japonês.
–Realmente pensou que me deixaria aqui fora, asiático maldito? – o britânico invadiu a cabine e encostou a porta quebrada – não tem nenhuma noção de quem sou não é?
O japonês ignorou a presença do inglês e pegou uma folha escrevendo algo e depois a dobrando e guardando em um envelope e depois dentro de uma gaveta.
–Asa-san, espero que arque com o preço do estrago que fez a minha porta.
–Tsc, como se você pudesse me obrigar a isso, não é mesmo, asiático maldito? Não tens coragem para isso e mesmo se tiver com o que poderia pagar? Talvez com teu sangue, mas isso certamente não seria um pagamento tão nobre.
–Como ousa? – o asiático ergueu a espada em direção ao britânico, mas está foi intercedida pela lamina inglesa que lhe fez um pequeno corte arrancando-lhe um dos botões do sobre tudo.
–Não erga sua espada em estado lastimável para mim, maldito ou lhe corto a jugular – retrucou o britânico apontando a espada para o pescoço do japonês que não se moveu.
–Deveria parar de agir como se fosse o rei dos sete mares – o japonês contra atacou afastando a espada do britânico e o encarou serio.
–E você deveria parar de agir como se fosse alguém importante – o britânico se forçou contra o japonês e o derrubou sobre a mesa ficando por cima deste e lhe apontou a espada para seu peito.
–Você tem muita coragem em estar no meu navio e ainda por cima me insultar com seus modos rudimentares.
–O que disse maldito? Eu não escolhi estar nessa merda de navio imundo, foi você quem me trouxe aqui e é você que me levara para casa, e se não me levar eu mesmo cortarei seu pescoço e levarei sua cabeça como premio, pendurá-la-ei na parede de meu escritório, e embaixo escreverei “cabeça de um porco maldito, um asiático metido a capitão, mas que na verdade não é merda nenhuma”.
Os pés do asiático empurraram o inglês para trás o fazendo bater contra a porta, mais uma vez o som do aço se chocando se fez presente, golpes e mais golpes eram dados e ricocheteados pela cabine do japonês, o britânico era forte e veloz, mas o asiático estava em igual vantagem, ambos eram pequenos e por tal motivo conseguiam se mover com rapidez, só que tinha um problema, o inglês era mais experiente e tinha uma pistola que tirou do sobre tudo e atirou para cima, o que fez o moreno recuar e encara-lo irritado e com a respiração descompassada.
O inglês riu alto apontando a espada e a pistola na direção do moreno, suas mãos eram firmes e seu olhar desafiador, os passos que deu a seguir foram lentos e fortes, fez até o moreno recuar com os dentes cerrados.
–Está fugindo como um gatinho assustado, senhor capitão dos idiotas – disse o britânico avançando e sorrindo de forma provocativa – nem parece que conseguiu me capturar, parece até que fui eu que lhe capturei, agora diga para os seus tripulantezinhos que a rota mudou, vamos voltar para a Inglaterra.
–Nunca, quem manda nesse navio sou eu – o japonês avançou contra o loiro com raiva, as espadas se chocaram violentamente.
As espadas se afastavam e se chocavam, giravam no ar, o zumbido das laminas era alto e as faíscas que saiam dos encontros das armas parecia pequenos pingos de fogo de tão violentos que eram os golpes.
–Desista asiático, ninguém vence o capitão Kirkland, rei dos sete mares – zombou o loiro forçando a espada contra a do japonês que parecia querer escapar das mãos do menor – anda, aceite sua derrota e faça seu navio voltar.
–Não – gritou o japonês serio.
A espada do japonês voou longe e girou pelo chão de madeira, o britânico riu apontando a pistola para o moreno.
–Vai desistir ou não? Se desistir posso até deixa-lo fazer parte da minha tripulação, tens um grande potencial para um asiático – um sorriso sarcástico tomou conta dos lábios róseos do jovem de orbes verdes.
–Não, não e não, não vou deixar-me ser levado por você, prefiro a morte.
–Se preferes a morte, é a morte que não terás – o britânico deixou a pistola e a espada caírem no chão, se aproximou do asiático o empurrando contra a parede e beijando-lhe o pescoço e o mordendo com força, como se pudesse arrancar-lhe a pele branca e macia.
–Me solte, seu europeu imundo, não me toque – as mãos do japonês empurraram o britânico para trás, mas não foi o suficiente.
Logo a roupa do asiático virou apenas trapos caídos no chão, estavam totalmente rasgadas e nas mãos do britânico estava um pequeno punhal que fora usado para cortá-las.
–O que pensa que está fazendo? Solte-me, isso é uma ordem.
–Você não manda em mim, maldito – em poucos segundos o moreno estava no chão, as mãos amarradas com a própria roupa e a blusa do britânico tampando a boca como uma mordaça.
O britânico rapidamente se despiu e ergueu as pernas do asiático as abrindo, seus olhos relampejavam, uma mistura de luxuria, vingança e poder tomou conta do loiro, seu sorriso se tornou maldoso e feroz.
Em poucos segundos o asiático foi invadido pelo membro do britânico de forma violenta e dolorosa, não havia cuidado algum, não havia remorso por parte do loiro, muito menos pena, era apenas raiva e ódio, rancor e vingança, ninguém poderia humilha-lo desta forma e sair impune, ninguém poderia prendê-lo sem sofrer as consequências, não se mexe com o rei dos sete mares e sai impune.
Com violência as estocadas começaram, o japonês segurava-se para não gritar de dor nem demonstrar que doía, seria humilhação demais, mas não pode conter as lagrimas que escorriam incessantemente de seus olhos e deixavam trilhas úmidas por seu rosto alvo, seus olhos castanhos tremeluziam e demonstravam toda sua dor, a cada movimento as lagrimas vinham mais e mais.
–Seu maldito, isso é por ter me insultado, por ter blasfemado e me prendido nesse navio de merda, por ter me desafiado e por não saber controlar sua língua maldita – o inglês se forçou mais fundo no corpo do moreno e lhe arranhou o peito deixando vergões avermelhados e em algumas partes o sangue brotava e escorria – isso é para aprender a não se meter com o maior pirata dos sete mares.
A violência foi tanta que ao final do ato e do britânico se retirar de dentro do menor, este desmaiou, a ultima coisa que o capitão inglês fez foi retirar a blusa da boca do japonês e se vestir, jogando as roupas rasgadas por cima do corpo do moreno, se retirando da cabine com sua pistola e espada em mãos.
Logo o navio estava sendo comandado pelo britânico, suas ordens eram seguidas sem pestanejar, não havia nenhum tripulante que ousava lhe contrariar, afinal, se nem mesmo o capitão japonês havia conseguido segurá-lo imagine o que pobres tripulantes que nem ao menos era tripulantes de verdade poderiam fazer? Poucos eram os que ali estavam e que sabiam segurar uma espada, o restante eram apenas camponeses que foram obrigados pelo imperador a defender sua pátria.
No dia seguinte o japonês acordou, conseguiu soltar-se e se levantou com as pernas bambas e o corpo dolorido, o sangue dos arranhados já estava seco, mas ainda ardia, a fúria com que o japonês se levantou faria qualquer um se afastar, por mais estupido que fosse.
–Aquele europeu vai me pagar, se não for na mesma moeda será pior ainda – disse o asiático pegando a espada e saindo da cabine indo para o seu encontro com o loiro de olhos verdes.
O britânico estava na proa observando o mar, via ao longe sua terra natal, podia sentir o cheiro do chá lhe invadir suas narinas, a nostalgia já lhe tomava conta, cada parte de seu ser sentia a necessidade de chegar o mais rápido possível, seu coração palpitava de ansiedade, podia até mesmo ver sua rainha lhe acenando, como era bela, como a adorava, chegava até mesmo a conseguir sentir seu cheiro.
–O que pensam que estão fazendo? Quem lhes ordenou vir para cá? Andem, temos que voltar, o imperador nos aguarda – gritou o japonês erguendo o rosto sério.
–Sim, senhor, capitão – gritaram alguns tripulantes correndo pelo navio para desviar a rota novamente, mas foram impedidos pelo tiro da pistola do britânico.
–Se mudarem a direção dessa merda eu mato todos e não terei piedade – retrucou o britânico furioso segurando a pistola e apontando para o capitão asiático – e você, seu maldito, não se meta ou prefere que eu faça pior do que fiz?
–Esse navio é meu e quem manda aqui sou eu, não se intrometa na rota – o asiático correu na direção do britânico e lhe atingiu o flanco direito com a espada, cortando-lhe o sobre tudo vermelho.
O loiro atirou e acertou o braço esquerdo do japonês de raspão, o sangue escorria e manchava o chão do navio.
–Não se meta com quem você não aguenta – Arthur segurou na gola da blusa do moreno e o puxou violentamente contra si – acha que pode fazer algo contra mim só por que é bonitinho? – sussurrou o britânico aproximando-se da orelha do nipônico.
–D-do que está falando? O-o que uma coisa tem a ver com a outra? – gaguejou o moreno olhando para o lado com o rosto levemente vermelho.
–Estou lhe dizendo que não vou deixar você me seduzir com esse rostinho – a mão do loiro segurou o queixo do moreno o fazendo olhar para si – e não tente desviar seus olhos dos meus, nem desviar o navio, não pretendo ir com você até seu imperador.
–Você vai, mesmo que eu tenha que lhe bater até que desmaiei – o nipônico se afastou do inglês e lhe apontou a espada em direção do pescoço, uma nova luta foi travada, as laminas afiadas se chocavam com tanta força que os tripulantes apenas observavam a luta, a maioria nunca havia visto algo tão impressionante antes, uma luta tão árdua e feroz, onde os dois pareciam querer se matar, os olhos relampejavam assim como as espadas.
A batalha durou longos minutos, parecia infindável, enquanto isso o navio ainda seguia rumo a Inglaterra, estava a dois quilômetros de distancia da terra firme, o britânico sabia disso, assim que se aproximassem mais iria pular do navio, já não suportava mais de cansaço, o nipônico lhe fora bastante persistente e incansável.
–Capitão, estamos próximos da terra firme – avisou um dos tripulantes com a voz tremula.
–E quem lhes disse para vir nessa direção? O único que vocês deveriam obedecer era eu – disse o nipônico furioso golpeando com toda a força que podia, suas pernas já não conseguiam mais fazê-lo se mover com a velocidade de antes, seu corpo ainda doida devido ao ato cometido pelo britânico.
–Adeus, Kiku – o inglês sorriu e empurrou o japonês com toda a força que lhe restava e pulou do navio caindo na agua.
Todos os tripulantes correram para observar a agua, mas nenhum sinal do loiro se fez notar, o navio parou e o japonês fincou a espada no chão, seus olhos percorriam cada canto do mar, mas nada via a não ser as marolas que batiam levemente no barco.
–Vamos voltar, não há mais nada a se fazer aqui, aquele imbecil deve ter morrido afogado ou algo assim – avisou o capitão retirando a espada do chão e a embainhando novamente, logo o navio desviava a rota, em algumas semanas ou até meses estariam no porto japonês.
Enquanto isso as ondas levavam o britânico em direção a sua terra natal, o loiro estava semiconsciente, o cansaço havia dominado seu corpo e já não conseguia se mexer, apenas se deixou levar pelo mar, se chegaria vivo já não podia dizer, mas ele chegaria.
~hetalia~
Os olhos do britânico se abriram e a luz invadiu lhe a vista, ardia, mas trazia uma boa sensação, a sensação de estar de volta a sua casa, levantou-se lentamente olhando ao redor, não sabia o local especifico onde estava, mas sabia que estava na Inglaterra e isso era o que bastava para ele, estar de volta a sua terra.
Já o japonês enfrentava vendavais e tempestades durante seu trajeto de volta ao Japão, o clima dentro do navio era pesado e tenso, todos pareciam se culpar pelo o que ocorrerá, se culpavam por terem tido medo e por terem obedecido ao inimigo.
Em algumas semanas o britânico conseguira retornar a Londres, havia até retornado a suas atividades de corsário, fora até mesmo convidado pela rainha a escoltar seu navio até a Ásia, onde seria estabelecido relações comerciais com os países do oriente.
Foram meses e meses dentro do navio até chegarem ao Japão, Arthur e a rainha desembarcaram, ela estava deslumbrante em seu vestido rosa claro bufante, já Arthur parecia um príncipe, um perfeito gentleman, ninguém diria que aquele belo homem era um pirata, muito menos que era um dos piratas mais conhecidos e maldosos dos sete mares.
Ao chegarem até o imperador foram recebidos de forma educada, o que não lembrava nem um pouco da forma rude com que o inglês fora tratado no navio do suposto pirata asiático.
–Minha adorada rainha, tome cuidado, não sei se deveríamos dar confiança a eles – comentou o britânico em voz baixa para que apenas a rainha o ouvisse.
–Não se preocupe, meu querido, tenho total confiança em seus serviços – a rainha sorriu para o jovem loiro confiante – olha, ali deve ser o cômodo em que o imperador está.
Ambos seguiram para a porta que era vigiada por dois homens com espadas nas mãos.
–Nós viemos falar com o imperador, eu sou a rainha da Inglaterra e tenho assuntos urgentes a serem tratados – os dois guardas se olharam e abriram a porta sem entender nada do que a rainha falará, já que esta havia dito em inglês – obrigada.
Ao entrarem no cômodo a porta foi fechada, os dois ingleses se aproximaram da mesa onde o imperador conversava com um jovem moreno um tanto familiar para o loiro.
O britânico pigarreou irritado e observou o local impecavelmente arrumado e limpo, a conversa foi encerrada e ambos nipônicos olharam para ele, foi nesse momento que Arthur reconheceu o pirata que o havia prendido em seu navio.
O imperador os cumprimentou, já Kiku se manteve em silêncio e olhando para o britânico com o rosto sério, ainda podia sentir o ódio fervilhando seu sangue, tamanha humilhação não fora esquecida pelo japonês.
Arthur encarou o moreno até que a rainha e o imperador terminaram a conversa, os quatro saíram do cômodo e foram para a sala de jantar, o silêncio se manteve durante toda a refeição, apenas os olhares raivosos do britânico e do nipônico pareciam existir ali.
Mas tinha algo diferente naqueles olhares, apesar do ódio havia admiração, ambos se admiravam, seja pela persistência ou pela coragem de ambos, os dois tinham algo em comum, eram patriotas e fariam tudo por seus lideres, viviam no mar e poderiam debater por horas a fim sobre qualquer assunto.
Após o jantar a rainha voltou para o navio, iriam voltar para a Inglaterra na manhã seguinte, já Arthur ficou em terra, queria observar o local.
–Senhor Kirkland, o que faz aqui ainda? – Arthur virou-se na direção da voz e encontrou o moreno o encarando.
–Queria dar uma volta, afinal, agora temos uma relação comercial, tenho o dever de conhecer o território no qual poderei aportar – respondeu o britânico serio.
–Se quer conhecer meu país deveria ir ao festival que está ocorrendo essa semana – comentou o nipônico olhando ao redor.
–Você poderia me levar, não sei como chegar lá.
O moreno se aproximou do inglês e o encarou por alguns segundos, se afastando logo após e fazendo sinal para que este o seguisse.
Ambos andaram até chegarem a uma pequena feira onde haviam varias barracas, algumas de comidas outras de vestimentas e outras de objetos nacionais.
Os dois visitaram a feira juntos e chegaram até mesmo a rirem juntos de alguns acontecimentos inesperados, mas logo fechavam a cara e fingiam que nada havia ocorrido, ainda se odiavam e se sentiam humilhados.
Ao final do passeio estavam em frente ao lago vendo alguns barcos com casais se divertindo e rindo, ambos estavam de cara fechada observando o local.
–... Tsc, desculpe-me... Não deveria ter feito aquilo com você – sussurrou o britânico em tom baixo, o que dificultou o nipônico a entender o que este dizia.
–... Desculpar-te? Você acha mesmo que eu poderia te desculpar por ter me humilhado? Por ter destruído meu ego e o pisoteado como se não fosse nada? Você deve ser mesmo um imbecil.
–Só não queria que ficasse esse clima entre nós dois... Já passou... O que aconteceu... Eu realmente sinto muito, sei que foi cruel o que fiz... Se eu fosse você também não me perdoaria...
–Então por que eu deveria perdoa-lo se nem mesmo você se perdoaria?
–Porque você... É uma pessoa melhor que eu...
–... – o nipônico apenas encarou o outro boquiaberto, observou seu rosto ruborizar levemente enquanto era encarado, pode ver também a forma como os lábios do inglês tremiam, talvez por ansiedade ou por vergonha, isso só o britânico poderia dizer, mas o moreno estava feliz, seus lábios se moveram e formaram um sorriso sutil.
–Dessa vez acho que abrirei uma exceção quanto a ser seduzido por seu rostinho – o britânico segurou o rosto do nipônico e o beijou suavemente, sua língua invadindo sem permissão a boca do menor.
–Arthur... Pare com isso, alguém pode estar olhando e... e... O que vão pensar disso? – resmungou o japonês balançando a cabeça para os lados e se afastando.
–Eu não me importo com que os outros pensam, mas se é assim... Espero que nos encontremos outras vezes, Kiku – o inglês se aproximou do moreno e lhe beijou a fronte virando o corpo e se afastando para retornar ao navio.
No dia seguinte o navio britânico zarpou, se os dois piratas se encontraram depois disso ninguém sabe, ou talvez saibam, mas deixemos o futuro no futuro e o destino tomar conta do que não se pode ser contado.
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