coisas não ditas
4 CAPÍTulo 3
Notas iniciais
CAPÍTULO 3
“Eu me apaixonei e desapaixonei por tanta gente na minha vida, e você nunca conseguiu sair da minha lista. Engraçado como já desisti de me desapaixonar por você.”
Já perceberam que o chão treme diante de ondas sonoras de alta frequência? Às vezes você sabe que seu vizinho está escutando música alta pelo tremor no teto antes mesmo de, de fato, ouvir a música escapando pelas janelas e paredes. Essa é a sensação de quem aparata e chega ao pórtico da enorme mansão Zabini. As luzes coloridas deixam as janelas, e quando Albus chega, ele pensa melhor na sua decisão, mas já é tarde demais para voltar atrás; velhos colegas de Hogwarts aparecerem ao seu lado, dando tapas amigáveis nas suas costas e sobe as escadas junto deles, sorriso plastificado no rosto.
— O que você tem feito, Albus? – pergunta o homem a sua direita, que leva no braço uma garota evidentemente mais nova. Ele sorri com calor nos olhos, e Potter apostaria no cheiro de álcool que sentiria caso se aproximasse dos seus lábios.
Loiro com uma barba aparada semanalmente, não é difícil reconhecer os traços de Patt Parkinson, seu antigo colega de quarto. Ele responde vagamente sobre uma carreira de freelancer não querendo expor seu desemprego recente, e o outro parece mais interessado em dissertar sobre seus negócios com vinho na França. Desinteressante.
A verdade é uma salvação e condenação, já que ele conhece bem os caminhos da casa Zabini e é logo interceptado pelo herdeiro de tudo aquilo. Albus logo se vê livre da companhia do Parkinson ao cruzar olhares no hall de entrada com o segundo anfitrião da reunião, o que é positivo. Bem, em partes. Parkinson continua a tagarelar ao seu lado para quem se dispõe a escutá-lo, um incômodo real.
Albus sempre fora fascinado pela extravagância do caráter de Francis Zabini, chamado de “Zab” por toda população jovem de Hogwarts. A primeira vez que ficara sem palavras diante da figura de Zabini foi durante o discurso que ele deu ao lado de Roxanne sobre a segregação racial em Hogwarts. Francis estava no segundo ano e se posicionava de uma forma cativante. Isso sem comentar na sua aparência magnética, seus olhos feitos de um negrume com jeito de buraco negro, seus longos cabelos crespos trançados em dreads e seu sorriso de canto.
— Severus, — o homem mais alto falou em sua voz macia antes de pousar os lábios rapidamente nos do Potter, que retribuiu o gesto. – estava te esperando.
Albus sorriu com os olhos fechados momentaneamente.
— Devo ter perdido a noção do tempo, Francis. – respondeu com um murmúrio no ouvido de Zabini, que somente revirou os olhos com sua emoção característica.
— Você só quer parecer mais cool chegando mais tarde ao invés de receber as pessoas envolvido somente no meu lençol. – Zabini retorceu suas sobrancelhas negras, divertimento relaxando seu corpo inteiro.
— Elas não apreciariam esse tipo de exibicionismo, querido. – falou Albus antes de enfiar as mãos nos bolsos traseiros da sua calça preta jeans.
O Potter dobrou o corpo em um riso que perpassou por todo o seu corpo. Ele gostava de verdade de passar o tempo com o outro exatamente por isso. Sem papas na língua, Francis simplesmente agia como se ontem mesmo houvessem estado juntos, sendo que eles não se viam fazia umas boas duas semanas desde que Albus começara a se torturar com o eminente casamento de Scorpius.
Albus ajeitou o lenço preto que envolvia seu pescoço, sondando os colegas de quem pouco se lembrava sem remorsos. Com o braço do mais alto envolvendo sua cintura e guiando-o pelos cômodos, a noite apresentava uma perspectiva até divertida.
****
A casa estava cheia, e grupos de velhos amigos se reuniam pelas diferentes áreas da mansão, alguns dançando como nos dias de escola, outros bebendo e reclamando de suas vidas. Quando Rose propusera uma festa de reencontro de Hogwarts, Scorpius sabia que aquilo estaria bem fora das proporções de um jantar para cinquenta pessoas com luz baixa e música acústica de fundo. Afinal, era o jeito da Weasley.
— Megalomaníaca. – sussurrou no ouvido da anfitriã quem se sobressaltou, quase derrubando seu copo de champanhe no seu interlocutor, Polux Greengrass.
A moça soltou um gritinho de animação e se jogou em Scorpius, falando em um tom alto o que chamou a atenção das pessoas ao redor.
— Scor, você veio. – ela gesticulava animada, e logo cumprimentava Lydia com um beijo em cada bochecha.
— Eu prometi. – ele piscou para a Weasley. – Tinha me esquecido que você era tão amiga do Zab.
— Sim, ele é um fofo.
Ela deu de ombros com charme.
— Você realmente sabe dar uma festa, Rose. – comentou Lydia, observando os arredores.
A filha de Hermione não se acanhava com elogios.
— Estou desacostumada até, Lydia.
— Para uma garota de vinte e cinco anos você soa como uma velha de setenta anos, Rosie. – brincou Scorpius.
— Olha quem fala. – falou Lydia com os olhos maquiados brilhando ao lado de Malfoy, quem arqueou uma sobrancelha antes de iniciar um beijo com a noiva.
Rose bebeu um pouco da sua bebida, observando distraída o casal do momento. Todos na sala desviavam os olhos ligeiramente para olhá-los melhor, e como eles faziam uma imagem bonita. Ela pigarrou suavemente, rindo da expressão sobressaltada de Scorpius.
— Eu ainda estou aqui, sabe. – seu tom era bem ressabiado.
– E onde está o dono da casa? Faz tempos que não o vejo. – perguntou Scorpius, envolvendo Lydia com os braços.
— Deve estar fazendo o meu papel enquanto as pessoas ainda estão chegando. Fiquei na entrada pela última hora. – ela falou, bebericando da sua bebida acobreada, mesmo odiando o gosto.
Um vinco apareceu entre as sobrancelhas de Lydia.
— Passamos por lá e não havia sombra de Francis. – comentou.
— Bem, deve ser minha deixa então para assumir o posto lá. – Rose não estava muito animada com a perspectiva, mas Zabini cedera a mansão sob as condições de não ter que se estressar com organizações. Ela reanalisou a frase de Lydia. – Conhece Zab?
Um sorriso meigo atravessou o rosto da moça.
— Brincávamos quando nos encontrávamos nas reuniões chatas dos nossos pais, mas mantemos contato ao longo dos anos.
Scorpius cutucou-a com os dedos.
— Poderíamos ter nos encontrado através dele, amor.
Rose dessa vez não se conteve e soltou uma risada carregada de ironia.
— Você se tornou um clichê, Malfoy. – não havia repreensão factual na sua fala. – E você estaria bem mais distraído com “os profundos olhos do Zabini”. – ela fez as aspas com as mãos.
Lydia parecia entretida.
— Então quer dizer que você não teria olhos para mim, ‘corpius? – disse provocante.
— Sorte minha que tenho dois olhos, Ly. – ele tentou fazer charme, conseguindo ganhar um sorriso disfarçado da noiva.
A Weasley bateu as palmas, quase como um aplauso fraco.
— Eu vou rapidinho lá no hall, mas a gente ainda se vê. – se despediu com um aceno, logo desfilando para fora daquela espécie de antessala da verdadeira sala de jantar.
Quanto a roupas, Rose estava definitivamente arrasadora com os cabelos cheios organizados num rabo de cavalo de lado e um terno azulado, sem blusa por baixo, seus saltos praticamente a colocando na altura de Malfoy. Já ele, optara por prender suas longas madeixas loiras e se misturar a multidão com um longo casaco do tipo sobretudo bege e roupas formais lisas, do tipo que Albus chamaria de “o que Draco usa em suas reuniões com o Conselho Mágico”.
Sem Rose para criar distância entre os vários ex-colegas e o casal, logo, um grupo se juntou ao redor deles, muitos olhos curiosos voltados para Lydia. Polux era, na verdade, primo de Scorpius, e já conhecia a Shackelbolt de alguns jantares na casa dos Malfoys, o que ocasionou no monopólio da atenção de Lydia. Ela, na pouco recatada opinião de Scorpius, estava deslumbrante, mas aparências nunca haviam sido o objetivo da garota que ostentava uma blusa de mangas compridas verde-escura de veludo junto de uma calça preta.
A noite só estava começando, e todos tinham ouvidos para as imperdíveis histórias de Scorpius e Lydia sobre um bruxo perdido que haviam conhecido na Normandia. Eles se interrompiam, mas parecia que se completavam. Seus nomes já corriam soltos pelos saguões de Zabini, quem teve sua atenção desviada dos fios de cabelo de Albus ao escutar a comoção quanto ao Malfoy e a Shackelbolt. Potter relutou em deixar o jardim onde pisavam na grama molhada pelo orvalho, mas se Francis agia de forma sem compromisso, ele também se ausentava de todo e qualquer drama. E velhos amigos são velhos amigos.
****
— Não acredito que é você, Malfoy!
A voz melodiosa de Francis ressoa pelos ouvidos de todos na sala de estar, e parece que automaticamente o volume da música é reduzido para dar espaço ao dono da mansão. A festa já tem se estendido por umas duas horas, e agora finalmente os jovens (ainda o são, ora essa!) realizam o intuito da reunião: juntar os velhos colegas em círculos animados regados a bebida e comida servida em travessas voadoras.
A sala de estar se localiza num dos melhores pontos da mansão, com uma varanda acoplada que permite a vista do rio e floresta pertencentes a propriedade dos Zabini. Alguns sofás rodeiam uma mesa de centro baixa que está sendo usada de apoio para os copos de bebida, e as pessoas parecem mais interessadas em conversas do que em dançar.
Francis solta a cintura de Albus, e segue até onde o loiro está recostado, uma das mãos no bolso do longo casaco. As luzes estão baixas, então Scorpius só repara em que o chama quando Francis está a alguns passos dele. Eles se abraçam brevemente.
— Como você está, Zabini? Fiquei sabendo que mamãe e seu pai sempre saem para almoçar. – Scorpius mantem a mão no ombro de Francis, num aperto suave.
— Sim, sim, os velhos continuam grudados. – aqueles ao redor que entreouvem o diálogo soltam sorrisos. – Mas a sua mãe nem me reconheceu umas semanas atrás, não é, Severus?
Albus se mantivera na sombra de Francis e longe dos holofotes que rodeavam Scorpius e Lydia. Dirigira-se na direção de Roxanne Weasley, sua prima e companheira dos tempos de Hogwarts. A grifinóriana já colocava o papo em dia, já que Albus dificilmente frequentava os almoços de família depois da morte da avó alguns anos antes, porém eles estavam simplesmente no sofá ao lado de onde Zabini e Malfoy se reencontravam.
Albus levantou os olhos da sua interlocutora, pegando o fim da conversa de Francis por alto, e concordando com um gesto de cabeça.
— Você ficou extraordinariamente bonito nos últimos anos, Astória não tem culpa.
Francis fingiu-se de envergonhado, mas terminou sorrindo e percorreu o longo sofá para se sentar no braço da poltrona de couro que Potter já fizera sua das suas últimas visitas a casa. Lydia havia se acomodado no braço de um sofá, onde Roxanne e Fred II, seu irmão, faziam a presença da família Weasley na sala. O flerte descarado de Albus gerou uma reação acentuada devido à animação que envolvia a todos, mas gelo pareceu cortar a emoção da galera quando Malfoy selou seus olhos com Potter.
— Oi Al.
Roxanne e Fred II se entreolharam, e o homem ruivo arqueou uma sobrancelha, indicando a situação que Hugo despejara sobre eles quando os encontrara mais cedo na loja do pai deles, George. Era fato que o filho de Hermione e Rony não sabia guardar uma confusão daquele tamanho.
— Hey Scorpius, e aí? – era tão evidente o desconforto dele, principalmente para Zabini quem sentiu o corpo do garoto se endurecer.
A poltrona de Albus formava um L com o sofá onde os Weasleys estavam, do lado de uma lareira inutilizada. Assim, Scorpius o encarava através da sala, apenas a mesa de centro os separando já que Francis não ocultava a visão de Scor mais.
— Tudo certo, será que podemos nos falar? – o loiro estava recostado na parede ao lado da noiva, e indicou com as mãos a varanda entreaberta.
Albus deixou seu olhar vagar claramente para Lydia, quem conversava animadamente com Polux e Roxanne Weasley. Um chiado de falas convergentes na sala abafava o modo como os globos verdes de Potter gritavam ao olhar de Scorpius para a sua noiva.
— Estamos nos falando, Scorpius. – ele respondeu ignorando prontamente a indicação que o melhor amigo fazia.
Sua atenção foi claramente desviada para a conversa entre Francis e Fred sobre as novas lojas da Travessa do Tranco, e Potter incluía comentários detalhistas em meio à conversa. Malfoy desistiu rapidamente da ideia que o acometera no momento que pousara seus olhos no antigo sonserino, mas Shackelbolt entrelaçou suas mãos, tirando-o de seu devaneio.
— Eles estão namorando? – a morena indicou para Zabini e Potter que pareciam muito a vontade no espaço pessoal um do outro.
— Vai saber, Lydia. – ele sorriu para a moça. – Albus odiava Zabini se bem lembro, mas parece que os gostos dele mudaram.
Ela sentiu o azedume na fala dele, e deixou sua mão pousar no pescoço de Scorpius, num carinho calmo.
— Isso não teria nada a ver com o seu namoro com Fran?
Scorpius sorriu internamente com satisfação, mas sua face apenas demonstrou um discreto acatamento da ideia.
— Talvez. – ele cedeu rindo. – Eu nunca achei que ele fosse do tipo ciumento.
— Não me diga, Scor. – Lydia respondeu de braços cruzados.
Ela levantou-se do braço do sofá, e começou a pousar beijos estalados por toda a face de Malfoy, causando nele um ataque de risos baixos, mas que que chamou a atenção dos amigos reunidos no sofá. Siana e Oliver Finnigan tinham acabado de chegar ali e ralhavam com Albus pelos seus sumiços como dois pais preocupados, e Rose parecera se cansar do papel de anfitriã e também encontrava seu espaço entre eles. Os Finnigan já ingressam numa animada conversa com Alice Longbottom, e parecem de fato os tempos de Hogwarts, só faltando os Scamander para completar o grupo.
— Abram o bico, vocês dois, quando vai ser o casamento? – Roxanne sorria com luz e vivacidade, batendo as mãos nas coxas em animação.
Scorpius e Lydia se entreolharam, meio constrangidos por serem o foco da atenção do grupo, mas com um tipo de orgulho.
— Daqui uns seis meses, ainda estamos vendo a data. – é Lydia quem responde.
— Merlin amado, eu correria se fosse vocês. Quase tive que adiar a cerimônia do meu com Xhiang. – fala Alice sempre gentil com seus cabelos caramelo e óculos azulados.
— Ah, como está o capitão Chang? – pergunta Fred animado para Alice. Eles eram parceiros do time de quadribol em Hogwarts, e Fred era goleiro oficial do time liderado pelo esposo da Longbottom.
— Ainda não desistiu do quadribol, ele conseguiu o posto de reserva nos Chudley Cannons semana passada. – ela conta orgulhosa. Todos vibram diante da notícia. – Ficou em casa com a Maxine, nossa filha.
Siana quase engasgou com a bebida que tomava:
— Você já tem filhos, Alice? Desde quando? – ela parece seriamente impressionada.
A moça só sorri e dá de ombros.
— Maxine faz dois anos em março. – ela sorria de orelha a orelha, e quem conhecera a antiga artilheira da Corvinal nunca apostaria na imagem que via agora. – E como foi o pedido de casamento, Lydia?
As bochechas da moça coraram levemente, mas ela suspirou fundo com olhos fixos em Albus, quem parecia concentrado demais em alguns fios de seu casaco.
— Você adora contar essa história, Scor. – ela olhou para o moço mais alto, empurrando-o com o ombro.
Scorpius coçou a cabeça, seus olhos na mesma direção que os da namorada.
— A gente meio que chegou a conclusão juntos, não? – ele sorriu com nervosismo para plateia carregada de expectativa. – Tínhamos perdido o trem que ia do Egito para a Líbia, todas nossas malas lá e meu pai já tinha voltado para Londres, então estávamos bem ferrados.
Os ouvintes riram levemente, e Scorpius prosseguiu com o conto:
— Nós literalmente estávamos comendo uma esfiha quando Ly se virou para mim e disse que a gente deveria se casar.
Lydia deixou de esconder sua face no pescoço de Malfoy e complementou a história:
— Scorpius se virou todo sério, concordou e continuamos a comer. O resto é, bem, história.
— Como vocês voltaram do Egito? – perguntou Rose com curiosidade.
— Eu tenho uns amigos lá então nos salvamos por algumas noites até recuperarmos nossas bagagens.
Albus não conteve a risada incrédula que escapou da sua garganta, atraindo os olhos.
— Nenhuma declaração espalhafatosa? Gesto romântico supremo?
Zabini tentou aliviar a tensão que se espalhava, deslizando sua mão pelos ombros do Potter.
— Nem todos são românticos incuráveis como você, Sev.
Sianna e Rose tentaram fazer piadas sem-graça na mesma temática para desviar o estranhamento, e o resto descartou o comentário dele com risos sem-graça, mas Scorpius cruzara seus braços e parecia decidido a alimentar a conversa afiada de Albus.
— Não sabia que você fazia questão de gestos ultrarromânticos, Albus.
O homem de cabelos pretos arqueou uma sobrancelha.
— Se eu bem lembrava era você quem fazia os discursos melosos, Scorpius.
Roxanne não conteve o assobio.
— Resolvam a tensão sexual de vocês num quarto, garotos. – soltou com seu sorriso malicioso.
— Ele vai se casar, idiota. – respondeu Oliver Finnigan, revirando os olhos para a Weasley.
— Sério, gênio? – ela cruzou os braços.
Rose pegou um copo de uísque de fogo e empurrou na direção de Albus, sorrindo de uma forma muito forçada, até mesmo para ela, a diplomata oficial do grupo.
— Aproveite a noite, Albus Severus. – ela sussurrou entredentes, praticamente caindo no colo do primo ao falar com ele.
Zabini coçou a barbicha que deixava crescer no queixo, e voltou para a figura austera de Lydia, impassível diante das trocas.
— Então... — fez uma pausa, os jovens prestando atenção nele. — preparada para ser a nova senhora Malfoy, Lydia?
Ela sorriu para o velho amigo.
— Sim, mas vou manter meu sobrenome, Fran. – respondeu, ainda nos braços de Scorpius.
— Ninguém mais muda sobrenomes assim, Zabini. – comentou Fred II, mas Francis tinha sua atenção focada em Scorpius de olhos arregalados.
— E o velho Draco não está pirando, mano?
Shackelbolt riu com o noivo diante da eloquência proposital do anfitrião. Zabini não era inconveniente, apenas interessado e engraçado.
— Ele não tem muito o quê fazer quanto a isso, Zab. – respondeu Scor.
Murmúrios de concordância ressoaram entre o grupo. A música da pista de dança que fora instalada no andar de baixo era bem distinguível mesmo com as grossas paredes e chão.
— O Sr. Malfoy perdeu essa ilusão no 5º ano, lembra Siana? Você estava lá quando o Sr. Malfoy, com todo o respeito, Scor, quase desmaiou. – falou nostálgica Rose, com um risinho escondido no seu sorriso.
— O que aconteceu no 5º ano? – perguntou Lydia, e depois beliscou um dos salgadinhos flutuantes, dividindo-o com Malfoy.
Scorpius baixou a cabeça em vergonha e até mesmo Albus deixou um sorriso escapar através de sua carranca.
— Vocês não conseguiriam imaginar a cara que o Draco fez quando o Scor se virou na mesa de jantar, e perguntou “Pai, mãe, vocês não acham que Scorpius Potter soa muito melhor do que Albus Malfoy?”. – contou Siana, sorrindo com uma grande pitada de emoção para Albus.
Todos caíram na gargalhada, se lembrando dos momentos na casa de veraneio dos Malfoys. Albus costumava passar quase as férias inteira lá, mas o resto aparecia para estadias de duração de uma semana, ou mesmo uns dias. Ali, não havia ninguém (até mesmo Lydia) que não saudasse a antiga relação dos melhores amigos para os piores momentos.
— Depois dessa seu pai deve ter desistido, não é? – questionou Francis, lagrimas de riso escorrendo já que ele conhecia muito bem a personalidade de Draco das reuniões de negócios.
Albus encarava as árvores que ricocheteavam umas as outras devido ao vento quando respondeu no lugar de Malfoy, uma expressão distante cobrindo seu rosto.
—Na verdade, Albus Malfoy ficava obviamente melhor, Draco concordou.
Um silêncio tomou conta deles após Albus quase inconscientemente deixar suas palavras escaparem, e os velhos conhecidos viram como num filme Albus se desfazer do embraço de Zabini e sumir pela varanda escura. Scorpius o seguiu meros segundos depois, hesitação se dissipando do seu semblante.
No final da festa, eles comentariam baixo sobre como Lydia continuara sua noite como se nada houvesse acontecido. Como se o seu noivo não houvesse desaparecido acompanhado pelo melhor amigo a quem ele prometia se casar quando tinham seus dóceis dezesseis anos. Ela, de fato, foi uma das últimas a deixar a Mansão, tentada a ficar pela madrugada.
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